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DIVAGANDO...

Sexta-feira, 29.06.12

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.043 – 18 de Maio de 1990

A La Minute

DIVAGANDO…

 

Referindo qualquer assunto, que já nem recordo, dizia-me alguém, a rir, com descontraída boa disposição_ “Vozes de burro, não chegam ao céu!”

- Vozes de burro não chegam ao céu? – e porque não? – Pus-me a pensar!

Então o burro tem culpa de ser burro?

E o rato, pode ser castigado por ser rato?

Do rato, o que consta, é que “roeu a rolha da garrafa do rei da Rússia” – mais, não tenho ouvido falar!

Mas do burro? – O burro não roeu. Teria bebido o vinho da garrafa do rei da Rússia que tinha uma rolha que o rato roeu?

E quem foi que disse que a garrafa tinha vinho?

Será por o burro não ser roedor que a sua voz não chega ao céu? – Sim! – Porque do rato ninguém ainda disse tal cosia, e, dos outros bichos também não.

Então porquê só o burro, coitado, está privado de elevar a voz até ao céu?

É com este tipo de injustiças que não concordo – são antidemocráticas.

Fazem logo entender, má-fé, e má vontade, contra o burro.

Senão vejamos: Burro velho não aprende latim!

Embora se depreenda desta afirmação que em novo, qualquer burro o aprenda, pela forma clara e
evidente como se afirma que só depois de velho é que o burro não pode, ou não
quer meter-se nessas “cavalarias” – o que é que o mundo tem a ver com isso?

Será que todos sabem latim? Se não sabem, para quê e porquê citar só o podre do burro?

“Teimoso como um burro!”
– Outra injúria.

Será o burro o paradigma da teimosia? – Terá esse exclusivo? – Exclusivo – quem diria?!

– Olha, que classe!

E, a mim que me importa?
– Que tenho eu a ver com os burros? – Nada!

Por acaso, é uso chamar estúpido ou imbecil ao burro?

Eu não ouvi, nem li, nem vi, nem sei, nem quero saber!

Terei raiva a quem sabe?
– Não tenho! – Ou tenho?

Porque havia de ter? – Eu até acho os burros simpáticos!

É certo que dão coices, mas, sendo burros não acertam.

Pica-lhes a mosca! – Escoiceiam.

Assustam-se! – Escoiceiam – mas, não é por mal.

É reflexo – fatalidade do destino de ser burro. Burrice, apenas.

E os coices! – Chegarão ao céu? Chegarão mais alto do que a voz?

Quem há-de entender os burros se tão pouco se sabe sobre estas coisas,

os burros não falam – zurram!

Há burros de encantar.

 “Platero”! – que burro! E o “Rocinante” de Sancho Pança? – que animal!

Não me venham agora dizer que são burros de ficção.

Não consinto. São burros como gente – para nos compensar da gente - que é como os burros.

Então e o burrinho da Moleirinha de Junqueiro? (toc-toc-toc – vai para o moinho!).

 

E o burrinho que nos leva a Belém a ver o Menino que a Senhora tem?

É por esse Menino e por essa Senhora.

É por essa Senhora e por esse Menino que eu me rendo.

Afinal, mesmo um burro, às vezes, nos leva ao ponto certo para ficar.

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 14:09

QUEM DERA

Terça-feira, 26.06.12

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.044 – 25 de Maio de 1990

A La Minute

QUEM DERA

 

Pela imprensa, rádio, televisão, etc., etc., vou como toda a gente, tendo conhecimento dos problemas que o país enfrenta.

Assim que, graças a Deus, se pode depreender que está tudo bem, muito obrigado! –

Pois que preocupação de norte a sul, com peso para entrevistas de horas e páginas inteiras de jornais são, especialmente, como o futebol.

Sabendo-se que um treinador, num clube de I divisão, aufere ao fim de um mês – sozinho – mais do que, (se calhar?) custa o corpo docente de uma escola – num ano! – porque, verbas de 7.000 contos (de base) a que se juntam prémios de jogos e não sei mais quê, que fazem subir a fasquia aos 10.000 contos mensais – não são motivo de graça – convenhamos!

Quando estas situações são despudoradamente ventiladas como normais – ou – pelo menos, correntes – impõem-se conclusões, tais como:

- os reformados, ao fim do mês, já recebem quanto baste para não se sentirem mendigos?

- os funcionários públicos e outros, já podem pagar os 30 ou 40 contos de prestação mensal do empréstimo que lhes faculta adquirir o T-2, no valor de 3.000, sem terem que optar:

casa ou comida! - os problemas de saúde e assistência estão por certo solucionados…

Porque, se assim não fosse, não faria sentido que qualquer desporto, fosse lá ele qual fosse,
ocupasse tal lugar e importância na vida de uma qualquer comunidade e consumisse fundos

oficiais e particulares de tanto vulto, quando, parte deles, poderiam ser canalizados para empreendimentos capazes de promover justiça social.

O empolamento que a nível nacional, se dá a um determinado desporto é quase psicopático.

O olho mágico, que é a televisão, quando lobriga futebol, nem pisca.

Altera promoções, cala concertos, entrevistas, faz os desvios necessários para servir em directo, o deleite de ver as goleadas e o arrepia de emoção dos já comuns espectáculos, adjacentes, e
violência.

Nero tinha o seu circo.

A história, dele, guardará as cicatrizes.

Do estado pelintra das instalações escolares, do que comem, - ou – se comem – as crianças; dos tempos sem rumo que levam ao álcool, ao tabaco, à droga, os adolescentes, que a frustração perverte por não encontrarem lugar no mundo de todos – não vale a pena cuidar com colectas nos emigrantes, conquista de interesses económicos de particulares, envolvimento nacional…

Para clubes e craques! – Sim! – Isso é que é!

Quem dera, meu Deus, quem dera, uma cidade qualquer que fosse a notícia de se ter organizado na
defesa justa dos valores que promovem o bem-estar das populações…

Onde o desporto fosse a noticia vivido com o significado do seu conteúdo autêntico de fonte de saúde, alegria, prazer, gosto de viver – beleza! – Em lugar de funcionar como o doping que excita, inebria, mas desequilibra, com tudo aquilo que extravasando do seu espaço próprio, ocupa indevidamente o lugar que lhe não pertence.

Quem dera, meu Deus, quem dera!

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 22:00

O MELHOR DO MUNDO

Segunda-feira, 25.06.12

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.045 – 1 de Junho de 1990

A La Minute

O MELHOR DO MUNDO

 

Deveres de profissão retinham em Angra – nos Açores – o chefe daquela família, no Natal de 80.

A mulher, aproveitando as férias dos pequenos, não resistiu ao apelo do coração, meteu-se com os
filhos num avião e, lá foi, deixando a segurança da sua cidade de Guimarães, onde, com pais, tios e

parentes, costumavam cumprir em cada ano rituais e tradições a que se habituara desde criança, na

casa de família. Apareceram-nos, no “Pico da Urze”, onde morávamos, ao fim da tarde, no dia da chegada.

Felizes pelo reencontro, contava-lhes nos olhos a alegria de se reverem e enumeravam, na
conversa, as mil pequenas coisas de que se privariam, mas que voluntariamente tinham trocado pelo calor do abraço de amor e ternura que os unia.

Tocados por aquele afecto, quase palpável, embora acabasse de os conhecer, ofereci espontaneamente, que passassem  a consoada connosco e, logo ali, combinamos fazer o possível para que os dois rapazinhos (filhos do casal) não sentissem a falta dos mimos a que estavam habituados. Passados uns instantes em que se entreolham surpreendidos, aceitaram com alegria, e quando, a seu tempo, a “faina” começou, percebi que a ganhadora fora eu pois, ao ver, a

 iria acontecer. Natais, que ficam na lembrança como marcos na vida de grandes e pequenos.

Às “nossas” azevias e nógados, juntaram-se as rabanadas, a aletria doce, os formigos e tudo o mais
que – à moda do Minho – a minha nova amiga foi fazendo com requintada sabedoria.

Os Açores – terra hospedeira – foram representados pela massa sovada e pelo bolo de frutos secos,
com especiarias e mel de cana; para honrar a minha costela algarvia – fizeram-se pasteis de batata doce e Dom Rodrigos.

Orgulhosas dos “nossos feitos”, frente a tentações de tal quilate, fomos chamar até nós, uma família
de madeirenses amigos, também por lá deslocados e a confraternização aconteceu.

Poucos dias volvidos, a vida chamou cada qual ao seu destino por caminhos diversos e todos nos
separamos.

Agora, 10 anos passados, procura-nos um homem novo e desempoeirado, que nos abraça e beija
afectuosamente, dizendo com naturalidade: - passei convosco “aquele” Natal nos Açores – mas, afirmando-o  como quem reivindica um forte e grato parentesco. Foi a festa!

Cruzados de novo, por momentos, nossos passos, nesta caminhada da vida – lá partiu, subindo o monte que eu desço – abraçado à noiva, que com ele viera, para também nos conhecer.

No cartão de visita que nos deixou, a seguir ao nome lê-se: - economista e a sigla da importante
empresa onde trabalha.

Foi notável como estudante. Tem apenas 23 anos.

Entrego-me à ternura pensando: - como crescem os meninos! – e, já me ocorre a figurinha linda do
“meu vizinho” Luís, que quase ainda agorinha, bateu à nossa porta para, com a gloriosa inocência dos seus quatro aninhos, anunciar feliz o nascimento do irmão dizendo:

“venho dizer que já tive um menino!”

Participação mais linda eu nunca ouvi – nem sei se há!

Razão teve o Poeta quando disse:

o melhor do mundo são as crianças.

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 16:19

Porque será ?

Sexta-feira, 15.06.12

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.998 – 7 de Julho de 1989

A La Minute

PORQUE SERÁ?

 

Entrou na moda, de há uns tempos para cá, afirmar-se à boca cheia que de Elvas se não faz promoção turística.

Vou ouvindo, vou sorrindo, mas desta vez…

Elvas não está integrada em nenhuma região de Turismo.

Essa foi uma posição assumida há muitos anos que foi firmemente defendida ao longo de todos eles, e neste momento, se bem que olhada de certos ângulos ainda seja defensável, já é discutível ou alterável.

Elvas, não é mais uma cidade, ou mais um concelho a enquadrar numa região turística.

Elvas é Elvas!

Elvas é impar. Tem características próprias e tão peculiares que “arregimentá-la” com A ou B não pode ser obrigação de tendência, ou de interesse imediato, mas acto de consciência bem pensado.

Elvas é tão diferente que ideal seria que fosse pólo criador de uma micro-região”.

Elvas está para as outras cidades como a Serra de Estrela para as outras serras.

Só quem não sentir a subtileza da diferença pode pensar em defini-la apressadamente com um rótulo que lhe permita ter o nome catalogado numa “ementa” convencional.

Mas… adianta!

O que porém é um facto iniludível é que esta situação não tem obstado a que, de Elvas se tenha feito e faça promoção turística.

Senão vejamos:

Saberão que a “nossas” rendas de papel voaram na TAP mundo fora?

Saberão que estiveram presentes, com artesã ao vivo, numa feira internacional na Alemanha, que foram convidadas para ir à Suécia e que da Austrália nos foram pedidos elementos sobre elas?

Saberão o que se falou dos postais antigos de Elvas e “ex-votos” e que os postais de gastronomia nos foram solicitados da Dinamarca e do Consulado de Luxemburgo?

Saberão dos programas de rádio e televisão em que foram presentes e falados, e do espaço que lhe dispensou toda a imprensa com reprodução de textos e fotografias?

Lembrarão os programas de televisão “Faca e Garfo”?

Terão esquecido as exposições internacionais de Canicultura e a exposição de Canários? – Programas desportivos, o regresso de “O Elvas” à primeira divisão? – As maratonas? – As edições da Volta ao Alentejo em Bicicleta? – O Dia Mundial da Música? – As edições culturais? – A presença de pavilhões nas feiras de Santarém e Lagoa com entrevistas aos artesãos via rádio, e notícias e fotografias em jornais?

Noticiários na televisão sobre o 14 de Janeiro, Presépios, Concertos? – O Coral em Faro e duas vezes na televisão em fundo de programas, além de convite que já lhe foi feito para participar, este ano, na Figueira da Foz, também nas Comemorações Nacionais do Dia Mundial da Música? – Artesãos em estúdio na televisão? – Entrevistas na imprensa e na televisão a responsáveis autárquicos e outros?

A repercussão das visitas ministeriais com referencias aos empreendimentos turísticos da região? – As “Jornadas de Desenvolvimento Agrícola e Industrial e Criação de Emprego”? – As longas

reportagens sobre a nossa cidade? – A visita Presidencial? – A edição fac-similada do Cancioneiro da Públia Hortênsia? – A edição para breve, do estudo de dois pergaminhos musicais do séc. XV, existentes na nossa Biblioteca, pelo professor Gil Miranda docente numa Universidade dos Estados Unidos.

Claro que ninguém chama a si o exclusivo destas acções e da projecçãomas o que não é discutível é que elas aconteceram também porque lhes foram criadas as necessárias condições.

De tal modo, que se pode afirmar que nestes últimos três anos se terá falado mais de Elvas do que nos últimos trinta.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 14:39

Luto

Quinta-feira, 07.06.12

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.980 – 3 de Março de 1989

A La Minute

LUTO

 

Quase inadvertidamente, escrevi a palavra “luto” como cabeçalho deste apontamento. Detive-me, depois, a pensar nela sem saber bem o porquê da sua escolha, mas subitamente entendi que nenhuma outra caberia ali, em seu lugar.

Não que eu tente, ou sinta que deva fazer aqui, qualquer elogio fúnebre. Outros, com mais direito, para tal, e bem melhor o farão.

Não! – Não é isso! O que sinto que me cabe e me leva a falar é a parcela de luto que cabe a cada elvense, mesmo àqueles que ainda se não aperceberam, de como é empobrecedor, de como é triste, de como é irremediável, que “Zé de Melo” tenha emudecido!

Familiares e amigos – choram alguém – que acabam de perder do seu convívio.

Fosse ele quem fosse, havia de ser chorado, que a amizade e amor perdidos, são sempre falta irreparável nas vidas dos que vão restando.

Desta vez, esse Homem que partiuJosé Picão de Silva Tello tinha uma ligação de sabedoria e memória tão enraizada na história da sua terra, que dela podia falar, contar, ensinar e dar testemunho, quase como o lendárioZé de Melo”a quem tomou, de empréstimo, o nome para lhe servir de pseudónimo.

 

Eu estimava este Homem, cuja morte enlutou a cidade de Elvas. Admirava-lhe o saber, a lucida inteligência. Falar com ele encantava; ouvi-lo era escutar a memória viva da cidade e aprender um sem número dessas pequenas coisas de que é feita, afinal, a verdade da vida.

Quando a doença o atingiu, fui visitá-lo à Casa de Saúde – estava nos cuidados intensivos – quando já começara o seu frente a frente com o fim que se avizinhava.

Falou-me com voz segura. Cumprimentou-me com o cavalheirismo e a atenção que comigo usava, quando de visita a sua casa, cavaqueávamos sentados à camilha, com sua mulher.

Não se lamenta. Percebi que mesmo naquelas dolorosas circunstancias, defendia com coragem a dignidade que timbrava a qualidade do seu comportamento nesta vida. Admirei-o mais, por isso, também.

Não sou de grandes frases. Nem elas me parecem justas frente à grandeza de Vida e Morte.

Penso, no entanto, que, mesmo aqueles que nesta hora não sintam, como eu, a falta do amigo, mesmo a essas, cabe a sua quota parte no luto que atingiu a nossa cidade.

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:25

Pagina de Diário

Sexta-feira, 01.06.12

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.979 – 24 de Fevereiro de 1989

A La Minute

PÁGINA DE DIÁRIO

 

Finalmente abrirá amanhã, 20 de Fevereiro, a Escola de Música da cidade de Elvas.

Escrevo – finalmente – e quase me assusto. A palavra tem um peso de sentença.

Para trás ficam – já vencidas que foram – algumas etapas de um percurso esforçado.

Para trás ficam as horas de sonho e desejo – será possível?

Para trás ficam horas de medo e esperança: - “está tudo tratado” – será? – Não será? – Vamos confiar.

Para trás ficam horas boas, de alegria nascidas da notícia, dada em Faro, publicamente ao Dr. João Carpinteiro – Presidente da Câmara de Elvas – de que a Cidade iria ter a Escola que desejava.

Para trás fica o momento em que chegou o despacho que legaliza a boa nova.

Depois! – Depois! – A luta para a arrancada.

Como? – Onde? – Com quem?

Lentamente foram-se encontrando soluções entre alguns espaços, ainda agora mal definidos.

Dados que pareciam adquiridos, caminhos seguros, de súbito aparecem, baralhados como cartas prontas para um jogo diferente com regras sempre em mutação.

Já não é Lisboa, agora é no Porto o centro de decisão. Mais longe. Mais penoso. Mais difícil.

Confirmada só a promessa de que tudo vai mudar. Para melhor? – mais fácil? – Deus queira!...

Entretanto, finalmente, abre amanhã, dia 20 de Fevereiro a Escola de Música da nossa cidade.

Dentro de mim uma ressaca de noites de preocupação entre o querer e o temer…

Uma escola não é negócio. É um corpo vivo. Cria-se. Nasce, cresce, vive e morre! – depende do amor e dos cuidados que receber – da dignidade de comportamento que conquistar.

Évora, Beja, Portalegre, Castelo Branco têm as suas Escolas, as suas Academias.

Outros foram capazes.

E nós? – Sim?! – Não?! – Veremos!

As dificuldades maiores não são as que estão vencidas; são as que hão-de surgir até que a Escola se afirme.

A luta contra a rotina – o suporte financeiro, a procura de qualidade – a manutenção…

A população aderiu às inscrições, interessou-se.

Gerou-se o clima que permitiu contactar professores e monitores. Quantos desistirão agora na hora da verdade? Começa amanhã a prova real.

A cidade dará a resposta.

A Câmara fez a aposta. Criou o GADICE para que a Cidade, por suas mãos, possa colaborar nos seus projectos de futuro.

“Tenho inveja de Elvas” – confidenciavam-me há pouco. “Aqui, é o poder político que puxa por estas iniciativas”.

Eu, acredito em Elvas.

Acredito e confio.

 

Maria José Rijo

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:30

Resolvi falar de Amor

Segunda-feira, 28.05.12

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.987 – 21 de Abril de 1989

A La Minute

RESOLVI FALAR DE AMOR

 

Às vezes, quando para tal tenho oportunidade, folheio os desenhos que os jovens que vão passando pelo espaço que lhes está dedicado na Biblioteca, por lá vão deixando.

Um pouco antes da Páscoa deparei com uma composição a que não resisti, recolhi, e guardo comigo.

Há por lá outras, mais ou menos expressivas. Todas têm interesse. Todas são linguagem de alma de quem as produziu. Todas encobrem (descobrem) uma intenção, algo da vida interior dos seus autores – mágoa – fantasia – imaginação – alegria – desespero – solidão – sei lá…

Mas, aquele desenho especial que guardo comigo, tem uma figuração e uma legenda que fazem pensar.

Diz assim:

 - “é dia de Páscoa construamos a paz e a felicidade”.

 Tem ainda um cão (quase sorridente) que cumprimenta um gato:

 - “olá” e recebe do felino idêntica amabilidade: - “olá”. Tudo isto rematando com o seguinte conceito:

 “o cão não anda a correr atrás do gato, porque estão a construir a paz e a felicidade”.

Completam o trabalho, uma figura de homem, outra de mulher unidas pelo letreiro que seguram nas mãos e no qual se faz o convite à construção da Paz e da Felicidade com as palavras sublinhadas duas vezes. Ao alto da folha brilha um belo sol muito redondo e amarelo. Assina – Pedro Miguel com data 11/3/89.

 

Não conheço o rapazinho. Não sei se é gorducho ou magricela, loiro ou moreno, olhos vivos ou mortiços, nariz pintado de sardas, joelhos esfolados ou qualquer outro traço particular.

Não o conheço eu a ele, nem ele a mim, creio.

Fiquei no entanto a pensar na “palavra certa”, que com alguns erros de ortografia, que por lá deixou, com a sua letrinha irregular de criança como quem deixa flores caídas de um ramo.

Tenho desde então olhado com frequência este desenho, sentindo sempre que me cabia não o guardar só para mim.

Pensei utilizá-lo por várias formas. Tê-lo-ia transformado em cartão de boas-festas de Páscoa se tal me tivesse sido possível. Não calhou.

Não o esqueci entretanto e, hoje, sem premeditação ao reler Rilke sobre tema eterno – o Amor – parei a pensar no menino e no desenho. Relacionei amor com ideal, rumo de vida, sonho, estrela do Norte, anseio de mais alto. Relacionei tudo isto com a esperança de que é feita a alma das pessoas e pensei que devia falar dessa centelha de fé no amor que pulsa no coração dos jovens.

Então resolvi esquecer os amargos e os descrentes, os que já não acreditam nem em si, nem nos outros, os que já tão longe do tempo em que sonhavam pureza e foram inocentes que chamam pejorativamente poetas ou literatos aos que se apoiam na alma limpa das crianças que estão perto ainda da mão do seu Criador que são indesmentíveis na sua fé e na sua esperança.

Dei comigo a sorrir tranquila, em Paz e resolvi falar de Amor.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 01:00

Entregar Elvas a Elvas

Sexta-feira, 25.05.12

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.873 – 30 de Janeiro de 1987

A Lá Minute

ENTREGAR ELVAS A ELVAS

 

Tem sido meu propósito manter este espaço fora dos assuntos camarários.

A não ser que esses assuntos, pela forma ou conteúdo, caiam sob a alçada da pessoa comum que sou – ignoro-as porque deles não teria conhecimento se a tal não me obrigasse a força das circunstancias.

É o meu critério! Tão válido ou discutível quanto outros, consoante o observador.

Ora, neste momento em que me posso situar – quase como espectadora de um programa que mercê da aberta

 


colaboração dos jornais, da rádio e do comércio locais – já é de Elvas – como se desejou que fosse – poderei contar que um dos propósitos da Câmara – talvez o mais importante embora possa não o aparentar pela simplicidade com que se enuncia – é entregar Elvas a Elvas.

Assim se entenderá que se fomente, na medida do possível, o desejo de Elvas criar os seus próprios entretenimentos.

 


Se as pessoas capazes de o fazer (e são bem mais do que possa parecer) tomarem em mãos o querer de Elvas – o grupo de teatro – a orquestra – o grupo coral, etc, etc, … serão realidades e, mostrando as suas capacidades poderão conviver, recebendo sim, mas, dando também em troca.

- E porque acontece que duma intenção a que pus num rótulo – O compositor do mês – nasceu do saber e da inteligência de alguém, que também acredite no sacrifício e devoção que se deve às causas em que se crê – a Srª Dona Maria Elvira Vaz Serra Cabrita – um programa válido, bem estruturado com a duração de 8 meses.

- E porque aconteceu que este programa já da sua autora se está libertando…

- Neste momento em que a Rádio fez dele um espaço seu que de semana para semana ganhou qualidade e força…

- Neste momento em que os jornais o acolheram e o divulgam quer noticiando, quer recriando a informação…

- Neste momento em que as crianças investigam com sinceridade sobre a vida de Bach participando com mérito, e o comércio apoia expondo cartazes…

- Neste momento em que há adultos que fazem perguntas e oferecem sugestões…

- Neste momento em que a ideia já está enriquecida com outras ideias, veste roupagens novas e toma lugar na cidade – porque a cidade a aceitou e lhe cedeu espaço…

- Neste momento em que pessoa responsável e de competência como é a Srª Dona Licínia Fradique, orienta com o seu indiscutível saber, a organização dos três convívios musicais previstos…

- Neste momento – renovo a minha aposta na esperança e acredito que outras boas vontades irão aparecer e Elvas irá ficando, pouco a pouco, nas mãos de Elvas pulsando viva como um corpo inteiro…

Assim – Elvas fará desporto e usará o seu estádio, cantará e representará nos seus teatros, escutará a sua Banda a tocar em jardins, praças e coretos da cidade e Freguesias…

Elvas nas mãos de Elvas – é um sonho de vida – uma certeza de independência – um programa de futuro.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 12:55

- BOLA -

Sexta-feira, 02.12.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.943 – 3 de Junho de 1988

A La Minute

BOLA

 

Também eu vi o Veloso “chutar” a taça para os holandeses.

Não restam duvidas de que, mesmo quem, como eu, nada percebe de futebol, acaba em circunstancias destas, aderindo com interesse ao espectáculo. Milhares e milhares de pessoas, enchendo um estádio, a vibrar de entusiasmo, a roer as unhas de enervamento, querendo e temendo

Luca Toni

olhar – como o Toni durante a marcação das penalidades – milhares e milhares de pessoas, unidas e divididas pelo desejo de ver ganhar estes ou aqueles – milhares e milhares de pessoas a gritar de gáudio ou de raiva, eufóricos ou desalentados, com os sentidos presos do que vêm os olhos atentos que rolam nas orbitas, seguindo a bola como a equipa no campo – não é acontecimento para desprezar.

Se pensarmos que em quase todas as casas de todos os países, para onde a televisão transmite estes desafios, há gente igualmente atenta e absorvida pelo comportamento dos clubes que se defrontam – se o pensarmos – então sentiremos, como alguma preocupação, a força que tem o futebol para sintonizar milhões de pessoas no mesmo acontecimento – um jogo de bola.

Daí que, por força de tal envolvimento colectivo, nasçam as confusões, e os relatos futebolísticos e as tricas de clubes, apareçam a publico empoladas e tratadas como acontecimentos de que dependessem a dignidade dos povos.

 

Quere-me parecer que já era tempo de dar definitivamente a estas coisas o seu espaço próprio e de aceitar que, mais do que perder ou ganhar – o que tem que ver com a dignidade – é a dignidade – e essa, testemunha-se na vitória, na derrota e também na maneira como se relatam os acontecimentos.

 

A meu ver, também não é abonatório ao comportamento equilibrado, que se deseja em quaisquer circunstâncias, que algumas pessoas ligadas ao desporto apareçam a falar dele com o ar de quem discute vida e morte.

Também não se me afigura certo que logo à transmissão directa de um jogo se voltem a emitir – de imediato – fragmentos desse mesmo acontecimento, sabendo-se que para tal há rubricas da especialidade, onde tudo é, de forma exaustiva, esmiuçado até ao átomo ou à sua desintegração.

É destes exageros que a gente se queixa, e ou é mercê deles que se canalizam as atenções gerais – excessivamente – para áreas determinadas.

Quando os factos são mesmo sérios, como transplantes de órgãos e outras coisas assim, às vezes nos ecrans, um médico, jovem ainda (como são os desportistas) – com um sorriso tímido de criança e uma modesta e simplicidade que tocam o coração do mais desatento. Então, sem parangonas, dramatizações de faca e alguidar ou histerismo – quase como se nada se tratasse – fala de esperança para a humanidade, serenamente e com o respeito que integra – de verdade – dignidade e vida.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 23:07

DIAS DE ISTO E DAQUILO

Terça-feira, 29.11.11

Á LÁ Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1961 – 21 de Outubro de 1988

DIAS DE ISTO E DAQUILO

 

Isto de ser feito de memória – é verdade!

Todos o somos. Somos a resultante da história da nossa vivência, como os povos o são também. Somos vitórias e derrotas, alegrias e tristezas, e partimos para cada dia com a capacidade de compreender, amar ou perdoar, que tivermos acumulado. Tal como os povos que se confrontam entre si, nós também o fazemos, e tal como os povos que entre si estabelecem acordos de diplomacia, amizade, respeito ou pacifico convívio, também nós o fazemos – não esquecendo, embora – quer como indivíduos ou como povos, diferenças ou semelhanças.

Só quem recorda, cumpre.

Só quem não esquece, tem palavra.

Quem perde a memória – perde a identidade.

Mesmo assim há, recortes que se limam pelo caminho porque deles nos soltamos na medida em que somando experiência, a cada momento, o nosso ponto de reflexão pode ser corrigido e ajustado.

Assim que, dei comigo a concordar com os dias mundiais de “isto” e de “aquilo”, depois de durante muito tempo, nem sequer ter pensado no assunto ou, até, de me ter parecido, levada na corrente, não ser necessário haver medidas em especial, fosse para o que fosse, assentava esta posição na lógica de que todos os dias são de tudo: -- vida e morte, graça e desgraça, guerra e paz – manhã e noite.

Porem, depois de reconsiderar, já não digo, no calendário litúrgico, com um Santo para cada dia – reconhece-se que não está errado o critério que tal determina. Pelo contrario! Estabelecer no tempo um momento certo para que, na medida do possível, todas as pessoas, simultaneamente façam convergir os seus cuidados sobre os problemas que a todos respeitam, é ordena-los em vista a soluções possíveis - atribuindo-lhe a dimensão que realmente têm.

Lembrei-me então de Fátima. Toda a gente pode rezar em casa, quando lhe calhe, lhe é necessário ou lhe apetece. No entanto, rezar em Fátima é diferente. É faze-lo no local escolhido para as orações. E onde toda a gente que lá vai – se despe de vaidades, artifícios e egoísmos e, com a humildade possível, se reconhece humano, fraco, falível, carente. Lá quase sempre a fé e a generosidade se curvam a par. Lá pede-se saúde, vida, paz, trabalho, amor e perdão. A Fátima, mesmo quem vai em carro de luxo, vai de joelhos e tão suplicante, como o romeiro pobre e descalço que empoeirado palmilha a pé o caminho, dirá e apenas: - MÃE !

 

Dentro deste espírito parece-me que os dias de “isto” ou de “aquilo” se tornam os “lugares” de convergência para “curtir”, à vez, aquela multiplicidade de problemas a que é preciso e urgente que a sociedade dê a resposta justa e certa.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 17:20





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