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Postal de parabéns - 1999

Sexta-feira, 05.09.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº. 2.519 – De 3-Setembro de 1999

Conversas Soltas

 

          

Quase me apetecia escrever-te como se fosses uma pessoa – Linhas de Elvas - Apetecia-me, até chamar-te, como nesses casos é de bom uso : - querido, ou expressão parecida que espelhasse igual afecto. Claro que te sinto como um amigo, e por essa razão, mau grado as vicissitudes destes tempos nada fáceis, que a Vida me reservou, não posso deixar passar sem te dar um abraço de muito afecto a data em que nasceste.

Referi os tempos porque são eles que tudo mudam ou, talvez seja mais exacto afirmar que é com o tempo que as mudanças se vão processando. O que ontem de sobejo conhecíamos altera-se de tal forma que se nos apresenta senão como coisa estranha pelo menos tão diferente que numa primeira impressão nem nos parece familiar. Devem assim sentir as mães que acompanham os filhos à porta quando vão para a tropa e depois os vêem retornar, porta dentro, de cabeça rapada, botas de cano negras e ensebadas e farda de camuflado sarapintada de verdes e castanhos.

 

 jornais.jpg

Não fora o coração a identificar, logo, o que se ama que, só pelo olhar, quase se hesitaria. Assim foi agora contigo e comigo, querido Linhas!

Como tu mudaste!

Jornais e pessoas não podem ter posturas semelhantes frente à Vida. As pessoas envelhecem; os jornais podem inovar e renovar-se.

Mas a pessoas e jornais pode pedir-se um ideal, um objecto comum: fidelidade a princípios, coragem, ousadia, até, na defesa desses valores e no culto desassombrado da verdade.

Afinal, os jornais, são obra dos Homens e, hão-de sempre, com qualquer formato ser o reflexo dos sentimentos que encherem os seus corações.

Não admira pois, que seja esse o voto que aqui renovo e que, pela minha parte, na modéstia do meu contributo, a ele me submeta também, indiferente a aplausos ou apupos desde que segura em consciência de servir os meus deveres de cidadania.

Felicidades – Longa e nobre Vida! - Sorte!

Sorte! - Que sempre a sorte ajuda.

 

Maria José Rijo 

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:11

A Tentação - 2008

Quinta-feira, 04.09.08

M. JOSÉ RIJO

4 de Setembro de 2008

Nº 2.984

Conversas Soltas

 

 (Foto Nuno Veiga)

O 'Linhas' está de parabéns.
Acaba de completar cinquenta e oito anos.
A minha natural tentação, nesta circunstância, era começar uma longa evocação [58 anos] já dão pano para mangas... mas resolvi resistir. Resolvi, porque me pareceu mais consentâneo com o espírito da justa celebração, falar de plural, e falar de futuro.
O 'Linhas' faz parte do património cultural da Cidade, e, por tal razão é, como que, um bem de família - que, pelo afecto, pertence um pouco ao coração de todos nós.
Neste momento, em que, todos nos sentimos um pouco prestigiados com o comportamento dos portugueses nos jogos olímpicos - como não sentiríamos, como elvenses, um legítimo orgulho pelo prestígio de vida de um jornal de província, que tem conseguido, até agora, vencer todas as dificuldades que a imprensa tem atravessado , para chegar semanalmente às mãos dos seus leitores desde há mais de 3000 semanas?!
Às vezes o que perece pouco, se relacionado com o meio tem uma dimensão muito mais vasta.
O 'Linhas' vive porque é plural - é uma voz feita da soma de muitas vozes. Uma harmonia resultante duma orquestração com variados instrumentos que juntos tocam o mesmo tema: - o Bem e os interesses da Cidade e do Concelho, que servem e defendem.
Assim que, num dia de aniversário, não me tenha parecido certo falar dele como - apenas - o meu jornal, sabendo, como sei, que sou uma de entre as imensas pessoas que registam este dia como um dia de festa, o dia da prova de vida do 'seu' jornal.
Já me será permitido, creio, pela mão da saudade, trazer à presença de todos o nome do seu

 [ErnestoRanitaAlvesAlmeida.jpg]

proprietário fundador - Ernesto Alves e Almeida o Amigo que preferia não publicar o meu trabalho a colocá-lo fora do lugar que lhe destinara, o Amigo de quem recebemos, quando do terramoto que vivemos nos Açores, a mensagem: - casa às ordens - abraço - coragem...
E, conto isto porque venho falar de futuro e, o futuro tem seus alicerces no passado. E, é sobre os alicerces que se constrói com segurança.
E, hoje o jornal, nesse trajecto de continuidade, está nas mãos de João Alves e Almeida - filho do seu fundador.
Cabe aos novos a aventura do futuro.
Os tempos sucedem aos tempos.
 
O caminho faz-se caminhando. “
Sendo que as estradas largas substituíram as veredas pareceria fácil, ou, muito mais fácil, avançar cada qual no percurso que escolhesse...
Porém, o volume do trânsito em excesso entope as vias e são frequentes os atropelos, as emboscadas, até crimes...
É cada vez mais difícil seguir em frente, a direito, sem desistências quando tudo estremece como num terramoto.
Que o 'Linhas' e o seu timoneiro, não desistam é o meu voto.
O 'Linhas' é a voz da cidade, assim que, em cada aniversário a cidade que ele serve só lhe possa com os melhores augúrios afirmar:
Coragem - confia - esta é a tua cidade , esta é a tua casa.
Tu és a nossa voz - porque - nós somos a tua gente.

Vive! - Parabéns.

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:27

País, País...

Sexta-feira, 09.05.08

Leio e releio os jornais, na ânsia de encontrar algum conforto de esperança com as notícias que mostram a vida do nosso País.

                  Carregue na imagem para aproximar

Ouço os noticiários, observo os políticos, e vou de desencanto em desencanto.

Verdade seja dita que o que afirmo em relação ao nosso “rectângulozinho” se pode afirmar multiplicando pela extensão do mundo inteiro.

Como se tanto não bastasse, as entrevistas de acaso, feitas aos jovens deste nosso País, foram uma espécie de machadada final na minha confiança de que talvez, quem sabe... as coisas pudessem melhorar...

      :-)

Mas o que se pode fazer com gente adulta que não sabe quantos metros tem um quilómetro, quantas unidades tem um quarteirão e outras demais coisa tão banais que assusta descobrir que são enigmas para gente que sabe de cor os nomes das marcas estrangeiras de quantas calças, blusões ou quaisquer peças de vestuário que apareçam no mercado.

Depois, aquele estendal de incapacidade de acertar uma reles pergunta de tabuada... meu Deus, que desgraça.

Reflectindo, ainda que por cima da rama, nesta mostra de ignorância crassa, duma juventude por completo alheada de tudo que não seja “curtição! como poderemos deixar de nos interrogar se poderemos, ou, deveremos esperar mais ou melhor do País que temos, do País que somos!

Que espécie de discurso atingiria as mentalidades destas pessoas para que pudessem tomar atitudes responsáveis e, colaborar na reorganização de serviços, aceitar sacrifícios, reconhecer que todos somos peças desta mesma engrenagem!

Road to heaven

Que todos temos, até, responsabilidades nos males de que nos queixamos.

Quando um conceituado político sai dum governo onde pactuou com mandos e desmandos e procura limpar a sua imagem acusando, – isto é: traindo – quem nele confiou...

Como poderemos esperar, por exemplo, lealdade e firmeza de carácter naqueles outros a quem tudo se promete quando é estrategicamente necessário, e a quem, como é óbvio, nada se lhes dá quando os objectivos são alcançados?

Quando se denominam por palermas os que divergem das nossas opiniões, que critérios nos regem?...

Que formação moral é a nossa?...

Que convicções defende quem insulta em lugar de argumentar?

 

Que gente é esta?

Claro que se interrogados sabem quantos quilos tem uma arroba, e quanto é três ao cubo, ou ao quadrado.

Mas saberão o respeito que devem ao Povo que deveriam servir, o exemplo que devem a quem confiadamente os elegeu?

DuvidoVejo-os de bocarras abertas jorrando verborreia, de sanhas de ódios nos olhares de inveja que lançam aos que ocupam os lugares que cobiçam para si próprios, vejo-os sem o mais leve resquício de humildade frente à assustadora responsabilidade de governar.

E, assim vão, implantes de vaidade e de impunidade desbaratando oportunidades vitais para inverter o declive onde nos encontramos... porque, cada um deles é mais importante do que o outro e, só eles valem a pena...

Também, quando universitários nem contando pelos dedos sabem dizer – sem máquina – o resultado de três vezes quatro que resposta se pode esperar deste País a problemas a que só a massa cinzenta pode dar solução, e, nunca a máquina...

 

 

 

                  Maria José Rijo

 

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.683 – 8 / Novembro/2002

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:19

À beirinha do Natal

Terça-feira, 04.12.07

É sempre com um espírito diferente, daquele do dia a dia comum, que se faz esta caminhada do advento.

                         

Quer queiramos quer não, assim como o sol e a chuva, o frio ou o calor influenciam os nossos comportamentos, assim também as festas religiosas como que “contaminam” até o ar que se respira e, crentes e não crentes, se deixam empolgar por lembranças, evocações que conduzem a memórias guardadas no segredo de todas as almas, pelo mistério das nossas sensibilidades.

E, assim como se prepara a nossa aparência usando o melhor fato e, a nossa mesa, procurando paladares e aromas de petiscos tradicionais, para receber familiares e amigos, assim também nos corações deixamos que a ternura e o perdão amolecem as resmungos e impaciências do dia a dia e os afectos como que floresçam nos sorrisos e nos abraços de cada reencontro.

                 

E, se é certo que a dor das grandes perdas permanece como um lastro pesado no fundo de cada um de nós, não é menos certo que o triunfo da Vida, consiste em saber que o sol, ainda que não o vejamos, nasce todos os dias, e com ele a esperança se renova.

 Assim que os desejos bons que não concretizamos, as palavras que calamos e quereríamos ter dito na hora certa a quem talvez as tivesse esperado em vão, e sofresse porque as silenciamos; a companhia que não fizemos a quem triste e só, se possa ter pensado esquecido de todos; a mão que não estendemos a quem já sem forças se rendeu ao desalento porque lhe faltou esse apoio...

                               

Tudo o que achamos que não valia a pena termos feito porque outros o fariam melhor, ou porque a preguiça nos enredou...tudo, nos apareça em consciência, como brasas, ainda vivas, sob as cinzas dos tempos que não soubemos viver plenamente e nos sacuda e nos acorde para uma fome implacável de redenção.

Porém, logo a seguir, perdoamo-nos a nós mesmos porque não somos os salvadores do mundo, não temos tempo para tudo, que é muita coisa, que fizemos o melhor que sabíamos, e mais isto, e mais aquilo, que ninguém é perfeito, e, quase logo, logo, estamos com pena de nós...

                                

Então, como quem ingere um tranquilizante, que muito embora nada cure, tudo esbate e adormece por momentos, aqui estamos nós, ano após ano a despachar quilos de postais e cartas pelo correio com as saudações (de preferência já impressas, para maior facilidade!) a que justapomos apressadamente a nossa assinatura.

E, assim embalamos os nossos sonhos mais altruístas na vulgaridade dos nossos gestos...

                                    

Reconheço!

Reconheço, e deploro os remedeios que quase sempre substituem as mais nobres intenções, porém, aqui me rendo publicamente, fazendo para meu uso, a escolha que – também – mais à mão me calha por me parecer a mais lógica para chegar a todos os meus possíveis Leitores, ao Director e a todos os Trabalhadores do “Linhas” bem com a suas famílias os melhores desejos de Boas-Festas, e de um Santo Natal.

                    

Votos que expresso, também – com muita esperança – para a nossa Cidade, tão à mercê das marés...

 

                                                        Maria José Rijo

 

  P.S.                                                      

Aproveito, ainda, para agradecer, cartas e referências que me têm dirigido, através do jornal, de forma tão amiga, que, muitas vezes, têm sido “a mão” em que me apoio para ir em frente.

Bem hajam!

                                                     Maria José

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.845 – 22-Dez. -2005

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:50

Livro Rezas e Benzeduras

Quarta-feira, 14.11.07

Publicado em 25 de Novembro de 2000

pelo Jornal Linhas de Elvas

Apresentado

na Pousada de Santa Luzia de Elvas

 

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Depois de vários anos de publicação das crónicas

"Conversas Soltas" no semanário

"Linhas de Elvas",

MARIA JOSÉ RIJO

juntou agora todas essas preciosidades num livro

a que chamou

"Rezas e Benzeduras".

A apresentação da obra foi na Pousada de Santa Luzia,

em Elvas, onde as várias dezenas de convidados

foram presenteados com um cocktail.

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A cronista e o autor das ilustrações

deste livro,

Manuel Jesus

 não tiveram mãos a medir

com a quantidade de autografos solicitados.

 

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Jornais em que pode encontrar matérias

sobre os 50 anos do Jornal Linhas de Elvas

e o Lançamento deste livro

 

Nº 2.538 -- 14 - Janeiro-1999

Nº 2.539 -- 21-Janeiro-2000

Nº 2.542 -- 11-Fevereiro-2000

Nº 2.571 -- 8-Setembro-2000

Nº 2.582 -- 24-Novembro-2000

Nº 2.583 -- 1-Dezembro-2000

Nº 2.584 -- 8-Dezembro-2000

Nº 2.586 -- 22-Dezembro-2000

 

Jornal Crónica do Alentejo -- Nº50 - 24-Setembro-2001 - por J.O.R.

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:50

Rezas e benzeduras XIII

Domingo, 04.11.07

   

“As linhas torcidas”

 

         A senhora Isauraa Ti Isarua – como era conhecida no monte e nas redondezas era especialista em benzeduras.

            Viera numa leva de ceifeiros na força dum Verão ainda mais inclemente do que era habitual. Chegou com o bando dos “ratinhos” e foi ficando...ficando..., agora por isto, logo por aquilo, que ela era pau para toda a obra, e, às tantas, a bem dizer, já fazia parte da mobília! --       Ti Isarua faz a boia, - Ti Isarua vá lá aparar o bezerrinho, que o raio da vaca está com’á galinha pedrês – tem o ovo atravessado! -ti Isarua mate lá um frango, – Ti Isarua vá lá entreter as crianças...para tudo a Ti Isarua tinha préstimo.

            Ti Isarua tem que cuidar do amojo da cabra malhada que na certa foi mamada por cobra, está luzindo de inchaço... e, assim por aí adiante!     

Porem onde o seu saber tinha cátedra era no conserto de ossos fora do sítio, espinhelas caídas, entorces e outras maleitas afins.

            Quase sempre à tardinha, se era no Verão, ou antes do almoço, se era no tempo dos dias pequenos, apareciam os mitigantes da sua sabedoria

Ti Isaura era ossuda, fortalhaça, pouco ou nada devia à formosura, mas tinha um jeito doce que agradava, era paciente com as lamúrias dos queixosos e tinha aquela habilidade de mãos que seduzia e sabia confortar.

Era solicitada com frequência para trabalhos fora, e por vezes, levava por lá dias e dias até voltar.

Então cochichava-se à boca pequena, isto e mais aquilo, -envenções como ela dizia, dessas malucas que nem sabem prantar um jantar ao lume!

Tá-se memo a ver que nem les respondo e acabou-se! Isso era o qu’elas queriam! Logo se calam! - Toda a conversa òs três dias esmorece.

E, assim, com estes despachos, encerrava o seu expediente.

Naquela tarde chegou uma cliente ainda nova empurrando à sua frente de escantilhão “de tabefe em tabefe “um rapazito que lamuriava sem cessar.

O que é isso mulher? - Largue o garoto e diga lá o que aconteceu, interveio conciliadora a ti Isaura que já havia sido avisada da necessidade de abrir a “consulta”        Ora o que havera de ser! Voceia já sabe como são-nos moços; por mais qu’a gente diga. Pranta-te quedo! - Pranta-te quedo! Nã senhora, colam por cima dos tarrões e ospois vá de esmurrar as ventas e trocer as linhas.

Dexi-o a tomar conta das manas; qu’é fui fazeri uns mandados por mor de ganhar umas molhaduras e quando volti tinha desapracido e déchou as mocinhas fechadas à chave. Voceia já viu o cabrão do gaiato? - Já viu? - Isto só partindo-le os cornos e ospois ainda me volta desasado!

Já s’ontro dia se nã chego à justa matava -me a ermã mais pequena. Atão nã le ia dar o lete na almintolia do pitrole?

Já viu o que m’havia de cabedari? - Já viu?

            Só a mim è que me cabeda esta sina...

Oh, moçada dum cabrão- com sua alicença - nem com uma calda de porrada de manhêm e outra à noite a gente os assocegava !

Entretanto mãe e filho carpiam as suas lástimas a Ti Isarua tirava da panela de ferro que se eternizava ao rés do lume uma pucarada de água fervente e dobrava-lhe sobre a boca uma toalha turca.

Sobre o pano humedecido com o vapor de água quente ajeitaram o cotovelo do rapazinho que imediatamente o retirou rezingando: está quente, porra!

Habituada a tal léxico Ti Isarua continuava, sem esmorecer, as suas funções

Sob a ameaça de mais algumas “orelhadas”o franganote magoado e ofendido acabou por acatar as recomendações e colaborar.

Quando eu precurar: o que é que ê coso tu dás de resposta: carne quebrada e nervo torto. Nã te esqueças mod’a reza dar certa qu’ê cá precuro tres vezes.

 Então assumindo uns ares de seriedade de quem estivesse investida em poderes secretos começava, a Ti Isarua, depois de ter esfregado a região doente com azeite, a coser e recoser com uma agulha desenfiada num novelo de linhas e a recitar a milagrosa benzedura:

                             (Desenhos de Manuel Jesus)

Coso!

O que é que eu coso?

            Vinha a resposta: - carne quebrada e nervo torto

            Isso mesmo é que eu coso

            Carne quebrada volte ao seu lugar

            Nervo torto volte ao seu posto

            Melhor cose a Virgem que eu coso

            Que eu coso pela carne

            E a Virgem cose pelo osso

            Em louvor de Deus e da Virgem Maria

            Padre-nosso e Avé – Maria

 

           O rapazote, a fungar, esfregava o nariz na manga do braço são, para enxugar o pingo e as lágrimas mas submetia-se com docilidade.

            Voltando a friccionar o cotovelo, – que na circunstância já estava vermelho como um pimento, – outra vez com azeite, terminava o tratamento que se repetiria três dias seguidos e sempre seria acompanhado da mesma recomendação: - agora agasalha bem o cotovelo p’ra não constipares o braço não seja o caso de ainda por cima apanhares erisipela!

            Depois com uma palmadinha amigável, discretamente, a Ti Isarua meteu uma guloseima no bolso do rapazinho que, finalmente, mostrou um sorriso aberto de criança.

            Respondendo: - não é nada! Deixe-se lá dessas coisas...à inquietação da consolente, Ti Isarua ficou encostada à parede do “monte” a vê-los afastar.

A mãe já serena pusera o braço sobre os ombros do garoto aconchegando-o a si.

            Nos ouvidos de Ti Isarua a frase de despedida:

            A pobreza é uma desgraça! - A gente pede às crienças favores qu’eles nã têm-na idade de fazer, mas é a precisão... e ospois, coitadnhos, ainda “as mamam” por cima....

                                          Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.445 – 20 – Março - 1998

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Para adquirir um exemplar deste livro de Rezas e Benzeduras

Deve remeter o seu pedido ao Jornal Linhas de Elvas

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:51

Homenagem

Domingo, 14.10.07

Poucas coisas se me afiguram mais difíceis do que prestar uma homenagem a alguém que já não permanece entre nós.

            Se, se lhe exaltam só as virtudes logo surge a velha crítica de que: - se queres ser bom, ou morre ou vai-te!

            Se pelo contrário se modera no que se diz, o calor do afecto e do apreço recolhe-se o reparo de que não se soube ser justo e, acusam-nos de mesquinhice...       Como proceder então?

            Se a figura em foco for um general vitorioso, regressado de alguma batalha ou que nela tenha sucumbido; há um cento de adjectivos correntes e disponíveis para coroar heróis nessas circunstâncias.

            Se for um político, há sempre uma calçada, um fontanário, um campo de futebol para enaltecer o primor da sua criatividade!

            Se for um membro do clero rememoram-se os seus sermões, a sua brilhante oratória, ou a sua piedosa vida para nos apoiarmos no louvor...

                Porém quando nos propomos falar, do soldado, do homem da rua, do indivíduo comum; aí, a dificuldade fica acrescida.

            É que é esse, - o homem comum - o que não é nem herói, nem líder de massas, nem santo de altar, quem tudo faz.

            É esse, o soldado desconhecido, que compõe os exércitos - e que só a família e os amigos choram - que  ganha as guerras. É esse, o operário que bateu a calçada, ergueu o fontanário, a casa, o monumento que marca a celebridade dos outros. È esse o receptor da piedade com que se conforta da injustiça social, é esse, o herói desconhecido do dia a dia, o apagado obreiro do nosso conforto. É esse que sendo um igual a tantos, nos deixa desprotegidos das receitas consagradas, que resolvem estas situações.

            Eu vinha hoje aqui eivada deste espírito, desta consciência de como na sombra, na modéstia, quase no anonimato se ultrapassa, tantas vezes a dimensão comum, se cria obra duradoura, se enobrece e alarga a nossa dimensão de gente. Vinha lembrar obras que se dirigem a muitos e são fruto do trabalho e da coragem de alguns, da iniciativa e da visão de futuro, às vezes de um só homem.

Eu vinha prestar a minha homenagem às sucessivas. Equipas de tipógrafos, directores, colaboradores, vendedores, anunciantes, compradores, leitores e todo o mundo de trabalhadores que ao longo de cinquenta anos têm posto este jornal nas bancas e, lhe têm permitido viver sem sobressaltos.

E, vinha muito especialmente curvar-me perante a memória, de um homem de caracter, discreto e sem tolas vaidades - Ernesto Alves -  que um dia corajosamente apostou neste empreendimento em que acreditou e lhe deu vida.

Não foi um herói, nem um santo no sentido literal do termo.

Teve todavia, o heroísmo e a santidade das pessoas de Bem que se recordam pelo sentido de justiça e inteireza de caracter e, das quais todos prezamos a amizade       Eu vinha com esse intuito, posso não o ter conseguido,

porém, neste momento para mim o que importa, é ter, como fui capaz, evocado alguém a quem meu marido e eu chamavamos AMIGO e que, como tal, em memória dessa estima e desse apreço hoje, aqui recordo.

 Pois como dizia Cícero:

” Ter um amigo é ter um outro eu,

quando um está ausente, o outro o substitui;

se um é rico o outro não precisa de nada,

se um é fraco o outro lhe dá as suas forças.”         

 

 

 

                               Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.571 de 8/10/2000

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:18

Rezas e Benzeduras V - I Remember September

Sexta-feira, 14.09.07

               Em Setembro -    muitos anos - cinquenta e quatro  exactamente, vim a Elvas de visita pela primeira vez.

               Era S. Mateus.

               Festejava-se o Senhor Jesus da Piedade. “Menina e Moça”, que era, como no dizer de Bernardim – cá encontrei meu par que namorei de janela alta à moda desses tempos.

               Primeiro andar – era a fasquia mínima – das regras de então -  só superável  em qualidade por janela de rés-do -chão  com  grades de ferro e rede mosquiteira.

               Eram na Rua João do Casqueiro as sessões de “ gargarejo” sob escuta de vizinhança que se adivinhava pelo tremelicar das rendas das cortinas, nas vidraças indiscretas – encostadas não fechadas – para que, além da imagem lhe chegasse o som...

               Era na mesma faceira, à direita, quando se desce, onde há logo a seguir “ duas janelas de ferro batido com balaústres e laçaria “que são citadas num estudo da renascença em Portugal – conta Raul Proença.

               Havia então, nessa tal casa, onde eu habitava com minha Tia Madrinha, para ajudar nos arranjos domésticos uma alegre rapariga, do Povo de S. Vicente, chamada Alda. Ela compartilhava dos namoros das meninas da casa entre as quais me contava – tudo gente das mesmas idades. A retribuição desses favores era-lhe concedida com a invenção por nós de oportunidades que lhe permitissem fugazes encontros de esquina, com o seu próprio namorado.

               Era ela que generosamente entretinha minha Tia Madrinha com perguntas e confusões de ardilosas ignorâncias culinárias ou outras, sempre lá para os fundos... para que pudéssemos largar os livros e correr às janelas quando o som das patas dos cavalos faiscando na calçada anunciava a presença dos “senhores alferes”, a passar, caracolando lentamente nas suas garbosas montadas.

                             (Desenhos de Manuel Jesus - Pintor de Elvas)    

                                                           -----

Foi ela quem nos ensinou a oração a Santa Helena, que rezávamos para adivinhar o futuro dos nossos ingénuos romances e que, nos fazia andar dias inteiros, ensonadas, suspirosas e olheirentas, segredando pelos cantos a tentar como pitonisas interpretar sonhos de que retínhamos apenas farrapos esparsos.

               Sonhos que nos devastavam o descanso e o aproveitamento nas aulas.

               Deitávamo-nos nervosas, assustadas, de cabelos soltos e braços cruzados sobre o peito repetindo com um gostinho de medo, de gozo e de pecado a misteriosa oração com seu cheirinho a bruxaria que nos deslumbrava mas causava arrepios.

                    

ORAÇÃO A SANTA HELENA:

 

               Srª. Santa Helena filha do Rei Irene

               Vós que pelo mundo andaste com a Virgem vos encontrastes

               Com Ela vos aconselhastes

               A cruz do Santo Lenho achastes

               Os três cravos  que ela tinha  todos três vós lhe tirastes

               O primeiro deitaste-lo ao mar

               O segundo  deste-lo ao Santo Lenho

               O terceiro com ele ficastes

               Por esse cravo que vós tendes Senhora eu vos peço

               Que me declareis em sonhos bem declarados:

               (faz-se o pedido)

               Se assim for que eu veja :

                                         casas caiadas, roupas lavadas, águas claras

                                         campos verdes e mesas alçadas

               Se assim não for que eu veja:

                                         paredes escuras, roupas sujas, águas turvas

                                         campos secos  e espadas nuas

                                         Padre-nosso, Ave-maria

                                 (repete-se a oração três vezes)

                                                -----------------

               Depois, pela manhã, enquanto nos serviam o café, confabulavamos confrontando as interpretações cabalísticas dos enigmas que relatávamos – sonhados ou, ainda mais inventados pelos nossos pavores, remorsos e temeridade.

               (Querido e Santo Padre Marcial, como se terá divertido na sua tolerante bondade com as confissões escutadas nas primeiras Sextas feiras do mês no antigo Colégio Luso...)

               Setembro em Elvas, para mim, é o mês de todas as magias...

               Era o mês das noivas com os seus fatos brancos, seus véus, de braço dado com seus maridos a passear solenes nas noites de arraial...

               São as manhãs luminosas e frescas transparentes e aniladas. As tardes serenas e doces de brando anoitecer...

               São os dias ainda quentes em contraste com as sombras já frescas que os prédios projectam nas ruas estreitas do casario fechado entre muralhas...

               São as árvores ainda verdes que já não podem, no entanto, esconder a folhagem que empalidece...

               É o tempo em mudança.

               O fim da estação a marcar presença com as folhas caídas que bailam enfim soltas, a sua dança de liberdade e morte.

               É o toque da angústia de tudo o que finda.

               O vazio nostálgico onde a esperança há-de medrar e reviver.

               É o tempo a orquestrar na sua divina sabedoria o envelhecer do Verão.

               Não mais luz violenta, agressiva, que tudo devassa – não mais o calor que derrete, abrasa e estorrica.

               É o insinuar da transformação que anuncia o repouso da Natureza – como a meia-idade traz ás pessoas a ponderação e a calma no Outono da vida.

               É a descoberta do saborear de cada momento, do instante fugaz, do recato, do segredo, do sorriso, da recordação, do mistério da vida que se pressente mas nos escapa ao entendimento.

              É o mês em que casei há cinquenta anos e celebro agora só.

              Só, como se nasce.

              Só, como se morre, mas, com o coração pleno do que se viveu se relembra com dor e alegria, como uma música suave, que vem de longe, nos delícia, nos comove e faz chorar.

              Como uma canção de embalar que se escuta até que a paz do sono nos invada.

                               “I Remember September “

              É o título de uma velha e linda balada de amor desses tempos idos que um cantor famoso celebrizou. 

                             “I Remember September...”

           

 

                                                                Maria José Rijo

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Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.419 – 19- Set.- 1997

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Livro publicado:

Rezas e Benzeduras

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Este livro pode ser adquirido no Jornal Linhas de Elvas

                                       

 

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Para todos os visitantes/Leitores - em especial para a DINA e para a DOLORES - Hoje com as saudações da        Paula

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publicado por Maria José Rijo às 00:02

Gatos

Sábado, 02.06.07

http://olhares-meus.blogspot.com/

 

À porta do jazigo (encimado pela escultura de dois gatos a dormir) do grande escritor português - Fialho de Almeida- em Cuba, onde faleceu, pode ler-se esta frase do seu livro - os Gatos- “miando pouco,  não temendo nunca, arranhando sempre”

Bem mais perto de nós, outro escritor, (João Falcato) autor do célebre “Fogo no Mar”, enquanto jornalista, como Fialho também foi, escreveu durante anos as suas crónicas sob o título “O Meu Gato.” Rememorando estas e outras lembranças, dei-me conta da presença, bem frequente do gato na literatura, na magia e nos ditados populares. (No casino Estoril, neste momento, na obra da grande Artista: Dorita  Catel-Branco.)

Pensei então: - aqui há gato! - E, comecei a somar:

Gato escondido com o rabo de fora! – Fazer de gato-sapato!

É como o gato que, enquanto dorme, apanha ratos! (referência às vibradoras, “bigodes”, que captam as vibrações do ar que, qualquer movimento produz.)

Gato escaldado de água fria tem medo!

De noite todos os gatos são pardos!

Matreiro como um gato! - Traiçoeiro como um gato!

Quem não tem cão, caça com gato! – É como o gato e o rato!

Ágil como um gato! - Macio como um gato!

Silencioso como um gato! - Misterioso como um gato!

Tem sete folgos como um gato! - Olhos misteriosos como o gato!

Que belo “gato”!- Que  bela “gata!”

Assim, e de outras formas mais se fala dos: - farruscos, tarecos, panchos, bichanos, minháus, ou do mais que é uso apelidar esses companheiros das nossas vidas.

Os gatos estão conotados com a ternura, a manha, a esperteza, a agilidade, beleza e, pela sua independência, e pela dilatação das pupilas dos seus belos olhos, no escuro, também com um certo mistério e bruxaria.

Para as crianças que se arrepiavam de medo com os seus miados lúgubres pelos telhados, nos pequenos povoados, nas frias noites de Janeiro, fazia-se uma interpretação que afastava os temores e as fazia rir, emprestando palavras aos sons das suas serenatas...

-          José dos matos,

-          Dás-me os sapatos?

-          Não dou, não!

-          Diz do que são!  

-          De cordovão! - Dás-mos? - Não!

Depois aconchegadas – como gatos - no quentinho dos lençóis

era a hora de deixar que o João Pestana fizesse o seu trabalho...

Sempre os gatos inspiraram ao homem os sentimentos mais extremos e as mais obscuras crendices.

E, não se julgue que foi recentemente que “os gatos e as gatas” entraram já com um significado mais erótico na linguagem corrente.

Desde a deusa Bastet dos egípcios, que tinha cabeça de gata e simbolizava a fecundidade e graça femininas (segundo o Dr. Fernando Méry) que essa conotação se faz.

Também ele conta que os gatos já foram divinizados ao ponto de em 525 a.C., os persas terem vencido os egípcios por se apresentarem armados com gatos em lugar de escudos e o seu culto por esses animais – (na época) - não lhes permitir nem feri-los , quanto mais matá-los!

Tempos houve também em que os donos punham luto por eles, como pelos filhos, e tinham direito a ritos fúnebres. Eram embalsamados e, se os seus proprietários eram muito ricos, dormiam o sono eterno em belos sarcófagos.

Mais tarde, a partir do século XIII, foram odiados perseguidos, considerados sicários de Satanás, queimados vivos, torturados por bruxarias, empalados, crucificados, esfolados vivos e, era expressamente proibido ter por eles qualquer espécie de piedade ao ponto de aos seus defensores, serem infligidas, como castigo, iguais torturas.

 De qualquer modo é sempre associada à beleza e ao mistério que se usa a imagem dos felinos.

Animais, ainda hoje, tão estimados por uns, como odiados por outros.  

Ligados a eles há também, contos sem fim quer de bruxarias e maldições, quer de protecção como amuletos, principalmente o gato preto que convém ter por perto como talismã, porque afasta as bruxas e fica entre os humanos como pára-raios nas trovoadas e

é afinal o mesmo gato preto que pode ser acusado de todos os malefícios .

A minha indisfarçável ternura pelos gatos fez-me aprender algumas curiosidades sobre a sua história. Considero-os caprichosos, um tanto insubmissos, mas os mais elegantes, encantadores e carinhosos de todos os animais domésticos.

Enrolam-se como novelos de lã, e quando nos saltam para o colo, nos dão a “honra” da sua companhia e ronronam tranquilos “com o motor em ponto morto” ninguém dirá que sob a fofura daquelas patas de veludo, há umas unhas retracteis afiadas, que cortam como lancetas.

E, não é que hoje ao ver a madeira do meu cavalete toda escalavrada pelas unhas do meu gato “Picolino” de que guardo saudade, me ocorreu escrever esta crónica que espero não seja motivo para que se diga que “vos dei gato por lebre!”

 

                                                   Maria José Rijo

                                                   

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.907 - 1 Março-07

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publicado por Maria José Rijo às 23:56

Entrevista a Maria José Rijo

Sábado, 26.05.07

 Onde Estava no 25 de Abril de 1974?

       

Logo a seguir ao 25 de Abril, estava em Beja, no centro da barafunda, onde assisti às maiores injustiças e calamidades. Vivia no palácio do Banco de Portugal porque o meu marido era bancário. Vi homens armados a exigir o dinheiro do banco.

O meu marido teve o primeiro enfarte nessa altura.

O 25 de Abril, na sua génese, tem o sonho da liberdade, da fraternidade, mas dada a pouca preparação do povo, a confusão, as pessoas começaram a exigir dos outros aquilo que repudiavam e censuravam no passado.

O próprio dia da revolução foi de Liberdade e de alegria. O dia 1 de Maio foi a última esperança porque as pessoas ainda estavam dentro do sonho. Depois foi uma deturpação absoluta e criaram-se injustiças.

Tinha uma empregada e lembro-me de seguir o 25 de Abril pelos olhos dela, pelo ar de desforra, de uma pessoa que tinha sido pisada toda a vida e que via abrir-se uma porta de liberdade. O que me fez confusão é que, mais do que o sonho para a humanidade, eu via a oportunidade de cada um se desforrar do que tinha sofrido.

    

O Jornal Linhas de Elvas

 

Entrevista a Srª. D. Maria José Rijo

 

ESCRITORA

 

na rubrica:

Depoimentos revelam “estórias” curiosas

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:46





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

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