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Ninguém Sabe...

Quarta-feira, 25.05.11

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.005 – 25 de Agosto de 1989

A La Minute

Ninguém sabe…

 

Estive de férias. Andei uns dias por fora e, se me distraio, quase que perdia, o jeito de viver subordinada aos esquemas que quebraram os meus velhos hábitos de rotina.

Trago desta pequena aventura de “dolce far-niente” algumas lembranças para reter.

 

Uma, de alegria – ganhei, um presente - um exemplar de uma edição de 5000, que a Câmara de Cuba

mandou fazer – e de pronto se esgotou – da obra de Manuel de Castro – o poeta de quem já tenho falado e do qual todo o cubense se orgulha. Um amigo, acautelou, para me oferecer a pequena colectânea e, com esse gesto, deu-me ainda mais gosto do que ele próprio teria pensado.

Lendo e relendo “As Deixas” não para de crescer em mim a admiração por aquele homem, quase analfabeto, crente, quase místico, apaixonado pela natureza, tolerante com o seu semelhante e de inteligente lucidez critica, em relação ao meio que o cercava, que torna a obra quase “biográfica” da sociedade envolvente e que à força de meditar – como se pode depreender, até por alguns dos motes que glosou procurava entender e amar a vida para além do sofrimento e da pobreza que lhe foram fiéis até à morte.

                  http://cuba.no.sapo.pt/paginas/cuba-interesse/cuba-mata.htm 

                               

  “ É rica, tem nome fino

É pobre, tem nome grosso

É rica, teve um menino

É pobre, pariu um moço.

De intuitiva filosofia:

Sino coração de aldeia,

Coração sino da gente

Um a sentir quando bate,

Outro a bater quando sente.

 

 

 Ou de um lirismo de grande clássico:

 

Varejai, varejadores

Apanhai, apanhadeiras

Apanhai os bagos de ouro

Que caem das Oliveiras

Ou:

Já não posso ser contente

Tenho a esperança perdida

Ando perdido entre a gente

Não morro nem tenho vida

 

Ou, ainda, com ironia:

 

Ó moças, queiram-me todas,

Que o meu pai é muito rico,

A fortuna do meu pai

Leva-a um pássaro no bico.

 

 

Outra recordação é de pesadelo – a maré negra!

Ver o mar mais asqueroso que um esgoto sujo exalando um cheiro quase asfixiante a petróleo.

Ver as rochas onde as crianças brincavam e identificavam exemplares pequeninos da fauna marinha que na maré baixa ficavam retidos nas lagoazinhas, que se formam em todas as cavidades, a escorrer alcatrão!

Assistir ao êxodo de gaivotas e maçaricos como para anunciar que a vida ali morrera! – E, tudo isto numa zona que se poderia considerar – sem favor – de reserva ecológica – é coisa que jamais se esquece – e ninguém sabe se Deus poderá perdoar!

 

Maria José Rijo

 

                                                                             

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publicado por Maria José Rijo às 00:23


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