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Comidas tradicionais, ou, a sabedoria do povo - 15

Quinta-feira, 07.07.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº - 3.130 de   7   Julho de 2011

Historias com mezinhas e receitas 15

Comidas tradicionais, ou, asabedoria do povo

 

Dos Açores, para alem da memória da página do livro de geografia da escola primária com o desenho das nove pequenas ilhas sobre um fundo azul que queria significar – mar - e, de umas quantas linhas que indicavam as coordenadas da sua posição relativa ao resto do mundo, nada sabia.

Quero dizer, sabia-lhes o cheiro a sal, a tragedia da solidão e o encanto de serem ilhas cercadas de mar por todos os lados, como se aprendia na escola e mais o deslumbramento que escorre com que rebentam nas rochas, da poesia e de “mau tempo no canal”de Vitorino Nemésio.

Era isso que guardava comigo quando a vida me fez “dar à costa” por essas paragens
para o meu particular descobrimento…

Quer dizer, para o meu deslumbramento.

Lembro-me e ter respondido a quem me perguntou que, se tivesse caído de olhos vendados num qualquer povoado açoriano teria respondido sem hesitar, mal me deixassem ver em redor, que sabia estar em Portugal.

 

o mesmo não diria da paisagem e das culturas. Necessariamente foram as
condições climatéricas ambientais que  determinaram
muitos dos seus usos e costumes quer no artesanato quer na gastronomia quer até no vestuário.

 

 

Na ilha do Pico, onde me deram a receita de geleia de mão de vaca, que hoje
ofereço, vi grandes culturas de inhame e, aprendi a saborea-lo mexido com ovos e linguiça como por cá se faz com a batata.

 

 

que a sua preparação tem um ritual especial porque em cru, queima na língua  mais do que piri-piri e produz nos incautos um ardor nas mãos como provocam as urtigas.

Por lá reina o gado bovino e muito da sua cozinha típica assenta nessa riqueza, até as “albarcas,”calçado hoje em desuso, eram feitas artesanalmente de pele de
vaca curtida.

A vaca tudo fornece.

São os doces de leite, as massas sovadas ricas em manteiga, é a sopa do Espírito Santo, é a alcatra – acepipes afamados! – é o cozido nas furnas, são os queijos, tudo, mais ou menos provem da mesma origem.

 

 

 

Da vaca até as partes menos nobres se utilizam na gastronomia

Assim que a mão de vaca que guisada com batata, com feijão ou grão também por lá se faz e é devidamente apreciada, já não tenho conhecimento que com  ela também seja usual entre nós prepara-la como sobremesa em especial para crianças.

 

 

 

Foi-me ensinada assim:

 

Aproveita-se o caldo da cozedura da mão ( que deve cozer até que a carne se despegue dos ossos) e se vai sempre limpando da espuma e, na medida do possível também da gordura que vem ao de cima enquanto ferve.

Côa-se esse caldo por um passador de pano.

Mede-se e junta-se 250 de açúcar (de preferência de cana) por  litro.

Adiciona-se bastante casca de limão e paus de canela

Volta ao lume para ferver em cachão e retira-se.

Guarda-se em louça ou vidro e come-se como qualquer gelatina.

Costuma utilizar-se como suplemento alimentar.

 

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 15:54


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