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Vamos lá ver se nos entendemos...

Sexta-feira, 03.12.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1817 – 27 de Dezembro de 1985

Vamos lá ver se nos entendemos…

 

Para a distribuição das casas, ditas do matadouro, abriu a Câmara concurso em devido tempo, avaliou os processos dos requerentes e publicou as listas provisórias dos possíveis beneficiários e suplentes – depois da apreciação caso a caso, que se crê seria e justa.

Foram 4 fogos distribuídos a funcionários camarários numerados de 1 a 4 e uma lista geral numerada de 1 a 14.

Como em todas as pautas de todas as partes do mundo, a posição de ordem num resultado, quer dizer a hierarquia da classificação final – ou seja: - a posição na prioridade a receber o bem requerido.

Acontece que depois das eleições autárquicas, a Câmara “descobriu” que cometera uma (?) injustiça na distribuição dos ditos fogos?

- E, como resolveu a equipa camarária repor essa justiça?

- A saber:

Eliminou o número 1 da lista pessoal da Câmara, foi à lista geral buscar um substituto  para o seu lugar e deu  o lugar que assim vagou, na geral, à pessoa que na opinião deles sofrera a injustiça.

(Ora bem! – dentro deste critério preparemo-nos todos para ter o P.R.D. na Câmara porque o lugar número 1 de João Carpinteiro é coisa de somenos…)

Esta sublime decisão foi tomada na última sessão da Câmara, na última quinta-feira dia 19.

Do resultado deste loto não foi sequer publicada a lista dos premiados. Preveniram-nos discretamente para ir à Câmara assinar os contratos sexta-feira dia 20 – noticia que a Rádio também vinculou à população, (à revelia da Câmara)

Que perguntas ou comentários faço?

Possivelmente nem metade das que fazem, e se fazem, as vitimas destes maquiavélicos métodos.

Mas… levanto a questão:

-- 1º -- Porque se substituiu o primeiro da lista e não o ultimo?

-- 2º -- Porque se aguardou o resultado das eleições para fazer esta substituição?

-- 3º -- Qual o critério seguido na repartição de bens públicos?

-- 4º -- Será que, como em testamento, se legou “aos mais fiéis servidores” – como se fossem bem privados – bens da cidade que são de direito rigorosa pertença dos mais necessitados?

Faço estas perguntas como cidadã responsável.

Faço estas perguntas como voz de quem sofre e chora e não as sabe fazer.

Faço estas perguntas por respeito ao Sr. Largueiras e outros homens velhos como ele, que afirmam com raiva que quem ganha o poder – esquece os pobres e só se enche!

Faço esta pergunta porque estou à beira de pertencer ao elenco camarário – para onde irão transitar membros desta Câmara com quem terei que trabalhar e que tanto precisam de me conhecer como eu a eles.

Faço esta pergunta porque É NATAL e eu acredito nas pessoas.

Faço estas perguntas porque sou um ser humano que erra e falha como os outros e que por essa razão dá aos outros a oportunidade de se reerguerem e seguirem tão verticalmente em frente como eu própria desejo saber fazer.

Com o mais fervoroso espírito de Natal vos desejo

BOAS FESTAS

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 23:52


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