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Maria José Rijo

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Memórias – Recordações do São Mateus - Entrevista

Nasceu em Moura mas considera-se elvense, pois vive há mais de cinco décadas. Escreve regularmente no semanário Linhas de Elvas e possui uma grande paixão pela leitura. Maria José Rijo recebeu a “im”, com a simpatia que lhe transparece no rosto e, com uma música de fundo que tranquiliza o espírito de qualquer pessoa, falou das suas memórias do São Mateus.

                                  Olhos lindos...

A colunista começou por contar que foi pelas festas em honra da cidade de Elvas – numa caseta, sita no final do parque da piedade, junto ao “El Cristo”, onde naqueles tempos se dançava - que conheceu o seu marido.

 

“ Ele era alferes e eu estudante. É a história de todas as raparigas e de todos os pés de alferes”.

Naquela altura “ os meus pais tinham uma casa em Beja para minha irmã e eu estudarmos. A minha irmã terminou o 7º ano e foi para o Instituto Industrial em Lisboa e tornava-se oneroso manter essa casa”. A tia-madrinha e irmã da mãe vivia em Elvas e: “disse – manda a garota para cá. Vim feliz e contente porque tinha conhecido o meu alferes no São Mateus”. Estudou no antigo Colégio Luso, onde, o namorado “à socapa” a ia esperar para a acompanhar no caminho até casa, tal como os de todas as outras raparigas que namoravam, e guarda memórias do cortejo das meninas do colégio que caminhavam com o passo mais lento possível para tornar o caminho e a conversa mais longa.”

Com o percurso escolar concluído, Maria José Rijo casou com o seu alferes e recorda as primeiras festas da cidade de Elvas, após o matrimónio, como uma das memórias mais bonitas que tem. Tal como já tinha visto no primeiro São Mateus, onde conheci o meu marido, os bailes das camponesas alegravam o arraial de uma forma extraordinária. Elas por tudo e por nada cantavam, paravam e faziam a roda com as pandeiretas. Os noivos guardavam quase sempre o mês de São Mateus para se casarem e depois iam para o arraial passear os vestidos de noivas. Era interessante, ingénua e tocante, porque era enternecedor ver as raparigas vestidas de noiva de braço dado com eles, por vezes, já casadas de uma semana ou 15 dias”.

Maria José Rijo relembra também os acampamentos no espaço do parque de campismo de hoje, no olival por cima do Senhor Jesus da Piedade, que já nem existe, e nos campos em redor. Ali encontravam-se “os carros que levam tudo, Elvas_-_Relembrando_o_S._Mateus_do_Passadoos carros de canudo” (no dizer de Carmo Mateus). “Eram os carros de onde saíam mantimentos, fatos, preparativos para terem as indumentárias aprumadas na hora da festa. As mulheres tiravam as tábuas de engomar, faziam as brasas para os ferros, sacudiam a cinza e passavam ao ar livre os fatos que depois penduravam para à noite os luzirem no arraial”.

Os hábitos e costumes matinais de quem acampava são também lembranças que Maria José Rijo não esquece. “De manhã elas levantavam-se, penteavam os cabelos ao ar livre quase como gestos de ciganas, lavavam o rosto nas fontes, falavam e riam umas com as outras. Eram actos mais ingénuos, mais espontâneos”.

Questionada sobre o simbolismo das festas, Maria José Rijo apresentou uma metáfora: “primeiro surgiu a festa que originou a romaria, tal como em Fátima, que era apenas uma azinheira. Aqui a raiz de tudo foi aquela cruz do sítio onde caiu o Beneficiado Manoel Antunes. A seguir começou a romaria que segundo alguns historiadores, evitava que as pessoas fossem a Compostela, porque era um costume desde a época medieval. Um preceito que na nossa zona se transferiu para o Santuário de Nosso Senhor Jesus da Piedade”.

a romaria, onde há cinco décadas se ia em carros de cavalos, dos quartéis, que disponibilizavam os charabãs às famílias militares, tinha, para o efeito diversos pontos de partida. Maria José Rijo, que residia na rua João de Casqueiro e fazia o trajecto para a Piedade a pé, partia da poterna -- “a saída íntima, porque as outras eram para quem ia de carro. Partíamos por ali e seguíamos pela muralha que fica paralela ao aqueduto até á quinta de S. Paulo, onde hoje está parte da urbanização da avenida da Piedade. Chegava-se à Piedade através de hortas e pequenos caminhos rurais

No que diz respeito à devoção e ao número de peregrinos na romaria, a colunista disse à “im” que “ cresceu o número de pessoas mas com uma fé menos profunda porque a vida é diferente. Vai muito mais gente, vê-se pelo arraial, e, justamente por isso, a festa tem que começar pela procissão dos pendões, porque a seguir à adoração é que vem a festa.

           Fotos4_2003-09-20 20-26-01.JPG A romaria e a festa completam-se porque a primeira resulta do convívio de todos os que vieram adorar o senhor Jesus da Piedade e a seguir fazem a festa da reunião. É alegria de estarem juntos e de se reencontrarem “ concluiu a entrevistada.

        

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Revista Ideias Mistas

Entrevista a Sra. D. Maria José Rijo

Sobre – Memórias – Recordações do São Mateus

Em : -- Setembro de 2004

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