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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

Rezas e Benzeduras IX

Pedi a Maria Isabel de Mendonça Soares, essa Mulher com letra grande do nosso mundo da cultura, – cuja obra, especialmente dedicada aos jovens – é por demais conhecida quer pela publicação de livros, quer por conferencias, quer pela preciosa colaboração com artigos de opinião em jornais e revistas, e outras acções de mérito a que tem dedicado toda a sua vida de docente - pedi - a essa querida amiga que me falasse sobre esta série de: rezas e benzeduras.   

           Então ela a certo passo da sua resposta, escreveu assim:

          “ Que teria sido feito dos romances populares da tradição oral, se Garrett, lembrando-se de que os ouvira da boca das criadas velhas na sua infância, lhes não tivesse «deitado mão» e dado à estampa? Por isso não desista.

           Não sei se estas que refere são exclusivamente da terra Alentejana.

           Se assim não for, permita-me mais uma achega que aprendi em pequena com a minha avó:

                                      ( Desenhos de Manuel Jesus)

          Quando nos queixávamos de ter um pé dormente, o que acontecia quando, sentadas no chão a brincar, dobrávamos uma perna, a avó aconselhava que nos puséssemos de pé, e esticando-nos fizéssemos uma cruz no peito do pé, com o dedo molhado em cuspo, dizendo ao mesmo tempo e repetidas vezes:

             Desadormenta-te pé

             Que lá vem o lobo Mé

             Que te há-de querer comer

             E tu não podes correr.

             Remédio santo! Resultava sempre; e ainda hoje resulta quando a rir o faço.

             Hoje penso que o «remédio» provém certamente da extensão muscular que permite ao nervo retomar a sua posição correcta.

             Não sei a origem desta «reza», tanto mais que minha avó era nada e criada em Lisboa, só tendo ido morar para Pernes depois de casada, e aí nunca ouvi menção de semelhante prática.”

            - Escusei-me logicamente a substituir por discurso meu as palavras de Maria Isabel de Mendonça Soares escritas ao correr da pena, numa carta particular, onde o estilo bonito da sua prosa sempre escorreita, ressalta tão limpo que me pareceu aceitável esta pequena traição!

 

             Penso, que, como eu, muita gente ainda se lembrará daquelas tardes imensas em que sentadas no chão, acomodadas em circulo - quando eramos crianças -  jogávamos ás cinco pedrinhas ,até ter as pernas dormentes .

             Jogar os jancros dizia-se no Algarve.

             Calhauzinhos escolhidos, pequenos como ovos de passarinhos.Recolhidos à beira do mar ou à beira rio, ou em passeios ao campo no leito das ribeiras pluviais que o Inverno cria e o Verão, sedento bebe...

              Atiravam-se ao ar, um a um, recolhiam-se com a palma ou com as costas das

mãos, ou, também com suaves toques faziam-se deslizar sob um arquinho  que se criava apoiando o indicador e o polegar da mão esquerda no chão enquanto com a direita se

movimentavam as pedras uma  a uma aproveitando o curto espaço de tempo em que subia no ar a que antes se lançava para que as outras preparadas em fileira fossem passando a ponte como a destreza do jogo mandava .    

                      Histórias que já fazem história

                      Histórias desta cadeia sem fim onde as nossas mãos só valem se abertas para dar o que de outras receberam...

  

 

                                                  Maria José Rijo

@@@@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.437 – 23 – Jan. – 1998

@@@@@

Este Livro de Rezas e Benzeduras foi editado

em Novembro de 2000

Se estiver interessado em adquirir um volume

terá de contactar o Jornal Linhas de Elvas

 

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