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CARTA A ELVAS

Quinta-feira, 27.10.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.878 – 6 de Março de 1987

A La Minute

CARTA A ELVAS

 

Querida Elvas:

Obrigado por não teres faltado. Foi muito bom ver-te, presente e interessada, no colóquio em defesa da língua portuguesa.

Confesso que tinha um certo receio de que estivesses tão distraída ou ocupada, que não aparecesses. Ainda bem que assim não aconteceu!

Penso que tudo quanto se passa na tua Biblioteca e no teu Museu te diz particularmente respeito que deverás aparecer deliberadamente, sem esperar convites especiais.

Aqueles espaços são teus, e por essa razão farás muito bem indo lá sempre que os assuntos te suscitem curiosidade ou interesse. Afinal, ninguém desdenha saber o que se passa em suas casas, como é lógico.

Porem, de qualquer modo, confesso que estou a escrever para te dizer… obrigado! … Obrigado, de verdade, pelas manifestações de compreensão que dás com a tua presença.

Isso ajuda. Tu sabes.

Preparar uma reunião e depois não ver aparecer as pessoas a quem ela se destina não é só desagradável… é triste!

Olha, Elvas, aproveito para te prevenir que no sábado dia 7 às 17 horas, na Sala Públia Hortênsia, vamos abrir o piano e tocar um bocado. Vai ser uma tarde diferente, e ao mesmo tempo, um bom pretexto para estarmos juntos de novo.

Tu sabes que não me canso de repetir que tu tens muita sorte. Tens uma Biblioteca linda. Invejável. Preciosa, podes crer.

Goza-te bem dela. Utiliza-a. Vale a pena, não tenhas a menor duvida.

Desculpa a insistência. Não te roubo mais tempo. Ainda tenho umas coisitas a preparar para o nosso encontro.

Não te esqueças, Elvas, aparece. Sem ti, não há festa possível.

Escutarás Bach e haendel! … vais gostar… verás.

Conto contigo… já sabes.

 

Maria José Rijo

 

P.S. – Podes levar as crianças.

Há sempre lugar para elas e, como toca também gente nova “elas” não irão aborrecer-se.

Espero-vos

 

Maria José

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publicado por Maria José Rijo às 19:12

Cartas na mesa

Terça-feira, 21.04.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.872 – 29 – Junho - 2006

Conversa Soltas

 

Disse um dia André Malraux:

“Os homens devem unir a força e o sonho e fazer que

a força seja digna do sonho.”

 

Quando assim não é – quando a força só esmaga porque sendo força julga poder prescindir do sonho - o mundo não pára, não pára - porque recua...

                               

Há um pequeno poema, de Morellett, intitulado: Ronde – que traduzo assim:

“ Se todos os maus do mundo pudessem ameaçar-nos com os punhos, poderiam eles quebrar a ronda que lhes barra o caminho?

Não! Todos os maus do mundo são menos fortes sobre os caminhos do que o Homem arrebatador que na ronda tem o coração nas mãos.”

 

Estas são coisas em que eu acredito. Que tive a sorte de “encontrar” e me sinto no dever de repartir em acção de graças por a Vida as ter posto no meu caminho, mas que eu identifico como pertença dos caminhos da consciência da humanidade.

            África Berço da Humanidade

Li, li já sem espanto, mas com profunda mágoa, com vergonha até, um comunicado emitido nesta cidade tentando devastar e demolir a credibilidade de o jornal “Linhas de Elvas”, porque, não está funcionando, como as rádios locais, ao gosto dos políticos do momento.

O próprio Salazar – multava – censurava – mas não intrigava.

Até para ser Ditador, é preciso ter dimensão!

Um jornal não é um boletim, nem pode ser um panfleto! Não pode fazer as vezes de um vulgar comunicado de propaganda seja de quem for.

Um jornal, para merecer esse nome, tem que dar voz à pluralidade de pareceres dentro das suas directrizes morais e ideológicas.

Tem que ser aberto democraticamente a toda uma comunidade responsável, que o saiba usar com respeito por ele, pelos outros e por si própria, porque um jornal, rege-se por princípios éticos.

                       

E, ninguém poderá jamais deixar de reconhecer esse mérito e essa honra ao jornal Linhas de Elvas.

É só recordar:

Estou neste jornal desde antes de o seu actual Director ter nascido! (... vão todos os anos que o Jornal já conta...)

Sei que ele me estima e respeita, no que há reciprocidade - no entanto – várias vezes até com sublinhados foram nele publicadas cartas emanadas da Câmara, “no seu estilo peculiar” onde nada de simpático ou, cortês pode ser lido a meu respeito!...

Devo confessar, que sempre achei que assim deveria ser, e que a minha opinião, foi sempre a mesma: - publique-se!

           

Porque – no meu entender – só tem direito a receber louvores, sem se considerar bajulado e alvo de falsas lisonjas, quem tiver a coragem de aceitar críticas ainda que as possa achar injustas, e lhe doam.

De qualquer forma a crítica é sempre a outra face da moeda. Mesmo oculta ninguém dúvida – porque é inegável – que ela existe...

              

Há, sim, que encontrar humildade para a aceitar e coragem para a ponderar, à luz do nosso entendimento.

Ninguém pode ter a estultícia de querer agradar a toda a gente!

Nem todos temos os mesmos credos. Mas todos poderemos ter igual sentido de dignidade.

 

O Senhor Comendador Nabeiro, por exemplo: - para falar de alguém que todos conhecem -  é socialista e estando eu ao serviço da Cidade sob e égide duma Câmara PSD ajudou – sem hesitações - na fundação da Escola de Música de Elvas como, com a sua visão de cidadão do mundo e inteligência - sabe fazer - indiferente a tricas de comadres - porque ele é daqueles que, como outros portugueses esclarecidos, sabem fazer que a força seja digna do sonho.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:23

A visita de despedida

Quarta-feira, 25.03.09

Jornal O DESPERTADOR

Nº 249 – 25 de Março de 2009

 

 

 

À primeira vista parece com este título, vou desaparecer de circulação!

Não é o caso.

Tenho, por força de circunstâncias várias, que alterar hábitos e compromissos. Gostando de cumprir civilizadamente o que considero as minhas obrigações de amizade e deferência para quem me merece estima e consideração, aqui estou a contar que afastando-me fisicamente de Elvas – porque de coração e atenção, estarei sempre, tão atenta, quanto puder – as minhas visitas – mais ou menos quinzenais, passarão a acontecer, só, se, e, quando me for sendo possível.

                   

Sendo de despedida a visita, gostaria que fosse leve, o assunto de conversa mas, como nem tudo é de nossa escolha, terá que ser para contar um triste, quase escabroso, facto.

Escrevi e assinei – como é meu uso - uma opinião sobre obras em Elvas que – penso – denigrem a cidade. Usei um direito igual ao de quem, com a mesma frontalidade, o quisesse contradizer.

                

Quem me conhece sabe que uso o computador apenas para escrever e imprimir. Tendo embora Internet só sei consultar uma pequena lista. Dela fazem parte, de Elvas, apenas – os que têm rosto – Câmara dos Comuns – Dina – Dualidades – Tasca – e – logicamente o honesto – Zé de Melo – que, funciona como uma voz da cidade, que embora se não identifique, frontalmente, procura ser – a voz de todos.

                

Daí a minha surpresa, quando na minha caixa do correio apareceu escrita em computador uma carta sem assinatura que transcrevia – parte – de um texto insultuoso que – estaria na net – no blog de um individuo do sexo feminino, (que em nome de homem se disfarça) – e, de cujo bilhete de identidade, me forneciam cópia, que juntavam.

Não fora isso e teria ido tudo directo ao lixo – sem sequer ser lido como uso fazer, em tais casos.

Pedi a pessoa amiga que visse se era verdade.

 Que sim! - Foi-me dito.

 Como não falo com fantasmas, passei adiante, e – fiz questão de não ler o texto – de que só conheci a mostra que recebi e prova o que “vale” o anónimo que o produziu.

A cópia do documento, que vinha anexa, enderecei-a ao próprio indivíduo com uma pequena carta manuscrita em que dizia apenas, mais ou menos isto: - recuso-me a acreditar que “…” tenha escrito tais coisas…

Seja frontal – assine o que escreve – não se esconda sob nomes falsos ou anonimatos.

Já obtive resposta com aviso de recepção, que, como é lógico, não fiz gosto em conservar…

                     Entre Linhas...

E, meu conto terminado, já que mais nada posso fazer por quem parece muito temer, quem muito desdenha – dou o assunto por encerrado dizendo como o Bocage quando devolveu cheia de rosas a canastra que cheia de lixo lhe haviam mandado.

 Cada um – dá do que tem!

Até que Deus queira!

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:14

Em tempo certo

Terça-feira, 09.12.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.468 – 4-Setembro-1998

Conversas Soltas

           

Aqui o temos - como todos os outros - em tempo certo!

É o nono, é Setembro!

Quando ele se aproxima, o meu coração de elvense, tem um vibrar diferente.

É verdade! - E, penso que, como também acontece num qualquer Natal, assim acontece nesta época, com todos os elvenses.

Setembro é o mês das evocações, é o mês das saudades, o mês das celebrações.

Começo pela casa: -“ o nosso Linhas”, completa quarenta e oito anos de idade.

É data de festa para celebrar - celebremos !

                        

Celebremos com a alegria e a responsabilidade que a efeméride suscita a todos quantos reconhecem que por mérito próprio, muito principalmente, um jornal de província, não desmerece ao longo de quase meio século do apreço e estima dos seus leitores e assinantes.

Saudemos com gratidão e amizade quem o produz, – desde quem o pagina a quem o escreve e a quem por ele se responsabiliza e lhe traça com coragem e isenção o caminho do futuro, e, também, a quem discreta e obscuramente lhe dá vida

Saudemos os seus assinantes e leitores, todos quantos lhe querem bem!

Depois, inevitàvelmente, outras lembranças se perfilam na memória.

Foi em Setembro que o seu fundador partiu. Vão oito anos, já, depois desse dia.

Evoco Ernesto Ranita Alves e Almeida!

Honremos com saudade e respeito a sua memória e, evoquemos também o “Fausto”e todos quantos deram, a seu jeito , muito da sua alma a este jornal  e também já partiram.

Escrevo como paradigma um outro nome.

Um nome apenas: - que mais não é necessário: - José Tello.

Por estas e outras demais razões eu sinto que Setembro com a aproximação das festas cria na nossa cidade um clima diferente só comparável em emoção com a envolvente ternura dum Natal.

Não há coração de pobre ou rico que não guarde uma referência por pequena que seja relacionada com as festas de Setembro, a data aglutinadora, por excelência das gentes da nossa região, em que todos correm para o abraço de familiares e amigos e para ajoelhar crentes e submissos aos pés do Senhor Jesus da Piedade. - Para o calcorrear vezes sem conto arraial acima e abaixo - até ter os pés cheios de bolhas... e os olhos a fecharem-se de cansaço.

É assim Setembro - cheio de lembranças, de presenças, reais ou virtuais , mas, sempre pleno de vida interior que o prenuncio do Outono envolve nesta “nossa” luz doce, suave,  com tons difusos de violeta e rosa  como não há igual .

************

Para aqueles dos meus possíveis leitores para quem estas datas são revividas pelas memórias da saudade, deixo, de presente, uma carta que escrevi para agradecer um belo botão de rosa e um sorriso de amizade que recebi...em tempo certo.

 

É que: - Vida! É sempre: - Vida! Apesar de todos os pesares...

 

Carta

(oito dias depois do dia da Mãe)

 

A rosa que me deste

Morreu hoje

Chegou em promessa, – fechada num botão

como fechada

estava a tua mão que a segurava...

Com ternura de mãe

a recebi, a amei e lhe sorri

Sorria-lhe todas as manhãs, desde então,

agradecendo - em silêncio - a sua companhia...

que renovava no meu coração, a esperança,

que é sempre filho e flor...

Depois, todo o tempo ela comigo compartia,

a beleza que a fazia ser rosa! - me vergava a seus pés,

e que eu recebia, como se, só para mim, ela fosse nascida...

... Há cada vaidade nesta vida!

Ontem - achei-a diferente

Ela já não me correspondeu...

Tinha a cabeça curvada

O ar vencido de quem tudo teve

e tudo já perdeu...

Hoje - recolhi-a pétala a pétala

Era ela toda - e já era nada!

Toda na minha mão fechada

e toda desfolhada...

Como penas de ave - sem  voo - sem bater de coração..

Já nem era, nem fresca, nem formosa.

Já nem era rosa...

Era ausência e frio

Sem calor de vida – nem era sorriso...

... mais... um arrepio...

Mas...sempre, lembrança doce e triste e linda,

que na alma se fecha silenciada

e, como perfume emanado da rosa...

dela se guarda a ventura que se goza...

Na alegria pura, como a pura dor...

de viver um sonho

ainda que breve

...como um tempo de flor...

 

Maria José Rijo

                              993000.jpg

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publicado por Maria José Rijo às 20:14

Carta ao “Zéi”

Terça-feira, 20.05.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.967 – 2 Maio de 2008

Conversas Soltas

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No dia do meu aniversário estava numa zona onde não tinha sinal e o telemóvel apenas registava mensagens.

Quando regressei a casa, vi-me confrontada com mensagens várias e, uma delas, dando-me um puxão de orelhas, era tua Amigo.

Com toda a força do hábito que te está enraizado dos teus tempos de docência deixaste-me uma bela duma “ real descasca”, para falar à moda das gentes lá das nossas bandas.

Nas tuas pretensas razões enunciavas: os telemóveis são para estar ligados.

Para que o queres, Maria, se não o ligas...

Queria-te dar os parabéns e não sei por onde andas...

E, mais um rol de críticas que queriam apenas dizer: não me esqueci de ti, vinha ouvir-te e dar-te parabéns etc. etc, etc. e, estou decepcionado por ter feito várias tentativas sem o conseguir.

Era isto, ou não era?

Era certamente. Também eu lamento o desencontro e, como já perdi o jeito de escrever cartas pelo correio, respondo-te por aqui.

Quero que saibas que sempre me toca o coração a tua presença nestas datas, como me enternece a tua amizade a que correspondo com muito carinho desde os velhos tempos do liceu.

E, vão setenta anos, bem contados...

Quanto à “desanda” , achei-lhe aquele sabor especial – a conversa de mestre – a que o senhor doutor Orrico Horta nos habituou, e de onde só transparece atenção e amizade.

Um beijo – meu Querido - e obrigada.

E, já agora ao correr das lembranças, evocando o nosso comum professor de alemão o Dr. Leitão de Figueiredo, de quem sofreste – para proveito dos teus alunos e, afirmação tua, como professor – marcante pela qualidade impar – de que deste testemunho uma vida inteira...

Já agora, se é que te não lembras, vou evocar - aquela brincadeira de Carnaval desses anos distantes.

Desde garota, como sabes, que eu fazia versos. Então, como o nosso professor algumas vezes dizia querer deixar o Liceu de Beja - que considerava um sertão - trocando por outra cidade mais do seu gosto, fui solicitada pelos colegas de alemão, para lhe escrever um postal de Carnaval.

Juntando “ a fome com a vontade de comer” logo acedi.

Comprei então um postal com dois porcos. Um pequeno e um grande a cumprimentarem-se frente a frente de chapelada e, com toda a irreverência da juventude escrevi:

Olá amigo Leitão!

Como se dá cá pelo sertão?

Se soubesse como sofro, nem m’o perguntava!

Assim?...

A cidade e o Liceu são um tormento para mim     

Mas... então quer ir embora?

Não compreendo, porém...

Cá na terra das bolotas é que os leitões vivem bem!

O nosso homem julgou tratar-se de provocação dos colegas de hotel e, levou o postal para a aula achando a brincadeira muito engraçada. Foi então que toda a turma desatou à gargalhada a olhar para mim e, Herr Doktor, percebendo a origem do postal, entre risos, mandou, a um e um, todos ao quadro para traduzir o texto para alemão mas, deu-me parabéns.

 

 Mocidade! Mocidade!

Já pensaste a que distância?!

Saudades...

 

                       Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:03

CARTA DE JUROMENHA

Segunda-feira, 25.02.08

Ao longe vejo Olivença

Mais perto, Vila Real

A meus pés o Guadiana

Correndo manso – na crença

De que tudo é Portugal

.

Meu amigo

Quando eu era rapariga, falava-lhe guardando a distância implícita no reverente – Senhor Doutor.

Agora, que os anos, as minhas mágoas e os meus cabelos brancos permitem encurtar um pouco as distâncias, enfrento o seu tu cá, tu lá – de sempre – com um afectuoso: Meu Amigo. Porém, não cuide que este vocativo tem um conteúdo muito diferente.

Isto quer dizer, apenas, que “ouso” tratar o Doutor que é escritor e jornalista de reconhecido mérito – chamando a primeiro plano a amizade que o velho tratamento já envolvia, embrulhado com o rótulo da dignidade oficial.

Situados que estamos, vou então dizer-lhe que: quando hoje colhi do seu espanto a desagradável sensação do “dinossaurico” atraso que representa o meu jeito de só escrever à mão; o meu vício de improvisar; a minha intrínseca aversão pelas máquinas – a cerimónia que faço com o meu próprio carro…

Quando isto aconteceu, lembrei-me que me pediram certa vez para escrever sobre artesanato e vou apoiar-me no que então escrevi para o que pretendo contar.

É que, meu amigo, sou e sempre serei artesã.

- Quando escrevo azul, quereria fazê-lo sem caneta, ou lápis, - apenas com o dedo molhado na cor do céu.

- Quando digo mar… já vou na onda.

- Quando me encosto a um tronco de árvore e o abraço surpreendo-me por não me transformar em ramos, folhas e flores.

- Quando mergulho o olhar num poente a quietude do fim do dia ameaça-me como se fora o meu próprio ocaso.

Sempre me sonhei erva do prado, ave, nuvem, folha ao vento. Sempre. Porém, nunca foi senão o que sou -  apenas eu – empanturrada de emoções como as crianças gulosas fazem com os chocolates – sem conta, peso ou medida.

Impossível com matéria desta natureza fazer obra de estilo com rigor de pormenor ou moldes de fresador.

Destas mãos de obreira – que me comovem porque iguais às de minha Mãe – grandes e ossudas, com unhas curtas, sem verniz, com esfoladelas da lareira e do fogão, mãos que até já amortalharam docemente – gente muito amada – destas mãos, meu amigo, só artesanato pode nascer.

Um pouco ao acaso, como as flores do campo.

Raízes de mim que sou a terra que o sustenta.

Não me queira sentada à máquina, de dedo espetado soletrando de tecla em tecla, aos pulinhos, como um pardal a comer migalhas.

Não queira.

Deixe-me fora desses preceitos de civilização que me são alheios.

Já que me chamou para voltar a escrever – já que o fez – e tem agora a minha família e amigos – todos juntos – a cantar-lhe hossanas – assuma a auréola e dê-me do alto dessa santidade que lhe foi conferida, por tal feito, o perdão de que careço por tanta insipiência, não me espartilhando com preceitos que me constrangem.

Tempos houve, em que não se usavam frigoríficos.

Bebia-se então água da bilha de barro que ficava de noite ao relento para refrescar – e a todos consolava.

Parei aí. Creia. E, como eu me lembro disto!...

Não invente actualizações para mim.

Saiba-me capaz de acreditar em mezinhas, fazer rezas de “cobro” e “quebranto”, benzeduras…

Pense-me tecedeira dessas artes e manhas. Veja-me gastando tintas e pincéis em arroubos de naífe.

Registe que me era mais a feição passear de burro e sombrinha aberta no Chiado – e o mais que no género imaginar – mas – por favor, máquinas não! – a não ser de costura e, à antiga, com pedal.

Já sabe agora em que ponto me encontro… onde quer que me encontre!

E que é frequente encontrar-me sentada no poial, da porta de postigo, da nossa pequena casa de Juromenha, a ver correr o rio e a rezar o terço com as mãos ao sol pousadas no regaço.

Posso estar só, ou acompanhada, a ouvir e a contar histórias.

Nada de erudito.

Qualquer coisa como um último abencerragem duma ruralidade que quadra bem à minha condição de artesã confessa e assumida.

Vale assim?

É que me pareceu ouvi-lo, esquecido do “Poder Local” a resmungar comigo:

“Antes eu fosse sandeu

Ou me embruxassem com ervas

No dia em que me apareceu

Aquela artesã lá de Elvas

 

Deixo-lhe um abraço agradecido e amigo.

.

Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.249 – de 20 de Maio de 1994

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 23:53

Não resisto…

Sábado, 09.02.08

Há já algum tempo que trago comigo, junto aos meus papéis

do dia a dia, fotocópia duma redacção escrita por um rapazinho

de 12 anos.

Volta e meia releio-a, e sempre dessa leitura retiro conforto

 íntimo, e também a tentação de mostrar a quem leia este

espaço, como criança sente e valoriza a família.

.

Hoje, não resisto:

 

”” História de uma pessoa que foi feliz.

Nasceu no dia 21 de Maio de 1886 e chama-se Madalena Amália.

Viveu com sua mãe pois antes de ela nascer o seu pai morrera.

Brincou como todas as crianças.

Anos mais tarde casou e teve dois filhos Paulo e Jorge.

O marido morreu e ela ficou com os filhos que se casaram.

Também eles tiveram filhos.

O Paulo já morreu mas o Jorge está vivo. Ele casou com Maria

Eduarda e tiveram dois filhos, João Diogo e Madalena.

Ela gostava muito dos netos e viveu com eles até que ambos se

casaram.

João Diogo casou com Maria Carolina e teve quatro filhos, Joana,

Diogo, Rodrigo e Francisca.

Madalena também se casou e teve um filho Manuel.

Todos os bisnetos iam crescendo e ela ia vê-los quando estavam

a dormir e sorria.

No dia 21 de Maio de 1986 fez 100 anos que se festejaram com

muita alegria.

Meses mais tarde adoeceu e já não se levantava, até que no dia

28 de Outubro (dia de anos do bisneto Manuel) não acordou.

Dia 29 foi o seu funeral no cemitério dos prazeres às

11 horas da manhã.

Foi ter com muitos membros da sua família mas deixou cá muita

saudade e falta.

Esta é a história de uma senhora que nasceu feliz, viveu feliz e

morreu feliz.

Desta senhora eu tenho muita honra de ser bisneto.

 

Rodrigo  “”””

 

Que poderei acrescentar senão:

Deste menino eu tenho a enternecida honra de ser tia-avó e …

por este menino e por todos os meninos dou graças a Deus.

 

               Maria José Rijo

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Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.872 – 23 Janeiro -1987

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publicado por Maria José Rijo às 13:36

A Carta

Domingo, 06.01.08

        

    

      Por muito engraçado me passaram para as mãos um documento significativo de uma pobreza de espírito flagrante que pretende ser uma carta dirigida por uma mulher alentejana, a um filho seu, algures, na Bósnia.

            Segue a transcrição:

          

            “Mê crido filho

           

Escrevo-te algumas linhas p´ra saberis questou viva. Estou-te a escrever devagari  pois ê sei que nã sabes ler depressa

           Nã vais reconhecer a nossa casa quando voltares, pois nós mudámo-nos.

            Temos uma maquina de lavar rõpa mas nã trabalha muito bêin; a semana passada

pus lá 14 camisas, puxe a correti e nunca mais as vi!

Acerca do tê pai, ele arranjou um emprego, tem 1500 homens debaixo dele pois está cortando relva no cemitério.

A magana da tua irmã Maria teve bebei esta semana, mas sabes, é nã consegui saberi sé menino ó menina, portanto nã sei se és tio ou tia.

O té tio Patricio afogou-se a semana passada num depósito de vinho lá na adega cuprativa. Alguns compadris tentaram salva-lo, mas sabis, ele lutou bravamente contra elis, porra! O corpo foi cremado mas levou 3 dias para apagar o incendio.

Na Quinta feira fui ao médico e o té pai foi comigo. O médico pos-me um tubona boca e disse-me p´ra nã falari durante 10 minutos. Atão nã sabis que o té pai ofereceu-si p´ra comprar o tubo ao médico?

Esta semana só chuveu duas vezes, na primera vez chuveu  durante 3dias, na 2ª durante 4.

Na Segunda feira teve tanto vento, que uma das galinhas pos o mesmo ovo 4 vezes!

Recebemos uma carta do cangalhêro que dizia que se o ultimo pagamento do enterro da tua avó nã for fêto no prazo de 7 dias, devolvem-na.

Olha mê filho........ cuida-ti !

 

Nã te esqueças de beber o lêti todas as nôtes, antes de enterrares os cornos na frônha.

 

Um bêjo

 

Joaquina Chaparra.

 

P.S. Era p´ra te mandari 5 contos, mas já tinha fechado o envelopi, nã tos mandei. Fica p´ra próxima, porra! “

--

            Pasmo com a falta de imaginação que permite a meia dúzia de Xicos espertos rir sem se darem conta que da sua própria ignorância, (e de mais alguma coisa...) se estão a rir.

            Penso que é preciso desconhecer por completo o Alentejo e as suas gentes para enfiar um chorrilho de estúpidas asneiras e pretender que do léxico alentejano se trata.

            Explico: o Alentejano (e escrevo a palavra com maiúscula) não diz – pois nós mudamo-nos – diria. - A gente mudou-se...etc. etc, etc,...

            Não é, porém, por aí que quero ir...

            É que, penso, que já era tempo, de nos preocuparmos um pouquinho mais que fosse, em compreender os outros e tentar aprender a rir do que é realmente engraçado e, não de ridículas anedotas saídas da tacanhez de alguns pobres de espírito que não sendo capazes de apreender o pitoresco dum dialecto ou duma situação se atrevem, (ultrapassando os limites do respeito que devem aos sentimentos do próximo), a meter o nariz onde não são chamados.

            Nem todos podem ser, ou ter, o talento – de um Raúl Solnado - para fazer rir falando duma guerra, com o pudor de não ferir o coração de ninguém.

            Fique-se cada qual nos seus limites. E pense que para se rir dum assunto como este; quem o escolheu, teria que inventar a carta como escrita pela sua própria mãe, e dirigida para si próprio! Porque, nesse caso, era opção, só sua, rir ou não rir...

            E, deixem em paz as Mães Alentejanas, tão iguais no Amor e cuidados a todas as Mães e que – ainda que analfabetas, por vezes – não deixam de dar a Vida dos seus filhos para todas as Bósnias deste mundo, enquanto muitos “destes engraçados heróis” pagam para fugir aos seus deveres.

                         

                                                     Maria José Rijo

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Revista – Norte Alentejo

Nº 6 – Novembro/Dezembro - 2000

Crónica

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:28

À beirinha do Natal

Terça-feira, 04.12.07

É sempre com um espírito diferente, daquele do dia a dia comum, que se faz esta caminhada do advento.

                         

Quer queiramos quer não, assim como o sol e a chuva, o frio ou o calor influenciam os nossos comportamentos, assim também as festas religiosas como que “contaminam” até o ar que se respira e, crentes e não crentes, se deixam empolgar por lembranças, evocações que conduzem a memórias guardadas no segredo de todas as almas, pelo mistério das nossas sensibilidades.

E, assim como se prepara a nossa aparência usando o melhor fato e, a nossa mesa, procurando paladares e aromas de petiscos tradicionais, para receber familiares e amigos, assim também nos corações deixamos que a ternura e o perdão amolecem as resmungos e impaciências do dia a dia e os afectos como que floresçam nos sorrisos e nos abraços de cada reencontro.

                 

E, se é certo que a dor das grandes perdas permanece como um lastro pesado no fundo de cada um de nós, não é menos certo que o triunfo da Vida, consiste em saber que o sol, ainda que não o vejamos, nasce todos os dias, e com ele a esperança se renova.

 Assim que os desejos bons que não concretizamos, as palavras que calamos e quereríamos ter dito na hora certa a quem talvez as tivesse esperado em vão, e sofresse porque as silenciamos; a companhia que não fizemos a quem triste e só, se possa ter pensado esquecido de todos; a mão que não estendemos a quem já sem forças se rendeu ao desalento porque lhe faltou esse apoio...

                               

Tudo o que achamos que não valia a pena termos feito porque outros o fariam melhor, ou porque a preguiça nos enredou...tudo, nos apareça em consciência, como brasas, ainda vivas, sob as cinzas dos tempos que não soubemos viver plenamente e nos sacuda e nos acorde para uma fome implacável de redenção.

Porém, logo a seguir, perdoamo-nos a nós mesmos porque não somos os salvadores do mundo, não temos tempo para tudo, que é muita coisa, que fizemos o melhor que sabíamos, e mais isto, e mais aquilo, que ninguém é perfeito, e, quase logo, logo, estamos com pena de nós...

                                

Então, como quem ingere um tranquilizante, que muito embora nada cure, tudo esbate e adormece por momentos, aqui estamos nós, ano após ano a despachar quilos de postais e cartas pelo correio com as saudações (de preferência já impressas, para maior facilidade!) a que justapomos apressadamente a nossa assinatura.

E, assim embalamos os nossos sonhos mais altruístas na vulgaridade dos nossos gestos...

                                    

Reconheço!

Reconheço, e deploro os remedeios que quase sempre substituem as mais nobres intenções, porém, aqui me rendo publicamente, fazendo para meu uso, a escolha que – também – mais à mão me calha por me parecer a mais lógica para chegar a todos os meus possíveis Leitores, ao Director e a todos os Trabalhadores do “Linhas” bem com a suas famílias os melhores desejos de Boas-Festas, e de um Santo Natal.

                    

Votos que expresso, também – com muita esperança – para a nossa Cidade, tão à mercê das marés...

 

                                                        Maria José Rijo

 

  P.S.                                                      

Aproveito, ainda, para agradecer, cartas e referências que me têm dirigido, através do jornal, de forma tão amiga, que, muitas vezes, têm sido “a mão” em que me apoio para ir em frente.

Bem hajam!

                                                     Maria José

 

@@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.845 – 22-Dez. -2005

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:50

IV e última Carta do Brasil

Domingo, 18.11.07

            Conto chegar a Elvas antes que esta carta atinja o mesmo destino.

            Porém, uma vez resolvi continuar, mesmo de longe, as nossas “ Conversas Soltas”, cada uma de nós e eu – faremos separadas os nossos percursos comuns.

            Pois, aqui estou, sem qualquer outra preocupação além de estar convosco, desfiando as minhas recentes lembranças. Aliás, isto de recordações é mesmo assim: - sem cronologia possível.

Tenho em mãos um monte de fotografias. Revendo-as, mesmo agora se me deparou o “Baiano” de quem já falei.

Ai vo-lo mando com seu balaio e um monte de flores, que varreu, juntas a seus pés.

Outro dia, avistei-o numa azáfama a cortar cana. Fui ver. Era cana-de-açúcar.

-          “Seu Aguiar mandou”.

-          É p´ra cortá e limpá este negócio”.

Cortou, limpou de folhas, raspou e fez “uns troços aí, n´e?” – que “Seu Aguiar mandou".

Mais tarde, “Seu Aguiar”, foi surpreendido em estranhas funções (com bata própria para a função) a preparar a bebida “mais gostosa qui você, já viu, n´é?”suco ou caldo de cana, que geladinho é realmente uma verdadeira delícia.

Também queria não me esquecer de contar que (na sua grande maioria) aqui na cidade vizinha – Resende – as lojas não têm portas e montras. Toda a frontaria abre como um largo portal e, da rua, vê-se tudo quanto têm lá dentro. Aliás, até dá a impressão de que estamos em contacto com pioneiros, colonizadores. Gente que ainda está desbravando e descobrindo rumos.

Já devo ter referido que nascem por aqui os rios Stº. António, Pirapitinga e o Alambari o que proporciona uma imensidade de veios de água a esta região.

Todas as propriedades, mais ou menos fruem essa benção das águas correntes que escorrem da montanha.

 Para chegar a Resende que dista uns escassos 20Km do local onde estou instalada transpõem-se 5 pinguelas (pontes de madeira) – tantos são os braços de rio que refrescam encostas e vales saltando muitas vezes em belas cachoeiras.

Resende, por sua vez, é atravessada pelo rio. “Paraíba do Sul”.

Água, é realmente o que por aqui não falta.

Beleza, pujança de verde e pitoresco – moram por cá também.

O “Bate-chapas” é aqui o “lanterneiro”.

A razão é óbvia.

O automóvel sucedeu aos trens.

Quem sabia mexer em latão era quem fazia as lanternas.

Os transportes evoluíram.

O engenho e a necessidade proporcionaram a adaptação...

o nome manteve-se.

Os pneus compram-se no... Borracheiro.

É, por aí fora um sem número de curiosidades.

O mal destas viagens, como esta minha é que se vê muita coisa em pouco tempo. Um mês para ver qualquer coisa do Brasil, é – Nada!

Vou procurando resistir à tentação de falar das cidades grandes. Há milhares de postais que delas contam tudo por imagens.

Julgo que o único interesse que estas cartas poderão ter é o relato de apontamentos de acaso que faz a experiência pessoal de cada um.

Aqui há dias, no “Nipo” (mercado das frutas japonesas) com olhos húmidos de comoção uma simpática senhora perguntou-me: é portuguesa ?

Perante o meu assentimento quis saber de que parte do nosso país eu era, se estava para ficar, se não, e mais isto e mais aquilo e lá veio de seguida a sua própria história (de êxito financeiro, por sinal) e muito especialmente da sua pungente saudade.

Tem casa em Coimbra. Deu-me a direcção, telefones e sei lá que mais e insistiram ela e o marido para nos oferecerem de almoçar.

            “Sabe? - confidenciava: nós somos mais sentimentais, mais dedicados... – aqui ninguém olha para trás”.

             Nós vamos a Portugal todos os anos. Mas... o dinheiro enlouquece as pessoas... já há muitos anos que poderíamos ter regressado! 30 Anos é muito tempo...

De quantas saudades assim estará amassado o progresso do Brasil! – Nem posso calcular.

Estes são donos de uma rede de estações de gasolina e restaurantes – mas ela só sonha com o regresso.

Uma viagem que fiz muito “gostósa” foi a Nossa senhora da Aparecida. (lembram-se da canção da Elis Regina’)

            Aparecida é a Fátima de cá.

            Rezei por Elvas.

            Visitei as termas de S. Lourenço e de Caxambu no Estado de Minas.

            Agora ficaria aqui horas a falar de orquídeas, parques, fontes, auditórios entre canas de bambú, lagos, teleféricos e mais nem sei quê...

            Mas... nem vos quero maçar mais e tenho que fazer as malas para voltar a casa.

            Sei que vou recordar com agrado estes dias diferentes. Sei que a amizade que se recebe e retribui ajuda a viver.

            Se ainda que ninguém substitui ninguém e nada substitui o nosso canto.

            De qualquer modo é bom aprender a viver com o mundo de perdas e ganhos que cada qual transporta dentro de si.

            Só com essa paz interior se consegue olhar cada flor, cada pássaro, cada dia que nasce sentindo que “isso” também acontece para nós e esse deslumbramento está ao alcance de todas as pessoas a quem nos irmana o amor à vida.

            Eu prometera falar de pássaros – passou... Afinal em lugar de “fauna” apareceu “Flora” na minha carta nº 3. Eu falaria de aves de belas cores – porém. - A “gralha” é que apareceu e... ficou.

 

                                                           Maria José Rijo

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.356 – 21 /Junho/ 1996

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 11:50





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