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O Vento

Quinta-feira, 24.05.07

As árvores estremecem, dançam, as folhagens das copas tão desgrenhadas, que  nem refugio dão aos pássaros inquietos

As gelosias das minhas janelas abanam. O vento que passa usa-as para assobiar, silvando destemperado.

Não é música o que ele faz. São ameaças.

.Segundo os dicionários, Vento:- é o ar em movimento!

Mas, será apenas isso?

Atrevo-me a dizer que não!

E, faço-o contra ventos e marés!- Aqui está ! – estes “retóricos” ventos, e estas marés, não precisam de ar em movimento, nem de ondas, nem de mares no sentido real das palavras. São tempos, apenas tempos.

Mas, também o mar tem os seus ventos. Brisas do mar são aragens suaves e doces. Trazem sal a perfumá-las...

Trazem sal e sonhos. Trazem lembranças de aventuras e de caravelas..., trazem brancura de espumas e asas de gaivotas.

Respiram-se até à embriaguez, como devaneios de amor...

Todavia, também os mares se encapelam semeando pavores , com seus ventos medonhos de temporais e morte...seus estertores de agonia...

Os ventos têm nomes.

 Nomes de mulher os furacões , os tornados...

Nomes ternurentos, ás vezes.

Oh! Que ventinho, que arzinho, bom!- e, o leque, como uma pálpebra que piscasse apressada , esparge um sopro brando ao som  estremecido das varetas, como em cenas  românticas de tapetes de  Gobelins ou desenhos de Watteau...

Os ventos tropicais, os ventos alísios...o nome é quase afrodisíaco nas sugestões como a ideia de trópicos...

E, “o mistral,” seco e frio do norte de França... e, o “siroco”, quente e seco do deserto do Sara que visita o sul da Itália e as regiões costeiras do Mediterrâneo...E, o nosso suão... empestado, mortífero!- Quase podia dizer-se: - vento papão!-

Veio o papão e o levou – diz-se à criança, assustando-a.

Veio o suão e a levou, diz o lavrador da sementeira devastada.

E, o vento domesticado, obediente, a produzir energia, colaborando com o homem. Até o nome é bonito! – energia eólica. Eólo era o deus que mandava soprar os ventos. Que os ventos também têm seus míticos mistérios!...

Há os ventos favoráveis, os ventos contrários, os ventos do largo, o vento de rachar, o vento de feição, o ir de vento em popa, há o beber os ventos por alguém, o andar ao sabor dos ventos, há os ventos ruins, os ventos de desgraça, os cheios de vento, o andar com todos os ventos, o adivinhar os ventos, há o sopro de vento, o cabelo ao vento, e o atirar aos quatro ventos? E os filhos do vento?- e, o pé de vento!, o espojinho? - que é o rodopio das bruxas! - o redemoinho?...

E, vento em fúria, louco, destruindo, arrasando. na dança arrepiante do tufão que desenraíza arvores e casas e as eleva como quem louva a malvadez, e gera  apocalípticas misérias!

Estar solto no vento – é estar livre. Que o vento é indómito, mas livre...É livre, porque é louco. Só a loucura é tão livre como o pensamento...

Também os ventos da história, não precisam do ar em movimento. E, deles, toda a gente fala...sendo embora tempos, apenas tempos de  mudança... 

E, quem diz que palavras leva-as o vento? – Acreditará nisso’?

Também o vento leva o pólen das flores promovendo a reprodução, ajudando na criação...

E, as palavras, para onde as leva o vento?- Que rasto deixarão?...

Que a palavra só vale se escutada; ainda que o vento depois a leve, já não há remédio, é como ele, que, depois de solto ninguém mais o recolhe...

O vento trouxe a chuva, que escorre pelas vidraças da minha janela, tamborilando, prendendo-me a atenção. Afastando do meu pensamento as memórias que o vento em mim  acordara!

A chuva é repousante. Amainou o meu coração como o vento amaina sobre o mar, quando o sol se põe, e deixa de enfunar as velas e obriga os pescadores a remar, esforçados, de regresso até à praia...

Não mais velas pandas...com barcos deslizantes!

Não mais lembranças soltas ao vento. Há sempre um momento em que tudo se aquieta na alma da gente.

 E  sossega, como até os bons e os maus ventos...

                                                 Maria José Rijo

                                  Escritora, poetisa, Articulista, Pintora,

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.652 – 5/Abril/02

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:59


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