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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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Encontros com o inesperado

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.895 – 3 de JULHO de 1987

A La Minute

Encontros com o Inesperado

 

Gostava de conhecer a criança que respondeu a um inquérito de rádio dizendo que ler um livro na Biblioteca era um bom programa para um dia de férias.

Eu não ouvi. Contaram-me.

Contaram-me e fiquei contente. Gostei de o saber.

Não se vá daqui deduzir que julgo que, isso tem alguma coisa a ver comigo. Não. Não é isso.

E apenas, penso que todos temos que aprender uns com os outros e gostava de conviver com essa criança que tendo gostos afins dos meus, poderia, porventura, ajudar-me a ir ao encontro de outras crianças para que fizessem a descoberta que ela já fez:

-- Ler é bom!

-- Ler é importante!

-- Ler é necessidade!

-- Ler pode ser considerado, também, como um saudável entretenimento.

-- Ler pode até tornar-se um vício.

 

Nesse caso confirma o aforismo que diz:

“Não há regra sem excepção”, pois que, desta vez – o vício – seria virtude.

Saber do depoimento desta criança arreiga no meu espírito, a justiça de certas atitudes que, olhadas apressadamente, quase parecem sem justificação.

Lembro a noticia que li, sobre a criação de uma escola num ponto isolado da costa inglesa, para que os dois filhos do Faroleiro, que estavam em idade escolar, tivessem acesso ao seu direito de aprender. Fora considerado “como crueldade” separa-los dos pais, a quem o dever de profissão obrigava a tal isolamento.

Ergueu-se uma escola para dois alunos.

Não é o caso – mas – posso talvez deduzir que também é justo que mesmo para “poucos” ou “raros” uma biblioteca possa funcionar, ou um programa musical, ou de teatro, ou de qualquer outra matéria, com intenção formativa de qualidade social.

Serei, uma pessoa, entre outros, que, não sendo adepta ao futebol, respeita a promoção que se faz dessa disciplina do desporto.

 Penso, é certo, que esse horizonte foi aberto a outros ramos, eles virão, algum dia, a ocupar também, o lugar a que, porventura, tenha direito. Estou convencida de que canto, bola, dança, teatro, investigação, etc, rtc. … Deveriam ser enquadrados nos programas escolares com o mesmo respeito que merecem a história ou a matemática.

Lamento, sim, que se deixem avolumar algumas coisas de tal forma que elas acabem por encobrir outras também respeitáveis. Da coexistência dos vários sectores dependerá a boa saúde do tecido social.

Apercebi-me agora de que estou “ainda” a continuar uma longa conversa que tive com um interlocutor que, com correcta frontalidade fez a critica que lhe pareceu justa ao meu trabalho, que nalguns sectores muito reprova.

Foi numa tarde quente, amenizada pelo requinte da hospitalidade com que no Hotel D. Luís, nos acolheu a “A Associação Barman de Portugal” – que nos convidara porque ali encerrou um curso de formação.

Foi um convívio agradável e, já gora, confesso que se a critica não teve o sabor do – desejado – me deixou a impressão curiosa de mais um encontro com – o inesperado.

 

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