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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

Vida por vida

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1803 – 13 de Agosto de 1985

Vida por Vida!

 

De noite, de dia, a qualquer hora toca a sirene – e prontamente os bombeiros aparecem sem saber para o que são chamados – mas dispostos para a tudo acudir.

Neste tempo quente, estão, as sucessivas chamadas, por cá, e as notícias de outros fogos de norte a sul do Pais, ligam-se de tal maneira que, dir-se-ia que a frente do fogo tem toda a largura de um imenso Verão.

E se é verdade que todos nós que ouvimos silvar a sirene, com diabólica frequência - para além do sentimento de angustia que nos fica – continuamos nos nossos lugares do costume – é verdade, também, que os bombeiros, como por instinto, tudo largam  para acorrer ao dilacerante apelo.

A qualquer hora, deixam a comodidade relativa dos seus postos de trabalho – a sombra aconchegada das suas casas,o repouso das suas noites, e, prontos, disponíveis – prestáveis – abnegadamente aparecem onde são precisos.

Há cerca de 50 anos, num livrito de escola onde a minha geração aprendia a ler, havia um pequeno texto elogiando a actividade dos bombeiros, que começava assim:

“Vida por vida – é o seu lema”

Depois, ensinava as crianças a descobrir o sentido e o significado da palavra: - Abnegação.

Coisas que na adolescência se fixam para sempre!

Presentemente é mais fácil o acesso a livros e a jornais para toda a gente – (mais escolas, mais bibliotecas) e, a crescer, para vincular noticias e conhecimentos – aí estão a rádio e a televisão.

Penso, penso e creio que: - se em lugar de se propagandear tanto, o mal que certas organizações fazem – se valorizasse o bem que outras proporcionam – muita gente havia de extravasar o seu amor pela valentia, com atitudes nobres, em vez de se exibir em fanfarronices e provocações, na procura de emoções fortes.

Parece-me que aqueles (Já com idade que lhes permite conduzir automóveis e motorizadas) que pela calada da noite, fazem na via publica – (entre histerismos de gritinhos e gargalhadas excitantes de acompanhantes) – acrobacias de temeridade acéfala – poderiam e deveriam ser levados a ponderar o que é, na verdade, a coragem.

Coragem – por vezes – é conseguir ficar indiferente às beliscaduras de falso amor próprio, e não pactuar com atitudes que com frequência, originam os perigos – escusados – dos corajosos autênticos – os bombeiros – que abnegadamente arriscam a vida para acudir, até aos que por capricho, virilidades duvidosas, falta de maturidade, etc, etc… - com atitudes de falsa segurança, provocam verdadeiras catástrofes, das quais  por vezes, são as primeiras vitimas.

Era bom – era muito bom que , de uma vez por todas, se  entendesse que a coragem não é fanfarronice, nem temeridade, e se a coragem por vezes envolve riscos – implica sempre o uso da razão – quer dizer: da inteligência.

 

Maria José Rijo

 

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