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O São Mateus e as vozes ...

Quarta-feira, 25.09.19
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.986 ---18 de Setembro de 2008
Conversas Soltas

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A procissão dos Pendões é longa...longa...longa...

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Repete-se na sucessão dos tempos.
Começou há séculos, talvez... e, ainda hoje serpenteia pelas ruas da cidade, em filas de gente, desde a antiga Sé, até ao Senhor Jesus da Piedade.

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Às vezes é tão extensa que se cuida que ainda está a começar na Praça quando já está abraçando - a rezar - o Santuário.
A procissão dos pendões é 'a maior oração colectiva' do povo do Alentejo e redondezas, a Deus Pai, Nosso Senhor.

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Na abertura das festas de São Mateus, fica visível para naturais e forasteiros - na forma de procissão - mas, durante o resto do ano ela está,- como uma reza, que é - recolhida, mas viva, no coração de todos nós, como a fé que a sustenta.

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Depois, quando Setembro chega, quando chega o seu dia, de sair à rua, não há elvense que não solte da sua alma a lembrança de quem amou ou estimou e a deixe assomar aos olhos nem que seja numa lágrima furtiva que um qualquer sorriso sempre pode encobrir e o faz acender uma vela, a vela - a simbólica chama - da sua fé a arder, a aquecer-lhe a alma ao longo da vida.

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Setembro traz mais nítidos os cortejos das lembranças.
Traz as imagens dos Irmãos da Confraria em aprumo de gala nas funções das Festas representados, hoje, pelos que antes o fizeram, em sucessivas gerações, através dos tempos...

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Cada um de nós recorda quem conheceu mais de perto.
O Doutor Pires Antunes - Humanista de fé inquebrantável.
Mestre Laranjo - Homem de honra e brio - artista de alto gabarito, talvez, para mim, os mais emblemáticos com quem convivi.

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Para outros, outros serão, e, assim, lá permanecerão todos onde nunca faltaram e, agora os coloca a nossa lembrança.

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De pé, contornando o altar, suas sombras projectadas pelas luzes, sobre os panejamentos de damasco vermelho, como sempre.

O Hino, no vigor do canto, estremecendo o espaço, saindo porta fora - arraial a dentro - até se perder na confusão das vozes, no estralar do foguetório...

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Mas, hoje venho sentar a esta mesa, de comunhão na saudade, a lembrança se 'uma voz' que não estará ainda perdida da nossa memória colectiva.

Era por ela, escutando-a, que em todas as casas, pela rádio, se seguia o desenrolar dos acontecimentos festivos.
No seu belo timbre, na sua perfeita dicção, pausadamente contava, contava, contava...e comandava, até, as famílias nas tarefas de última hora:
Já não dá tempo!...
O Catela já disse:
- os Pendões estão a sair...
- ... Ainda é tempo – é sempre tempo - para recordarmos ainda mais, neste São Mateus - João António Catela Nunes, o Amigo de todos e cada um de nós, que foi 'a voz' da sua e nossa cidade até, quase, àquele dia 30/6/ 2004 - em que passou a ser, também para todos nós uma saudade.
A procissão dos Pendões é longa... longa... longa...

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Repete-se na sucessão dos tempos e... prolonga-se e alonga--se como doces ou amargas recordações no segredo dos nossos corações.

Maria José Rijo

 

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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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