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Um perfil... um sapato ... um par de botas !

Domingo, 28.03.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1776 – 8 de Março de 1985

Um perfil – um sapato – um par de botas !

 

Bocage, disse de si próprio, com crueza e amarga lucidez, olhando-se de frente:

“Magro, de olhos azuis, carão moreno 

Bem servido de pés, meão n’altura,

Triste de facha, o mesmo de figura,

Nariz alto no meio, e não pequeno”

Bocage conhecia-se e denunciava-se:

“Prazeres, sócios meus e meus tiranos.”…

Bocage reconhecia:

“Não forçam corações as divindades,

Fado amigo não há, nem fado escuro:

Fados são as paixões, são as vontades”

Da sua obra genial – o talento – forjou-lhe “o perfil” que vai resistindo ao tempo, como resistiu à má sorte que em vida o perfilhou.

Parece assim, que o perfil, se recorta a partir da dimensão humana, do valor e do mérito de cada pessoa.

Desenhar primeiro o perfil e querer em seguida preenche-lo, é como que: - querer criar um personagem de ficção.

Entre viver e representar (ainda que de forma bem convincente) vai a distância que separa o: ser  de – o parecer…

Mesmo o príncipe da Gata Borralheira, quando mandou que todas as donzelas do reino experimentassem o sapatinho encantado sabia que: - a mais linda princesa que jamais fantasiar se pudera, nos mais ousados sonhos – existia.

Até nós sabíamos!

Todos nos lembramos de a ter visto no baile graças aos mágicos sortilégios da fada madrinha.

… Mas, as fadas, já não exercem. Os anos de inocência estão cada vez mais curtos e, como tal, já ninguém espera soluções de maravilhoso ou fantástico para o que quer que seja.

Até as abóboras já têm o preço dos coches “desses tempos” e, portanto, não são necessárias varinhas de condão para as transformar no que valem: - Ouro.

Dadas estas reais circunstâncias, parecia mais certo que em vez de se procurar “um perfil” se procurasse gente que nos olhasse de frente definindo-se com a lucidez crua do Poeta:

   

Nós veríamos então quem teria “perfil” para nos ajudar a libertar da má sorte que nos perfilhou.

Alguém (que não se pinte bonito e com tons suaves de pura ficção) – alguém recto, duro talvez – mas inspirado – que acredite que mais alto do que os vícios e corrupção tem que brilhar para a história dos tempos a força de alma do povo que espera e merece ter futuro!

Traçar primeiro o perfil – tem seus perigos. Pois, como o sapatinho de cetim da princesa só servirá à pessoa criada e a mais ninguém…

 

É como o minucioso recorte para o líder do novo partido!

Tão justo! – Tão exacto! – Tão à medida! – Que já nem se sabe qual é a tarefa mais penosa – se meter os pés em tão cingida e bem moldada forma – se descalçar esse mesmo par de botas…

 

Maria José Rijo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 02:06


4 comentários

De Anónimo a 28.03.2010 às 02:35

Comentário apagado.

De Gustavo Frederich a 29.03.2010 às 01:13

Retrato próprio

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste da facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno.

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno:

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades:

Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.

Bocage

____-

O poeta asseteado por amor

Ó Céus! Que sinto n'alma! Que tormento!
Que repentino frenesi me anseia!
Que veneno a ferver de veia em veia
Me gasta a vida, me desfaz o alento!

Tal era, doce amada, o meu lamento;
Eis que esse deus, que em prantos se recreia,
Me diz: <
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Retrato próprio

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste da facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno.

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno:

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades:

Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.

Bocage

____-

O poeta asseteado por amor

Ó Céus! Que sinto n'alma! Que tormento!
Que repentino frenesi me anseia!
Que veneno a ferver de veia em veia
Me gasta a vida, me desfaz o alento!

Tal era, doce amada, o meu lamento;
Eis que esse deus, que em prantos se recreia,
Me diz: <<A que se expõe quem não receia
Contemplar Ursulina um só momento!

>>Insano! Eu bem te vi dentre a luz pura
De seus olhos travessos, e cum tiro
Puni tua sacrílega loucura:

>>De morte, por piedade hoje te firo;
Vai pois, vai merecer na sepultura
À tua linda ingrata algum suspiro.>>

Bocage
---

Mas tambem hgosto de outros.
--

Que bom que hoje nos trouxe bocage.
Fiquei tão contente que não resisti em deixar aqui
um beijinho especial para a Senhora minha tia.
Desculpe não ter aparecido - quer dizer - apareci
só não lhe escrevi nada - o que lamento.
Minha tia
ainda espero um outro dos seus poemas - esses
sim - que tanto me agradam.´
Por vezes é como ler pedaços da minha alma...
pedaços algures perdidos nesta alma - que por
vezes penso abandonada até por mim.
Nem imagina a falta que me faz olhar "a minha "
floresta negra... mas que saudades...

-
Tiazinha
por cá vou andando - ainda algo perdido - no
entanto foco a luz ao fundo do tunel...
pretendo alcança-la...
Aprendo imenso consigo - pelo menos já sinto a
vida de outra forma.

Um grande grande beijinho
deste seu sobrinho que a adora
GUS


--------------------

Minha querida Tia
qyue confusão foi o meu comentario anterior.
Por favor apague o anterior e fica este outro
no lugar daquele.
Nem sei o que aconteceu.
Queira a minha Tia desculpar-me.
---

Fica então novo beijinho
e desejos de boa semana

do seu Gus

De Xavier martrins a 29.03.2010 às 01:15

Nem mais
outro texto maravilhoso.
São todos actualissimos - os seus artigos.
Inacreditavel a sua maneira de escrever.

Os meus IMENsoS Parabens

Com admiração

Xavier MArtins

De amigos do concelho de aviz a 30.03.2010 às 00:05


É em defesa da cultura que convido todos os interessados a participarem nos VIII Jogos Florais de Avis, uma iniciativa dos Amigos do Concelho de Aviz – Associação Cultural e cujo regulamento pode ser consultado em: www.aca.com.sapo.pt
Fernando Máximo

De Gustavo Frederich a 30.03.2010 às 10:41

Retrato próprio

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste da facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno.

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno:

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades:

Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.

Bocage

____-

O poeta asseteado por amor

Ó Céus! Que sinto n'alma! Que tormento!
Que repentino frenesi me anseia!
Que veneno a ferver de veia em veia
Me gasta a vida, me desfaz o alento!

Tal era, doce amada, o meu lamento;
Eis que esse deus, que em prantos se recreia,
Me diz: <
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Retrato próprio

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste da facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno.

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno:

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades:

Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.

Bocage

____-

O poeta asseteado por amor

Ó Céus! Que sinto n'alma! Que tormento!
Que repentino frenesi me anseia!
Que veneno a ferver de veia em veia
Me gasta a vida, me desfaz o alento!

Tal era, doce amada, o meu lamento;
Eis que esse deus, que em prantos se recreia,
Me diz: <<A que se expõe quem não receia
Contemplar Ursulina um só momento!

>>Insano! Eu bem te vi dentre a luz pura
De seus olhos travessos, e cum tiro
Puni tua sacrílega loucura:

>>De morte, por piedade hoje te firo;
Vai pois, vai merecer na sepultura
À tua linda ingrata algum suspiro.>>

Bocage
---

Mas tambem hgosto de outros.
--

Que bom que hoje nos trouxe bocage.
Fiquei tão contente que não resisti em deixar aqui
um beijinho especial para a Senhora minha tia.
Desculpe não ter aparecido - quer dizer - apareci
só não lhe escrevi nada - o que lamento.
Minha tia
ainda espero um outro dos seus poemas - esses
sim - que tanto me agradam.´
Por vezes é como ler pedaços da minha alma...
pedaços algures perdidos nesta alma - que por
vezes penso abandonada até por mim.
Nem imagina a falta que me faz olhar "a minha "
floresta negra... mas que saudades...

-
Tiazinha
por cá vou andando - ainda algo perdido - no
entanto foco a luz ao fundo do tunel...
pretendo alcança-la...
Aprendo imenso consigo - pelo menos já sinto a
vida de outra forma.

Um grande grande beijinho
deste seu sobrinho que a adora
GUS


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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

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