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Carta Aberta

Terça-feira, 28.08.07

Tentei responder a cada um dos vossos comentários de per si.

Tentei. Porém, a Vida, (com maiúscula, como escrevia Sebastião da Gama) sempre nos surpreende – às vezes de forma agradável, como no caso do vosso apreço pela minhas “Conversas Soltas” – o que muito me tem ajudado a aceitar que, afinal valeu a pena, mesmo no silêncio duma modesta rotina, ter ido contando velhas lembranças, ou anotando as diferenças que a evolução dos tempos vai impondo a todos nós...Blog de Arte

Foi, também, valha a verdade, a forma que descobri para, da minha “toca” (sou por índole tímida, ao ponto de parecer vaidosa a quem não priva comigo), manter uma relação viva com a cidade natal de meu marido, que me acolheu há 60 anos, quando casei.

Porém, na minha idade, já se é mais solicitado a dizer adeus aos “nossos” de coração, que partem sem retorno, do que, jamais se julgou ser suportável.

Assim que, mesmo aceitando a inevitabilidade dos factos, sem revolta, isso não exclua o sofrimento e algum desanimo inibidor para cumprir, em tempo certo, o que, prometido, se tinha como dívida.

Hão-de perdoar-me, creio.

Penso com responsabilidade na amizade que me oferecem, e que aceito e retribuo porque amizade e intimidade, nunca foram sinónimos embora me fosse grato conviver convosco.

Encanta-me saber que me entendem, que gostamos de ler e pensar juntos, mesmo não sendo, sempre, coincidentes as nossas opiniões, o que é saudável.

Enternecem-me os “presentes” de: - poemas, citações, achegas várias, desde nomes de netos, profissões, idades…minúcias das vossas vidas que vão enriquecendo a minha.

 Agora, a Dolores e as suas amigas que espreitam o blog todas as noites, “cerimónia” que eu própria repito todas as manhãs, para receber a dádiva de amizade da Paulinha.

Penso que se me esforçasse acabaria por aprender a fazer com o computador qualquer coisa mais do que escrever, era natural que sim.

Mas valeria a pena arranjar essa preocupação? – Não acredito.

 Gosto de me sentir protegida. Sinto-me menos só.

 

E, agora que já me expliquei, vou tentar responder a algumas questões que me foram postas:

Conheci José Régio, aos 17 anos, quando fiz exame do 6º ano, mas acedi à sua intimidade através do poeta elvense Casimiro de Abreu, depois dos 20, já casada. Tive então acesso a sua casa, um verdadeiro mundo de beleza e

magia. Guardo dessa visita um “terço”que me foi oferecido e a promessa de uma referência a dois versos de um poema meu – o que não veio a acontecer.

 

          “E se eu morrer antes de alcançá-la

          A Luz saberá

          Que eu gastei a vida a procurá-la!”

 

Convenhamos que para a época, era uma afirmação arrojada, mas o tempo não a desmentiu de todo.

 

 O outro esclarecimento, que devo, é sobre João Falcato que foi grande amigo de meu marido e meu, que dirigia um Colégio em Elvas, e fazia parte da tertúlia literária de onde nasceu o jornal Linhas de Elvas em 1950.

Julgo que as suas obras estão todas esgotadas e – sei – que morreu aos 90 anos, desejando reeditar “Fogo no Mar”.,

  

Os postais de gastronomia por que me perguntaram, com receitas tradicionais e textos meus, foram editados quando fui vereadora da Cultura Já me confessou a Paula que pensa pô-los on-line.

 É desse tempo que recordo Rogério Marques a quem com afecto aqui saúdo.

Antes que a mim própria pergunte se isto é um testamento, saúdo-vos a todos, agradeço as visitas, a que penso referir-me sempre que possível, desde que a minha sobrinha continue a desfiar este rosário…

 

Um abraço – Maria José Rijo.     

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publicado por Maria José Rijo às 16:00


6 comentários

De Dolores a 28.08.2007 às 22:22

Venho agradecer as palavras que me dirige na sua carta aberta, grata por ver que me "vê" no meio de tantos comentários.

O prazer é todo meu por ter a oportunidade de poder ler e guardar, na minha pasta especial, todos os seus textos que eu mais adoro.

Acho que, através da leitura dos seus textos, deve de ser uma pessoa especial, tão especial que a sua sobrinha criou este blog (belissimo) para que todos possamos ler e conhecer um pouco mais de si. Uma pessoa notável, de alma pura e de uma sensibiliade extraordinária.

Muitos parabéns e por favor Paula - não deixe de postar estes textos lindos da sua tia.

Com amizade

Dolores

De Ana Maria Lourenço a 29.08.2007 às 00:36

Eu venho agradecer-lhe a oportunidade de poder ler Maria José Rijo, se não fosse a Internet - este caminho tão maravilhoso - nunca conseguiria ler o que escreve e nem teria acesso a essa sua alma sensivel.
A Sra não imagina a paz que eu sinto ao ler as suas pequenas maravilhas.
Fico maravilhada com as suas memorias e a forma bonita como fala do que passou nesta sua vida.
Enternece-me como fala de seus pais e de como viveu a sua infancia.
Bem haja Paula por estar a construir um lindo blog para a sua tia, ela merece - que eu sei.

Beijinhos desta amiga que não conhece mas que muito aprecia a sua forma de escrever.

Voltarei - é uma promessa.

Ana Maria

De Gabriel Vasco de Lima a 29.08.2007 às 00:57

Ola
Vim ver e ler com muito carinho os novos textos - que se nos oferecem aos olhos (lindos) ao espirito - comoventes e de uma beleza e grandeza literária.
Agradeço a sua gentileza de me elucidar da sua amizade com José Régio - O grande escritor. Certamente José Régio sentiu o mesmo que eu sinto em cada texto seu, em cada expressão, em cada frase, em cada verso.
Tem um mundo interior fascinante!

Maria José Rijo - com a sua pena - esta forma Belissima de escrever - só me deixa feliz.

Não agradeça - nós é que temos o dever e a obrigação de o fazer - já que se não fosse este blog a sua voz não alcançaria uma dimenção tão maior - tão mais profunda e a cada dia mais enraizada na rede.

Bem haja e não se esqueça que tem muita gente - fora dessas muralhas - que gostam do que escreve e até coleccionam os seus textos (como eu).

Com admiração e gratidão despeço-me
Vasco de Lima (Gabriel)

De Manuel Fonseca a 29.08.2007 às 17:50

Minha amiga
(se mo permite)
li com muita atenção o seu blog - estes textos que aqui tem
e devo confessar-lhe que são muito bons.
Gostei imenso de os ler e ficar a pensar nesta sua forma lucida de se expressar.
Li também os ínumeros comentários e são justos.
Maria José Rijo escreve com a alma, com o coração - daí a beleza das suas palavras e da sua imensa sensibilidade.

Bem haja pela qualidade extraordinária desta sua forma de comunicar.

M. F.

De Dolores a 29.08.2007 às 22:26

Esta Senhora de perfil ( figura a negro ) é a Senhora?
Que linda!
Fez-me lembrar a minha tia luizinha.
Que saudades.

Gostei muito.
De verdade.
Beijinhos e até amanhã.

Dolores

De eva a 31.08.2007 às 22:19

Obrigada pelo seu blog.
É um lavar de alma!

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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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