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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Palavra e palavras...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.910 – 16 de Outubro de 1987

A La Minute

Palavras e palavras…

 

 

NÃO e NUNCA, são palavras muito diferentes.

NÃO, pode ser mutável, pode transformar-se em talvez, ou até em sim.

NUNCA, é definitivo, pesa como a morte!

 

Pensava nisto a propósito duma carta de criticar bem intolerante que me foi dirigida.

Contrariamente ao que o seu signatário possa pensar, não rejeito os reparos que faz.

Repudio sim, e com veemência, a influência que a minha atitude possa ter tido na formação da criança referida, que por não ter recebido na hora aprazada o prémio prometido (que já recebeu) disse “nunca” à sua fé na minha palavra.

É que – NUNCA – e repito, NUNCA fiz deliberadamente fosse o que fosse para ferir alguém; menos o faria a uma criança.

É que – NUNCA – e repito, nunca me julguei e afirmei – infalível, ou detentora privilegiada de qualquer verdade que me tornasse acima do comum.

Reconheço assim a minha falha, embora involuntária, e dela me penitencio pedindo publicamente desculpa às crianças que magoei e a seus pais pelos danos causados.

 Assumo pois o erro, e reconheço que deveria ter dado na altura esta explicação:

A companhia de Bailado chegou a Elvas ao anoitecer para descarregar o material no Cine-Teatro, e porque outro espectáculo ia ali decorrer e o espaço disponível era exíguo para tão volumosa bagagem, a camioneta foi pernoitar, carregada, na abegoaria da Câmara.

Acontece que às 6 horas da manhã todo o material tinha que ser descarregado no palco para que às 7, pontualmente, como se verificou, começasse o trabalho de montagem de cena.

Frente a esta circunstância, aceitei a sugestão “que me sopraram” para se encurtar a permanência no Cine-Teatro, não fazendo ali a distribuição dos prémios às crianças, para que o Senhor Massano (que homem ímpar!) pudesse, ainda que sem descansar sequer umas escassas horas,preparar o espectáculo .

 

Confesso que não medi a repercussão que iria ter o facto de não ter explicado, de imediato, o sucedido – o que lamento.

Sem azedume, todos poderemos aproveitar a maré para pensar e repensar…

-- Os pais das crianças (que são já tão radicais na apreciação dos outros para afirmarem tão indignamente: NUNCA! ) – se terá chegado o momento de lhes incentivar o sentido da tolerância que se deve à condição humana – ou – se para tal já perderam onze anos …

 

Por mim, que de quanto sonho, sempre fico aquém e me recuso a radicalismos fico com as sensatas palavras do Tio de Beethoven que o consolava dizendo:

 

“ Meu filho! – so és obrigado a fazer o que podes.

Quem diz que querer é poder, quer muito pouca coisa”

 

 

Maria José Rijo

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