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A Visita de Maio

Sexta-feira, 30.05.08

Jornal O Despertador

Nº 233 – 28 de Maio de 2008

  

A Mulher, tinha nascido na aldeia de Santa Clara do Lorêto, a que toda a gente, não sei porquê, chamava de aldeia da Boa- Vista.

Pensando agora nisso fico surpreendida por, enquanto vivi em Beja, nunca me ter dado à curiosidade de investigar o porquê destas duas designações para a mesma localidade, estando ali tão perto…

Eu tinha feito o Liceu em Beja. Na minha vez de o frequentar já se chamava de Diogo de Gouveia

– pedagogo e teólogo que nascera em Beja em 1467 – (reza a história que foi ele quem fez vir para Portugal os Jesuitas, aí por 1540, e entre eles S. Francisco Xavier, que se havia de tornar o apóstolo do Oriente.)

 Dois anos antes de mim, minha irmã entrara, para o velho Liceu Fialho de Almeida, situado, então, na ampla e bela Praça da República, que pelo novo foi substituído quer no nome, quer na localização.

Fialho de Almeida

Fialho vivera em Cuba, a vila onde me casei, na casa que havia de vir a ser habitada pela minha família. É evidente que, criança que era, não me importou, na altura, a mudança do nome que mais tarde viria a deplorar, pois morar na casa que fora de Fialho dava um certo frisson e, fazia ainda mais desejar para ele todas as homenagens possíveis, principalmente depois de conhecer a sua obra e, pormenores da sua personalidade narrados a cada passo por pessoas que, com ele, ainda, haviam convivido.

A casa era antiga e bela, com um amplo quintal, cheio de violetas nascidas ao acaso pelo chão e, em tufos, rente ás paredes. Tinha uma acácia de copa majestosa, de flores brancas como a da casa de Camilo em Seide, por onde o meu gato se aventurava intrépido perseguindo, em vão, a passarada.

 Dela, também se poderia dizer comoRégio da sua própria: “Cheia dos maus e bons cheiros – Das casas que têm história, - Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória – De antigas gentes e traças, - Cheia de sol nas vidraças – E de escuro nos recantos, Cheia de medo e sossego, de silêncios e de espantos, _ Quis-lhe bem como se fora – Tão feita ao gosto de outrora – Como ao do meu aconchego.”

Era assim – também -  que eu a sentia e, em viver nela me deliciava.

Ora esta conversa encadeou-se, sem que disso, quase, me desse conta, porque a postura absolutamente vertical daquela – tal mulher -  a que dei trabalho e depois se tornaria uma grande amiga que ainda conservo, volta e meia, retorna à minha memória como me ficou registada no coração especialmente quando vejo gente, sem reagir, acomodada ao infortúnio.

E, isso aconteceu, quando regressei a esses locais onde havia passado infância e juventude para, então com meu marido, voltar a habitar em plena época do vinte e cinco de Abril.

A mulher que se postou na minha frente para contratar trabalho, era ainda nova. Trinta anos, talvez.

Deixara o campo, porque sofria do estômago e já não conseguia suportar a dureza dessa vida.

          

Todos os habitantes, da aldeia, como ela também, pagavam foro ao dono do povoado para lá terem suas casas, porque todo o chão lhe pertencia.

Era tudo gente nascida e criada nesses tempos de submissão e dependência dos grandes proprietários.

Pois mesmo assim, ou por virtude disso, ao outro dia quando se apresentou para trabalhar, olhou-me de frente, bem nos olhos e perguntou, numa voz segura e fria: - para onde é que a senhora manda o meu corpo?

 

É desta fibra a minha gente alentejana.

 Isaurinda Brissos esta é a tua gente

                    Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:27

O preço da diferença

Quinta-feira, 22.05.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.965 – 17 de Abril de 2008

Conversas Soltas

@@@@

 

Alentejo.jpg 

Partiu há dias, umas duas semanas, apenas.

Partiu, levando com ela, nas sentidas lágrimas que a choraram a admiração e estima de uns, a simpatia de outros, a indiferença e incompreensão de mais alguns que, embora reconhecendo-a diferente, a apontavam por isso. Sem nunca se preocuparam em entende-la.

                   

Aliás, ninguém agrada a todos.

Partiu deixando uma dor sincera em quem de perto privou com ela e entendendo-a, admirou a sua coragem, grandeza de alma e coração.

Em quem sabia com que determinação encarava as contrariedades da vida, com que alegria se levantava nas madrugadas para arregaçando as mangas, trabalhar sem cansaço dando, largas à sua criatividade, às suas capacidades de lutadora, que nunca virou o rosto a dificuldades.

                           

Era uma elvense de alma e coração.

Falava, como ninguém, das minúcias dos antigos festejos do São Mateus.

Quando tudo isso evocava com entusiasmo e saudade na voz desenhando com as mãos os gestos de enlevo pelos carros de canudo, pelos fatos dos romeiros, pelos costumes que o tempo criou e depois foi desfazendo, transfigurava-se, e as imagens surgiam aos nossos olhos como se fora um pintor a grava-las numa tela.

Quando assim acontecia, ela tinha o dom de nos fazer sentir a riqueza que é uma perfumada e farta fornada de pão com a côdea quente e estaladiça a provocar a gula...

Ela tinha o dom de nos fazer sentir o despertar da terra na frescura das alvoradas quando o dia nasce.

Ela tinha o dom de tornar majestosa qualquer refeição, por mais singela que fosse porque era impecável no asseio, na ordem e no culto da beleza de que revestia tudo em que as suas mãos tocassem.

                                              

Ela falava dos coentros como se louvasse o mais delicado e caro perfume francês.

Ela era inigualável. Ela era, ela foi diferente.

Ela amava a Vida e respeitava-a até nas suas mais modestas manifestações.

                  

Uma certa vez, confessou-me o sonho de escrever um conto. Pediu-me ajuda. Senti-a inquieta no receio de não termos oportunidade de o conseguir.

Assim aconteceu.

Lamento com toda a minha alma que assim tivesse sido.

“A filha do Lavrador”, se chamaria.

Era a odisseia de uma rapariga Que lutava contra todas as contrariedades, mas nunca desanimava, nem perdia o amor e a fé nas pessoas, coisas e animais. Que se derretia em ternura por crianças e infelizes e que evocava os arraiais, as sementeiras e colheitas e tudo o mais que fazia a história do seu Alentejo e, em particular da sua Elvas e, que nem no meio das maiores tormentas perdia o gosto pela Vida e a capacidade de sonhar...

Sei que à cabeceira da sua cama, quando partiu – tinha um caderno e uma caneta prontas para escrever esse conto de gente da terra, perfumado pelo odor das eiras em tempos de Verão e de terra molhada com as “águas novas” de Setembro.

Se eu tivesse capacidade para o fazer, escreveria por ela essa saga e, poria à heroína o nome de Lili. Como homenagem a alguém que até ao fim da vida foi leal e pura de coração como são os que acreditam na bondade e sabem ser devotadamente amigos do seu amigo.

 

            Maria José Rijo

 

Dois Mundos - 96.5 kb

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publicado por Maria José Rijo às 00:36

Vista do ALENTEJO

Quarta-feira, 02.04.08
 

PARA O

 LUCIANO

MATAR SAUDADES

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publicado por Maria José Rijo às 21:12

Reminiscências - Oliveiras em flor

Quarta-feira, 27.02.08
                                               madeira,  arte,deco,  rádio.fotosearch - buscade fotos, imagense clipart          

            Dei comigo a sorrir ao escutar mais uma vez – a radio emite-a com frequência – aquela cantiga engraçada que fala de costumes do nosso Alentejo. Não lhe sei o título, já não estou em idade de procurar fixar esses detalhes.

               

No entanto, como a memória dos velhos é regressiva, lá no fundo escuro das minhas lembranças uma chamazinha se acendeu e fiquei a pensar nas muitas ocasiões em que, quem escuta, repete e até canta frases cujo significado, não abrange por inteiro. Isto porque me parece que esta gente nova, de agora, que diz tanto “neologismo” para mim, também não conhecerá muito do que se dizia noutros tempos.

       Grupo Coral Cantares de Évora

            É de um grupo de vozes conhecidas, a autoria e a interpretação; e porque a letra é o somatório de pessoalíssimas evocações relacionadas com o telurismo e os costumes da nossa gente, fui bisbilhotar o que aquele inesperado luzeirinho despertava com quase impertinente insistência ao som do que ia ouvindo: - era a merenda de pão, vinho e linguiça, eram as cheias da ribeira, era o candeio das oliveiras; era todo o mundo igual ao da minha infância! - E, foi aí, que a minha atenção se deteve.

              Candeia azeite.jpg (11736 bytes)

            Quantos adolescentes de hoje teriam antes pronunciado esta palavra: - candeio!

Penso que muito poucos. E, agora que a cantam, terão pensado nela, no que ela significa? - Talvez não.

            No entanto é uma palavra linda. É uma palavra quase profética. É uma palavra quase promissora de esperança.

            Tempos houve em que era à luz de candeeiros de azeite que se escrevia, costurava, bordava, trabalhava...

            Tempos houve em que era à luz da candeia que se vivia. Em família se confeccionavam aos serões verdadeiras obras de arte de tapeçaria e outras enquanto se rezava o terço, contavam histórias, se aprendiam cantigas, lendas...

           Não admira assim, que de candeia, fizesse o povo derivar: - candeio – nome de afecto, nome de sabedoria do coração, nome de amor, com que designava a floração das oliveiras.

            Foi aí, aí onde se pergunta: como vão as oliveiras de candeio? - Que eu parei e olhei com um sorriso de enlevo os olivais em flor e me apeteceu entrar na cantiga para dizer: - este ano, um encanto, graças se dêem a Deus.

                            flor de oliveira

                        Como está a promessa de azeite – a promessa de luz – como está o candeio? Lembrei-me também de uma certa vez, em que, ao notar a diferença da coloração na folhagem das oliveiras me foi ensinado que as de cor mais escuras, tinham a cor da gratidão. Nascidas em terra mais fértil disso davam notícia sendo mais viçoso o tom do seu verde e mais frondoso o seu porte. Coisas simples e belas deste nosso Alentejo onde o homem e o ambiente faziam um todo.

Coisas simples e belas deste nosso Alentejo onde até as árvores eram olhadas com a subtilezas do entendimento cúmplice do amor .

 

                                     Maria José Rijo

 

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Jornal linhas de Elvas

Nº 2.508 – 11/Junho/1999

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 23:21

CONTO PORQUE É CARNAVAL

Sexta-feira, 01.02.08

     A revolução do 25 de Abril apanhou-me em Beja.

… Beja, Moura, Cuba, Santa Vitória são as terras do Alentejo onde a vivência temperou o meu gosto de me saber Alentejana.

Sou Alentejana, gosto do Alentejo, e gosto da minha boa gente – a gente das aldeias – com quem convivo com o afecto e a facilidade de quem, por lá, se sente em casa.

Foi-me por isso possível andar por entre gregos e troianos naqueles tempos conturbados e, assistir a situações, por vezes, com seu quê de chaplinesco.

Trabalhava em nossa casa uma empregada, que se filiou no M.ES. e que, por vezes, pela manhã, nos aparecia ensonada e sem ânimos para fazer fosse o que fosse, porque chefiava “um bando” de ocupadores de casas, que exercia a sua actividade pelas noites e madrugada.

Perguntei-lhe um dia se já escolhera entre dezenas de habitações, que já tinha ocupado (alguma até com os proprietários lá dentro), uma, para si própria.

                 

-- “Que não! – Para ela queria a do antigo patrão, (que até nem era má pessoa) mas que vivia sozinho, e portanto, possuía uma habitação grande demais para ele!!!”

“E, que uma sua comadre e companheira de liderança, naquelas actividades nocturnas – essa – queria a casa da Dona Fulana, que deveria então ficar a lavar-lhe a porta da rua, como ela até então lhe fazia”.

Expliquei-lhe que a finalidade de uma revolução não deveria ser mudar a injustiça de lugar – mas sim dentro do possível semear justiça, sem ódios ou vinganças – embora soubesse que falava para cesto roto!

-- Por norma, costumava contar a pessoa amiga toda ligada a actividades politicas, estas conversas.

Ora, um dia, essa pessoa, resolveu ir falar àquela gente para “explicar coisas” e desfazer confusões”. Foi!

Deixaram-ma falar. Depois, quando ela entusiasmada com a atenção que lhe prestaram pretendeu exaltar os benefícios da cultura, do acesso aos livros, etc. etc. uma voz de entre a multidão disse com sarcasmo e troça:

“Cala-te facha! A genti o que quéri é dinhêro e casas”! – Nã procisamos de papéis! Nã temos lojas p’ra fazeri embrulhos! E só gostamos papéli p’ra limpari o rabo (com sua aleçença!) – ca genti nem sabe léri!”

Foi o fim!!! Uma galhofa – (como me contaram!).

Ao ouvir já duas vezes na propaganda partidária, através da rádio a afirmação de que todas as Câmaras A.P.U já inauguraram sanitários – não resisti a uma gargalhada por ligar estas duas histórias deste Carnaval… da vida.

 

               Maria José Rijo

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Á La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1773 – 15/Fevereiro/1985

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 01:44

A Cada um a sua Dignidade

Quinta-feira, 10.01.08

Tenho a certeza de que ninguém pensou, desejou, ou quis que os membros do governo viajassem levando a sopa quentinha na garrafa térmica e os torresmos, as azeitonas e o resto do conduto no taleigo de retalhos, como fez a “velha fofa” lá da minha terra quando foi a Fátima.

Até porque eles já correram tanto mundo que, se calhar, já nem sonham, e não tiveram 70 anos para amadurecer a aventura de sair da sua vila, como a ela aconteceu.

Porém, quando enviuvou, decidiu-se: vendeu os “bicos”, comprou um bilhete de excursão e foi ver Nossa Senhora a quem encomendou a alma do marido!

Não! Isso não cabe na cabeça de ninguém – e se 10.000$00 por dia for pouco para quem tem obrigações, levem à nossa conta, a conta certa. Mas…

-- Deixe-se ao minhoto o caldo verde, a broa com cebola crua, o seu naco de presunto, a sua pinga gostosa…

-- Não se negue a todo o norte o “serrabulho”, o cabrito assado, pingando tempero e perfume sobre o arroz que abre no forno, a falar de festas de família e romarias… o verde verdinho… as alheiras… os rojões…

-- Deixem-se às Beiras, morcelas de ossos, de sangue, as farinheiras, o pão de centeio, que “chama” o queijo da Serra feito pelas mãos frias das mulheres já velhas, no segredo das cozinhas escuras e fumacentas…

   Deixe-se-lhes a batata da terra – assada, a murro, ou cozida e suada com o pano dobrado na boca da panela – para comer com molhinho de azeite, alhos socados, vinagre e pimentão flor…

-- Deixe-se pelos Alentejanos a açorda, o gaspacho, as migas, a febra da matança grelhada na brasa do cepo de azinho que “cura a parreira” e aquece… o ensopado das bodas… um trago branco de Borba ou tinto da Vidigueira…

-- Deixe-se ao Algarvio o “o peixe frite”, as papas de xarém, o “charrinho limade”, uma golada de Lagoa ou de aguardente de “figue” no petisco de polvo seco batido e assado na brasa…

-- Deixe-se ao Açoriano a “massa sovada”, a alcatra, o vinho de cheiro, o feijão com funcho, a manteiga, o leite, o queijo…

-- Deixe-se ao Madeirense o inhame, a espetada e milho cozido, o bolo de caco…

 

-- E nos grandes centros onde desaguam os sonhos vindos de todos os cantos, o pão de cada dia a gosto das origens, como fruto do trabalho de cada qual…

 

Pois que:

 

                  A cada um seu direito

                  A cada terra seu uso

                  A cada boca um quinhão

                  A cada roca seu fuso

 

 

                                           Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

A LA MINUTE

Nº 1.725 – 9 – Março – 1984

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:17

A Carta

Domingo, 06.01.08

        

    

      Por muito engraçado me passaram para as mãos um documento significativo de uma pobreza de espírito flagrante que pretende ser uma carta dirigida por uma mulher alentejana, a um filho seu, algures, na Bósnia.

            Segue a transcrição:

          

            “Mê crido filho

           

Escrevo-te algumas linhas p´ra saberis questou viva. Estou-te a escrever devagari  pois ê sei que nã sabes ler depressa

           Nã vais reconhecer a nossa casa quando voltares, pois nós mudámo-nos.

            Temos uma maquina de lavar rõpa mas nã trabalha muito bêin; a semana passada

pus lá 14 camisas, puxe a correti e nunca mais as vi!

Acerca do tê pai, ele arranjou um emprego, tem 1500 homens debaixo dele pois está cortando relva no cemitério.

A magana da tua irmã Maria teve bebei esta semana, mas sabes, é nã consegui saberi sé menino ó menina, portanto nã sei se és tio ou tia.

O té tio Patricio afogou-se a semana passada num depósito de vinho lá na adega cuprativa. Alguns compadris tentaram salva-lo, mas sabis, ele lutou bravamente contra elis, porra! O corpo foi cremado mas levou 3 dias para apagar o incendio.

Na Quinta feira fui ao médico e o té pai foi comigo. O médico pos-me um tubona boca e disse-me p´ra nã falari durante 10 minutos. Atão nã sabis que o té pai ofereceu-si p´ra comprar o tubo ao médico?

Esta semana só chuveu duas vezes, na primera vez chuveu  durante 3dias, na 2ª durante 4.

Na Segunda feira teve tanto vento, que uma das galinhas pos o mesmo ovo 4 vezes!

Recebemos uma carta do cangalhêro que dizia que se o ultimo pagamento do enterro da tua avó nã for fêto no prazo de 7 dias, devolvem-na.

Olha mê filho........ cuida-ti !

 

Nã te esqueças de beber o lêti todas as nôtes, antes de enterrares os cornos na frônha.

 

Um bêjo

 

Joaquina Chaparra.

 

P.S. Era p´ra te mandari 5 contos, mas já tinha fechado o envelopi, nã tos mandei. Fica p´ra próxima, porra! “

--

            Pasmo com a falta de imaginação que permite a meia dúzia de Xicos espertos rir sem se darem conta que da sua própria ignorância, (e de mais alguma coisa...) se estão a rir.

            Penso que é preciso desconhecer por completo o Alentejo e as suas gentes para enfiar um chorrilho de estúpidas asneiras e pretender que do léxico alentejano se trata.

            Explico: o Alentejano (e escrevo a palavra com maiúscula) não diz – pois nós mudamo-nos – diria. - A gente mudou-se...etc. etc, etc,...

            Não é, porém, por aí que quero ir...

            É que, penso, que já era tempo, de nos preocuparmos um pouquinho mais que fosse, em compreender os outros e tentar aprender a rir do que é realmente engraçado e, não de ridículas anedotas saídas da tacanhez de alguns pobres de espírito que não sendo capazes de apreender o pitoresco dum dialecto ou duma situação se atrevem, (ultrapassando os limites do respeito que devem aos sentimentos do próximo), a meter o nariz onde não são chamados.

            Nem todos podem ser, ou ter, o talento – de um Raúl Solnado - para fazer rir falando duma guerra, com o pudor de não ferir o coração de ninguém.

            Fique-se cada qual nos seus limites. E pense que para se rir dum assunto como este; quem o escolheu, teria que inventar a carta como escrita pela sua própria mãe, e dirigida para si próprio! Porque, nesse caso, era opção, só sua, rir ou não rir...

            E, deixem em paz as Mães Alentejanas, tão iguais no Amor e cuidados a todas as Mães e que – ainda que analfabetas, por vezes – não deixam de dar a Vida dos seus filhos para todas as Bósnias deste mundo, enquanto muitos “destes engraçados heróis” pagam para fugir aos seus deveres.

                         

                                                     Maria José Rijo

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Revista – Norte Alentejo

Nº 6 – Novembro/Dezembro - 2000

Crónica

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:28

QUEIJADAS

Quinta-feira, 27.12.07

Ingredientes:

-- 1kg de requeijão

-- 12 gemas de ovos

-- 4 claras

-- 0,5kg de açúcar

-- 2 colheres de sopa de farinha

-- raspa de limão e canela

-- 1 colher de manteiga de vaca

: Mistura-se tudo – é o RECHEIO.

 

PARA A MASSA:

-- 0,5kg de farinha

-- 100g de banha

-- água e sal q.b

 

Enquanto forra as forminhas, pense em como são lindos na Primavera

os campos do Alentejo, onde os rebanhos pastam docemente.

                        Maria José Rijo

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Colecção de Gastronomia - Doces

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publicado por Maria José Rijo às 19:39

BROÍNHAS

Quinta-feira, 27.12.07

Ingredientes:

-- 6 ovos

-- 500g de açúcar

-- 250g de banha

-- 1kg de farinha

-- Raspas de limão

 

Modo de Fazer:

Junte tudo, amasse e ligue bem.

Tenda pequenas bolas.

Com as asas da tesoura enfeite-as.

Os desenhos lembrarão pássaros a voar.

                                               Maria José Rijo

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Colecção de Gastronomia - Doces

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publicado por Maria José Rijo às 15:54

As Roncas do Natal de Elvas

Domingo, 23.12.07

Em Estudos e notas elvenses por A. Thomaz Pires, consta:

“ Das nove horas até à meia noite de Natal percorrem as ruas da cidade differentes grupos de homens do povo, cantando em altas vozes, em coro, e n’um rhytmo e entoação especial, trovas ao Menino Jesus, acompanhadas pelo som áspero da ronca: alcatruz de nora, ou panella de Barro, a cujo bocal se adapta uma membrana, ou pelle de bexiga, atravessada por um e pau encerado, pelo qual se corre a mão com força para produzir um som rouco.

Somente pelo Natal é este instrumento ouvido”

(António Tomás Pires, “A noite de Natal, o Anno Bom e os Santos Reis” – in Estudos e notas elvenses. Elvas António Torres de Carvalho, 1923, 2ª ed.p.9.)

Ainda hoje em noites de Natal, é frequente escutar no silêncio das ruas, o som das roncas, como memória dos tempos, ressoando cavas e roucas, a acompanhar o compasso lento, dos cantes dos homens, que embuçados nos seus capotes, arrostam o frio da invernia para reverenciar o Menino Deus. Solenes, vão cuspindo na mão, para lubrificar a pele, como também fazem para empunhar a enxada e cantam coisas belas e ingénuas que o coração lhes dita:

 

Ó meu  Menino Jesus

Encostadinho ó madêro

Aqui tens a minha alma

Fazei dela travesseiro

 

Maria José Rijo

(Elvas, Dezembro 2002)

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publicado por Maria José Rijo às 21:07





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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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