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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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As aprendizagens da Leonor

 

A Leonor está quase a fazer cinco anos.

Quando eu tinha a idade dela, minha avó contava-me histórias de fadas e de santos.

Eram sempre coisitas pequenas. Histórinhas curtas que sendo fáceis de entender e fixar iam criando no nosso espírito relações entre épocas festivas e seu significado.

 

Uma das mais antigas que recordo tinha que ver com o raminho de alecrim bento que era costume oferecer em Domingo de Ramos para pedir as amêndoas aos padrinhos e parentes mais velhos.

Dizia-se então : verde é , verde cheira, fica preso para Quinta feira.

Depois vinha logo a seguir outra para ajudar a aprender os dias santos da Páscoa. Essa , rezava assim:

Quinta feira de Endoenças, Sexta feira da Paixão, Sábado de Aleluia, Domingo de Ressurreição. Encontrei Nossa Senhora com um raminho verde na mão. Eu lhe pedi uma folhinha, Ela me disse que não. Eu lhe tornei a pedir , Ela me deu o seu cordão.

Ó meu padre Santo António, aceitai este cordão que me deu Nossa Senhora  Domingo de Ressurreição.

Claro que o tempo não pára e, as criancinhas de agora aprendem outras coisas.

Agora ninguém mente às crianças!

Agora é que é bom!

Agora mais isto e mais aquilo, e não sei quê , não sei que mais...

E, quem sou eu para estar ou não de acordo!

É assim! Siga em frente , e seja assim.

Lá no colégio que a Leonor frequenta , para que não se desactualize, o que deve ser extremamente importante , explicaram-lhe que fora feita pelo Pai e pela Mãe com a ajuda do Menino Jesus.

A Leonor é esperta, quis saber mais e foi-lhe dito que andara na barriga da Mãe.

Não acreditou às primeiras e pediu à Mãe a confirmação de tão estranha descoberta.

Que sim! Que era verdade foi-lhe garantido.

A Leonor puxou das suas curtas recordações e, teve pena de não se lembrar desses nove meses da sua existência.

Então tomou a sua mais importante  decisão e disse :

Mãe! Engula-me e  faça-me outra vez, mas faça-me primeiro os olhos para eu ver tudo e depois me lembrar, porque agora não me lembro de nada.  

Penso que todas as aprendizagens têm seu tempo e que não vale a pena tanta apologia da «verdade» em situações que transcendem a capacidade de entendimento de quem de corpo e alma só respira inocência.

Depois, penso, que se a preocupação da Verdade, fosse mesmo autentica não era na precocidade destes ensinamentos, que se poria a tónica.

Há todo um mundo para descobrir para quem começa a vida e, há horas certas para tudo, pois que, como se sabe, o tempo a tudo dá talho.

 

              

 

                    Maria José Rijo

         @@

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.707 – 25- Maio de 2003

 

 

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