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Os energúmenos!

Segunda-feira, 05.07.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1807 – 18 de Outubro de 1985

Os energúmenos!

 

Contaram-me dos toldos rasgados, e fui ver.

Era verdade sem tirar, nem por!

Já nem fui certificar-me da história do cisne e do pato…

Brindei-me com a dúvida, não quero perder o gosto de acreditar nas pessoas.

Não queria!

É que pela noite dentro, quando os que trabalham descansam – ou procuram descansar – se as preocupações do quotidiano lho permitem – os energúmenos atacam a cidade indefesa – como os lobos que descem das serras para dizimar os rebanhos.

Só que os lobos – Deus assim os fez, são animais de pesadelo e solidão que da fome e do instinto de sobrevivência, tiram a força para uivar o seu medo, e juntando a alcateia desesperadamente, matar para comer e viver – como é do seu trágico destino.

Mas os Energúmenos?

Porque sendo da raça humana, tendo o estômago cheio, dispondo de roupas, motorizadas de marca (o que se pressupõe mesadas e semanadas para o que der e vier…)

-- Porquê?? – Dão nas suas mentes tanto espaço a instintos diabólicos?

-- Porquê?? – Atacam como os lobos – rindo ferozmente – como se uivassem – e rasgam com navalhas toldos de estabelecimentos e atentam os bens alheios?

Porque usam a mais leviana e cruel insensatez nos seus actos, como se fossem lobos vorazes, usando os dentes para dilacerar o corpo das vítimas?

Porquê? Porquê?

Aos lobos e outras feras – excita-os a fome. Seres humanos – porquê – tiram do mal tanto prazer?

Rapazes ainda – porquê? Porque são novos?

Nas Primaveras as hastes prometem flores e frutos sãos. Se tal não acontecer é porque houve pragas ou cataclismos.

Será o nosso tempo praga tal?

Será que alguns pais ao demitirem-se da difícil tarefa de educar – substituindo-a pela de – facilitar,não reconhecem criar o espaço para que a libertinagem use a máscara da livre e engraçada irreverência – tão própria dos jovens.

Será que a independência e a dignidade, andam com as roupas do excesso, do abuso impune e da irresponsabilidade, que forçosamente patrocinam a degradação que insulta, agride e corrompe?

E, parece-me tempo de ponderar. Porque, se a praga cresce, tudo infesta!

 - É, mais prudente curar um foco de doença do que permitir que ela se torne epidemia… incontrolável.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 09:56


3 comentários

De Zé de Melro a 05.07.2010 às 12:19

Espero que Elvas possa contar com V.ª Ex.ª não para nos trazer o Chorão de volta, mas para evitar mais "Requalificação"
Venho, por favor pedir-lhe outra vez que se interessa a V.ª Ex.ª leve este assunto ao "Linhas de Elvas"

Muito e muito obrigado!

De Maria José Rijo a 07.07.2010 às 16:12

Zé de Melro
Penso que me atribue capacidades que me transcendem. Obrigada, no entanto pela atenção que me dedica.
Zé de Melro identifica-me, não eu a ele.
É uma situação desigual.
Cumprimentos - Maria José Rijo

De xavier martins a 06.07.2010 às 14:51

Muito bom este texto
Um texto actual - porque ainda hoje em dia
essa situação é bem provavel que aconteça.
Como sempre mais um artigo actual.

-

Estou em banhos - na zona de Portimão e claro
o portatil está comigo.
No Alentejo está um forno aqui pelo menos corre
um arzinho especial - o mar é uma paixão.

Com amizade

Xavier Martins

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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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