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E porque não ?

Quinta-feira, 16.09.10

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3.088 de  16 de Setembro de 2010   

E, porque não?

.

Depois de ler, com atenção, quer as cartas de dois proprietários de imóveis de “cara suja”, quer o ultimato camarário para a cosmética do pó de arroz no Centro Histórico, decidi expor, como quem pensa em voz alta, o que pode passar na mente do cidadão comum frente a estas circunstâncias.

Que salvar o património é urgente e necessário.

 É óbvio.

Mas, como fazê-lo?

Como podem os proprietários, com as rendas que publicamente declaram, proceder ao milagre?

Não lhes vislumbro saída.

Porém, a Câmara, declara, também publicamente, que poderá executar essas obras dada a confessada impossibilidade de os visados as assumirem, para depois, cobrar coercivamente as verbas dispendidas.

Vejamos então:

Se existe essa probabilidade e, a entidade decisora pode suportar os custos, porque não contrata essas obras com os Senhorias podendo depois, ressarcir-se a si própria, com o dinheiro das rendas, já que impondo-as, como quem lhes encosta uma espada ao peito, parece admitir que essas verbas são suficientes para cobrir o investimento a fazer!

E, porque não?

 

Descontada a ironia que sempre nos merecem decisões, que se nos afiguram tomadas de forma tão fria, que ao primeiro olhar se nos mostram tão inconsequentes como injustas, não será o caso de ser pensado “um programa global de recuperação da cidade antiga” com cabeça tronco e membros, que não hostilize os proprietários, tenha em linha de conta as dificuldades monetárias dos inquilinos e que, salvando da ruína a velha urbe, dignifique a Câmara que o criar?

Parece-me pouco provável que não haja hipótese viável dentro das múltiplas possibilidades que temos visto acontecer para obras, nunca mais urgentes e necessárias do que no caso em foco...

 

É que, um pouco mais… já nem precisa ser muito mais, e muito de Elvas será apenas lembrança irrecuperável de um passado de que davam testemunho histórico.

Pôr pó de arroz no rosto, pode embelezar, porém, necessária, imprescindível, seria a obra de fundo que tornasse apetecível habitar no centro histórico, salvando a fisionomia exterior, mas actualizando as condições do “conteúdo”

Recordarei sempre Sortelha!...

E, acabo de vir de Guimarães onde, também, muito se pode aprender, sobre o tema.

Eu, até penso que, se, se tivesse prestado cuidada atenção à proposta do Senhor Manuel António Torneiro, construindo o teleférico para acesso ao Forte da Graça, Elvas teria muito mais turismo e o Forte não teria chegado ao deplorável estado em que se encontra.

 

Outra notícia que não entendi foi:

Numa altura em que é possível determinar datas de obras de há milhões de anos, e de tudo o mais que apareça, seria assim tão difícil verificar se os Meninos da Casa Pia, mentiam ou não, ao afirmar que a casa dos meus queridos e respeitados vizinhos Nunes tinha salas que se evaporaram?

Porque não testaram a data dos materiais?

Cada vez me convenço mais que – para além da evidente tragédia, houve aproveitamentos oportunistas por falsas vítimas que acabaram por criar outras que atiraram para a fogueira.

Neste nosso País, onde a inveja é,” não um sentimento, mas um sistema” como escreveu um

filósofo português –José Gil – (cotado entre os 25 grandes pensadores de todo o mundo) não são para admirar estas e outras incoerências …

 

 Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 14:05


9 comentários

De Giane a 16.09.2010 às 16:35

Essas incoerências não ocorrem só em teu país, Maria José.
Aqui no Brasil, também temos incoerências ainda mais absurdas que as detalhadas em teu texto.
Acredito que não só inveja, mas onde corre muito dinheiro, sempre haverá "incoerências"...

Beijos mil!!!

De maria José a 08.10.2010 às 16:20

Minha Amiga Giane
Uma das coisas boas da net, senão a melhor, é trazer para perto quem está longe.
Que alegria comunicar consigo , sentir afinidades de pensamento e, contá-la como amiga
Um abraço
Maria josé

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