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A minha Amiga Maria

Quinta-feira, 25.03.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.770 – 25 de Janeiro – 1985

A minha amiga

 

A minha amiga Maria veio da Bélgica para visitar a velha Mãe. Foi uma “coraçonada” – não aguentou a saudade e veio.

Ela é emigrante e a mãe tem 85 anos. De vez em quando larga tudo e todos e aparece aí.

Cumprida a finalidade de peregrinação – fez a via-sacra – da saudade. Bateu de porta em porta em procura de um abraço, a lágrima, a palavra, o sinal de agrado que lhe provassem a amizade retribuída que sente e oferece.

--“ Cá não se vive bem! – Dá pena! Mas – por lá também já não é como era!”

Maria partiu de cá há longos anos, com o seu homem e uma boa ninhada de crianças.

Os tempos correram como rio caudaloso…

As raparigas belas, fortes, trabalhadeiras – já casaram.

-- “Com portugueses – Graças a Deus!” – Os filhos já namoram e já ganham para se governar. Vão ficar por lá. Um embeiçou-se por uma espanhola, o outro por uma francesa.

Maria quer regressar. “Puxa-a mãe” – puxa-a a saudade.

Maria quer regressar. “Puxa-a a saudade” – puxa-a a saudade.

Puxam-na os costumes, as tradições: - cantares ao som de roncas em Natais rapados de farturas mas, fartos de esperança… São Mateus de fé com luzes e tendas cheias de coisas brilhantes, bonitas, que só de vista podia – então – conhecer…

Pergunta por todos. Todos quantos serviram. Directa, sem complexos, sem maneirismos nem fingimentos.

- “As senhoras precisavam do meu trabalho, eu do vosso dinheiro”.

    “Não me esqueço de quem me estimou!”

-- E, quer saber! - este? Aquele? – O outro?

Regozija-se com os êxitos de uns, sofre com os fracassos, as tradições da sorte acontecidas a outros.

-- Pergunta angustiada – “O que poderá fazer?”. Comove-se como quando fala dos netos.

Faz projectos: “no Verão venho 3 meses! Vou lá ajudar!”

-- “Servi os pais por precisão minha, vou servir os filhos por precisão deles” – Graças a Deus posso fazer isso”!

-- Conclui naturalmente…

Tem casa em Espanha, que o marido é espanhol.

-- “Vai ficar a viver em Badajoz?”

-- Responde à minha pergunta: - “pois vou Senhora! – Mas venho, na carrinha, todas as semanas buscar água para beber, a “Giri Váz” – que aqui a nossa terra é que é os nossos amores”.

-- “Lá, a gente, às vezes junta-se só para falar disto de cá!... – Lembramos tudo: - o bom e o mau!”

-- “Senão! – senão, não se aguenta – mesmo comendo e bebendo do bom e do melhor!”

É assim a minha amiga Maria!

Maria – entre as Marias – que de manga arregaçada meteram os braços fortes a amassar o pão dos seus, criando riqueza e conforto em países distantes… - que bom, que voltes por amor à terra – encontrando o pão da alma – no consolo de pisar o chão da tua infância de criança pobre – e bebendo a água fresca da fonte de “Giri Váz” – passeio de lazer e regalo que aprendeste pela mão de pais e avós!...

Maria – entre as Marias, força e alma dum povo – que enquanto andar assim vivo nos corações tem direito a um lugar na história e na geografia do mundo.

 

Pátria sagrada de povo

Que emigrado – ganha-pão

Estás repartida – mas viva

Se te bate o coração!

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:09


6 comentários

De Xavier Martins a 25.03.2010 às 01:03

Mais um excelente texto.
Como sempre nos tem habituado aqui neste seu
belissimo blog.
Os meus Parabens

É uma alegria ter acesso aos seus artigos.
Um abraço

Xavier Martins

De maria José a 25.03.2010 às 21:39

Meu Bom Amigo a generosa fidelidade da sua presença, cá me vai estimulando no esforço, nem sempre conseguido, de retomar alguns velhos hábitos que sustentavam muito do meu interesse pela vida.
Creia que se fosse possível escrever só com o pensamento já o meu Amigo se teria cansado de ler os meus comentários.
Que nos alimente a esperança!
Um abraço - maria José

De Aristeu a 25.03.2010 às 01:05

Minha querida tia
Hoje venho rapidamente deixar um grande
beijinho.
Tenho imenso trabalho na faculdade pelo que
passo a correr...

Um grande beijinhos e fique com Deus
Do seu sobrinho

Aristeu

De Maria josé a 25.03.2010 às 21:49

Meu querido sobrinho
Quando li o seu comentário senti saudades do temp em que eu própria tinha obrigações a cumprir.
Agora que sou como que uma milionária do tempo deixo-o correr ou esbanjo-o sem dó nem piedade.
Ultimamente tenho quase brincado às bonecs fazendo roupinhas de bébés para as filhas das amigas.
Olhe lá do que a distância livrou a Mag!
Há horas de sorte!
Beijinhos para todos com muito carinho
Tia Zé

De KIKO a 26.03.2010 às 10:33

Olá tiazinha
Que artigos lindos a minha tia publica.
Estou encantado com o que escreve.
A minha professora de Português diz que o seu
blog é muito bom, que ela segue e lê os seus
artigos todos os dias.
Gosta muita forma como a tia escreve e conta a
vida. Que o seu português era invejavel.
Que bom, fiquei muito contente e disse-lhes
que era minha tia. Ficaram muito admirados
mas gostaram da ideia - eu também.

Muitos beijinhos para a minha querida Tia Zé
Do seu sobrinho

Kiko

De Maria João Brito de Sousa a 31.03.2010 às 17:45

Santa Páscoa! O computador vai encerrar. Desculpe-me a pressa!
M. João

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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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