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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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E porque não ?

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3.088 de  16 de Setembro de 2010   

E, porque não?

.

Depois de ler, com atenção, quer as cartas de dois proprietários de imóveis de “cara suja”, quer o ultimato camarário para a cosmética do pó de arroz no Centro Histórico, decidi expor, como quem pensa em voz alta, o que pode passar na mente do cidadão comum frente a estas circunstâncias.

Que salvar o património é urgente e necessário.

 É óbvio.

Mas, como fazê-lo?

Como podem os proprietários, com as rendas que publicamente declaram, proceder ao milagre?

Não lhes vislumbro saída.

Porém, a Câmara, declara, também publicamente, que poderá executar essas obras dada a confessada impossibilidade de os visados as assumirem, para depois, cobrar coercivamente as verbas dispendidas.

Vejamos então:

Se existe essa probabilidade e, a entidade decisora pode suportar os custos, porque não contrata essas obras com os Senhorias podendo depois, ressarcir-se a si própria, com o dinheiro das rendas, já que impondo-as, como quem lhes encosta uma espada ao peito, parece admitir que essas verbas são suficientes para cobrir o investimento a fazer!

E, porque não?

 

Descontada a ironia que sempre nos merecem decisões, que se nos afiguram tomadas de forma tão fria, que ao primeiro olhar se nos mostram tão inconsequentes como injustas, não será o caso de ser pensado “um programa global de recuperação da cidade antiga” com cabeça tronco e membros, que não hostilize os proprietários, tenha em linha de conta as dificuldades monetárias dos inquilinos e que, salvando da ruína a velha urbe, dignifique a Câmara que o criar?

Parece-me pouco provável que não haja hipótese viável dentro das múltiplas possibilidades que temos visto acontecer para obras, nunca mais urgentes e necessárias do que no caso em foco...

 

É que, um pouco mais… já nem precisa ser muito mais, e muito de Elvas será apenas lembrança irrecuperável de um passado de que davam testemunho histórico.

Pôr pó de arroz no rosto, pode embelezar, porém, necessária, imprescindível, seria a obra de fundo que tornasse apetecível habitar no centro histórico, salvando a fisionomia exterior, mas actualizando as condições do “conteúdo”

Recordarei sempre Sortelha!...

E, acabo de vir de Guimarães onde, também, muito se pode aprender, sobre o tema.

Eu, até penso que, se, se tivesse prestado cuidada atenção à proposta do Senhor Manuel António Torneiro, construindo o teleférico para acesso ao Forte da Graça, Elvas teria muito mais turismo e o Forte não teria chegado ao deplorável estado em que se encontra.

 

Outra notícia que não entendi foi:

Numa altura em que é possível determinar datas de obras de há milhões de anos, e de tudo o mais que apareça, seria assim tão difícil verificar se os Meninos da Casa Pia, mentiam ou não, ao afirmar que a casa dos meus queridos e respeitados vizinhos Nunes tinha salas que se evaporaram?

Porque não testaram a data dos materiais?

Cada vez me convenço mais que – para além da evidente tragédia, houve aproveitamentos oportunistas por falsas vítimas que acabaram por criar outras que atiraram para a fogueira.

Neste nosso País, onde a inveja é,” não um sentimento, mas um sistema” como escreveu um

filósofo português –José Gil – (cotado entre os 25 grandes pensadores de todo o mundo) não são para admirar estas e outras incoerências …

 

 Maria José Rijo

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