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Cá Estou ... - 1

Quarta-feira, 22.03.17

.Cá estou ...

Frente aos vossos comentários que li, enternecida, como quem recebe abraços de amizade, que outra coisa eu poderia fazer, senão vir agradecer tão generosas presenças?

 Vamos então pensar, e que bom seria, que me sento ao lado de cada um de vós a conversar e, de coração, vos falo de algumas raízes dos meus longos silêncios.

Os meus muito queridos amigos Maria Augusta e Luciano, a quem Deus também deu a graça de contarem para além dos oitenta ou noventa anos de existência, sabem que no reverso dessa dourada medalha onde se cantam hossanas, estão também inscritos de forma indelével nomes e nomes, lembranças e lembranças de perdas irreparáveis, pesadas saudades e mágoas sem remédio.

Então, quando se vive longe daqueles que pelo afecto nos restam, parece que todas as emoções se concentram e escondem no segredo do nosso coração e criamos uma espécie de avareza de amor, como se o silencio pudesse preservar incólume o que nos resta.

 

Se não vos faltar a paciência … eu conto:

 

Há muitos, muitos anos, oitenta, pelo menos, numa escola primária da freguesia do Salvador, em Beja, em dia de provas orais do então chamado “exame da quarta classe”encontraram-se pela primeira vez duas meninas que até então se desconheciam.

 

Uma delas tinha o belo rosto coroado por grossas tranças

unidas ao alto da cabeça com um laço de fita azul.

1.jpg

A outra, magricela, penteada á moda da” Farolinhas Faroleta,”

( vedeta do Pim-Pam-Pum , suplemento do jornal  o Século) que era o seu ídolo.

2.jpg

Olharam-se e, achando-se reciprocamente: o “máximo”!  Aproximaram-se sorrindo e começaram uma relação de amizade para a vida inteira.

No intervalo para o almoço, a Bela das tranças contou à mesa aos Avós com quem vivia, do novo conhecimento e disse nome e apelido da heroína da prova oral.

Então o Avô, quis conhecer a vedeta, contactou a família e mandou o motorista busca-la a casa.

Afinal, estava certo o seu pressentimento: a menina era neta de um seu velho amigo e companheiro de infância.

Assim a garota, que nem conhecera esse avô, ganhou um Avô de coração – o famoso “Dr. Aresta Branco, Velho,”como era conhecido amado e respeitado - e se afirmou como que um laço de família entre as crianças, que só a morte, recentemente, quebrou.

(como curiosidade: foi o aviador Rangel de Lima, marido da Dra. Maria Georgina Aresta Branco (que fora a Bela das trancinhas) quem tirou as primeiras fotografias aéreas de Elvas, que no Museu da Fotografia de Elvas se mostram e conservam)

Eis as fotos recordação da época da Entrada

para o liceu e do final do curso)

3.jpg

(as duas manas Aresta, minha Irmã e eu)


Obrigada pela atenção

Um abraço e, até breve

Maria José Rijo

(penso, se não vos cansar, continuar a nossa conversa)

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publicado por Maria José Rijo às 15:38


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