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… CERTIDÃO …-1986

Domingo, 07.09.08

Á LÁ Minute

Jornal Linhas e Elvas

Nº 1.853 – 5 de Setembro de 1986

Aniversário do Linhas

 

                                  

A 2 de Setembro de 1950 numa casa da rua da Cadeia nº 7… onde era então a Livraria Cybele… nasceu o Jornal.

Tive uma gestão de amor.

Foi sonhado e idealizado como um filho de gente, porque da sua génese, da sua criação. Fez parte, desde a primeira hora, a mais cara e justa ambição do Homem… viver a liberdade!

Teve assim por pai… um ideal… que lhe traçou um destino.

Três homens aceitaram a responsabilidade de o mandar à tipografia para dar a estampa:

--- Casimiro da Piedade Abreu

--- Ernesto Ranita Alves

--- Marciano Ribeiro Cipriano

 Cada um deles lhe imprimiu um pouco de si próprio.

CASIMIRO - o poeta … imaginava-o e entremeava as suas intervenções com poemas que recitava alto, na sua voz pausada e grave – foi o SONHADOR.

ERNESTOesclarecia pormenores, processos e outros caminhos a percorrer, para que as coisas sonhadas adquirissem a feição real possível – foi o REALIZADOR.

 

CIPRIANOatento, aplaudia, policiava, aconselhava e fazia o ponto da situação com o seu saber, feito de experiência e vida – foi o MENTOR.

MEU MARIDOhavia de ser redactor desportivo.

 

Entre a tertúlia dos amigos, ME encontrei desde os primeiros tempos, atenta aos seus primeiros passos.

Com um nome determinante, como um signo, fez e disse coisas bem difíceis naquele tempo – adverso a ousadias – em que apareceu na cena. Muitos admiradores fizeram então parte da sua corte.

Criou amigos que conserva e respeita.

 

Depois… como em todas as vidas…

…Correu água sob as pontes

… Subiu e desceu por montes

… Foi bebendo em frescas fontes

… Perscrutou os horizontes.

 

Assim, certifico á vista:

Linhas de Elvas – 37 anos

Semanário Regionalista.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 01:11

Em Cabinda um soldado menino…

Sexta-feira, 14.12.07

A manhã estava húmida e fria.

Não nevara durante a noite mas as temperaturas muito baixas conservavam intacto o gelo que revestia as árvores tornando-as tão irreais como se fossem de vidro.

Arrepiava vê-las assim, hirtas, sem movimentos, ostentando a pesada beleza do gelo que as fixava em poses de serenas estátuas.

Não se ouviam passos e nas ruas não havia gente. As janelas fechadas dos prédios faziam a fronteira por onde os dois mundos se espreitavam através das vidraças.

Dentro de casa, provindo da cozinha espalhavam-se cheiros conhecidos. Referências culinárias passadas de geração em geração desde tempos já perdidos na memória.

O peru assado no forno, lentamente, protegido por grossas folhas de couve lombarda. A canela que desenhava grafismos sobre o arroz-doce. O azeite fervente onde as filhós empolavam em bolhinhas fritando até doirar. A calda de açúcar baunilhada, para as fatias de ovos – tudo – tudo junto, mandava com os seus condimentos fluidos a mensagem da mesa de consoada, farta de pitéus gostosos, que se ofereciam à gula da família e amigos no regresso da missa tradicional – sobre a toalha de linho branca sobre a mesa com o peso das rendas antigas engomadas a preceito.

= Então tocou o telefone.

   Imperativo, estridente e desajustado som naquela época de cânticos e sinos.

   E, a notícia, breve e cruel, ficou ali pespegada com a inoportunidade do indesejável. Com o peso do que é irremediável e opressor.

Lá em Cabinda… longe, longe, daquela cidade da Guarda – morrera – numa emboscada - um soldado menino, por erro de secretaria, fora parar à guerra no mesmo barco que levara seu irmão gémeo.

A cozinheira eficiente, cheia de orgulho e brio do seu currículo de serviço por embaixadas e casas fidalgas – ignorando a tragédia ia e vinha por entre tabuleiros, tachos e tigelas, atenta e afadigada.

Em grandes alguidares de água boiavam merugens, alfaces e agriões. Era a promessa das frescas saladas.

 

Quando eu apareci no cenário dois olhos amigos me fixaram pontuando com ternura a recomendação:

= Não venha para aqui encher o seu cabelo de cheiros de gordura que não é preciso.

     Eu dou conta de tudo. Vá-se entretendo com as flores e o fruteiro. Ainda não arrumou o azevinho e já aqui tem as camélias que encomendou.

Na véspera andáramos, felizes, lá para os lados do Seixo Amarelo, pisando tapetes de folhagem macias por entre soutos e matos cheirosos, catando verdes com bagas vermelhas.

= Afinal – disse eu – séria e firme: = Já não fazemos festa

    Depois, fria como o “cinzelo”, expliquei:

= Dois sobrinhos em Angola, um irmão que vai para a Guiné antes do fim do ano, os seus rapazes por lá também – sabe Deus como…

= Vamos festejar o quê?

Chamo os nossos amigos para levarem tudo isto, e nós vamos serra a baixo até à nossa gente. Depois de alguma troca de razões, lá acedeu rezingando, contrariada de verdade.

No entanto, vestiu para estrear pelo caminho, um casaquinho novo e ofereceu-me um xaile de malha (que eu vira tricotar diligentemente aos serões) para abafar os meus joelhos nas viagens. E, lá fomos noite dentro.

 

Quando se desce ou sobe a serra avistam-se vales profundos com luzinhas dispersas que quase parecem pequenas estrelas, A observação fê-la, certa vez, uma criança, dizendo deslumbrada:

-- Olha! Olha! O céu vem até cá abaixo!

Por altura do Soito do bispo uma raposa atravessou a estrada a coxear.

A mulher riu porque eu, em voz alta, rezei:

== Boas-festas, Bicho! Que chegues em paz à tua toca para criares as tuas ninhadas.

Tirando aquela minha coraçonada, ninguém falara. O rádio do carro, baixinho, envolvia-nos com cânticos de Natal e breves noticiários.

Corriam as horas consumindo estrada e cada qual fechado nos seus pensamentos.

Começávamos a ficar perto do nosso destino – Caldas da Rainha.

A minha perturbação crescia. Como dizer a uma Mãe que lhe morrera um filho?

Ensaiava mentalmente mil jeitos. Nenhum me parecia certo. Viéramos, piedosamente, traze-la para junto das irmãs. Viéramos, mas eu teria que falar. Teria que contar.

Quando parámos o carro, antes que ela tocasse a campainha da porta, aconcheguei-a a mim e, num grande abraço, solucei ao seu ouvido a triste novidade.

O afecto da família envolveu-a. Ao seu cuidado a deixámos.

 

Na noite calma, cumprida a missão, ficámos sós, longe de casa.

Sós.

Sem coragem para procurar companhia, não querendo levar a ninguém tristeza como presente de Natal.

Fomos até à Foz do Arelho ver-o-mar à luz das estrelas e escutá-lo, indiferente, como o céu às nossas mágoas.

Andámos um pouco a pé, de mãos dadas, depois apertámo-nos num abraço e chorei. Não era pieguice. Era um sentimento transbordante de ternura. Era talvez a doce consciência desta fragilidade de ser gente – de ser nada.

Nada, frente à grandeza da vida ou ao silêncio inviolável e imenso da morte. Nada. E, mesmo assim sentir como em qualquer de nós cabe a ternura que nos verga, dum Presépio, a dor do luto, a medida desmedida do Amor.

 

 

                                            Maria José Rijo

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Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.247 – 6 de Maio de 1995

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:28

À Laia de resposta

Sexta-feira, 09.11.07

Olá a todos!

 

Aqui estou para tentar responder às perguntas que me têm sido dirigidas, e que, me envergonho ter deixado, até agora, sem resposta.

Sei que entenderão que a minha dificuldade se insere na inabilidade com que uso a Internet. A minha cabeça está arrumada como as dispensas antigas, cheias de caixas e caixinhas rotuladas e arquivadas em prateleiras, onde, mais ou menos, com o tempo e paciência descubro o que procuro, e, onde por vezes fico horas a remexer até naquilo de que me esquecera e de súbito se me apresenta.

Pois bem a Internet não me permite esses tempos compassados, intromete-se, dá-me respostas a perguntas que não fiz! – Pestaneja, isto é: apaga-se-me no écran! – Desaparece-me, em suma confunde-me e, embora a admire, confesso que me atrapalha. Temo-a. Está fora do meu ritmo, do compasso do meu tempo.

Daí que só me abalance a “visitá-la”, mas não – a “usa-la” – sem a presença da Paulinha, o que, só acontece, com a frequência possível a quem, como ela, tem responsabilidades profissionais, de família, etc,etc …

Assim, que hoje, usando a sua disponibilidade, possa eu satisfazer a vossa – tão honrosa curiosidade e interesse pelo que me respeita.

 

Começo então:

Nasci em Moura há 81 anos.

                                                   ((  com 10 anos )) 

Fiz instrução primária na aldeia de Santa Victória e, o liceu em Beja e casei na Vila de Cuba, na bela Igreja de São Vicente, há 60 anos.

Tive a dolorosa e inesquecível experiência de ser uma das quatro ou cinco crianças que bem alimentadas, bem vestidas e calçadas faziam parte do grupo das trinta ou mais, que descalças e mal agasalhadas foram minhas companheiras de infância, e me ensinaram com a sua humildade o amor e o respeito pelas migalhas que tantos desprezam, e, nas suas vidas eram o essencial.

Desse tempo, guardei as rezas e benzeduras. Manifestações de simplicidade e pureza expressas em crendices, é certo! – Mas carregadas de humanismo e fé na Vida, que bem madrasta lhes era.

Do liceu, a aprendizagem de alinhar à esquerda, como qualquer zero sem valor, perdidas as prerrogativas vividas embora, sem nítida consciência, na escola.

Ao longo de toda a vida a procura de mim como gente igual a toda a gente entre acertos e desacertos mas, sempre, como disse Lutero, sentindo que, “ainda que o mundo termine amanhã deverei plantar hoje as minhas macieiras…”

                       (( a receber um prémio de Poesia nuns Jogos Florais))

Aos 22 anos estive 40 dias internada numa maternidade, de onde saí jovem, como era, mas adulta, como se houvessem sido anos os dias contados.

E, a partir daí o recurso aos meus amores de infância, a escrita, a pintura, o artesanato.

Resumindo: O trajecto perfeito de quem sendo oficial de muito ofício – acabou não sendo mestre de nenhum.

   (( Com o marido José Rijo, numa das suas exposições de pintura e artesanato ))

Meu Marido, companheiro de 44 anos fez editar dois livros meus. Edições de 500 exemplares que entre amigos e conhecidos se consumiram e paramos por aí porque se o primeiro só teve louvores da crítica, essa não foi a sorte do segundo e, ele não suportava a ideia de que eu pudesse sofrer.

O amor tem destas cegueiras…

Sem ele, qualquer aventura dessas, deixou de ser viável.

Creio, no entanto, que o mais importante é fazer o que julga ser certo. Tudo é acessório e, já nos ultrapassa.

      ((Na fotografia com o ilustrador do livro Manuel Jesus na

 Cessão de autógrafos no lançamento do livro Rezas e Benzeduras ))

Aconteceu a edição das “Rezas” por homenagem do jornal onde, de há muitos anos colaboro – com o patrocínio “café Delta”.

 

Feito a resenha biográfica respondo ao resto:

Conheci a Maria Isabel Mendonça Soares, no casamento de minha irmã, há 60 anos, porque ela era prima de meu cunhado.

Estreitamos relações por afinidades de gostos, numa amizade que perdura, durante a “tal” permanência na maternidade onde a sua companhia foi um presente do céu.

Foi ela que me induziu a escrever histórias infantis para a então Emissora Nacional, mais de duas dezenas, o que aconteceu, espaçadamente, ao longo de anos, até ao 25 de Abril.

A Matilde Araújo, foi professora na Escola Técnica de Elvas, nos anos 56, 57, por aí. Acontece que tendo meu marido sido aluno do Colégio Militar e, tendo na tropa adquirido a qualidade de professor de ginástica, juntava essa actividade à sua profissão, facto que trouxe a Matilde ao nosso convívio e amizade que também tem resistido ao tempo e persiste.

 

Quanto aos postais de gastronomia, foram editados por uma Câmara a que pertenci – sem filiação partidária –       (( com a Secretária de Estado da Cultura  Dra. Teresa Patricio Gouveia )) 

              (( com o Dr. Mario Soares - aquando da Inauguração da

                                    Sala Eurico Gama  ))

como vereadora da Cultura e Turismo – por um escasso mandato – de que não me arrependo mas me vacinou contra maus olhados e sortilégios… por convicção – sem precisar de benzeduras.

 

Eis a traços largos, a história que responde às vossas perguntas e apreço e que com gratidão por todos – que muito gostaria de conhecer e a quem deixo um grande abraço – dedico hoje, um pouco mais, a Frederich , Dolores e à Dina – que está de parabéns porque acaba de festejar o aniversário da sua primogénita – e, que, como gente de casa tenho o gosto de encontrar dia a dia.

Também retribuo o “beijo nas mãos” aos que por suas mãos, escrevem para mim palavras belas que não saberei merecer mas me fazem sentir ainda útil e me ajudam a viver.

Também esclareço que não estou constipada, estou, é verdade, sentindo alguma dificuldade em acertar o andamento entre duas realidades irrefutáveis e coexistentes – a idade e o pensamento.

 

Falta-me agradecer, o que faço agora, pensamentos, poemas e orações que me têm dado a aprender e muito apreciei.

Se antes as tivesse sabido tê-las-ia acrescentado, às que conheci enriquecendo assim o livro.

Grata

                                      Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:39

O Pequeno Cidadão

Sexta-feira, 31.08.07

            Pego num pequeno livro e surpreendo-me. - É uma velha “Corografia” do Ensino Primário Elementar datada de 1931!

            È uma brochura, que, ao tempo custava 5#00. É um exemplar da quarta edição da Colecção Escolar “Progredior”.

            Percorre-me uma estranha emoção. Um misto de saudade, confusa surpresa, e, também uma alegria, fresca, quase infantil. Miro e remiro a capa. Leio tudo que nela se escreveu até às letrinhas mais miúdas. Aprecio os desenhos que a decoram. São clássicos. Uma ânfora com flores enquadrada por um portal ao gosto estético da velha Grécia encimado pelo ex-libris da casa editora em que, num livro aberto, se pode ler. Fiat lux – tudo dentro os padrões da época, sóbrios, despojados de futilidades. O ensino era ainda uma coisa solene e, com os livros não se brinca! - Era a recomendação sempre repetida.

            O livro tinha qualquer coisa de sagrado, porque dele vinha o saber e o saber correspondia ao enunciado: Fiat Lux! - Faça-se luz!

            Também naquele tempo o papel era um bem precioso que desde a primeira infância se aprendia a poupar e utilizar com respeito.

            Nas mercearias, por essas épocas, até se aproveitavam as margens dos jornais velhos para fazer as contas aos fregueses. Talvez por essas e outras circunstâncias se tivessem criado hábitos de poupança e economia que hoje parecem exagerados mas, a que a época presente, responde, ela também, com exageros de extremos opostos: dissipando e esbanjando sem pensar que: - nenhuns recursos são inesgotáveis e que por detrás de cada objecto, ou produto, está no trabalho, ou no esforço que custou a quem o criou um pouco da sua alma e muito do seu tempo. Que é como quem diz, - da vida de alguém que, em profissões mais ou menos modestas, contribuiu para o nosso bem estar.

            Mas voltemos ao livro.

            Não me lembrava se ele fora meu, ou de quem fora. A parte o amarelecimento apergaminhado que o tempo lhe deu, o livro está novo.

            Sentei-me comodamente para o “ saborear “como se fora o meu novo livro escolar onde a lição do dia me aguardasse e eu tivesse os dez, onze anos de então...

            Abri-o. E, eis que, aos meus olhos comovidos saltou uma frase escrita em letra de criança que diz assim: - este livro pertence ao cidadão José d`Almeida Rijo.

            Deitei contas. Nascido em 1920, o pequeno cidadão era aluno da 4ª classe, quando assim registava a sua “propriedade”!

            Habituada a ler e a escrever nos livros de escola as frases corriqueiras do:” se este livro se perder e alguém o encontrar faz favor de o entregar a fulano ou a beltrano”.

            “Se este livro for perdido e por alguém for achado se não for por um ladrão e for por alguém honrado aqui fica a direcção onde deve ser entregado... “

            Habituada a estas e outras cantilenas que na minha adolescência se escreviam na contracapa dos livros escolares, fiquei a olhar e a pensar o que leva, ou teria levado um menino de 11 anos a “ sentir-se” um responsável cidadão

            Corri ao álbum das fotografias e, lá estava, fardado de “Rata”

(Caloiro do Colégio Militar) com cabelo cortado rente, como é típico nas Instituições Militares, o Rapazinho que fora nesse distante 1931, o orgulhoso dono daquele livro com mapas a cores de todo o Império Colonial Português... Parte insular ou ilhas adjacentes: Açores e Madeira...A que se seguiam: Províncias Ultramarinas ou Colónias... e, de cada uma delas, fotografias.

            Palácios e majestosas árvores em Bolama. O hospital de S. Tomé. Vista parcial de “Loanda” com a baía em primeiro plano; rua da Praia do Bomfim em Mossâmedes, o imponente edifício da Estação dos Caminhos de Ferro em Lourenço Marques... e, por aí fora até chegar a um mapa desdobrável que desde a aurora boreal a um aviãozinho que visto a esta distância no tempo, parece uma miniatura, feita em caixas de fósforos, do modelo usado por Coutinho e Cabral... Comporta também esse “Panorama Geográfico”, como é denominado, o desenho de um Balão e, de um Dirigível pairando num horizonte que também exibe um sol nascente e, a que não falta a figura ameaçadora de um vulcão a vomitar lava vermelha, incandescente.

            Lembrei-me então que também eu estudara por um exemplar destes. Lembrei-me também de como fora emocionante a mudança para os livros da Quarta Classe, tão diversos no aspecto e conteúdo das “cartilhas” e dos infantis livros das primeiras leituras. Revivi a emoção e o medo da vizinhança do 1º exame. Tudo isso em turbilhão me envolveu e, dei comigo, emocionada, entendendo aquele puro e inocente orgulho de menino, criado sem Mãe, a quem era pedido mais uma prova de coragem, um acto de valentia, como de um navegador que saísse a barra para as Descobertas – sair de casa! - Deixar o Pai, a Avó, os Irmãos e partir em procura da sua dimensão de Homem, de Cidadão independente que o futuro promete a todos os meninos. (ou devia prometer...)

            Então aconcheguei a mim aquele testemunho do passado, como quem conforta embalando, afundei-me em recordações e pensando em todas as CRIANÇAS, gostaria de ter o poder de exorcizar cantando-lhes a velha balada:...” vai-te embora papão feio de cima desse telhado, deixa dormir o menino o seu sono descansado” e acrescentaria por minha conta:... Deixa viver os meninos, seus sonhos, mesmo acordados...

 

                                                         Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.583 – 1 de Dez. de 2000

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:54





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

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