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UMA CARTA

Domingo, 30.10.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.968 – 9 de Dezembro de 1988

A La Minute

UMA CARTA

 

Inesperadamente, chegou às minhas mãos, uma carta de JOANA LUISA, que foi mulher de SEBASTIÃO DA GAMA.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em Maio, eu escrevi aqui, “A presença do Poeta” referindo Sebastião da Gama. Foi este o motivo.

Não foi a primeira vez que me escreveram cartas, postais, ou me telefonaram a falar de apontamentos que aqui faço. Em boa verdade, isso tem acontecido com alguma frequência, o que, confesso, embora me seja grato, muito me responsabiliza.

Sempre, que me disponho a apontar algumas ideias, procuro fazê-lo subordinando-me a alguns princípios que me norteiam – honestidade e rigor.

 

Sendo a opinião que se expressa um exercício resultante de um critério assumido por escolha e eleição de valores que tomamos por padrão, toda a opinião, agradável ou desagradável, envolve juízo crítico – e se torna por sua vez passível de ser criticada.

Não admira pois que ao ler: “… gostei do que escreveu e achei enternecedora a forma como captou a personalidade de Sebastião transmitida pelo pais saudosos” - me tenha, com estas palavras inesperadas, sentido compensada pela falta  de outras – que, por vezes, não vieram, daqueles que, na opinião do nosso coração, no-las deviam.

Falar de alguém que se conheceu, se conhece, se admirou ou admira – não é – penso eu, a tarefa fácil que pode parecer.

Quem mereceu ou merece a nossa estima ou admiração e fazendo-nos nascer esses sentimentos enriquece a nossa vida – merece o nosso respeito e tem direito ao rigor de que formos capazes, porque aí reside o segredo da admiração e a qualidade da amizade que lhe votamos.

Ter de pessoas ou obras o conhecimento que permita o conhecimento de que nos é lícito delas falar aguça o gosto de o fazer e o medo de falsear a imagem que se evoca pela facilidade de mistificar a que, o amor, predispõe.

Assim que, a carta de Joana Luísa, (a que ainda não respondi) se me afigurou a carta natural, “da mulher” de Sebastião da Gama, como ela ternamente escreve.

Joana Luísa não me escreveu por eu ter dito de Sebastião o que dele merece ser dito, - escreveu-me porque sentiu que era isso que eu gostaria de ter feito – e, por isso, lhe estou grata.

Vou procurar entre a minha papelada o retrato de que falei no tal artigo, para lho enviar, como seu expresso desejo – e mais uns outros que julgo ainda conservar. Às vezes pedem-me estas coisas e quando percebo que o interesse é verdadeiro – vou-as dando. As colecções, de jornais, completas, já as dei quase todas.

De qualquer modo, um destes dias, se Deus quiser, vou-lhe escrever para agradecer a carta que me forneceu a oportunidade, que me tornou feliz, de ter “encontrado” Joana Luísa no rasto de beleza que deixou a vida e a poesia de Sebastião da Gama.

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 11:19


2 comentários

De Gisa a 30.10.2011 às 14:07

Minha querida tia
finalmente consegui chegar ao blog .
Já nem me lembro se lhe contei mas acabei de
adoptar um menino porque perdi um dos meus...
estou muito triste mas parece que a vida é assim.
Chama-se Sebastião - como o grande poeta aqui
do seu belo artigo. è muito bonito e um querido,
tem um aninho e é uma fofura.
E a tia como está?
E a sua saude? Espero que esteja bemzinha,
agora o tempo já não é grande coisa mas...
espero que esteja bem.
Desculpe ter faltado tantas vezes aqui neste seu
e nosso cantinho mas nem sempre a vida nos deixa
fazer o que mais gostamos.
A tia sabe que é verdade.

Muitos beijinhos tia
muitas saudades

GISA

De Maria Augusta Torres a 30.10.2011 às 14:22

Minha boa amiga
Cá estou eu de regresso depois de uma
ausencia forçada.
Sabe que estive outra vez na Suiça, é que a
saúde esta muito periclitante, coisas da idade...
Isto qualquer dia termina sem eu dar conta...
espero em Deus Nosso Senhor que assim seja, não
é verdade minha amiga?

Mas já estou de volta, Graças a Deus é que a nossa
casa é o melhor de todos os lugares do mundo.
Hoje tem aqui um artigo muito bom sabe que o
meu marido e eu conhecemos o Sebastião da
Gama na Arrabida, nos tinhamos por lá uma
casinha e por vezes iamos passar umas
temporadas e numa das vezes cinhecemo-nos.
Era um homem excepcional.
Adoramos conhece-lo.

Fico Feliz amiga.
E a sua saude - vamos bem?
Espero e desejo que sim.
Um beijinho amiga

MAria Augusta Torres

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