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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Histórias com receitas e mezinhas - 12

Jornal Linhas de Elvas

Nº - 3.123 – 19 de Maio de 2011

Histórias com receitas e mezinhas - 12

“A papa substancial”

 

Meus Avós paternos, ao fim de alguns
anos de casados, convencidos de que não teriam descendência adoptaram uma menina ainda vagamente aparentada.

Logo nesse ano nasceu meu pai e dois anos após, minha tia Feliciana Isabel, sua única irmã.

Cresceram os três juntos - o Lico, a Tita, e a menina a quem chamavam “mana”.

[lico+e+Tita.jpg]

Meus Avós morreram novos, meu pai e
minha tia ficaram órfãos ainda crianças e, passando a viver com os tutores,
perderam-se de sua “mana”que, já mulherzinha, regressou à família de origem.

O tempo passou, não se esqueceram uns
dos outros e, logo que tiveram autonomia para tal, procuraram-se durante anos
até que aconteceu o reencontro que os tornou felizes, já sendo meu Pai, por
essa data casado e minha irmã e eu, em idade escolar.

Começaram então as visitas recíprocas.

A prima, assim lhe chamavamos, já de
certa idade, era alegre, brincalhona e, como fora professora e estava habituada
a crianças prestava-nos muita atenção o que nos encantava.

 

Tinha  filhos, já homens, fortes e espadaúdos, que faziam um perfeito

 contraste com minha irmã e comigo que pertencíamos à categoria
dos “trinca espinhas”.

[10anosescola.jpg]

 Achou-se ela então no dever de alvitrar remédio para tal
magreza recomendando a “poção mágica” com que criara a sua prole.

Assim uma vez que pernoitamos em sua
casa preparou-nos o “tal” pequeno almoço substancial.

Acontece que eu não suportava papas de

farinha mas, bem advertida por minha Mãe de que tal não deveria confessar
porque não gosto ou não quero, não eram expressões aceitáveis na boca, de
meninas educadas, comecei a engolir o pitéu com a alegria de quem bebesse um
purgante.

 

Porém, olhando pela janela descobri uma mosca na vidraça,

e  no momento em que a prima se ausentou por instantes,

 com a cumplicidade de minha irmã,
levantei-me da mesa, e com a cortininha da vidraça matei a mosca que
rapidamente deitei dentro do prato da papa já meio comida.

Quando a prima voltou, com um jeito contrito,
desculpei-me e suspirei aliviada julgando-me livre de comer mais.

Então, solícita, a prima mandou que me retirassem o prato e voltassem a servir.

 Nunca mais esqueci esta história que ainda agora me faz sorrir.

 

Aqui fica a receita do caldo substancial
que, reconheço , até é saboroso, nas proporções relativas à dose de quem o
servia a toda a família…

 

Farinha de trigo torrada------1.kg

Farinha de aveia --------------5oog

Farinha de fava ---------------5oog 

Farinha de batata ------------500g

Farinha de arroz --------------500g

Fosfato de cal ------------------ 50g

Cacau --------------------------500g

 

Pode fazer-se com água ou com leite e
adoçar com mel ou açúcar.

 

Maria José Rijo

 

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