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O meu riso

Sexta-feira, 11.05.07

                               Ah , como eu me rio dos ricos de dinheiro!

                                Dos que têm terras, quase o mundo inteiro ,

                                Dos que têm jóias e temem os ladrões...

                                Dos que não tem amigos e compram servidões...

                                Dos que são temidos e nunca são amados...

                               Ah, como eu me rio desses desgraçados !...

                               Não poderia servi-los, adulá-los

                               Que o meu “eu” sempre havia de troçá-los

                               Ser rico de dinheiro! Oh que pobreza!

                               Antes quero a minha realeza ,

                               Ser rainha de mim mesma, das minhas emoções,

                               Por a mão no peito e sentir as pulsações

                               Do coração que é meu e não serve ninguém

                               Do coração que é rei sem ter um vintém

                               Dum espírito à solta, em sonho, em revoada,

                               Mesmo num corpo feio de rude e tosca fachada !

                               Cuspir no dinheiro com uma gargalhada,

                               Porque o dinheiro é porco - e não compra nada

                               Do que eu amo no mundo e me dá gosto!

                               O dinheiro dá poder ,dá criados,

                               Compra automóveis, paquetes, aviões,

                               Compra servidores, mas não compra corações...

                               E neles,  só neles ,eu queria ser rainha

                               Queria ter amigos , ter uma corte minha  

                               Que não precise de palácios, baixelas ou salões

                               Um reino no espaço entre sonhos, orações,

                               O reino dos amigos, o reino dos leais

                               O reino que para comprar tem uns preços tais

                               Que quem quiser amor tem que dar amor

                               Dos que não têm casa senão a do senhor

                               Que lhes escraviza o corpo sem piedade

                               E jamais pensou em  fraternidade!

                               É que aí, nesse reino, ainda há liberdade...

                               Jamais à alma chegará a vontade

                               Do rico que dá pão, para mais rico ser    

                                     Do que despreza, pisa e faz sofrer 

                               O rico de alma pobre de dinheiros,

                                     Que mata o corpo enchendo-lhes os celeiros!

                                Desses ricos  pobres que vivem esquecidos

                                Da maneira sublime que todos são nascidos

                                      Desses, eu rio! e é a rir, que os choro

                                É que ao morrer - esqueceram - eu não ignoro:

                                Quem, só com dinheiro, para dinheiro viveu...

                                Para Deus - esse - é bem mais pobre que eu !

                                                              

                                                  Maria José Rijo

                                                Escritora e poetisa

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.442 -27 de Fevereiro de 1998

Olá!-sou a maria josé rijo , tenho oitenta e um anos e escrevi este poema para uns jogos florais em 1983. Vasco de Lima Couto fez a leitura em cena.

Escuso-me a esmiuçar com que consequências para meu marido e para mim, são águas passadas...

De tudo quanto vivi, tirei uma ilação: - vale a pena ser coerente, embora isso possa valer algumas contrariedades.

Pedi hoje "arrego"  para ter acesso a este espaço, dado que nada percebo de computadores, para alem de os utilizar como meio para escrever. Quero assim agradecer a todos os visitantes quer os sinais de apreço, quer a simples passagem e também à Paulinha - qual anjo da minha guarda - que sempre apreciou o meu trabalho e nele aposta como eu nunca fiz.

Para além de surpreendida ,confesso-me muito , muito grata, pelo estímulo que gostaria de saber merecer plenamente e a todos confesso, como genuína alentejana, que sou : -

Não tenho boca avondo que encareça o bem que de vós recebi!

                                                                               maria josé rijo

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publicado por Maria José Rijo às 23:48


7 comentários

De cindamoledo a 12.05.2007 às 18:42

Lindo mesmo . Um beijo

De Tim a 13.05.2007 às 21:55

Sim Senhora
Belo poema, interessantes textos... embora eu não conheça a escritora e poetisa, mas para primeiro contacto estou impressionado!
Parabéns para este blog - 10*
Parabéns para Maria José Rijo...
Parabéns, Parabéns...

Eduardo Timótio

De M. freixo a 16.05.2007 às 00:11

Também gosto muito.
Parabéns Paula por ter como poetisa um grande nome, uma Senhora de grande elevação de escrita. Tenho o livro Rezas e Benzeduras, que me ofereceu uma amiga.
... Ainda não li nada desse livro... e já li o blog todo...
Parabéns
O blog é muito bom e a escritora Maria José Rijo uma alma cheia de sensibilidade.
Aqui de Coimbra, um beijinho

Maria Manuela M. Freixo

De M. Tadeu a 19.05.2007 às 10:08

GOSTEI!
Bem visto!
Poetisa com GARRA!
Viva a LIBERDADE...

M. Tadeu

De C.C. a 21.05.2007 às 13:18

Parabéns!
Adorei o poema. Muito Bom. 5*

C.C.

De Tadeu Mateus a 23.05.2007 às 15:19

Gosto da sua forma de escrever - tanto na poesia como na prosa.
Este poema é fabuloso.
Os meus Parabéns.
É muito corajosa ao falar desta bela forma.
Felicidades e continue.

Com amizade e admiração

Tadeu Mateus

De marco Alexandre a 30.05.2007 às 22:20

Subscrevo tudo o que já foi dito, aqui mas tenho de acrescentar que o poema é sublime.
Maria José Rijo é uma Senhora de classe, com uma elevada linha de pensamento muito inteligente. De uma sensibilidade absoluta. Aos 81 anos continua certamente a escrever e com mais garra ainda que neste especial poema a Liberdade.
Muitos Parabéns

Marco Alexandre
de lisboa
e que muitas vezes vem a este blog ler a boa prosa e poesia
volterei...

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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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