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Menina que não conheço…

Sábado, 14.08.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1827 –  7 de Março de 1986

Menina que não conheço…

 

Não te conheço. Sei apenas que és criança. Sei que tens 13 anos e também nos contaram que tens cabelos negros.

Não te conheço mas estive à tua espera.

Não te conheço e estive angustiada tempo, que me pareceu sem fim, a pensar em ti e a desejar que estivesses bem.

Sei que és de Varche – ou, pelo menos que lá moras.

Mas… eu conto-te e tu vais compreender.

Tu vieste à cidade no sábado, com outras colegas da mesma idade. Vieram visitar, no Museu, uma lição de música ilustrada, que foi preparada, com carinho, para meninas e meninos com idades pequenas, como a tua.

Mas, a certa altura, não sei porquê, tu separaste-te do grupo r desapareceste.

Então, aquele bondoso e amável senhor que vos trouxe que vos trouxe e se encarregara de vos levar também de volta para casa… então menina?

-- Então, ficou aflito, assustado a procurar-te.

Subiu e desceu escadas, viu em cada canto e recanto se por ventura lá estarias, desesperado sem saber de ti.

Quando cheguei junto dele, tomei para mim também aquele fardo de medo – que dividido parecia mais suportável e, começamos a falar da esperança de que tu, porque és criança, não avaliando o mal que fazias se tivesses regressado a casa sem prevenir.

Sabias que tua mãe estava na cidade e escolheste regressar com ela.

Parece simples e certo! Parece?

Só que está errado! Está profundamente errado, que não tenhas prevenido o senhor que te trouxe de qual era o teu propósito.

 

Só que está profundamente errado que não tivesses pensado  que transformaste  em aflição a alegria  das pessoas  que pensaram em ti para te oferecer um passeio de estudo.

Percebes menina de Varche com cabelinho negro de 13 anos que, qualquer pessoa, a quem é confiada uma criança precisa, merece e deve saber porquê e para onde se afasta uma cabecinha morena, loira ou arruivada que esteja à sua guarda?

Percebes agora que errado foi o que fizeste?

Percebes, menina de Varche

-- menina que não conheço?

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 00:43


4 comentários

De Xavier Martins a 15.08.2010 às 02:04

mais um artigo especial de tantos que
publicou e ainda tem para publicar.

Os meus Parabens
Xavier Martins

De Maria José a 16.08.2010 às 20:55

Meu Amigo, já deduziu por certo que os meus artigos no Linhas eram quase como um diário onde registava o minha vivência com a cidade, o que torna a variedade de assuntos absolutamente louca.
Agora que os releio pela mão da Paulinha, que fez a recolha e os vai publicando, muitas vezes tenho a impressão que ela está esvaziando uma dispensa atafulhada de coisas juntas ao acaso.
Tem o seu quê de pitoresco receber de presente o que foi nosso e, às vezes nem a memória já guarda registo.
Um abraço grato da amiga
Maria José

De Dolores a 15.08.2010 às 02:09

Imagino o transtorno que foi esse dia!
São muito queridas as crioanças mas dão-nos
sempre preocupação e quanto mais velhas
preocupaç~oes dobradas.

E a tia como está?
Muitos beijinhos
Nós por aqui cá vamos andando.

Beijinhos tia
DOLORES

De Maria José a 16.08.2010 às 21:15

Meus muito queridos
é sempre bom receber notícias vossas e saber que a nossa Princezinha está bem.
Na verdade ter a responsabilidade de crianças não é tarefa fácil. Muitas vezes, com a melhor das intenções aranjam situaçoes difíceis de resolver e chegam a correr perigo sem se darem conta.
Na nossa casa havia sempre crianças - sobrinhos que se revezavam, um mes um, outro mes outro, quando meu marido e eu eramos novos. Depois o tempo foi passando e nós próprios fomos evitando assumir essas rsponsabilidades .
Hoje, tenho uma empregada há mais de trinta anos e uma gata que passeia por cima de tudo.
Parece de Circo, mas tem um focinho lindo.
Vou pedir à Paulinha para lhes mostrar a " prenda"
beijinhos para os três da tia Zé

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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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