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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

O ALECRIM

http://olhares-meus.blogspot.com/

Foi uma cantiga, que me disse a mim, que a flor do mato era o alecrim.

O alecrim é uma planta popular. Cria-se sem cuidados em terrenos pobres,

como gente sem linhagem. Não impõe distância a ninguém como as

altivas e nobres flores de estirpe.

Do alecrim até se devia pensar em sentido colectivo - como quando

se diz: - Povo !

A flor do alecrim é azul anilada, miúda, franzinita , mas doce na sua modéstia.

As  abelhas libam-na com gula e as pessoas cheiram-na com gosto.

Cresce nos campos, vive nos quintais e não desdenha mesmo como sebe,

viver em jardins mas... tem tradições !

Cumpre ritos e crenças. É cinza em Quarta - feira de Cinzas !

Vai à missa em Domingo de Ramos.

Vai moiro - volta bento.

É oferecido para lapela de padrinho, decote de madrinha ... onde fica

a murchar e a recordar obrigações de amêndoas para Quinta-feira Santa.

... “Aqui está este raminho !

Verde é e verde cheira...

e fica preso para Quinta-feira!...”

Seca esquecido.

Vai para o lixo ou para o fundo da gaveta e dele nos apercebemos pelo

discreto e vago perfume, como uma reminiscência...

- É tempero ! - vai ao forno no assado (há quem aprecie) mas, calha a

preceito no cozinhado do coelho manso a que corta a insipidez da carne

doce e branca !

- Faz chá de beleza para cabelos fracos. Recompõe roupas pretas já

gastas e ruças pelo uso...

- Entra nas mézinhas das bruxas quando fazem benzeduras!...

“Eu te coso, por carne quebrada e nervo torto!

Melhor cose a Virgem do que eu coso.

A Virgem cose por vão - eu coso pelo osso

Em louvor de Deus e da Virgem Maria

Padre Nosso e Avé Maria!

E... a velha a coser no novelo com a agulha sem linha e o alecrim

inocente - a arder! - a arder!... a arder!... - a consumir-se ao

som das loucas ladainhas .

É uma panaceia !

Aviva a memória! - conserva a juventude !

E... nas trovoadas’!!!

- Que é do alecrim ? - o alecrim benzido ?

- onde pára ele ? - onde está metido ?

p’ra queimar um pouco

que afasta os trovões !

Ai, Santa Barbara - nos acuda

Ai que aflições!

Barbara bendita - que no céu está escrita

e na terra assinalada!...

Superstição e fé de mãos dadas. Verdades e lendas com o

mesmo perfume: - alecrim !

- Ai alecrim, alecrim!

Também te cantam ! - cantam-te aos molhos mas logo te acusam:

“Por causa de ti choram os meus olhos”

És pobre e modesto! - logo te culpam ! - então como querias ?

- mas tu, alecrim - porque não desmentes?

Ai alecrim! Alecrim!

Não fora a fogueira, o fumo

e toda a gente veria - se isto não fora assim como me ardem os olhos

como minhas faces queimam de chorar  triste por mim !

Ai alecrim! Alecrim!

Das cinzas que restam - do tempo passado

o vento que sopra - espalha sem dó

tudo o que encontra do fogo apagado

e no chão varrido - na mancha sem pó

Só baila a saudade

Só, saudade, só !..

 

 

Maria José Rijo

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