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As Margens Sacralizadas do Douro Através de Vários Cultos

Quarta-feira, 02.06.10

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3074  - 2 de Junho de 2010

.

As Margens Sacralizadas do Douro Através de Vários Cultos

 

Quando terminei a leitura deste belo livro – da autoria de Dalila Pereira da Costa – que me deixou a sensação de encanto de quem tivesse feito uma viagem de descoberta a um mundo tão maravilhoso que quase se afigura de fantasia - impôs-se-me uma certa necessidade de meditar nos caminhos que a humanidade, através dos tempos, tem percorrido na procura do Absoluto.

Na procura de uma explicação para os fenómenos da vida que nos cerca, na procura de pistas que nos conduzam a essa decifração e consequente entendimento. As várias formas de culto com que sempre se incensaram os “deuses”imaginados, as atitudes e os artifícios usados consistiam na estratégia usada para lhes conquistar tolerância, protecção, cumplicidade ou benesses.

Desde as épocas mais remotas, sempre a humanidade admitiu ou necessitou adorar as divindades a que atribuía o poder de reger ventos, tempestades, céus, marés e luas e, sempre a imaginação humana se rodeou de símbolos que criava, evocava, desenhava e gravava como marcas nos caminhos que percorria intentando a compreensão desses desígnios.

Sempre admitiu que caçadas frutuosas, investidas contra inimigos, êxitos ou reveses, conquistas e vitórias necessitavam da protecção desses seres que admitia serem donos de todos os destinos.

Sendo a água um bem imprescindível para a vida, as margens de muitos rios foram, desde as épocas mais remotas como que “estradas” percorridas por gerações e gerações que nelas imprimiram sucessivamente as marcas da sua passagem e vivências.

Nelas se encontram os vestígios representativas do percurso evolutivo do ser humano, dos seus mitos e anseios, das lutas pela sobrevivência que, assim foram “sacralizando” esses lugares, deixando neles os testemunhos da história  que convidam à sua defesa e conservação como culto da memória desse passado que por mais remoto que seja é como que um ADN identificador do percurso da humanidade.

E, porque uma coisas, chamam outras e, nenhum de nós, se pode abstrair por completo do meio em que vive, saltou-me ao espírito a evidência, de como, também, são “sacralizados” pela fé os caminhos que, na nossa terra, evocam, envolvem ou conduzem ao Santuário do Senhor Jesus da Piedade.

Eles são bem as margens de uma corrente de vida, de um rio de esperança, que as gerações e gerações de peregrinos e penitentes que por eles, não em procura de deuses pagãos ou ídolos como desde o Paleolítico até à Idade do Ferro, e de outras épocas posteriores as margens do Douro registaram, mas, desde 1837 da nossa era cristã as percorreram e percorrem para louvar a Deus.

Só o amor e o conhecimento sacralizam os lugares se o coração dos homens tiver dimensão para o entender e alma para agradecer o dom da Vida respeitando as memórias do passado que serão inevitavelmente os suportes do conhecimento do futuro - se o soubermos merecer.

Destruir ou vandalizar, de qualquer forma, o que a história reconhece como memória viva e herança para o futuro, é deixar vazio, sem alma, o caminho sacralizado que recebemos por herança.

“ O essencial é invisível aos olhos “ disse Sant – Exupéry

E, como o Princepezinho, jamais me cansarei de o repetir e procurar entender…

 

                  Maria José Rijo

 

 

P.S.

Prometi voltar quando pudesse. Calhou agora.

E, se Deus quiser, pode calhar de vez em quando.

Obrigada ao “Linhas”e, aos Amigos que me “ cobravam”o silêncio

                                 Maria José

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publicado por Maria José Rijo às 21:40


7 comentários

De Xavier Martins a 02.06.2010 às 21:52

Mas que alegria!
Regressou com um artigo de 2010.
Devo confessar que já o tinha lido porque estive
hoje em Elvas e comprei o jornal.
É claro que nem sempre o compro, embora dê
uma vista de olhos, mas mais nada... hoje fiquei
muito Feliz e comprei o Linhas.
Havia um artigo seu para minha alegria.

Pois então - muitos PARABENS por ter
regressado.
Deixou-me muito feliz.

Com admiração
Xavier Martins

De Maria José a 03.06.2010 às 19:47

Meu bom Amigo
Soubesse eu a morada de um, que fosse, dos meus amigos que por aqui me acompanham e, já vos teria enviado uma planta da cidade de Elvas. Eu sei que até aos museus sabe ir. Comprar o jornal , também. Sei que, com sua Mulher, também reza no Senhor Jesus da Piedade.
Só não sei, é porque andando tanto por perto, sempre - todos - "tão longe me estão ficando"
Obrigada pelo apoio e, parabens pela belezura de gatos que tem. Curioso que também tivemos uma gata que seguia o meu marido como uma sombra.
Um abraço gande - Maria José

De Gus a 03.06.2010 às 00:46

Graças a Deus!
A Senhora minha Tia voltou a escrever.
Um artigo novo - deste 2010.
Um grande beijinho.
É bom te-la de volta.
Muitos beijinhos

GUS




De GISA a 03.06.2010 às 00:49

Minha tiazinha
Cá estou eu de novo. Desculpe ter desaparecido
assim mas tenho andado muito doente... de
novo...
Agora regressei a casa de novo.
Estou melhor.
Que bom ter regressado com artigos novos,
deste ano. Fico Feliz.

Adorei a sua gatinha. É tão fofinha e tão
fotogénica.
Parecem fotos de revista.
Linda LINDA .

Beijinhos

Gisa

De Maria José a 03.06.2010 às 19:53

Querida, muito querida
Muitas vezes tenho dito á Paulinha que sentia a sua falta e temia que estivesse doente. Contava ,a té perguntar por si. Felizmente que deu notícias. Não serão as melhores, visto que esteve doente, mas saber que está melhor já nos alegra o coração.

beijinhos, tia zé

De Madalena Azevedo a 04.06.2010 às 14:43

Boa tarde
É com imenso prazer que lhe comunico o quanto
gosto e admiro a Senhora.
Conheci-a quando foi vereadora da Cultura da
Câmara de Elvas e fiquei a admirar imenso a sua
maneira de ser, a a sua amabilidade, simplicidade e
espontaniedade.
Gostei imenso da sua maneira de comunicar.
Resumindo gostei imenso de a conhecer.
Agora vivo longe no Norte do Pais e num dia destes
numa pesquisa que fiz na net - encontrei-a (já lá
vai um ano) ...
Tenho lido tudo e até imprimi algumas coisas de que
muito gostei (espero não se importe).
E só hoje me resolvi em escrever um comentario
de agradecimento por ter estas suas maravilhas
on-Line e dar acesso a todos que muito a apreciam.
O meu bem haja por esta iniciativa.
Um grande beijinho
desta sua amiga

Madalena Azevedo

De maria José a 07.06.2010 às 12:02

Madalena Azevedo
Que simpático da sua parte aparecer. Obrigada.
Dos tempos de vereadora, guardo mágoas por algumas coisas, mas guardo lembranças maravilhosas de oportunidades que a vida me ofereceu. Continuo a pensar que há coisas que ou se fazem por ideal ou não se fazem. Tenho ainda hoje por grande amiga uma funcionária que um dia me enfrentou perguntando: - porque anda aqui?- não ganha, trabalha os dias inteiros, sofre incompreensões - não precisa disto!
Defendo coisas em que acredito - ideais. Respondi-lhe. Ela olhou-me comovida e, assim nos entendemos até hoje.
Assim, com estes e outros apoios de coração se vai fazendo o caminho.Agora chegou o seu. Obrigada
Um abraço Maria José.

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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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