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São Mateus

Segunda-feira, 23.09.19
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.884 – 21/9/2006
Conversas Soltas

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Todos os meses do ano, são meses das nossas Vidas. Porém,
para qualquer de nós, de entre todos, algum, ou alguns,
ganham especial significado.

São os meses dos nossos aniversários, ou das pessoas que nos são queridas.

Dias de meses vividos em festas de alegria celebrados entre amigos, familiares, companheiros de trabalho. Outras vezes, já só evocados em saudade, no recato da nossa intimidade desfiando orações, partilhando só com Deus, quase em segredo, mistérios de afectos que resistem a ausências de morte.

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São aqueles que falam das datas que marcaram de qualquer forma as nossas existências, ou referem acontecimentos que se tornaram simbólicos nas terras onde nascemos, ou habitamos.

Isto, não referindo, esses outros, que no mundo inteiro se concelebram, como Natais,  Páscoas, e, até alguns de Santos Padroeiros, ou, aquelas datas que evocam catástrofes

que indelevelmente marcaram a história de povos e, a cuja memória de sofrimento a humanidade rende preito de geração em geração.

 O mês de Setembro em Elvas, é, por excelência o mês do coração. 

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O mês do amor, o mês da saudade, o mês das lembranças, o mês do reacender das tradições...

O mês das histórias da nossa história. Da história da cidade e da sua gente.

Das gentes que antes de nós foram, da gente que somos...das gentes que  depois de nós hão-de vir...

Nele se celebram as festas em honra do Senhor Jesus da Piedade.

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Pai do céu, invocado, por todos nós, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, ligando-nos a ELE em todos os actos importantes das nossas Vidas, e, também, nas pequenas agruras de um quotidiano, nem sempre fácil, mas sempre até ao fim dos nossos dias.

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Em Setembro, pelo São Mateus, em seculares tradições que nalguns casos ainda persistem, se marcavam casamentos, baptizados, se contratava pessoal para a lavoura, se apalavravam ou desfaziam contratos de arrendamento de herdades, se comprava gado, se geria o futuro imaginado para cada ano.

Falava-se de moios de trigo, de “decas” de azeite, de jornas e comedorias de maiorais e feitores.

Eram ecos de vozes da terra; que da terra vinha trabalho, pão e sustento.

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Tinha-se prestado atenção cuidada ás “canículas e aos caniculares” que Agosto, como um oráculo fiel, sempre fornecia, para se marcarem sementeiras, depois das águas novas que em Setembro surgiam, como favas contadas.

Começava-se a prestar atenção ao aparecimento da “folhinha” – como era familiarmente denominado o “Borda-d’água”, onde, em cada ano, se colheriam o resto das informações imprescindíveis para bem projectar todas as tarefas dos trabalhos de campo. E, no entretanto aproveitava-se o arraial de São Mateus para confraternizar com romeiros, parentes e amigos, exibir as galas das vestimentas estreadas, que, para cada uma, das três missas, havia farpela nova, como mandava o figurino.

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Á sombra das árvores se faziam os acampamentos. Ficava o cão preso sob o carro de canudo de onde saía desde a tábua de engomar, até ao ferro de brasas e a tudo o mais para organizar a improvisada cozinha de onde emanavam os bons cheiros das boas petisqueiras tradicionais.

Descansavam as muares mastigando palha nas gorpelhas...

Foi assim! - Era assim...

Mudam os tempos. Mudam as modas. Mudam os hábitos.

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Tudo muda. Até o buraco do ozono desmente a verdade- que era indesmentível - das canículas e caniculares.

Porém, em cada Setembro, vindos lá de onde vierem, em dia de Pendões, junto á voz de todos os presentes, há-de ressoar em cada coração como um eco de saudade, a voz dos que já não têm mais do que as nossas vozes cantando:

                                  “Senhor Jesus da Piedade

                                 Luz da luz, Deus verdadeiro 

                                 Olha aos pés da Tua Cruz

                                 Agrupado um povo inteiro.”

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Porque, através  dos tempos, em qualquer tempo, é assim a nossa Gente.

Boas Festas a todos.

Maria José Rijo

 

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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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