Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Criança

Quinta-feira, 25.10.12

.

 .

 .

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 22:19

O MELHOR DO MUNDO

Segunda-feira, 25.06.12

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.045 – 1 de Junho de 1990

A La Minute

O MELHOR DO MUNDO

 

Deveres de profissão retinham em Angra – nos Açores – o chefe daquela família, no Natal de 80.

A mulher, aproveitando as férias dos pequenos, não resistiu ao apelo do coração, meteu-se com os
filhos num avião e, lá foi, deixando a segurança da sua cidade de Guimarães, onde, com pais, tios e

parentes, costumavam cumprir em cada ano rituais e tradições a que se habituara desde criança, na

casa de família. Apareceram-nos, no “Pico da Urze”, onde morávamos, ao fim da tarde, no dia da chegada.

Felizes pelo reencontro, contava-lhes nos olhos a alegria de se reverem e enumeravam, na
conversa, as mil pequenas coisas de que se privariam, mas que voluntariamente tinham trocado pelo calor do abraço de amor e ternura que os unia.

Tocados por aquele afecto, quase palpável, embora acabasse de os conhecer, ofereci espontaneamente, que passassem  a consoada connosco e, logo ali, combinamos fazer o possível para que os dois rapazinhos (filhos do casal) não sentissem a falta dos mimos a que estavam habituados. Passados uns instantes em que se entreolham surpreendidos, aceitaram com alegria, e quando, a seu tempo, a “faina” começou, percebi que a ganhadora fora eu pois, ao ver, a

 iria acontecer. Natais, que ficam na lembrança como marcos na vida de grandes e pequenos.

Às “nossas” azevias e nógados, juntaram-se as rabanadas, a aletria doce, os formigos e tudo o mais
que – à moda do Minho – a minha nova amiga foi fazendo com requintada sabedoria.

Os Açores – terra hospedeira – foram representados pela massa sovada e pelo bolo de frutos secos,
com especiarias e mel de cana; para honrar a minha costela algarvia – fizeram-se pasteis de batata doce e Dom Rodrigos.

Orgulhosas dos “nossos feitos”, frente a tentações de tal quilate, fomos chamar até nós, uma família
de madeirenses amigos, também por lá deslocados e a confraternização aconteceu.

Poucos dias volvidos, a vida chamou cada qual ao seu destino por caminhos diversos e todos nos
separamos.

Agora, 10 anos passados, procura-nos um homem novo e desempoeirado, que nos abraça e beija
afectuosamente, dizendo com naturalidade: - passei convosco “aquele” Natal nos Açores – mas, afirmando-o  como quem reivindica um forte e grato parentesco. Foi a festa!

Cruzados de novo, por momentos, nossos passos, nesta caminhada da vida – lá partiu, subindo o monte que eu desço – abraçado à noiva, que com ele viera, para também nos conhecer.

No cartão de visita que nos deixou, a seguir ao nome lê-se: - economista e a sigla da importante
empresa onde trabalha.

Foi notável como estudante. Tem apenas 23 anos.

Entrego-me à ternura pensando: - como crescem os meninos! – e, já me ocorre a figurinha linda do
“meu vizinho” Luís, que quase ainda agorinha, bateu à nossa porta para, com a gloriosa inocência dos seus quatro aninhos, anunciar feliz o nascimento do irmão dizendo:

“venho dizer que já tive um menino!”

Participação mais linda eu nunca ouvi – nem sei se há!

Razão teve o Poeta quando disse:

o melhor do mundo são as crianças.

 

Maria José Rijo

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 16:19

Encanto e Paladar

Quinta-feira, 10.12.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1912 – 30 de Outubro de 1987

Encanto e Paladar

       

Tínhamos chegado havia pouco.

Estávamos ávidos de conhecer o ambiente novo que nos envolvia.

A estrada que nos conduzia do aeroporto até ao hotel, apresentara-se-nos, ao longo dos 25km, orlada de “beladonas” em flor.

       

Noutras estações do ano, haveríamos de a admirar com as azáleas, os jarros, os agapantos, as hortênsias, as roseiras bravas, a sucederem-se ou a confundirem as suas aflorações no mesmo percurso.

            

As pessoas com quem por dever de cargo tínhamos que contactar, esmeravam-se no esforço de nos mostrar cada recanto da sua bela ilha.

Já fôramos com um “montanheiro” por caminhos de negra “bagacina”, onde as hortênsias florescem em azul, explorar grutas (com entradas encobertas por azevinho e mato) percorridas por correntes subterrâneas de águas geladas e transparentes.

Já havíamos descido ao fundo de chaminés de vulcões extintos, ao “Algar do Carvão” onde a água goteja das paredes irregulares, pelos relevos das lavas solidificadas, salpicando fetos de folhagens verdes de finíssimos recortes, que ficam a estremecer como arrepiados, enquanto dos fundos vem o eco dos pingos que se perdem nas águas dos lagos tinindo como musica de cristais, criando beleza e mistério que falam de começo e fim de mundos.

     

Sei lá que de coisas mais já viramos e pressentíramos naqueles vales desertos onde a terra referve como papas ao lume, cheira a enxofre e se faz, enterrando-o no chão, (embrulhado em panos) o melhor cozido de carne e couves que se possa imaginar…

        Cozido das Furnas 

Pois naquele dia, rumamos pelo interior ao outro lado da ilha, à freguesia de “Biscoitos” onde abundam casas de lazer junto às “calhetas”, (piscinas naturais que o mar cava na rocha e cuja água renova constantemente).

A paisagem era variada. Sucediam-se a zonas de aspecto lunar com vacas a pastar pachorrentas nas encostas dos vulcões extintos, matas densas de criptoméirias esbeltas, bosques de loureiros e trepadeiras, rocas de velha, hortênsias e fetos.

Cheirava a terra fértil, a musgo e humidade.

Havia, silencio. A luz coada pelas folhas do arvoredo alto, criava a religiosidade contemplativa e sombria de uma catedral.

Reparei então que as nossas presenças assustavam a passarada e os melros, que por lá abundam cruzavam-se à nossa frente, muito negros e brilhantes, quase rente ao chão, em voos furtivos, de moita para moita, com os bicos amarelos e grossos luzindo, e um barulhinho de asas a ranger.

Maravilhada, comentei: - tanto melro!

Que lindo!

Então com o ar entretido de quem lhes conhecia “outro gosto”, a minha companheira de passeio comentou:

--“Os castanhos fazem melhor canja”.

De então para cá, de vez em quando, furtivamente – como um melro esvoaçando na sombra dos bosques – perpassa no meu espírito esta recordação que invariavelmente me faz pensar e sorrir.

 

Maria José Rijo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 20:46

O labirinto

Sábado, 29.11.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.696 – 7 Fevereiro de 2003

Conversas Soltas

 

 

Tinha conjecturado falar sobre Sebastião da Gama – poeta cuja obra não me canso de admirar, porque o Linhas de Elvas sai esta semana precisamente a sete de Fevereiro data do aniversário da sua morte, acontecida em 1952.

Tinha...mas não contava ao compulsar o nosso jornal, ser surpreendida pela notícia do falecimento de Mestre Laranjo.

Não o sabia assim doente...

Os dias têm estado de sol, bonitos, cheirosos já de Primavera e, falar de morte, quando a Vida canta hossanas ao Criador em redor de nós, quase parece uma irrealidade.

            

Com aquela vaga sensação de que nos falta o ar sempre que o inesperado de uma notícia dolorosa nos atinge, abri a janela, olhei a Igreja do Senhor Jesus da Piedade – Que é minha vizinha - como gosto de pensar e para ali fiquei enredada num labirinto de lembranças .

Logo à direita, no meu horizonte, pertinho, pertinho, as persianas da casa do Xico Pereira, descidas como pálpebras em olhos fechados que chorassem em silêncio, porque também ele já partiu...

Tão pequeno, tão frágil de figura, como pode deixar tão grande vazio...

À esquerda, a célebre Quinta que vi esfacelar, fala-me ainda que dolorosamente de Amigos Queridos que se sumiram num passado em que ainda, cada palmo daquela terra fértil, floria em amendoeiras, laranjeiras, lilases, roseiras, olaias, tílias seculares, nespereiras, amoreiras, e tudo o mais do mundo vegetal, que em flor, canta promessas em cada Primavera...

Num plano mais recuado, também à minha direita o Aqueduto, que em passadas de gigante (ainda?) vem das nascentes para as fontes dar de beber á Cidade...

O Aqueduto que generosamente tenta furtar dos meus olhos o que o meu coração adivinha e sabe, perto do cipreste que se entrevê através dos arcos...

Este é o meu cenário desde há décadas.

Dentro dele mexiam-se os personagens do meu mundo real. O mesmo mundo que está aí, e já não é o mesmo.

Tudo isto se me impôs, com mais veemência frente à notícia, essa sim, bombástica, das acusações que impendem sobre Carlos Cruz.

Não venho tomar posição, nem a favor nem contra.

Espero e acredito que a Justiça reponha a verdade.

Também não vou falar dos danos morais e do sofrimento que estas situações causam a quem as sofre.

Venho, sim, falar da atroz força que tem o boato. E, faço-o com conhecimento de causa.

Quando da candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República, houve pessoas na nossa cidade que disseram no então café Alentejo que me haviam posto fora de suas casas quando lá fui deixar os votos para o Senhor General!!!

Aprendi, com esse facto, que a fantasia da infâmia é ilimitada!

Conto este episódio – Hoje – porque sinto que pode ser esta a minha maneira de estar solidária com o advogado de Elvas, – que não conheço - e com o apresentador de televisão, e com todos aqueles a quem cai na lotaria do azar, ficar, por qualquer razão nas bocas do DIZ-SE.

Verde!!! - Ilha Terceira, Açores

Eu sei por experiência própria o que é a impotência frente a essa calamidade, é tão violenta, tão subjugante, tão aniquiladora, como um terramoto, experiência que também já vivi nos Açores na ilha Terceira em 1980.

 

 Maria José Rijo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 23:37

Daí que…

Terça-feira, 22.04.08

                       

Já tenho contado Algumas vezes que o terramoto dos Açores – desse horror impossível de esquecer – guardo também uma inesquecível lição de confiança nas pessoas.

Com a terra ainda a tremer em centenas de “réplicas” sucessivas, esquecidos dos bens perdidos (2 terços da ilha reduzidos a escombros) restando a muitos, só a roupa que tinham no corpo – ninguém procurava as riquezas soterradas.

     TerramotoCed4 (2).jpg (59652 bytes)TerramotoCed8 (2).jpg (59882 bytes)

Todos, absolutamente todos, corriam à procura uns dos outros e conhecidos ou desconhecidos, desapertavam-se de uns abraços para novos abraços na pura festa da alegria de se encontrarem vivos.

Foi um momento ímpar de comunhão espiritual, foi um saudemo-nos irmãos do tamanho do mundo, que uma ilha aflorando no meio do oceano – é um mundo dentro do Mundo.

      TerramotoFla1 (2).jpg (54352 bytes)TerramotoFla2 (2).jpg (56205 bytes)

Eu não queria, ninguém queria ou jamais terá querido que um terramoto acontecesse. Mas, porque aquele teve que acontecer, não me canso, ainda hoje, apesar do sofrimento que depois se seguiu, de dar graças a Deus por tê-lo vivido – por ter podido receber o meu quinhão de dor, medo e angustia de ser ilhéu, ao lado daqueles que lá têm que fazer o seu percurso de vida.

              150

Para quem não tente fugir ao que pensa ser o seu dever é bom ter que agradecer a Deus “as frestas” por onde inesperadamente se pode espreitar o homem desprevenido dando instintivamente a dimensão do seu amor ao próximo – a sua dimensão de gente verdadeira.

Daí, que além de outras demais razões, eu aporte na centelha divina de todo o ser humano.

Daí, que eu creia no meu semelhante e em mim.

Daí, que eu não me canse de agradecer a Deus ser uma mulher de fé.

Daí, que eu acredite em milagres….

 

                  Maria José Rijo

@@@@@

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.911 – 23 Outubro de 1987

       

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 22:30

A Cada um a sua Dignidade

Quinta-feira, 10.01.08

Tenho a certeza de que ninguém pensou, desejou, ou quis que os membros do governo viajassem levando a sopa quentinha na garrafa térmica e os torresmos, as azeitonas e o resto do conduto no taleigo de retalhos, como fez a “velha fofa” lá da minha terra quando foi a Fátima.

Até porque eles já correram tanto mundo que, se calhar, já nem sonham, e não tiveram 70 anos para amadurecer a aventura de sair da sua vila, como a ela aconteceu.

Porém, quando enviuvou, decidiu-se: vendeu os “bicos”, comprou um bilhete de excursão e foi ver Nossa Senhora a quem encomendou a alma do marido!

Não! Isso não cabe na cabeça de ninguém – e se 10.000$00 por dia for pouco para quem tem obrigações, levem à nossa conta, a conta certa. Mas…

-- Deixe-se ao minhoto o caldo verde, a broa com cebola crua, o seu naco de presunto, a sua pinga gostosa…

-- Não se negue a todo o norte o “serrabulho”, o cabrito assado, pingando tempero e perfume sobre o arroz que abre no forno, a falar de festas de família e romarias… o verde verdinho… as alheiras… os rojões…

-- Deixem-se às Beiras, morcelas de ossos, de sangue, as farinheiras, o pão de centeio, que “chama” o queijo da Serra feito pelas mãos frias das mulheres já velhas, no segredo das cozinhas escuras e fumacentas…

   Deixe-se-lhes a batata da terra – assada, a murro, ou cozida e suada com o pano dobrado na boca da panela – para comer com molhinho de azeite, alhos socados, vinagre e pimentão flor…

-- Deixe-se pelos Alentejanos a açorda, o gaspacho, as migas, a febra da matança grelhada na brasa do cepo de azinho que “cura a parreira” e aquece… o ensopado das bodas… um trago branco de Borba ou tinto da Vidigueira…

-- Deixe-se ao Algarvio o “o peixe frite”, as papas de xarém, o “charrinho limade”, uma golada de Lagoa ou de aguardente de “figue” no petisco de polvo seco batido e assado na brasa…

-- Deixe-se ao Açoriano a “massa sovada”, a alcatra, o vinho de cheiro, o feijão com funcho, a manteiga, o leite, o queijo…

-- Deixe-se ao Madeirense o inhame, a espetada e milho cozido, o bolo de caco…

 

-- E nos grandes centros onde desaguam os sonhos vindos de todos os cantos, o pão de cada dia a gosto das origens, como fruto do trabalho de cada qual…

 

Pois que:

 

                  A cada um seu direito

                  A cada terra seu uso

                  A cada boca um quinhão

                  A cada roca seu fuso

 

 

                                           Maria José Rijo

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

A LA MINUTE

Nº 1.725 – 9 – Março – 1984

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:17

PALAVRAS SOLTAS - Nini

Sexta-feira, 07.12.07

Hoje – com desejos de Boas Festas para todos – quase um conto de Natal.

                               (Registo - trabalho de Maria José Rijo)

Nos Açores, na Ilha Terceira apelidavam de “marau” as mulheres que viviam da exploração do sexo.

A mãe do garoto era marau.

Às vezes saia, deixava o pequenino ao Deus dará e voltava dois ou três dias depois, sem cuidados ou remorsos.

A vizinhança condoía-se, acarinhava-o, olhava por ele, alimentava-o.

Um dia, uma santa mulher, mãe de filhos já criados, até já casados – emigrados no Canadá – não resistiu: - levou consigo o menino e, no segredo do seu coração de acordo com o seu homem – chamou-lhe de filho.

Marcou-lhe um lugar à mesa que não consentia trocas mesmo frente a lágrimas e caprichos de netos. Destinou-lhe cama e quarto e assim corajosamente se dispôs a cria-lo.

O tempo foi correndo. O casal trabalhava duro e feio.

Levantavam-se de madrugada e saíam cada um ao seu destino.

Em certa época, já o pequeno frequentava a escola, pensou que gostava de ajudar os “pais” na luta pela vida.

Só não sabia como proceder.

Um dia, porém, quando pelas cinco da manhã o padeiro que, como sempre, àquela hora empurrava a porta para deixar o pão ofereceu-lhe a oportunidade sonhada.

-- “Quer-se sentir homem” – assentiram os “Pais”.

Passou a estar preparado e pronto em cada madrugada e, com a sacola dos livros à tiracolo, lá ia ajudar na distribuição do pão percorrendo ruas e canadas, dando volta à freguesia até à hora de entrar para a escola a que não faltava.

Ganhava assim uns trocados e o pão de cada dia que começou a ser sobre a mesa o seu contributo de amor filial.

Durante três anos convivi com esta nobre gente.

Ajudei a criar os pássaros que as tempestades faziam cair dos ninhos e o garoto que recolhia das enxurradas nas madrugadas frias, antes que os gatos tivessem acordado…

Ainda vejo mesmo de olhos fechados o seu vulto ligeiro a percorrer os “cerrados” em procura de alimento para um pequeno mocho, fofo como um peluche, com os olhos amarelos, luminosos e profundos como os algares  da sua ilha natal, que ele salvou.

Acolhemos um pardalzinho que respondia por “Nini” – e esvoaçava pela casa como se toda ela fora o seu grande ninho.

Depois… foi o terramoto.

A mãe do pequeno, perdida a casa de habitação, condicionou a sua ida para o Canadá para junto dos filhos à possibilidade de levar o adoptivo.

Com imensas dificuldades conseguiu legalizar o seu sonho.

Lá foram.

O rapaz estudou, cresceu.

Naturalizou-se cidadão do Canadá.

Polícia Montada do Canadá

Pertence à polícia montada.

Mandam notícias em cada Natal.

Já casou, tem três filhos.

Conta coisas novas mas recorda os Açores e os amigos desses tempos idos.

Esta é a história verdadeira de uma criança caída do seu ninho e criada em ninho alheio, que colhia todos os bichos estropiados e passarinhos implumes que achava pelos caminhos.

Um menino que só faltou à escola no dia em que o padeiro, já velhote, porque a gota o obrigava a deixar a profissão, vendeu a carroça e o burro a que o rapazinho muito se afeiçoara também.

O Luís – que assim se chamava – foi então a pé, ao outro lado da ilha, até à casa do novo dono para se despedir e ver onde ficava o seu companheiro de trabalho – o burro.

É também a história de uma criança que trabalhou porque o coração lho pediu.

Trabalhou como sempre viu fazer aos pais que o adoptaram e souberam aceitar e respeitar o seu desejo de trazer para a mesa o pão-nosso de cada dia.

É uma história de vida.

É uma história de partilha.

É uma história de amor que vi viver e guardo na minha lembrança como um BELO CONTO DE NATAL.

 

Maria José Rijo

@@@@@@

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.831 – 20- Dezembro-1996

Conversas Soltas

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 21:53





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Outubro 2019

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031


comentários recentes

  • Anónimo

    ADOROAdoroooooooooooooMeu Deus Tia gosto imenso de...

  • Anónimo

    Mas que bom...As gavetas da memória ... que saudad...

  • Anónimo

    Oh minha querida Tiazinhacomo eu adoro este artigo...

  • Anónimo

    Querida Amiga de minha MãeAgradeço as suas palavra...

  • Maria José Rijo

    Creia que foi com profunda tristeza que recebi a n...


Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


links

Um pouco de mim...

EFEMERIDES

Blogs- quem nos cita

Deambulo por

Culinaria

K I K A

Paginas de Diário

2019

2018

2017

2016

2014

2015

2013

2012

2011

2010

Cá estou ...

Mais alguns...

Alguns...

Alentejo

Eurico Gama

Artigos sobre...

Escola Musica / Coral

Elvas Cidade...

Escritores e...

A Familia

Sebastião da GAma

Minhas sobrinhas Bisnetas

Meus sobrinhos Netos

Meus sobrinhos

Diversos...

Páscoa

São Mateus

Cartas especiais

noticias em Jornais

Dia da Criança

Cartas do Brasil- 1996

AÇORES

Juromenha

Col. de Gastronomia

O Natal

Exp. MuseuTomaz Pires-1984

Exposição PERCURSO-2008

HistóriasCmezinhasEreceitas

Revista Sénior

JOSÉ RIJO

Hospital e Maternidade

Livro de Reminiscências

Livros- de HistóriasInfantis

  • A história da Cotovia
  • A história de uma Flor
  • A historia do Castelo
  • AlendaMisterioso vale florido
  • O sonho da Joca
  • A menina de Trapo
  • A avó conta 1 historia
  • Conto - Margarida - 1
  • Conto-Margaridavaicontente
  • ... então sonhei!
  • O Cavalinho encantado
  • A princesa Jasmim
  • Aurinha está doente
  • Arnaldo o terrivel
  • A Cabrinha
  • Era uma vez ...
  • O pequeno castanheiro

Dias festivos

Programa de Poesia (radio)

Crónicas na Revista

Livro de Poemas - I

Livro de Poemas - II

Livro de Poemas - III

Livro de Poemas - IV

Aniversários Linhas

Livro Rezas e Benzeduras

Livro das Flores

LivroJoaoCarpinteiro

A Visita - Despertador

Programas se SãoMateus

Entrevistas

Entrevista - TV-Videos,etc

Visitantes no Blog

Aniversarios Blog



arquivos



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.