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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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"A Cidade do Homem" - Amadeu Lopes Sabino

CONVERSAS SOLTAS

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3092    de 14   Outubro de 2010

 

A propósito de:

“A Cidade do Homem”

O mais recente livro de Amadeu Lopes Sabino, Escritor (com maiúscula) que sendo português e elvense, duplamente nos orgulha

 

Como é natural, não tenho a ousadia de me meter por meandros, que pareçam, sequer, querer levar-me a fazer critica deste livro cuja leitura me encantou.

Não devo, até por respeito para com o escritor cuja obra de há muito sigo com particular interesse, extravasar as minhas limitações.

Sendo isso verdade, vou ater-me, já que o prazer desta leitura, não me permite silêncio - a contar um episódio antigo que a sua leitura reavivou no meu espírito e me induziu a um “convívio”de maior encanto com esta narrativa singular.

(Foto J.L.E.)

Em 1943, acabada de sair do Liceu, cheguei a Elvas vinda lá desse Baixo-Alentejo, onde a planície se espraia como a imensidão do mar. Pelo caminho, já a paisagem, em si, por ser também Alentejo, e tão diferente, me prendera a atenção. Depois uma paragem forçada, sob um arco das Portas de Olivença, por onde entrei na cidade fechada nas muralhas, tocou a minha alma num deslumbramento de quem num passe de mágica tivesse voltado a um passado só idealizável em sonhos.

 Era como se recuasse no tempo e mergulhasse na história.

 Era a porta aberta para o imaginário.

A cidade, com seu cariz medieval, suas ruas estreitas, prédios altos, poucos largos, rica de belas igrejas e “passos”, com suas fontes, sua praça maior no centro, coroada pela Sé, sua luz alilazada ao entardecer tinha no todo como que um casto pudor da sua beleza, uma nobreza austera e discreta de quem se sabe guardiã de segredos que se pressentem e, de que cada pedra, cada “forte,”cada recanto, davam testemunho.

Vão sessenta e sete anos. A cidade mudou.

Mudar era inevitável.

Felizmente para melhor - algumas vezes.

Noutras - não tanto, como tudo nesta vida.

Mas…

“A Cidade do Homem” – está aí.

E, é esse livro que venho agradecer, em meu nome e em nome de muitos outros leitores anónimos, como eu.

A Cidade do Homem traz-nos, partindo de factos e personagens reais, a “tal” magia do imaginário numa recriação documentada, da biografia de António Dinis da Cruz e Silva magistrado e poeta, que nas querelas entre o Bispo D. Lourenço de Lencastre e o Deão da Sé de Elvas, D. José Carlos de Lara, se inspirou para escrever o Hissope, obra literária, que havia de ficar celebre pela sua qualidade no mundo das letras, e, considerada até, como um dos dois ou três melhores poemas herói-cómicos da literatura ocidental. (segundo os seus biógrafos.)

Amadeu Lopes Sabino, bem merece figurar entre os autores que Elvas sempre lembrará com orgulho e gratidão até por trazer à tona valores de Elvas de que os “de casa” às vezes – vezes demais - esquecem.

 

          Maria José Rijo

 

 (Foto J.L.E.)

Este livro vai ser apresentado à imprensa no dia 12 de Outubro, e terá uma segunda apresentação ao público, em geral, no dia 25 de Novembro, na Biblioteca Municipal de Elvas.

Creio que os elvenses não faltarão à chamada.

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