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Casimiro Abreu

Quinta-feira, 13.03.08

Em dezanove de Fevereiro de dois mil e três, com oitenta anos, faleceu em Elvas este Poeta, que, também em Elvas tivera o seu berço em vinte e dois de Janeiro de mil, novecentos e vinte e três.

Foi a enterrar há três anos discreta e apagadamente.

Não deixou heranças fabulosas em dinheiros e bens materiais deste mundo.

Nada do que torna importantes, as pessoas, nesta vida.

Nada do que torna as pessoas colunáveis e condecoráveis.

Nada!...

Nem sequer foi jogador de futebol!!!

Nem ganhou o totoloto!

Não teve, por isso, um aceno de saudação, oficial, da sua terra, nem foi capa de jornais.

Não está na toponímia da cidade – não é nome de rua, nem de praça!

Nem de estádio!

Foi apenas um Poeta!

Um poeta que fez Elvas crescer na área em que o ser humano, realmente vale – em ideias, em iniciativas que tornaram a cidade conhecida por eventos culturais que alargou até Espanha.

Um poeta que idealizou progresso através de empreendimentos que outros aproveitaram para prosperar!

Um poeta, que com inteligente ironia, glosou em poemas satíricos os símbolos do conservadorismo e do atraso parolo, que impediam a sua cidade de olhar em frente...

Um poeta, cujo capital era massa cinzenta e, a coragem de a usar...

Um poeta que, está também, na génese dum jornal que dirigiu, e que foi lutador, valente e ousado, quando era difícil e perigoso sê-lo.

Um homem que sabia que a Vida, também é risco, e arriscava sem medo.

Um homem que não consentia que atacassem qualquer dos seus colaboradores, e considerava como feita a si próprio, qualquer beliscadura que alguém ousasse contra eles...

Um poeta com alma e coragem, que não virava costas a quem estivesse ao seu lado, lutando por valores que ele entendia como justos e promissores para o bem das gerações futuras.

Um poeta talentoso, que publicou livros onde evoca lugares e usos da sua terra natal, e reminiscências de infância que fazem história, porque referem costumes burgueses hoje, já quase desaparecidos.

Um poeta que encabeçava um pequeno “clã” - de amigos e admiradores - que manteve viva a chama da resistência à ditadura, sem esperar contrapartidas de cargos, honras ou regalias – mas que pelo contrário, lhes punha, a cada passo, a segurança e a liberdade em risco.

Um elvense, que, como outros, também hoje esquecidos, ajudou à instauração da democracia de que, outros “clãs” em proveito próprio, sem ética, nem pudor, (porque não basta à mulher de César, ser séria, é também preciso que o pareça!) se aproveitam afoitamente como se fossem monarcas com direitos de sucessão congénitos!

Enfim ! - fruto dos tempos! – Por certo!

Mas, falta de idealismo, também!

E, falta de outras coisas mais...

Às vezes, apenas egoísmo e apatia das “plateias” que – uma vez instaladas - adormecem frente aos acontecimentos, sem interiorizar o que escreveu Michel Quoist :“ Eu, sou o outro!”

 

Termino com dois versos, apenas, de um poema do livro “Pórtico” de Casimiro:

 

“Depois de ter escutado lamentos fora de mim,

Senti o peito repassado de ais, só iguais,

A choros que vêm de mim!”

 

 

                       Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.855 – 2/Março/2006

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 22:24

POEMA – A LUZ

Quinta-feira, 06.03.08

Lá muito ao longe… está a luz!

Eu já a vi!

E agora…

Procuro o caminho que a Ela conduz…

 

Mas afastai-vos, caridoso intento!

Saí da minha frente,

Gentes que ouvistes meu lamento!

 

Perdoai o meu tom brutal, irado…

… Mas eu não quero fazer o tema copiado!

 

Eu quero ir sozinha!

Consciente dos meus passos!

Ainda que gaste a vida em sofrimento…

Eu quero ir sozinha!...

 

Deixai-me passar!...

Deixai-me enganar e recomeçar…

Deixai-me ficar aos bocados pela estrada,

Deixai-me que procure em direcção errada,

Mas deixai-me ir sozinha!...

 

E se eu morrer antes de alcança-la,

A Luz saberá

Que eu gastei a vida a procurá-la!...

 

 

Maria José Rijo

 

Poema nº V

Pag – 37

I LIVRO DE POEMAS

… E VIM CANTAR

DESENHOS da Autora

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publicado por Maria José Rijo às 17:33

A preocupação do momento

Sábado, 01.03.08

A preocupação do momento, a que domina o quotidiano das nossas vidas é, sem dúvida, a subida dos preços dos bens de consumo sem contrapartida eficaz de vencimentos.

Minha Mãe, quando nos ouvia lamuriar em situações destas, dizia sempre: - os preços não são altos, vocês é que ganham pouco!

Embora o comentário continue a ser verdadeiro, neste momento o desequilíbrio das finanças a nível do nosso país é tão evidente e, tão aterrador que a todos em geral, e a qualquer um de nós em particular, não sobra vontade, nem sequer para ironizar.

Não vale a pena, por exemplo dizer a um ministro, ou a um gestor de empresas, que as gravatas de seda natural e as roupas de marca que eles usam, envolvam verbas que para um vulgar trabalhador parecem prémios de milionários de totoloto!

Porque uns, em relação aos outros, estão distantes como antípodas.

Só vive a morte, quem morre.

Quem a chora, apenas assiste.

E, porque sentir na pele, não é uma experiência virtual não vale a pena pensar que a maior parte dos decisores queira perder direitos adquiridos a favor do bem comum. Cada um deles, defenderá as suas prerrogativas com o poderoso argumento de que paga todos os impostos e contribuições relativas aos seus proventos.

Esquecem-se apenas que qualquer outro as pagaria de bom grado se tivesse acesso a regalias idênticas, já que na verdade também pagam, mesmo sem tais contrapartidas.

Esquecem-se também do que representa para uma população inteira os pesados sacrifícios que são pedidos a quem é vitima da má governação a que a classe política tem sujeitado o país.

Não foi certamente com as viagens que os trabalhadores fazem, nem com os benefícios que auferem, nem com os carros de que dispõem, etc...etc,,,etc,,, que se chegou a este caos!

Então, que mais não seja do que por sentido ético, comecem pelos políticos as contenções.

Mas comecem a sério!

Pensem nos anos de trabalho, e de idade, que exigem à função pública, pensem!

Acabem as reformas ao fim dos seus curtos mandatos.

A política não pode ser um emprego! Tem que ser uma missão!

Que o serviço político seja considerado um serviço cívico e não um encosto para onde vão inúteis desocupados ávidos de mordomias, só na mira da reforma.

Que a prestação política seja um serviço de missão, - pago é certo, muito bem pago até, -  mas que uma vez terminado, volte cada qual à sua profissão sem mais  alcavalas para serem pagas pelos contribuintes.

Tenho a certeza de que a classe política seria logo reduzida à expressão mais simples e, só sobreviveriam os mais capazes, os autênticos, os verdadeiramente devotados à causa pública.

Numa altura em que, os mais sacrificados, são os de sempre – os que menos têm, – tenho consciência de que, mesmo assim ninguém se nega ao sacrifício heróico que lhes é pedido com a esperança que os filhos, ou os netos possam herdar os benefícios duma vida menos escravizada.

Tenhamos nítida consciência dessa generosa submissão do povo que somos, do povo que trabalha e que também paga, os tais impostos, que sustentam as benesses de alguns privilegiados, mas não cobrem muitas das suas carências essenciais.

Tenhamos essa consciência para que a classe política se dobre respeitosamente ante a massa humana dos trabalhadores, e pelo menos uma vez, desta vez, abdique dos seus excessos para que sobre pelo menos o essencial para todos os demais.

           Maria José Rijo

 

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Jornal linhas de Elvas

9 – Junho – 2005 – Nº 2.817

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:54

O Tema

Quarta-feira, 20.02.08

Por vezes, quando um assunto, que por qualquer razão de acaso me é sugerido, penso: - ora aqui está um tema para as Conversas Soltas. Depois é só agarra-lo e deixar correr as ideias.  

Noutras ocasiões, é o tema que se me impõe, ou pela actualidade ou pelo interesse que oferece, e, sou eu que lhe fujo.

E, fujo pensando: - para que me vou meter nisto?

             Porque me hei-de eu incomodar se não resolvo nada sozinha, e tão boa gente que se deveria pronunciar se queda refugiada num silêncio confortável e acomodado, como se nada de quanto se passa lhes dissesse respeito?

              

             Então aí, fico dialogando com a minha própria consciência, e perguntando-me se, por acaso, ando, ainda, por cá, só para ver andar os outros e se preciso de cabeças alheias, para identificar os meus deveres e os meus direitos.

              Depressa tiro as minhas conclusões, e, lá vou ao caminho, com a serenidade possível nas circunstâncias.

              Misturada em qualquer acção que se empreenda pode subsistir uma sombra de dúvida, mas também haverá um clarão de esperança, e uma irreprimível consciência de que ao que se tem como dever, não se pode fugir por maior que seja o desconforto que nos cause.

E, assim com estas e outras conjectures se escolhe, ou foge dum assunto que era, ou poderia ser um bom tema para conversar.

                              

È dos livros, quero dizer, é velho o subterfúgio de fugir a compromissos, equívocos, mal entendidos e outras situações mais ou menos ambíguas, falando do tempo.

Esse é, por excelência o tema ideal para que todos pareçamos corteses e bem-educados.

Que me conste, nunca o tempo veio pedir satisfações a ninguém por ter dito em tom azedo ou, mesmo bonacheirão que o tempo está feio, horrível ou qualquer outra designação por mais desprimorosa que ela tivesse sido.   

Ele aguenta que dele se diga que tem carranca, carantonha, que está manhoso, horrível, tórrido, gélido, farrusco e sei lá de que mais todos se lembram de o apelidar.

Verdade seja dita que segue com o seu bom ou mau humor, diga-se dele o que se disser!

Ora sendo assim, temos, sem rebuço, a franqueza de confessar que não há melhor tema de conversa.

Mas, que ninguém se iluda! – Que o tempo, que tudo ouve, e tudo consente, nada esquece. No tempo, tudo, como que sobrepondo-se sedimenta e permanece. Uns acontecimentos encobrem os outros. Formam como que uma crosta, que engrossa dando suporte a tudo o mais que vá acontecendo.

Que se lhe chame feio ou bonito, não interessa!

                                             

De tudo e todos pode, o tempo, rir, por mais grave que se considere o insulto que lhe dirijam.

No fundo, ele sabe, que a qualquer hora, em qualquer momento, tudo mostra e descobre porque o tempo é o único dono da verdade

Só no tempo, a seu tempo, chegam Vida e morte.

                              Maria José Rijo

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Jornal linhas de Elvas

Nº 2.717 – 4 / 7/ 2003

Conversas Soltas

  

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:52

Eu Tive um sonho!

Domingo, 17.02.08

- Esta frase tão simples, quase sem importância, que qualquer pessoa repete por qualquer razão…

- Esta frase tão sem importância, que qualquer pessoa repete no meio de qualquer conversa, a propósito de qualquer projecto pessoal…

               

- Esta frase, fez tremer as consciências do mundo inteiro, e foi fixada na memória dos tempos – quando – comovidamente – um homem de cor – que por esse seu sonho havia de ser morto – a proferiu em nome de um projecto de paz.

                                  

Fraternidade e harmonia entre os homens –  Luther King!

- Eu tive um sonho!”

                              

Diz-se eu tive um sonho, quase desde o berço, ao acordar. Um sonho bom, um sonho mau, um sonho bonito, um sonho feio – mas – um sonho, como os sonhos, que cabem no dia a dia de qualquer um de nós.

Mas – se é um homem – um homem só – que enfrenta um mundo hostil, em nome desse sonho para o bem dos outros homens – então essa mesma pequenina frase ganha a dimensão do mundo que envolve e avassala todas as consciências.

                

-- “Eu tive um sonho” – cantaram os “Abbas” e encantaram, porque encontraram a expressão melódica, certa, para o sonho de cada um.

Mas … sonhar o bem de todos, lutar por esse sonho, e dar a vida por ele – dá realmente um peso de universo a uma frasezita de nada! : - “EU TIVE UM SONHO”!

       primavera.jpg

Talvez, no âmago das misteriosas origens de tudo, após cada Inverno, a Natureza se espreguice, e diga: - Eu tive um sonho!

Penso que a Primavera

é o sonho de esperança da própria Vida.

 

Maria José Rijo

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Á la Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1932 – 18 Março de 1988

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 17:14

A nossa Época

Quarta-feira, 06.02.08

           Temos que concordar que a nossa época, para alem das coisas maravilhosas que oferece, é, também, a época da soberba, do orgulho desmedido, do triunfo da arrogância.

           Depois de muito escutar, com toda a atenção, o que para aí vai de conversa sobre a lei do aborto, não posso deixar de me perguntar: - a quem é que pretendem enganar?

            Será a eles próprios? - Será a nós?

            Confesso que ainda não entendi bem, mas reconheço que isso não tem importância de maior.

Importante, para mim, é mesmo reconhecer a pamplinada que por aí se armou, e dessa circunstância, não tenho a menor dúvida.

            Ora fazem favor de ver - o orgulho, a arrogância, a soberba com que agora todos proclamam aos sete ventos que são donos dos seus corpos .

            Serão mesmo?

Então se o são porque envelhecem? Adoecem? São menos belos do que desejam? São coxos, mancos, aleijados? - Estropiados? - Porquê?

Ou são simplesmente donos duma terrível soberba, duma insensatez provocante Se calhar é muito mais isso do que outra coisa.

            Porque morrem?

            Tão donos dos seus corpos, tão poderosos...

            E as mulheres, porque engravidam se o não desejam?

            Tão decididas, tão donas dos seus corpos! Porque não interditam “nessa propriedade exclusiva” o que nela não desejam?

- Então, no que ficamos! - Mandam, ou não?

            Se não fizesse dó, – e faz !.- Faz dó e medo - este arraial de feira sobre o aborto faria rir.

Porém assim não faz...

            Faz meditar.

            Meditar profundamente.

Como se pode falar de VIDA como se se estivesse num leilão?

            Não se trata de bens de consumo.

            Trata-se de VIDA.

            VIDA!

           

            Já disse e repito trata-se de: V I D A.

            Como se pode querer resolver por referendo um assunto onde aqueles que vão ser eliminados nem se podem defender.

            Fica-se com a impressão de que quanto mais se progride na técnica mais se regride na ética.

            Dantes o povo dizia: nem tudo o que luz é oiro!

            Não havia tanto conhecimento científico mas passavam-se e entendiam-se essas mensagens de sabedoria empírica.

             Agora, parece que o que interessa é mesmo o que brilha seja ou não oiro.

            E o que brilha, é o que é fácil, o que não responsabiliza, não dá trabalho, o que é descartável.

          Em lugar do esclarecimento, da educação, da organização social que permita evitar a contingência que leva ao desespero, à situação limite, em lugar disso, que era, é, e será, a obrigação que cabe a quem governa, E A TODOS NÓS, desvaloriza-se a Vida desce-se-lhe a cotação como aos valores na Bolsa. Ficam em alta os bens de consumo e referenciam-se valores perfeitamente pindéricos com um valor sagrado como é a Vida!

        

            Isso é que está errado!

            Aí é que reside a confusão!

            Chamem-lhe como quiserem mas não mintam mais! - O aborto não é um problema de mulheres. Tanto quanto sei, nenhuma ainda fez um filho a sós!...      

            Daí que também me interrogue, – como se pode unilateralmente decidir sim ou não?

O aborto será sem dúvida um problema de consciência de toda a sociedade. Onde os novos deuses são as - Marcas de carros, de roupas de sapatos...onde o consumo e a loucura de possuir envenenam as pessoas invertem e pervertem os valores essenciais.

Renegam-se os heróis, ridicularizam-se os santos, abjuram-se os princípios morais, chama-se liberdade à falta de escrúpulos e até se apregoa como direito dispor de vida e morte.

            É inegável que quem faz um aborto destrói uma vida ainda que o corpo não esteja formado.

Quando se morre fica frente a nós um corpo – mas... e a vida, onde pára?

            Talvez por isso toda a gente nasce com a LEI dentro de si, aquela que pode enganar todo o mundo mas não engana o próprio – A Consciência.

            Na introdução do seu livro: A Pesca à Linha - Alçada Baptista diz assim : “...nasci em pleno reino do ter. Agora estamos no reino do fazer, mas tenho uma certa esperança de que um dia se alcance o reino do ser.”,

            Talvez a chave seja essa!

            Ser - é que,  por enquanto, o que está valendo é parecer e isso não é bom .

            Senão é só pensar: que filosofia é esta que afirma defender a Vida matando?

Ainda não entendi.

 

            Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.457 – 12/Junho/1998

Conversas Soltas

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 14:36

Até parece fácil!

Sexta-feira, 25.01.08

“O eterno é a reunião de todo o passado e todo o futuro num só instante, a eternidade é o instante.”

Esta frase, este pensamento, de Santo Agostinho é um verdadeiro manancial de sabedoria.

Santo Agostinho, por Botticelli (1480)

Fechando, embora, um conceito adquirido pela sua percepção e pelos conhecimentos do seu espírito, ela abre, para nós, portas a um mundo infindável de caminhos da razão.

Todos nós, já pensamos ou dissemos a propósito de alguém: - à última hora, ou, no último instante, redimiu-se, arrependeu-se...concertou o mal que tinha feito.

A sabedoria popular, afirma: - até ao lavar dos cestos é vindima...

A fé assegura-nos que até ao último momento da Vida, da Vida de qualquer um de nós, ainda é tempo de como qualquer filho pródigo voltar a casa do Pai – e ser recebido em festa!

Na verdade, a Vida terrena é apenas um pequeno percurso no tempo, uma fracção ínfima de um todo infinito.

Um ponto numa linha cujo começo não se identifica e cujo termino não se determina.

Na verdade, a Vida, é apenas a conquista do instante que nos concede a entrada na eternidade.                   

Sendo assim, se assim for, a morte é tão-somente o mergulho no infinito, no eterno.

O regresso à mão que nos concedeu a oportunidade da experiência de ser.

Até parece fácil pretender a gente embrenhar-se no pensamento de um Santo que até aos 32 anos foi frívolo, amante de mulheres, mas, ao que contam os seus biógrafos: sempre ávido de Deus.

Não será também essa a tradução dos nossos anseios de perfeição, sucesso, poder, e tudo o mais que interpretamos como caminhos de felicidade e realização pessoal?

Não será tudo isso, apenas e somente um anseio de Deus, concebido à medida pequena da nossa pequeníssima dimensão?

                            Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.713 – 6/Junho/03

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:01

Uma pequena incursão

Quarta-feira, 23.01.08

Embora tenha decidido, salvo em raras excepções, não comentar o dia a dia dos acontecimentos políticos e, manter-me à margem, limitando-me o observar e a guardar silêncio, a verdade, é que algumas circunstâncias impelem à intervenção compulsória.

Agora, assim aconteceu com a história da tentativa de “casamento” entre duas mulheres.

Cada qual, nasce com as tendências que, não escolhe, mas que lhe são intrinsecamente peculiares.

Nasce-se como um Mozart, música materializada em gente.

         Nasce-se, como um padre António Vieira, com o dom da oratória, esse uso privilegiado da palavra...

Nasce-se com capacidades excepcionais em vários ramos da ciência, das artes, da técnica...

Nasce-se feio ou bonito...como se nasce com deficiências físicas, sempre sem culpa e sem pecado.

A cultura, a educação, nem a própria religião, podem alterar profunda e estruturalmente estas circunstâncias.

Por outro lado, a vida em sociedade está assente em normas, que não foram, nem poderiam jamais ter sido, inventadas ao sabor de fantasias ou caprichos de quem quer que fosse, ou seja.

Elas resultam ou resultaram da interpretação de hábitos, regras instituídas, em princípio de práticas empíricas, e depois, logicamente aceitas e transformadas como leis de base para uma vivência comum, civilizada e pacífica.

Assim que a Família é uma dessas instituições.

Tem suas leis, seus princípios morais, criados em defesa desse pequeno núcleo, ou seja, marido e mulher que se unem pelo casamento, como projecto de Pai, Mãe, filhos.

Para quem é crente é necessária a benção do seu Deus, e ao acto civil, sobrepõe em valor o acto religioso, que crê e aceita como sacramento, e, portanto, indissolúvel.

Ora, muito bem.

Isto, é o que todos sabemos e é a norma.

Porém, todas as normas têm excepções.

E, integrar, agora estas excepções que publicamente se reconhecem com tolerância e respeito pela diferença, parece urgente e inadiável.

Não é mais possível fechar os olhos a esta realidade.

Então, que se crie uma figura jurídica que sancione legalmente a defesa dos interesses, quer económicos, quer outros, dessas “ sociedades a dois”, dessas pessoas que não têm culpa de ter nascido diferentes, e que vivendo em comum, sem jamais serem um casal, o simulam, formando pares.

Afigura-se-me necessário, e preferível que isso aconteça evitando especulações e maiores desgastes morais numa sociedade onde, parece haver a preocupação de corromper o que desde sempre se assumiu como sua base sólida e moral, como um bem maior- a Família – que São Francisco de Assis  padronizou no presépio de Belém, e o mundo cristão celebra em cada Natal.

As indumentárias, e o circo que cada um armar depois para a festa, já não são da conta de mais ninguém, nem é necessário que esses eventos se transformem em escândalos, notícia de rádio ou de televisão, já que, caindo na banalidade, cairão no esquecimento, na vulgaridade.

         Embora esta opinião tenha apenas o peso relativo que tem qualquer parecer da pessoa comum, que sou, o assunto é, a meu ver, tão delicado que, em consciência, pensei que, quem julga, não deve eximir-me, também, a ser julgado.

                        Maria Jose Rijo                     

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.852 – 9-2-06         

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:40

A Carta

Domingo, 06.01.08

        

    

      Por muito engraçado me passaram para as mãos um documento significativo de uma pobreza de espírito flagrante que pretende ser uma carta dirigida por uma mulher alentejana, a um filho seu, algures, na Bósnia.

            Segue a transcrição:

          

            “Mê crido filho

           

Escrevo-te algumas linhas p´ra saberis questou viva. Estou-te a escrever devagari  pois ê sei que nã sabes ler depressa

           Nã vais reconhecer a nossa casa quando voltares, pois nós mudámo-nos.

            Temos uma maquina de lavar rõpa mas nã trabalha muito bêin; a semana passada

pus lá 14 camisas, puxe a correti e nunca mais as vi!

Acerca do tê pai, ele arranjou um emprego, tem 1500 homens debaixo dele pois está cortando relva no cemitério.

A magana da tua irmã Maria teve bebei esta semana, mas sabes, é nã consegui saberi sé menino ó menina, portanto nã sei se és tio ou tia.

O té tio Patricio afogou-se a semana passada num depósito de vinho lá na adega cuprativa. Alguns compadris tentaram salva-lo, mas sabis, ele lutou bravamente contra elis, porra! O corpo foi cremado mas levou 3 dias para apagar o incendio.

Na Quinta feira fui ao médico e o té pai foi comigo. O médico pos-me um tubona boca e disse-me p´ra nã falari durante 10 minutos. Atão nã sabis que o té pai ofereceu-si p´ra comprar o tubo ao médico?

Esta semana só chuveu duas vezes, na primera vez chuveu  durante 3dias, na 2ª durante 4.

Na Segunda feira teve tanto vento, que uma das galinhas pos o mesmo ovo 4 vezes!

Recebemos uma carta do cangalhêro que dizia que se o ultimo pagamento do enterro da tua avó nã for fêto no prazo de 7 dias, devolvem-na.

Olha mê filho........ cuida-ti !

 

Nã te esqueças de beber o lêti todas as nôtes, antes de enterrares os cornos na frônha.

 

Um bêjo

 

Joaquina Chaparra.

 

P.S. Era p´ra te mandari 5 contos, mas já tinha fechado o envelopi, nã tos mandei. Fica p´ra próxima, porra! “

--

            Pasmo com a falta de imaginação que permite a meia dúzia de Xicos espertos rir sem se darem conta que da sua própria ignorância, (e de mais alguma coisa...) se estão a rir.

            Penso que é preciso desconhecer por completo o Alentejo e as suas gentes para enfiar um chorrilho de estúpidas asneiras e pretender que do léxico alentejano se trata.

            Explico: o Alentejano (e escrevo a palavra com maiúscula) não diz – pois nós mudamo-nos – diria. - A gente mudou-se...etc. etc, etc,...

            Não é, porém, por aí que quero ir...

            É que, penso, que já era tempo, de nos preocuparmos um pouquinho mais que fosse, em compreender os outros e tentar aprender a rir do que é realmente engraçado e, não de ridículas anedotas saídas da tacanhez de alguns pobres de espírito que não sendo capazes de apreender o pitoresco dum dialecto ou duma situação se atrevem, (ultrapassando os limites do respeito que devem aos sentimentos do próximo), a meter o nariz onde não são chamados.

            Nem todos podem ser, ou ter, o talento – de um Raúl Solnado - para fazer rir falando duma guerra, com o pudor de não ferir o coração de ninguém.

            Fique-se cada qual nos seus limites. E pense que para se rir dum assunto como este; quem o escolheu, teria que inventar a carta como escrita pela sua própria mãe, e dirigida para si próprio! Porque, nesse caso, era opção, só sua, rir ou não rir...

            E, deixem em paz as Mães Alentejanas, tão iguais no Amor e cuidados a todas as Mães e que – ainda que analfabetas, por vezes – não deixam de dar a Vida dos seus filhos para todas as Bósnias deste mundo, enquanto muitos “destes engraçados heróis” pagam para fugir aos seus deveres.

                         

                                                     Maria José Rijo

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Revista – Norte Alentejo

Nº 6 – Novembro/Dezembro - 2000

Crónica

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:28

Acabei de regressar...

Sexta-feira, 28.12.07
     

Acabei de regressar.
Fui viver o Natal com minha Irmã e meus sobrinhos netos e bisnetos. Arrumada a bagagem e já de pantufas, vim espreitar a net para ver as novidades como os meus Amigos também costumam fazer. Realmente a Paulinha é aquela filha que se sonha, e Deus me deu já sabendo até usar "estas modernices todas" ...
Olhem as coisas que ela descobre! E com que cuidado tem coleccionado papelada, retratos, tudo...
É justo que as minhas primeiras palavras de agradecimento sejam para ela e que as estenda a todos com um beijo de Boas Festas e de afecto pelo encanto que o vosso convivio tem emprestado à minha vida.
Bem à moda alentejana - aqui vos digo que
"nã tenho boca avondo qu'encareça!- o mimo que me dão.

Bom Ano para todos
Maria josé

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publicado por Maria José Rijo às 23:46





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Pensamentos de Mª José

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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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