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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

REZAS E BENZEDURAS III

             Minha lindíssima Tia Francisca Amália - irmã mais nova de minha Avó

 paterna, a quem deferentemente tratava por “Mana” - namorou quanto desejou (privilégio de sua distinção , graça e beleza) esteve noiva de um Marquês de Alvito e morreu  aos noventa anos - solteiríssima - por sua escolha.

          Foi dela que minha irmã e eu recebemos uma notável herança de memórias e tradições de família, já que, quando Deus chamou nossa Avó ainda eramos tão jovens que não avaliavamos a importância do legado que nos era, por ela, oferecido.

Francisca Amália - a Tia Chica  -  quando se viu como a representante mais idosa da família - chamou a si  - naturalmente - o legítimo direito de dirigir as “relações públicas” com a Corte Celetial - como já minha avó M. Bárbara  fizera ao suceder nessas funções a sua Mãe  minha bisavó Mariana. Todas bondosíssimas e devotas senhoras.

Sabiam o Santo ou Santa a invocar em cada circunstância e a forma de o conseguir – ou seja: - a reza adequada.

         Lembro-me que quando deram, por engano, salsa ao canário junto com alface - o passarinho morreu por subida de tensão  - como diagnosticou o veterinário que veio  apreciar o drama.

Pois, mesmo assim, partiu reconfortado com uma prece a S. Francisco de Assis, que, era suposto tê-lo feito ressuscitar pela fé de minha tia e pela nossa choradeira - o que - obviamente , não  aconteceu.

         Naqueles tempos ninguém saia de casa sem pedir permissão para o fazer, dizer para onde ia e dar um beijo de cortesia a pais e parentes.

         Eram esses os costumes.

         Daí que ninguém saísse à porta sem ser abençoado ou responsado, por eles, amorosamente.

                                   (desenho de Manuel Jesus (1933-2001)

                                                               @

 Fazendo o sinal da Cruz, assim, rezava por nós minha tia:

 

“ Na arquinha de Belém seremos nós guardados

Com o leite da Virgem seremos borrifados

O Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo

teremos em nossos corpos.

Para  que não sejamos presos, nem mortos

nem maltratados, nem da justiça apanhados.

Caminhos escusos andaremos

Os maus e os bons encontraremos.

Os maus não nos verão e os bons nos guardarão.

E andaremos  tão  em paz e tão salvos como os

fradinhos de S. Francisco

quando receberam as cinco chagas  de Cristo.

Chagas abertas, coração ferido, sangue de Nosso Senhor

Jesus Cristo

derramado entre nós e o perigo.

Anjo da nossa guarda - nos guarde

Santas e Santos dos nossos nomes e todos os

Espíritos em geral

e Vós em particular Santíssima Virgem -

tomai-nos na vossa protecção.

Defendei-nos de todas as tentações do demónio

e alcançai-nos

em Deus (um dia, uma noite, uma viagem, o que

se pretender)

sossegado e feliz.

A graça de uma santa e ditosa morte que nos

conduza à vida eterna

- Amém ! “

 

                  Considero este responso um poema enternercedor.

                  Uma verdadeira delícia de ingenuidade, beleza, doçura e fé.

                  Quando evoca os “fradinhos de S. Francisco” - até me parece vê-los, na modéstia dos seus hábitos, como formiguinhas deligentes arrostando temporais e perigos - amparados na sua fé - calcurreando montes e vales para  espalhar o bem.

                  Pode o tempo e a idade dar-nos uma visão diferente dos factos que na infância vivemos com uma emoção e simplicidade irrecuperáveis.

                  Pode.

                  Porém, nada, rigorosamente nada, altera a evidência da força do amor – do sonho indomável de desejar proteger - resguardando do mal aqueles que  nos são queridos.

                 Hoje, com 97 anos, poderia ser minha mãe e chamar a si estas rezas e benzeduras.

                 Nunca o fez, nem o fará – são outras as suas raízes.

                 Mantem-se fiel a Nossa Senhora e ao Divino Espirito Santo. Recita o Pai-nosso, a Avé-Maria, o seu Terço diário.

            Chamei, por isso, a mim estas reminiscências. E, agora que os Candidatos à nossa Câmara Municipal já tomaram lugar na grelha de partida – para amenizar tamanha responsabilidade resolvi responsá-los a todos.

               É que bem precisamos todos da graça de Deus.

              Eu os responso:

                                      “ Que lhes valha S. Silvestre

                                         E as três camisas que ele veste

                                         E as três toalhas de altar

                                         Que não haja homem ou mulher

                                         Que lhes possa fazer mal “

 

                    Tratados assim, tão democraticamente, por igual espero que o vencedor ao ser confrontado com alguma opinião divergente - que sempre houve, há, e haverá opiniões diferentes - não se julgue perseguido ou vítima de mau olhado.

                                            Maria José Rijo 

@@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.409 – 4 – Julho-1997   

Conversas Soltas    

@@@ 

Livro Publicado em Novembro de 2000    

Muito interessante

Pode adquirir este livro no Jornal Linhas de Elvas

                             

 

 

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