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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Quem conta um conto...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.035 – 23 de Março de 1990

A La Minute

Quem conta um conto…

 

 

O grande meio de expansão das histórias tradicionais através dos tempos, foi a oralidade.

Raramente os contadores de histórias as saberiam escrever e, o facto de ter sido de boca em boca,

sem forma fixa, que elas passaram de geração em geração, se algumas vezes as
empobreceu outras, também, as poderá ter enriquecido. Não é em vão que se afirma que,
quem conta um conto, lhe acrescenta um ponto - o que equivale a dizer que assim as
histórias se irão reformulando indefinidamente.

Quase todas as lendas e
contos têm um fundo comum, fazendo até pensar que umas se enraízam nas outras e
que foi ao serem interpretadas e transmitidas através de varias épocas e
sensibilidade, que tomaram um pouco a feição dos povos e gerações que as

Saber ler, à luz de épocas passadas, teve “cotações” variadas.

Foi, até, também, considerado como um sinal de falta de nobreza.

Dos regulamentos militares, já neste século, ainda constava uma velha clausula

que obrigava  “dever o sargento saber ler, pois podia o oficial ser fidalgo e não saber ” .

Assim, a leitura, poderia ser mais um serviço que a plebe prestava à fidalguia.

Talvez até, que por circunstancias destas, o termo escriba, que em rigor pode

significar: - doutor de lei tenha sido usado, muitas vezes, com sentido pejorativo

 para designar escrevinhador de bagatelas.

Sempre houve tendência de alguns para fazer parecer menor a obra de outrem.

Mas, reparo agora nos “pontos” que já à juntei à historieta que nem sequer contei ainda…

-- Um piolho aborrecido
por sugar sempre o sangue do mesmo involuntário hospedeiro, antes de mudar para
outro recomendou à família:

“Se vos disserem que
morri entre unhas arranjai testemunhas.

Se vos disserem que
morri em água quente esperai-me sempre.

Se vos disseram que
morri no lume de algum lenho não me espereis,

que já cá não venho… ”  

 

Fosse esta história de agora impossível seria até ao sábio piolho

enumerar as marcas de produtos que ameaçam qualquer um da sua espécie.

De qualquer modo se esta historieta pode valer um sorriso, também merece alguma

atenção pela maneira jocosa que usa como denúncia dos hábitos de miséria que refere.

 

Maria José Rijo

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