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A VOZ DOS POETAS

Segunda-feira, 21.05.07

São Bartolomeu de Messines, numa rua que sobe à direita de quem sai da Igreja Matriz - frente a frente ficam duas velhas casas .

     De uma delas, a da esquerda, quando se sobe a calçada - a mais pequena, saiu minha Mãe um dia, vestida de noiva e foi depois residência de meu Tio mais velho e, ainda hoje, através dos seus descendentes, permanece na família .

     Na outra, que faz esquina, é enorme e tem uma das frentes virada para o lado da Igreja - habitou João de Deus.

    Há alguns anos quando, mercê de circunstâncias, por lá passei integrando um grupo de elvenses, ao contar, que um dia no passado, eu saíra daquela casa ao colo de minha Tia mais nova para ser baptizada naquela mesma igreja feita de pedra vermelha, como não vi outra ainda - espontaneamente, para meu enlevo, escutei os parabéns a você.

     Nesta época de Natal e Ano Novo, em que mais do que nunca o coração canta e chora saudades, mesmo sem querer as recordações fluem e, muitas vezes, na voz dos poetas encontra-se a resposta para os nossos próprios sentimentos. Não fora a época que é, e eu, de João de Deus - esse lírico ímpar da nossa poesia - recordaria hoje aqui, a história do Leão Moribundo!...

     Porém, como é a época que é - acho mais a propósito deixar-vos com um poema que mostra como João de Deus, via, no seu tempo, as eleições. Ou será que a escrita é de hoje e fui eu que não percebi...

          

                            entre el-rei e o povo

                         Por certo um acordo eterno:

                         Forma el-rei governo novo,

                         Logo o povo é do governo

                         Por aquele acordo eterno

                        Que há entre el-rei e o povo.

 

                       Graças a esta harmonia,

                       Que é realmente um mistério,

                       Havendo tantas facções,

                       O governo, o ministério

                       Ganha sempre as eleições

                       Por enorme maioria !

 

                       Havendo tantas facções,

                       É realmente um mistério !

 

        Se Deus me der vida e saúde conto, já de posse da cassete que me proporcionará o som para juntar à prova literária que já possuo - com toda a dignidade, como é minha obrigação e timbre - fazer uma série de artigos sobre as eleições que recentemente decorreram em Elvas.

         É minha obrigação de cidadania explicar os porquês de cada coisa .

         Elvas sempre me mereceu e merece pôr os seus interesses acima dos meus, o que corajosamente conto fazer.

                                    Maria José Horta Travelho de Almeida Rijo

                                       Poetisa, Escritora, Articulista, Pintora... ...

In :

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.434 – 2-Janeiro - 1998

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publicado por Maria José Rijo às 23:02


3 comentários

De Alvaro L. a 23.05.2007 às 15:10

Resolvi deixar um comentário porque depois de ler uma prosa tão boa, uma forma tão especial de escrever, que não resisti.
Maria José Rijo é uma escritora e poetisa, que eu não conhecia, mas através deste meio excepcional tive este prazer imenso.
Voltarei para me deliciar com uma prosa como esta.
Parabéns á escritora Maroia José Rijo.

Com os meus cumprimentos
Álvaro L.

De Lurdes Pimenta a 23.05.2007 às 16:27

Muito interessantes estes artigos.
Muitos Parabéns pela forma bela em que nos dá a conhecer as suas memórias.
Muitos Parabéns

Lurdes Pimenta

De M. freixo a 25.05.2007 às 01:05

Parabéns!!!
Maravilhoso... Adorei!!!

M. freixo

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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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