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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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As Margens Sacralizadas do Douro Através de Vários Cultos

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 3074  - 2 de Junho de 2010

.

As Margens Sacralizadas do Douro Através de Vários Cultos

 

Quando terminei a leitura deste belo livro – da autoria de Dalila Pereira da Costa – que me deixou a sensação de encanto de quem tivesse feito uma viagem de descoberta a um mundo tão maravilhoso que quase se afigura de fantasia - impôs-se-me uma certa necessidade de meditar nos caminhos que a humanidade, através dos tempos, tem percorrido na procura do Absoluto.

Na procura de uma explicação para os fenómenos da vida que nos cerca, na procura de pistas que nos conduzam a essa decifração e consequente entendimento. As várias formas de culto com que sempre se incensaram os “deuses”imaginados, as atitudes e os artifícios usados consistiam na estratégia usada para lhes conquistar tolerância, protecção, cumplicidade ou benesses.

Desde as épocas mais remotas, sempre a humanidade admitiu ou necessitou adorar as divindades a que atribuía o poder de reger ventos, tempestades, céus, marés e luas e, sempre a imaginação humana se rodeou de símbolos que criava, evocava, desenhava e gravava como marcas nos caminhos que percorria intentando a compreensão desses desígnios.

Sempre admitiu que caçadas frutuosas, investidas contra inimigos, êxitos ou reveses, conquistas e vitórias necessitavam da protecção desses seres que admitia serem donos de todos os destinos.

Sendo a água um bem imprescindível para a vida, as margens de muitos rios foram, desde as épocas mais remotas como que “estradas” percorridas por gerações e gerações que nelas imprimiram sucessivamente as marcas da sua passagem e vivências.

Nelas se encontram os vestígios representativas do percurso evolutivo do ser humano, dos seus mitos e anseios, das lutas pela sobrevivência que, assim foram “sacralizando” esses lugares, deixando neles os testemunhos da história  que convidam à sua defesa e conservação como culto da memória desse passado que por mais remoto que seja é como que um ADN identificador do percurso da humanidade.

E, porque uma coisas, chamam outras e, nenhum de nós, se pode abstrair por completo do meio em que vive, saltou-me ao espírito a evidência, de como, também, são “sacralizados” pela fé os caminhos que, na nossa terra, evocam, envolvem ou conduzem ao Santuário do Senhor Jesus da Piedade.

Eles são bem as margens de uma corrente de vida, de um rio de esperança, que as gerações e gerações de peregrinos e penitentes que por eles, não em procura de deuses pagãos ou ídolos como desde o Paleolítico até à Idade do Ferro, e de outras épocas posteriores as margens do Douro registaram, mas, desde 1837 da nossa era cristã as percorreram e percorrem para louvar a Deus.

Só o amor e o conhecimento sacralizam os lugares se o coração dos homens tiver dimensão para o entender e alma para agradecer o dom da Vida respeitando as memórias do passado que serão inevitavelmente os suportes do conhecimento do futuro - se o soubermos merecer.

Destruir ou vandalizar, de qualquer forma, o que a história reconhece como memória viva e herança para o futuro, é deixar vazio, sem alma, o caminho sacralizado que recebemos por herança.

“ O essencial é invisível aos olhos “ disse Sant – Exupéry

E, como o Princepezinho, jamais me cansarei de o repetir e procurar entender…

 

                  Maria José Rijo

 

 

P.S.

Prometi voltar quando pudesse. Calhou agora.

E, se Deus quiser, pode calhar de vez em quando.

Obrigada ao “Linhas”e, aos Amigos que me “ cobravam”o silêncio

                                 Maria José

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