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1º- Um beijinho especial à Maria Luís que tendo fotografias suas em apreciação num concurso, sem hesitações, seguiu sua mãe, afastando-se assim da festa onde gostaria de ter permanecido para solucionarem um contratempo ocorrido a uma amiga. Obrigada. Obrigada também às pessoas que, conhecendo-me, telefonaram a saber da minha saúde. Bem hajam!·
2º- Se lá chegasse o recado, gostaria de dizer a Paulo Portas que

está equivocado quando se bate para que as horas extraordinárias fiquem isentas de impostos. A intenção é de louvar, só, que a luta, terá que ser para que essas horas sejam pagas! Até quem apregoa, aos sete ventos, que começou a enriquecer amealhando o pecúlio que, com essa norma, arrecadava, até esses, uma vez ao leme... Da oração rezam apenas: - venha a nós! 3º- Ando, de há anos, até hoje, a desejar fazer uma pergunta a um muito ilustre colaborador deste jornal. Vou contar a história: Mais ou menos, quando este jornal nasceu, por esse tempo, havia na nossa cidade uma curiosa tertúlia que se juntava no Café Alentejo. Raramente se reuniam todos os seus elementos ao mesmo tempo. Cada qual tinha seus afazeres mas, logo que arranjava uma folgazinha, lá estava, porque todos sabiam que havia sempre hipótese de se encontrarem alguns elementos para a cavaqueira. Alguns, até, só esporadicamente, apareciam por não viverem cá, mas, como amigo, puxa amigo, aproveitavam o convívio mesmo de visita à cidade. Do grupo eram o Ernesto, o Casimiro Abreu, o Falcato, o Marciano Cipriano, o Pontes, o Pedroso Gonçalves, o Violante, os Banazol, o Peralta, o Manecas Rodrigues, o Almeida e Brito, o Cabral, os dois manos Rijo, Dado e Zé, e...penso estar certa o Miguel Mota, que, como engenheiro, trabalhava na – então - Estação de Melhoramento de Plantas. Julgo não estar a fazer confusão pensando que sua mulher, por ser nórdica, viveu em Elvas uma circunstância que muito a surpreendeu e me fez fixar o episódio. Querendo uma certa vez sair de casa escreveu uma nota com os trabalhos que destinava à empregada para serem executados na sua ausência. Quando a empregada lhe disse com a maior naturalidade que não sabia ler, a senhora julgou, que, por ser estrangeira, a funcionária por pilhéria, lhe estava a faltar ao respeito e contou ao marido o incidente. Ao aperceber-se que era essa a realidade ficou absolutamente estupefacta. [vão cinquenta anos!] São deste mesmo - Miguel Mota – que acabo de recordar os importantes artigos que o Linhas publica?... Não se volta ao passado, mas, é sempre reconfortante lembrá-lo, quando se recorda com saudade. 4º- Devo, por amizade e muito sincero apreço, uma palavra pública a um grande artista nascido na nossa terra, mas de dimensão muito para além do nosso limitado meio. Falo de: Cadete. Conheci-o menino. Estimei sua mãe, minha amiga Marcelina. Sempre que me acontece ter a sorte de apreciar um trabalho seu, penso no orgulho que ela teria do Homem Artista, com letras Maiúsculas, em que seu filho se tornou. O seu desenho primoroso na reprodução da flora do Alentejo – reconhecido internacionalmente. A sua criatividade como pintor. O seu domínio de cor a ousadia do seu traço, tudo, tudo, nele é a expressão do artista que só o seu jeito modesto de ser ainda não guindou para o lugar a que tem direito entre os grandes da nossa geração. Uma palavra para a sua última forma de expressão, a caricatura. Considero-a magistral. Bordalo não faria melhor. O seu olhar inteligente, capta a situação que lhe sugere a crítica, e, como é próprio da caricatura, fixa-a pelo exagero do traço, deformando-a pelo ridículo, pelo humor. Grandes deste mundo, fizeram colecções das caricaturas que os seus actos sugeriram a artistas de nome. Muitos, nelas terão aprendido o perigo da sua auto-suficiência e, com o humor, que só a inteligência proporciona, terão entendido caminhos que, a rir, outros lhes abriram... Parabéns Cadete! – Pode a voz dos artistas não ser entendida de imediato, mas sempre foram os artistas – da sua medida – a abrir sem medo, os caminhos do futuro.
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Maria José Rijo
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JORNAL LINHAS DE ELVAS
CONVERSAS SOLTAS
Nº 2.944 --- 22 de Novembro de 2007
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