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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

AQUELE ABRAÇO

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.960 – 14 de Outubro de 1988

A La Minute

AQUELE ABRAÇO

 

Minha cidade, - Obrigada! – Parabéns!

- Pelos patrões que dispensam os seus funcionários…

- Pelos funcionários que ficaram a fazer as vezes dos patrões…

- Pelos avós – que meteram o neto no avião e correram. Estrada fora, até Faro, para não desfalcar o grupo…

- Pelo “soldadinho” que ganhou o seu capitão a liberdade de ir cantar e fomos repor à porta do Quartel…

- Pelas direcções de instituições escolares e colégios que concordaram com a ausência das suas professoras e zeladoras…

 - Pelas funcionárias e funcionários que usaram o artigo 4º…

- Pelos “carolas” que guardaram as férias para o que desse e viesse…

- Pelas enfermeiras da maternidade e Hospital que promoveram as trocas que as libertaram na hora precisa…

- Pelas irmãs dos lares que trocaram o seu fado de formiguinhas laboriosas para ser, uma vez, alegres cigarras…

- Pela Câmara que cedeu funcionários e apoios…

- Pelo motorista – Eduardo – que pela correcção, delicadeza e eficiência, conta por amigos quantos contar nos lugares do “seu” autocarro…

- Por tudo isto, e por tudo o mais…

- Pela gente que tens, pela terra que és – aquele abraço!

Só assim, porque és, como és! – com o esforço de um maestro tão sabedor, como exigente, e de um grupo bem heterogéneo que já é uma família que se estima, se entende, se respeita e se perdoa – foi possível levar de longada até ao Algarve e regressar, madrugada dentro, rebentando de cansaço, gente que riria trabalhar três horas após a chegada!

Dentro de cada um apenas, talvez, o eco das palmas bem merecidas e a alegria de terem honrado (embaixadores do canto, que foram) a sua terra, frente ao público entendido que os foi escutar. Contentes ainda, por certo, com o convite para ir à Figueira da Foz, no próximo ano, que veio premiar não só a qualidade do seu trabalho como a sua correcta apresentação.

São novas dificuldades a vencer, generosamente, como agora.

Minha cidade – Obrigada!

Isto é que tu és! – por isto, - é que tu vales – pela consciência colectiva de honra e brio com que te assumes:

 

“Sempre que alguém me procura

Se nasci alentejana

Digo que sim – que sou d’Elvas

Linda cidade raiana”

 

e do que cantas, dás testemunho pelo teu digno comportamento e educação!

Elvas! – aquele abraço!

 

Maria José Rijo

Olhar e entender

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.997 – 30 de Junho de 1989

A La Minute

OLHAR E ENTENDER

 

Desconheço se é possível inventariar o número de dados que a mente humana armazena ao longo da vida.

Uma coisa, porém, na memória, me deslumbra: é o espectro caleidoscópico que se desenvolve por vezes, em torno de um simples olhar de acaso, que, acordando lembranças, traz de volta vozes, cores e imagens perdidas do saber consciente.

Vi numa freguesia, um beiral de uma escola apinhado de ninhos de andorinhas.

Olhava-os, escutando as queixas do que sujam e mais não sei quantos “catastróficos” males que causam.

Olhava-os, e louvava os homens por ainda haver edifícios públicos que possam suportar “tantas famílias de alados inquilinos” sem dinheiro para comprar paredes de suporte para as suas frágeis habitações.

Olhava-os, e louvava a Deus, por esses homens, e pela Sua infinita sabedoria em guardar as asas para as oferecer às negras andorinhas que deixam menos mancha na roupa do que a intolerância dos homens nas almas.

Olhava-os, e pensava que tudo na vida tem o seu avesso e até as rosas coroam troncos com espinhos.

Olhava-os, e via-me criança de escola, assistindo em cada dia à “cerimónia”, várias vezes repetida, de limpeza dos parapeitos das janelas da nossa casa.

Olhava-os e parecia-me escutar a minha Avó entrar no quarto de manhã cedinho, abrir a vidraça e dizer com alegria:

Toca a levantar!

Ainda a dormir, que vergonha!

Escutem as andorinhas o que já fizeram, e, fingindo interpretar os seus chilreios cantarolava:

“Fui à missa, vim da missa, lavei a casa e estou aqui… quiri-qui-qui…”.

Olhava-as e lembrava os belos olhos azuis de meu Pai, repassados de terna intenção, ensinando um poema que repetia de cor:

“Sabeis o que é um ninho,

Esse ditoso lar

Onde a ventura mora em

Noites de luar

Onde a brisa suspira e canta a

Cotovia… etc… etc…”

E que rematava assim:

“Não? – não sabeis? – Pois bem!

Juntai toda a ventura do vosso lar ditoso,

Os beijos, a ternura de uma extremosa Mãe,

Os cuidados de um Pai,

Um doce olhar de Avó,

Vaidoso no carinho,

E ficareis sabendo a que se

Chama um ninho.”

 

Não sei quem é o autor do poema. Não me recordo, mas hei-de investigar – porém, lembro-me, lembro-me perfeitamente, que aprendi ainda na escola a entender o que é um ninho.

 

Maria José Rijo

Umas coisas e outras...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.013 – 20 de Outubro de 1989

A La Minute

UMAS COISAS E OUTRAS

 

Estive a ver um programa sobre pretextos que as pessoas inventam, para serem incluídas no Guiness Book.

Fiquei então a pensar nesse tipo de celebridade que não entendo e me repugna.

Admito que pessoas que tenham em circunstâncias adversas sobrevivido mais do que seria comum, ou que alguém por obrigação de cargo, ou quaisquer outras razões nobres e válidas, tenha excedido os padrões de resistência ou de coragem previsíveis – ganhe o direito a esse tipo de celebridade. Agora que as pessoas arrisquem a vida deliberadamente, criando situações que só se poderiam aceitar como fruto do acaso, para adquirir essa tal celebridade, já me parece tão perfeitamente tolo como todas as coisas vazias de sentido, injustificadas e injustificáveis, que se pretendem impor como corajosas e não passam de fraudes.

São, a meu ver, atitudes aberrantes, alienadoras da verdadeira qualidade de ser e do respeito que se deve à vida e, cada um, a si próprio.

Pensava isto olhando mais um “vitorioso” que ganhara o direito à Lista das celebridades.

Desta feita era um indivíduo que come árvores!... Miga os troncos pacientemente, muito bem migadinhos e depois ingere os pequenos fragmentos de mistura, com litros de sumos ou mais não sei quê de tão requintadamente tolo, como isto que vi contado com imagens e palavras.

Queria ter raiva destas coisas. Queria, mas sinto-me sufocada por uma onda de piedade e de lástima pela importância e destaque que se dá a pessoas que, talvez precisem mais de tratamento psiquiátrico do que de reportagens cheias de sensacionalismo.

Sinto, é verdade, um certo receio por estes caminhos sem sentido e esvaziadores do próprio sentido da vida com que se pretende promover uma glória fácil que não é mais do que um embuste, uma fraude, um logro como pode ser a droga ou qualquer “outro triunfo” oferecido de bandeja.

O que me conforta é pensar que, por cada um que procura a celebridade desta maneira imatura, há milhões de homens e mulheres que, anonimamente trabalham, plantam árvores, semeiam, cuidam das terras, tratam enfermos, amortalham defuntos, criam crianças, confortam infelizes, rezam, cantam e dançam as suas alegrias, brindam à esperança, choram as suas dores, numa sintonia saudável com o seu quotidiano de gente normal, que apenas pede à vida – o direito de não ser noticia – por ter podido, nascer, viver e morrer como qualquer comum mortal.

 

Maria José Rijo

SE ...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.990 – 12 de Maio de 1989

A La Minute

SE…

 

Há muito tempo que me sinto tentada a falar de uma tradução do “if” de Kipling, feita por Félix Bermudes que conservo na minha papelada desde os anos 40.

Não sei se a tradução está feita à letra, ou se pelo contrário, ela se subordina ao espírito do poema, e lhe é mais fiel, por ser mais livre.

O que sei – do que tenho a certeza – é que nela encontro um inesgotável tema para reflexão onde muitas vezes surpreende, verbalizadas de forma perfeita, emoções que se chocam dentro de mim.

Hoje, ao ler a notícia do Manuel Carvalho, talvez porque ela está tecida em torno de uma

interrogação, senti como se a pergunta me fosse também endereçada – apeteceu-me dar-lhe um abraço amigo, porque o estimo e acredito na sua sinceridade, e responder-lhe com alguns excertos do “if”.

 

“Rumo certo”? interroga.

Sim! – Rumo certo – se: - como diz Kipling.

“Se pode conservar o teu senso e a calma

Num mundo de delirar, p’ra quem o louco és tu;

Se podes crer em ti, com toda a força d’alma,

Quando ninguém te crê; …”

 

“Se podes resistir à raiva ou à vergonha

De ver envenenar as frases que disseste

E que um velhaco emprega, eivadas de peçonha

Com falsas intenções que tu jamais lhes deste;”

 

“Se és homem p’ra arriscar todos os teus haveres

Num lance corajoso, alheio ao resultado

E calando em ti mesmo a mágoa de perderes

Voltar a palmilhar todo o caminho andando;”

 

“se podes dizer bem de quem te calunia;”

“Se quem conta contigo encontra mais que a conta…”

 

Cito, sem ser ordem, o que sei de cor, porque como é óbvio é o que me diz e aquilo a que mais me atenho.

De qualquer modo estes “ses” condicionantes, são balizas ideais numa vida onde, como todos sabemos sempre, haverá condicionantes que podem limitar ou abrir horizontes.

 

Maria José Rijo

Também não gostei !

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.875 – 13 de Fevereiro de 1987

A La Minute

TAMBÉM NÃO GOSTEI!...

 

Estava muito ronceiramente a curtir a segunda gripalhada que este meu Pelouro Camarário me deu de presente este ano, quando chegaram os jornais cá do burgo.

A semana passada nem redigi a minha coluninha. Vim do Castelo que nem uma sopa, por ter ido dar apoio a uma equipa de televisão que se propõe divulgar interesses de Elvas, e porque, entre essa excurção e o meu regresso a casa, se meteu uma ida à Maternidade, e mais coisas e loisas que nos consomem de preocupações, quando a correr vim fazer o almoço, já tinha a roupa seca e esta “generosa” constipação. Digo generosa porque me obrigou a cumprir uma necessidade a que me ando a escusar em demasia… descansar!

Mas, dizia eu… li os jornais e a certa altura parei, pensando: - Ora, não é que meia dúzia de palavras. Trocadas informalmente com um interlocutor desconhecido, me aparecem ali à beira da fonte de Barbacena – em letra de forma!

Ninguém, me preveniu de tal intento, mas, valha a verdade – é rigorosamente exacto, ter eu dito o que lá se conta.

Não gostei do tom da notícia – mas, aceito-a com a mesma compostura que Barbacena teve de aceitar um postal que não a satisfaz.

Não peço desculpa – porque não é caso disso. Se o fosse pediria. Cultura também obriga a isto: - à capacidade de aceitar o reparo, de o ponderar, e de não o rejeitar com arrogância – ainda que não estando inteiramente de acordo com ele.

Não é minha norma responder ao que de mim se diz. Também não é meu costume desdenhar críticas e tomar por bom o que é agradável, e por mau o que não afaga o meu amor-próprio.

Como toda a gente, tenho uma linha de consciência a que me atenho, e com ela me entendo.

Porém, desta vez tenho vagar e conto o resto da história.

Faz um ano esteve entre nós outra equipa de televisão para fazer filmagens sobre Elvas. Porque permaneceram por cá alguns dias e se tratava de especialistas de promoção turística confidenciamos o desejo de fazer divulgação das belezas de todo o concelho.

Gratos pelo acolhimento recebido propuzeram-se, desde que a Câmara apoiasse a venda, realizar nos moldes usados para Coimbra e Figueira (creio) – uma serie de postais para promoção do concelho de Elvas – que à consignação deixariam para venda no Posto de Turismo – e que são de sua exclusiva elaboração e responsabilidade.

Assim que, fizeram o trabalho, na forma mais rentável, dentro da sua óptica de empresários.

Agora que surge o reparo até o acho bairristicamete razoável.

Há sempre diferentes formas para olhar as mesmas coisas com as mesmas boas intenções.

Ao que ouvi e li – Barbacena não gostou!

Eu também me surpreendi com uma “entrevista” que não sabia que tinha dado e não gostei.

Esta vida é mesmo assim!

- Amarga e doce.

 

Maria José Rijo

Elitismo

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.018 – 24 de Novembro de 1989

A La Minute

ELITISMO

 

Claro que tenho lido as entrevistas dos diferentes candidatos às próximas eleições autárquicas.

É mais fácil, para mim, do que ficar horas presa da rádio, e, dá-me para reler, que é como quem em conversa dissesse:

- espera lá! – espera lá!  -repete isso outra vez!

Logicamente vou formando a minha opinião, tirando conclusões como é a atitude normal de qualquer cidadão comum.

A cada coisa – por certo – de acordo com a própria formação – dará – qualquer de nós o valor que lhe parecer justo.

Assim, se me disserem, que às sextas-feiras, à meia-noite, passa à minha porta uma bruxa a voar montada numa vassoura acreditarei ou não, conforme a capacidade que eu tiver de separar a ficção da realidade, a miragem e a ilusão da verdade palpável.

Sempre entre o que se diz e o que se ouve, houve e haverá a qualidade de quem conta e de quem escuta, como condição fundamental para se fazer uma boa história ou – apenas – o que agora importa: a História.

Não querendo, nem pretendendo, meter-me em debates partidários, nos quais não estou interessada; não me parece justo que só por temor às pedradas que se entrecruzam nos ares, me acomode ao silêncio que permite propagar informações infundadas, que não beneficiam ninguém.

Chamar de elitista um Grupo Coral de composição bem heterogénea, onde, desde o Maestro aos componentes ninguém ganha e que “paga” com o desconforto de deixar a braseira no Inverno e o passeio descansado à fresca, no Verão, as horas de disciplina a que se submete – sem outro lucro – que não seja o gosto de cantar e o brio de engrandecer a sua terra – era – parecia-me impensável.

Dizer que o faz a expensas da Câmara só porque esta lhe empresta o espaço para ensaiar (porque ao contrário de todas as outras instituições – nem tem sede própria!) – parece, além de imprevisível, quase maquiavélico.

Que estas informações saiam a público na presença de um vereador da nossa Câmara – recuso-me a classificar – porque ele sabe como é lamentável que o tenha permitido, sem contestar, sabendo a verdade, como sabe.

Achar elitista uma Escola de Música, contestá-la e querer negar-lhe o direito de vida e mérito porque a cidade tem uma banda e um rancho! – isto é apenas linearmente – falta de senso!

Valha-nos Deus!

Daqui a pouco quererão exigir que se escolha entre infantários e Universidades como se fossem valores semelhantes correspondendo às mesmas necessidades.

Cada coisa tem o seu lugar na vida, a sua oportunidade no tempo e as suas funções específicas.

Enquanto toda e qualquer espécie de ensino não for obrigatoriamente gratuito por se considerar o acesso ao saber um direito tão fundamental, como o direito à saúde e ao trabalho, teremos que optar pela solução pontual dos problemas locais.

Quando candidatos a uma Câmara confundem essas situações e em lugar de questionar as falhas do sistema lamentam apenas, por lhes parecer desnecessário o que se gasta na promoção de Cultura – então eu digo com eles:

“Elvas merece melhor”

 

Maria José Rijo

Reportagem

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.049 – 29 de Junho de 1990

A La Minute

REPORTAGEM…

 

Estive na exposição do Palácio da Ajuda. Ainda bem que lá fui, porque, vale a pena não perder.

Durante um certo tempo segui a guia. Depois, aborreci-me.

Há uma grande diferença entre olhar, ver e sentir.

Isto, é isto – aquilo, é aquilo – não chega para perceber o mundo em que nos deslocamos.

Cada objecto tem que ser “namorado” até ser entendido. Este, não outro, porquê?

Que ligação há entre umas coisas e outras?

Não me parece, que seja preciso ver todos, como quem verifica um rol. Mais importante é encontrar o fio condutor da meada e fazer um percurso pensado de identificação.

Trata-se de D. Luís. Depois de jornais, revistas e televisão terem, com artigos e reportagens, mostrado e falado quase sobre tudo, estava criado o clima, e ir lá, era para mim a oportunidade de entrar na fila para o beija-mão real.

Era apenas ir ao encontro da sensação, respirar o ambiente e, assim foi.

Lá estavam brinquedos e jóias, colecções e pinturas, objectos de uso, desde toalhas de rosto a prosaicos móveis criados para esconder utensílios de higiene mais íntimos.

Espólios de vidas – de homens que foram reis – de crianças que nasceram príncipes – de rainhas que foram mães e mulheres bem ou mal amadas.

É, como sempre nestes casos, uma exposição bela e triste.

Tão triste como será guardar o brinquedo preferido da criança que partiu para viagem sem regresso.

E tem que ser criança porque a desesperança só cresce onde a esperança morrer. Mas, isto é outra coisa!

O que eu queria contar era a breve conversa entre dois elementos da excurção que contratara a guia.

Estavam juntos e parados frente à vitrine com a colecção dos cachimbos de D. Luís, acabados de ver pratas, louças e cristais na mesma sala.

Então, uma voz azeda e irónica elevou-se – não! – Elevou-se não é o termo, espetou o silêncio a dizer:

- Juntavam fortunas os reis – tal era isso!...

Logo calmamente com segurança alguém respondeu:

- “Não levaram nada p’ra casa – o que juntaram está aqui – é o recheio dos nossos palácios…”

Indiferente, a cicerone continuou: - este é de todos os tectos do palácio da Ajuda o mais conseguido. Como já devem ter reparado as pinturas imitam o céu, é aquilo a que os franceses chamam: “trompe – L’oeil”.

 

Maria José Rijo

MEMORIA

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.046 – 8 de Junho de 1990

A La Minute

MEMÓRIA

 

A preocupação de obrigar os estudantes, nos liceus, a aprender sintaxe sobre o poema épico de Camões, dividindo as suas magnificas estrofes em orações, migando-as em complementos e vasculhando-lhes a alma à procura de sujeitos e predicados – como se fosse preciso autopsiar um corpo para confirmar a presença do coração – tornou – a meu ver, os Lusíadas, para os jovens, como um suplício que urge esquecer, logo que possível, como um trauma provocado por desastre.

Daí, talvez, a tendência generalizada para ignorar ou, até, aborrecer, o que era para ser amado
espontaneamente, como se ama o mar, o céu, a Natureza!

Tive em garota o privilégio de ser tratada como neta, entre as duas netas de verdade, por um
homem singular que se chamou: António Aresta Branco.

O Dr. Aresta Branco (Pai) foi, desde novo um Republicano convicto. Foi ele o organizador do Partido Republicano no Distrito de Beja. Foi deputado ainda durante a Monarquia.

Em 1910 escrevia para o jornal ! A Pátria” com Higino de Sousa e Brito Camacho – de quem foi grande amigo. Foi perseguido pelos seus ideais. Foi Governador Civil por Faro e Beja. Foi três vezes eleito Presidente da Câmara de Deputados em
1917, foi Ministro da Marinha, na primeira Presidência de Bernardino Machado.

De nascimento humilde, era ajudante de farmácia, na sua terra natal – a Amareleja – quando aos 22 anos começou a estudar. Aos 32 já era médico, e quando, em 1952, faleceu contava
noventa e foi chorado pelo que em vida fora: - um Homem de bem, um político sério
e coerente, um médico famoso – um português de lei.

Quando rapazinho, de escola, foi companheiro e amigo de meu avô paterno, e foi em memória dele que me deu o seu precioso afecto, quando pelo apelido Travelho, me identificou, por
altura DO EXAME DA QUARTA CLASSE QUE FIZ COM A SUA NETA MAIS VELHA.

Passei assim, muito da minha infância e adolescência na sua residência de Beja, na rua antiga e estreita que tem o seu nome e que antes se chamava – julgo lembrar – das Ferrarias.

Nessa bela casa havia uma sala enorme – a sala grande – como a designavam as empregadas – na qual sobre uma mesa de madeira negra, trabalhada em talha rendilhada em lugar de destaque, parecendo entronizado, estava um belo e raro volume de “Os Lusíadas”, junto do qual se mantinha uma jarra de cristal, como um enorme copo, sempre com flores frescas colhidas nos canteiros do seu jardim.

Para as crianças que nós éramos então, aquele culto, era motivo de reverente e, também, deslumbrada admiração.

Na sala – sempre à média luz, a claridade vinha das frestas das janelas, coava-se pelas cortinas de
renda fina e fazia reflexo no brilho do mobiliário e no veludo pesado dos reposteiros que encobriam as altas portas – aquela mesa votada ao culto de “Os Lusíadas” dava-lhe um quê de santuário e falava de heroicidade e Pátria – como a lâmpada a arder na capela do soldado desconhecido.

Com a sala, pegava o escritório do Avô. Mobilado ao gosto da época. Móveis pretos, de pau santo, com tremidos e torcidos, contador de gavetinhas, cadeiras de couro com alto espaldar, tecidos de “gobelin” e o infalível cofre de ferro, pesado e imponente, com a porta decorada com iniciais de belos e rebuscados arabescos identificando a marca inglesa de origem. Fechadura de segredo e puxador de reluzente metal amarelo, redondo como um pequeno volante… Porém, este gabinete, além do figurino da praxe, tinha a particularidade de ter em volta, nas paredes, em grossas molduras todas iguais, encaixilhados, os retratos dos presidentes da 1ª República, seus companheiros, que foram, de luta, sonhos e ilusões. Lá estavam:

A Avô dizia: o Bernardino – o Teófilo – referindo assim com intimidade, aqueles “senhores” ilustres, de rosto sério, olhar penetrante e arguto, alguns com finas lunetas, barbas de fino recorte, bigodes farfalhudos. Gente de colarinhos engomados, peito encoberto por “plastrons” de lavrados, casacos de austero corte, que – a um tempo – nos seduziam e intimidavam, como se em lugar de retratos fossem misteriosos sarcófagos.

Era com orgulho que repetíamos a frase que o Avô se libertara da política e voltara à vida de
família, aos seus doentes, aos seus amigos.

Contava-se que dera um murro na secretária, lá no ministério, dizendo: “Esta não é a República para
que eu trabalhei…” e, comovia-nos pensar que ele o dissera e chorara, como um enamorado romântico que visse expirar nos braços a sua amada.

Percebe-se assim que aquele doce Avô, que, porque eu vivia no campo, me chamava a brincar ao som do sinal do horário: Maria José, filha! – olha o cuco! – pudesse também ser entendido por nós como “um português de antanho”“um Portugal velho” – como a ele se referiam – usando expressões arcaicas, como que tiradas de romances de cavalaria – os seus amigos e admiradores.

Mas, é evidente também, que tudo isso tem que ver com culto da dignidade e orgulho de ser português – sentimentos que nos aproximam de Camões e nos fazem perceber que, somos nós, os
Lusíadas, descendentes em linha recta – dos velhos Lusíadas que o seu génio imortalizou.

 

Maria José Rijo

 

Questão de Valências

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.042 – 11 de Maio de 1990

A La Minute

QUESTÃO DE VALÊNCIAS

 

Há muitos anos, uma das minhas sobrinhas trouxe-me de um passeio ao Guadiana, bem acautelado num bolsinho do bibe, um presente singular: - um calhau branco, redondo e polido por tempos imemoriais de intimidade com as águas do rio.

Deu-mo com a compenetrada seriedade dos seus cinco anos, dizendo:

    - “é para a tia fazer qualquer coisa!...”

Guardei o calhau, que conservo ainda, em lembrança desse momento em que, num puro impulso, uma criança me provou a sua confiança, reconhecendo-me capaz de entender e ficar, como ela, rendida à beleza de coisa tão sem cotação no mundo dos adultos – um calhau!

Um calhau rolado, sabe-se lá, por quantas ondas e marés!

 


- 0 – 0 – 0 –


Com data de 14 de Abril, recebi de Coimbra uma carta singular, cheia de sugestivo interesse.

Por ela me faziam presente de um recorte de imprensa, que, aqui se transcreve e onde, após os votos de Boa Páscoa se dizia: - “Porque lhe envio isto, nem eu sei…”

 

“Vendo-os assim tão pertinho

A Galiza mail’o Minho

São como dois namorados

Que o rio traz separados

Quasi desde o nascimento

Deixa-los, pois, namorar

Já que os paes para casar

Lhes não dão consentimento”.

 

A maravilhosa oitava de JOÃO VERDE que antecede fez eco por montes e vales da vizinha Galiza, dando origem a que o Poeta de Vigo, D. AMADOR SAAVEDRA, assim respondesse:

 

“Se Dios os fixo de cote

Um p’ra outro e teñem dote

Em terras emparexadas,

Pol’a mesma auga regadas

Com ou sin consentimento

D’os pais o tempo há chegar

Em que teñam que pensar

Em facer o casamento.”

 

- Se calhar, ele até sabe!

- Pela mesma razão que ao avistar o campo agora florido de roxo de chupa-mel, ou dourado e branco de mal-me-queres, se pensa na fotografia ou, no quadro que este ou, aqueloutro fariam…

- Pela mesma razão que ao olhar o pintainho fofo, ou o cabrito acabado de nascer, assoma na nossa alma o olhar das crianças que fomos, ou daquelas que trazemos em amor no coração…

- Se calhar por aquela velha razão, de que às vezes, por muito bem couraçados que nos julguemos na nossa muralha de adultos indiferentes – onde o bom tom é encolher os ombros a insignificâncias – sem nos darmos conta, tantas vezes, cedemos à criança que nos habita e ficamos desprotegidos, confiantes e ingenuamente felizes – como quereríamos nunca ter deixado de ser…

 

- 0 – 0 – 0 –


Numa destas tardes, cinzentas e chuvosas, em que desatenta lia o jornal e olhava a televisão sem
motivação para escolher em definitivo – deixei de repente o jornal cativada por um cientista a falar na TV.

Contava de galáxias, formação de mundos, oceanos que se julgava despenharem-se no oblívio, átomos, quarks e coisas tais que, a falar de ciência, parecia criar um mundo mágico de ficção.

No fim, com ar cúmplice, como que a piscar o olho ao espectador entendido – disse que as crianças perguntam porque é azul o céu, porque não caem os pássaros, como é que se segura a lua e outras coisas assim, e que os adultos deixam de fazer perguntas. Porém, aqueles que conservam a curiosidade das crianças e continuam a interrogar – são os físicos e, talvez, os poetas.

Se calhar – Álvaro Abreu – ambos sabemos porque me escreveu…

Talvez porque a pescar achigã no Guadiana – ali na Ponte da Ajuda – se possa poetar como no Minho
capturando o salmão…

Quando o Álvaro evocou Elvas – sua cidade mãe – num belo poema em que escreveu:

“Minha dama doutros tempos

 Minha linda dama antiga…”

não pensaria, por certo, que com esses dois versos eu dissesse adeus a sua Santa Mãe –

em S. Miguel, nos Açores – a última vez que a vi – mas foi – e que bem que lhe ficavam…

 

Maria José Rijo

DIVAGANDO...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.043 – 18 de Maio de 1990

A La Minute

DIVAGANDO…

 

Referindo qualquer assunto, que já nem recordo, dizia-me alguém, a rir, com descontraída boa disposição_ “Vozes de burro, não chegam ao céu!”

- Vozes de burro não chegam ao céu? – e porque não? – Pus-me a pensar!

Então o burro tem culpa de ser burro?

E o rato, pode ser castigado por ser rato?

Do rato, o que consta, é que “roeu a rolha da garrafa do rei da Rússia” – mais, não tenho ouvido falar!

Mas do burro? – O burro não roeu. Teria bebido o vinho da garrafa do rei da Rússia que tinha uma rolha que o rato roeu?

E quem foi que disse que a garrafa tinha vinho?

Será por o burro não ser roedor que a sua voz não chega ao céu? – Sim! – Porque do rato ninguém ainda disse tal cosia, e, dos outros bichos também não.

Então porquê só o burro, coitado, está privado de elevar a voz até ao céu?

É com este tipo de injustiças que não concordo – são antidemocráticas.

Fazem logo entender, má-fé, e má vontade, contra o burro.

Senão vejamos: Burro velho não aprende latim!

Embora se depreenda desta afirmação que em novo, qualquer burro o aprenda, pela forma clara e
evidente como se afirma que só depois de velho é que o burro não pode, ou não
quer meter-se nessas “cavalarias” – o que é que o mundo tem a ver com isso?

Será que todos sabem latim? Se não sabem, para quê e porquê citar só o podre do burro?

“Teimoso como um burro!”
– Outra injúria.

Será o burro o paradigma da teimosia? – Terá esse exclusivo? – Exclusivo – quem diria?!

– Olha, que classe!

E, a mim que me importa?
– Que tenho eu a ver com os burros? – Nada!

Por acaso, é uso chamar estúpido ou imbecil ao burro?

Eu não ouvi, nem li, nem vi, nem sei, nem quero saber!

Terei raiva a quem sabe?
– Não tenho! – Ou tenho?

Porque havia de ter? – Eu até acho os burros simpáticos!

É certo que dão coices, mas, sendo burros não acertam.

Pica-lhes a mosca! – Escoiceiam.

Assustam-se! – Escoiceiam – mas, não é por mal.

É reflexo – fatalidade do destino de ser burro. Burrice, apenas.

E os coices! – Chegarão ao céu? Chegarão mais alto do que a voz?

Quem há-de entender os burros se tão pouco se sabe sobre estas coisas,

os burros não falam – zurram!

Há burros de encantar.

 “Platero”! – que burro! E o “Rocinante” de Sancho Pança? – que animal!

Não me venham agora dizer que são burros de ficção.

Não consinto. São burros como gente – para nos compensar da gente - que é como os burros.

Então e o burrinho da Moleirinha de Junqueiro? (toc-toc-toc – vai para o moinho!).

 

E o burrinho que nos leva a Belém a ver o Menino que a Senhora tem?

É por esse Menino e por essa Senhora.

É por essa Senhora e por esse Menino que eu me rendo.

Afinal, mesmo um burro, às vezes, nos leva ao ponto certo para ficar.

 

Maria José Rijo

 

 

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