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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

Ler e pensar

         Também através da leitura se pode fazer, um pouco, o percurso da  vida de cada  um de nós ,quando o hábito de ler nos acompanha ao longo dela.

            Começa-se ,quase sempre pelas histórias em quadradinhos, seguem-se-lhes os contos - dantes, eram de fadas - passa-se para as aventuras, depois, vêm as novelas e os romances.

            A certa altura,  começamos a reparar na forma como as intrigas romanescas nos são contadas e embora aderindo emocionalmente ao enredo ultrapassa-se a fase dos prantos pelos agravos e desditas porque passam os personagens e ganha-se objectividade sobre o que se lê.http://www.leitematerno.org/livros_recomendados.htm

            Então começa a etapa mais frutuosa, que é a de ler e pensar, que se segue à de ler e apenas sentir.

            Começam-se a definir critérios de escolha e preferências. 

            Fazem-se incursões por caminhos diversos. Deixa-se a ficção um pouco de parte. Procuram-se biografias, relatos de viagens, cartas, romances  históricos. Com um pouco de sorte ganha-se o jeito de ler poesia também.

            Então o livro deixa de ser apenas o entretenimento a pura curiosidade pelo fio da meada e ganha o valor acrescentado de ser o amigo e o mestre.

            Para encher tempo, até as velhas revistas das salas de espera dos consultórios dão uma certa ajuda. Embora se tratem quase sempre como se faz com os esporádicos encontros de rua . diz-se-lhes - Olá! e segue-se em frente. Porém, para levar para casa, para se sentar à nossa mesa , levam-se os amigos. Aqueles de quem se gosta. Aqueles com quem nos sentimos bem.

            Com os livros passa-se a mesma coisa. Para os ter à mão, perto de nós , para que nos sirvam de companhia, têm que nos saber falar ao coração e à inteligência, têm que despertar em nós qualquer espécie de interesse, têm que nos ajudar a entender quem somos, têm que nos abrir caminhos.  É que, como acontece com as pessoas, também o livro pode ser um bom ou um mau companheiro. Pode ser uma benção ou um veneno.

            Daí o cuidado com que se escolhem, se guardam, se olham, se recordam, se revisitam em leituras meditadas ou fugazes de trechos que se sublinharam, marcaram, e quase se sabem de cor.

             Manusear um livro é um prazer. Afagar-lhe a capa, tacteando-a, é como sentir o perfume de uma flor antes de a colher ,é o bater à porta da aventura de iniciar a leitura, é o afago no que desperta em nós afecto e estima, é o abraço no encontro do amigo.

            Mais cedo ou mais tarde, para quem gosta realmente de livros, para quem não concebe viver sem a sua companhia, acaba por chegar a hora de  procurar nos livros o que se espera dos mestres - a sabedoria.

            Escolhem-se então autores que na juventude nos pareciam fastidiosos, excessivamente solenes e descobrimos como as suas palavras são cheias de mensagens, como esclarecem as nossas dúvidas, como nos abrem novos caminhos, como nos ajudam a encontrar respostas dentro de nós.

            Como lidaram com as suas próprias interrogações, as suas perplexidades, como construíram os seus percursos íntimos.

Perdida a “voracidade” com que na juventude se devorava tudo quanto  aparecesse em frente dos olhos para ler,  enreda-se o nosso interesse  com temas, que nessa época nos pereciam incapazes de merecer o nosso interesse , quanto mais o nosso entusiasmo. As Confissões de Santo Agostinho,

 

- No Coração do Infinito e,

Cartas Abertas de Jean Guitton , -

 As Aproximações do professor Agostinho da Silva

a que juntei agora - Os Evangelhos de 2001-

do professor Marcelo Rebelo de Sousa    

        são o mestres que ando a reverenciar...

        Tenho, neles, pano para mangas.

         Dariam para uma vida inteira.

         Aprender até morrer ,diz o ditado.

         Aproveitemos então, para ler e pensar.

 

 

                                                           Maria José Rijo

@@@

Revista Norte Alentejo -- Crónica

Nº 10 – Março/Abril 2001

 

                                                              

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