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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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ANIVERSARIO

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3338 - 3 -Setembro - 2015

 

ANIVERSÁRIO

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Eu vi este jornal nascer.

Lembro-me do gosto de aventura, do amor, da esperança, dos calafrios de medo, do sonho, da luta, que foi traze-lo para a vida

Foi um grupo de amigos que o imaginou e lhe deu corpo como quem, em coro, compõe e entoa um canto de liberdade.

Como quem sabe que tem razão o Poeta, quando diz: “ não há machado que corte a raiz ao pensamento”

Eu vi como se reuniram com coragem aqueles homens, ainda jovens, mas conscientes dos seus deveres de cidadãos responsáveis, que queriam, porque achavam que o deviam fazer, abrir uma fresta para a liberdade na crosta empedernida duma ditadura sufocante.

Eu vi, quase se palpava, como estavam conscientes dos riscos das dificuldades que - o futuro dessa ousadia lhes iria custar, e custou.

Alguns colaboradores da equipa fundadora ganharam “lugar” nas listas da PIDE, sofreram afrontosos atrasos em promoções nos empregos.

O jornal sofria cortes, multas, agressões monetárias. Que eram pagas cotizando-se entre eles…etc…etc..etc…

Davam-lhe rosto três nomes:

Marciano Ribeiro Cipriano

Casimiro da Piedade Abreu, e Ernesto Ranita Alves e Almeida que, tal como seu filho hoje – era, então, o proprietário do “Linhas”. Com eles mais meia dúzia de amigos certos que constituíram a equipa fundadora.

Desde a primeira hora, também o Fausto, o insubstituível Fausto que decifrava os mais complicados gatafunhos que lhe fossem apresentados, como sento escrita de alguém.

Os originais eram manuscritos, até a simples máquina de escrever era, então um luxo.

Tudo era feito à mão. Tudo era “filho” de perícia, trabalho, habilidade competência profissional…

Vão 65 anos.

Os jornais eram compostos palavra por palavra. Letra, por letra.

No escuro da noite, passava-se pela rua (do forno?) e escutava-se o inconfundível ruido das impressoras que espalhavam pelas redondezas um cheirinho acre de óleos queimados.

Pela manhã, cedo, os jornais saíam para as bancas. As tintas frescas ainda, manchavam os dedos e os tipógrafos, finalmente, dormiam na procura dum justo descanso.

Hoje, como é lógico, os métodos são outros. Os computadores fazem o que no futuro, outros inventos e descobertas farão ainda mais rapidamente e melhor.

Mas estas são as raízes.

E, são as raízes que suportam o peso das árvores.

É das raízes que vem a força que suporta e suportará os ramos futuros

A capacidade de vida de um jornal, ou de um empreendimento, prolonga-se com a sua repetição através dos tempos, a vida humana reduz-se em iguais circunstâncias.

Este ano, ainda aqui venho com este ramo de saudades trazer felicitações e lembranças. Fiz parte da equipa deste Jornal, durante longos anos, por deferência de amizade e honroso 

convite do seu fundador cuja memória guardo com saudade e gratidão

Mas o tempo passa e, com ele as noites e os dias se hão-de sempre sempre ir sucedendo.

Assim que a cada por do sol sempre se seguirá uma aurora, agora e, até ao fim dos tempos.

Que em cada dia renasça e se concretize mais uma etapa na longa e feliz vida que, tal como eu, tenho por certo, toda a cidade deseja ao Linhas de Elvas e aos seus colaboradores e leitores.

 

Maria José Rijo

 

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