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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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O MELHOR DO MUNDO

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.045 – 1 de Junho de 1990

A La Minute

O MELHOR DO MUNDO

 

Deveres de profissão retinham em Angra – nos Açores – o chefe daquela família, no Natal de 80.

A mulher, aproveitando as férias dos pequenos, não resistiu ao apelo do coração, meteu-se com os
filhos num avião e, lá foi, deixando a segurança da sua cidade de Guimarães, onde, com pais, tios e

parentes, costumavam cumprir em cada ano rituais e tradições a que se habituara desde criança, na

casa de família. Apareceram-nos, no “Pico da Urze”, onde morávamos, ao fim da tarde, no dia da chegada.

Felizes pelo reencontro, contava-lhes nos olhos a alegria de se reverem e enumeravam, na
conversa, as mil pequenas coisas de que se privariam, mas que voluntariamente tinham trocado pelo calor do abraço de amor e ternura que os unia.

Tocados por aquele afecto, quase palpável, embora acabasse de os conhecer, ofereci espontaneamente, que passassem  a consoada connosco e, logo ali, combinamos fazer o possível para que os dois rapazinhos (filhos do casal) não sentissem a falta dos mimos a que estavam habituados. Passados uns instantes em que se entreolham surpreendidos, aceitaram com alegria, e quando, a seu tempo, a “faina” começou, percebi que a ganhadora fora eu pois, ao ver, a

 iria acontecer. Natais, que ficam na lembrança como marcos na vida de grandes e pequenos.

Às “nossas” azevias e nógados, juntaram-se as rabanadas, a aletria doce, os formigos e tudo o mais
que – à moda do Minho – a minha nova amiga foi fazendo com requintada sabedoria.

Os Açores – terra hospedeira – foram representados pela massa sovada e pelo bolo de frutos secos,
com especiarias e mel de cana; para honrar a minha costela algarvia – fizeram-se pasteis de batata doce e Dom Rodrigos.

Orgulhosas dos “nossos feitos”, frente a tentações de tal quilate, fomos chamar até nós, uma família
de madeirenses amigos, também por lá deslocados e a confraternização aconteceu.

Poucos dias volvidos, a vida chamou cada qual ao seu destino por caminhos diversos e todos nos
separamos.

Agora, 10 anos passados, procura-nos um homem novo e desempoeirado, que nos abraça e beija
afectuosamente, dizendo com naturalidade: - passei convosco “aquele” Natal nos Açores – mas, afirmando-o  como quem reivindica um forte e grato parentesco. Foi a festa!

Cruzados de novo, por momentos, nossos passos, nesta caminhada da vida – lá partiu, subindo o monte que eu desço – abraçado à noiva, que com ele viera, para também nos conhecer.

No cartão de visita que nos deixou, a seguir ao nome lê-se: - economista e a sigla da importante
empresa onde trabalha.

Foi notável como estudante. Tem apenas 23 anos.

Entrego-me à ternura pensando: - como crescem os meninos! – e, já me ocorre a figurinha linda do
“meu vizinho” Luís, que quase ainda agorinha, bateu à nossa porta para, com a gloriosa inocência dos seus quatro aninhos, anunciar feliz o nascimento do irmão dizendo:

“venho dizer que já tive um menino!”

Participação mais linda eu nunca ouvi – nem sei se há!

Razão teve o Poeta quando disse:

o melhor do mundo são as crianças.

 

Maria José Rijo

 

 

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