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FIM DE PROGRAMA

Segunda-feira, 21.11.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.936 – 15 de Abril de 1988

A Lá Minute

FIM DE PROGRAMA

 

Acabou o programa de Joaquim Letria.

Faz falta – melhor – fazem falta, programas vivos, variados, bem pensados – como primam, por o ser, aqueles que Letria produz. Se é verdade que por vezes algumas situações nos surpreendem e até se tornam um tanto embaraçosas, outras vezes deixam-nos apontamentos que dão para pensar e repensar.

Foi assim com algumas das entrevistas que trazendo até ao nosso conhecimento pessoas e factos a elas ligados, enriqueceram o nosso quotidiano rotineiro!

Estou a lembrar-me de uma afirmação proferida por Lídia Jorge, que acaba de publicar um importante livro sobre a sua vivência em Africa,  que disse mais ou menos isto:

“Há dezassete anos que trago comigo esta experiência e só agora ela ganhou a maturidade necessária para me ser possível trata-la”.

Realmente o tempo não “apaga” – (como se diz) o tempo – “arruma” – ou não – na nossa sensibilidade tudo quanto nos toca – enriquecendo a nossa vida de experiências, conhecimento, tolerância – ou não …

Penso que tudo quanto se vive de coração aberto e alma limpa, seja tristeza ou alegria, ajuda a temperar o carácter e a definir a personalidade.

Assim, cada qual, é, e sempre será – sem remissão – a resultante possível dos actos que praticou – das memórias que consigo guardar – e, a sua maneira de estar na vida e de julgar … de isso – dará testemunho iniludível.

Muitas vezes tenho pensado, e, até já talvez o tenha dito ou repetido que um dia, se Deus quiser, e eu for capaz de o fazer, hei-de falar profundamente do terramoto dos Açores.

Essa experiência, foi a “minha guerra” e nas guerras  - em todas elas se há os aproveitadores das tragédias, os que prosperam colhendo lucros com as desgraças alheias – há também – aqueles que se despojam de tudo quanto lhes pertence, tudo sacrificam e tudo compartilham com os mais carentes.

O procedimento humano tem enraizamentos muito profundos e não é tarefa fácil compreender razões de bem e de mal, de tolerância ou rancor de amor e ódio.

Disse Maria Antonieta de França com piedade dos seus algozes: - “é na desgraça que a gente sente melhor quem é!”

É incontestável que pelo aproveitamento das circunstancias se mede a craveira moral dos indivíduos e, nestas lucubrações, quase me perdia do: “Já está”em que Letria com a bonomia do homem tranquilo ofereceu, como fecho, o seu auto-retrato, sorridente e crítico, como é apanágio da boa consciência de quem se sabe e aceita falível.

Assim, ele, que foi de rosto franco, autor assumido pôs ponto final no programa da forma mais inteligente possível – não deixando ninguém escondido por detrás de ninguém.

Colocou todos frente a frente  – e, com a verdade nua –foi mostrando diversas formas e maneiras de reagir dos “apanhados”.

Esclareceu e identificou.

Foi Vida.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 17:43


1 comentário

De Xavier Martins a 23.11.2011 às 17:08

E era um belissimo programa - quantas vezes o
assisti e com prazer.
Ele é um comunicador nato.

Os meus Parabens

Com amizade

Xavier Martins

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