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O REDUTO DOS AVÓS…

Terça-feira, 09.11.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1866 –  12 de Dezembro de 1986

O REDUTO DOS AVÓS…

 

A História das famílias de agora, começa em “Hoje”.

O convívio entre as pessoas, é a troca de meia dúzia de comentários na “bicha” do pão, pela manhã, na “caixa” do supermercado, nas horas de ponta, no balcão da pastelaria ou do bar, frente á “bica”, a correr, depois de cada refeição.

O humano ponto de referência de cada família, corta-se o mais cedo que se pode… temos todos tanta pressa! … Mas, se ao menos soubermos para onde vamos…

Vive-se dentro dum padrão uniformizado.

O filho fica com o biberão, na creche, no jardim da escola. O Pai e a Mãe ficam separados os dias inteiros, correndo atrás do dinheiro para o sustento, cada qual para seu lado.

O Avô e a Avó, ficam com todo o tempo, do seu entardecer, para remoer a saudade e a solidão, no albergue, no lar, no canto frio duma casa vazia…

E neste padrão higienizado, de criar e engordar meninos, com toda a assepsia, é a televisão que conta a história, igual para todos, e é a chucha ou o ursinho de peluche que fazem a ligação com o mundo, ao adormecer… que a voz doce e fraca da Avó, do Avô ou da velha Tia… estabeleciam, falando, aconchegando a roupa da cama… oferecendo presença e apagando a luz, quando a criança já dormia tranquilamente.

Nesta vida consumista, apressada, mal pensada, onde nada se adapta ou aproveita … onde se compra, usa, deita fora… cresce o lixo e a população até nos costumes.

As Avós, que se veneravam, se escutavam religiosamente, (mesmo quando rabujavam) e aí se aprendia a paciência e a deferência… As avós acompanhavam na doença, contavam velhas lendas, histórias de família, pormenores de existência que atavam passado e presente… já não cabem nesta sociedade de urgências.

A sua herança de cultura, de experiência de vida, subtrai-se á formação dos novos com o mesmo sentido “estético” com que se corrige a feição que desagrada.

Por estas razões e outras mais, prolifera a “série” e se perde a qualidade.

 

Estive no reduto dos Avós… ali em Vale de Marmelos. Estão lá docemente acarinhados, mimadas, alojadas como em família… as Avós… que também nós um dia seremos.

E se é verdade que não fomos ainda capazes de as integrar, como também ainda o não fizemos aos deficientes, num quotidiano enriquecido pela presença de todos… saibamos pelo menos, com respeito e gratidão, reconhecer que desde a direcção ao pessoal que os serve e cuida… estão com os “nossos Avós” … os “netos” e os “filhos” … que todos devíamos saber e querer ser.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 16:11


1 comentário

De Xavier Martins a 09.11.2010 às 16:44

Boa tarde
E Parabens por mais este artiguinho e acredite
que ainda me lembro de ter lido este artigo.
Alguns marcam-nos por pormenores.
Este quando saiu - ainda estava a minha sogra
no Lar Vale de marmelos - e ela era muito bem
tratada e gostava de lá estar. Junto dela estava
uma amiga de infancia - que por coincidencia ali
se encontraram, tantos anos depois.
Passavamo tempo a recordar a juventude.
Obrigado por o publicar .
Com amizade

XAvier MArtins

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