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A minha gatinha Kika - 2011

Quinta-feira, 17.10.19
Pagina de Diário - 21- Março -2011
A minha gatinha KIKA

 

Kika, a minha gatinha, na brincadeira, fez-me um pequeno arranhão na mão direita. Nada que tenha importância - no entanto, achei conveniente desinfectar – acabo de escrever desinfectar, paro e penso: - desde que me lembro nunca hesitei como agora para escrever uma palavra! - ponho c, antes do t ,ou não? -isto do novo acordo ortográfico deixa-me com vontade de mandar passear quem o decidiu e fazer como meus Pais fizeram no seu tempo – continuaram a escrever como tinham aprendido indiferentes às mudanças de farmácia com ou sem ph, etc. etc…

Mas, não foi a nova moda da escrita que me prendeu a atenção, o que me fez confrontar com a minha realidade foram as minhas mãos. De repente tive a sensação que estava a cuidar das mãos da minha Avó quando me pedia ajuda por se ter arranhado ao cuidar das suas flores.

 

Por esse tempo, lembro-me de ficar comovida e triste quando ela com um ar nostálgico dizia: chamam-se a estas manchas “ rosas do túmulo” e, com uma das mãos afagava as costas da outra alisando a pele, enrugada e murcha cheia de pequenas manchas castanhas como sardas.

Ocorreu-me isso, agora, fixando as minhas próprias mãos, e logo me lembrei da Querida Matilde Araújo passando a sua mão macia pelas minhas, calejadas e ásperas dos canivetes, limas e formões na época em que eu fazia figurinhas em pau de buxo, dizendo-me, com apreço, naquele seu jeito de falar quase entoado – as suas mãos são as suas obreiras, Maria José!

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As mãos, são o ponto que fixo, observo e mais me encanta em qualquer pessoa. Nas fotografias, é para onde olho em primeiro lugar. A linguagem das mãos seduz-me e apaixona-me. As mãos casam-se com os olhos para falar da alma. Completam-se.

Também num dos meus primeiros livros de escola, havia uma lição que começava assim: “ fora daquelas mãos estilizadas que os pintores debuxam nos seus quadros, não há mãos bonitas na sociedade propriamente dita”.

E, depois, vinha a frase de que eu mais gostava "as mãos de minha mãe tinham um calo de abrir e fechar a porta da despensa”

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Eu via essa mãe, o molho das chaves e, sentia-me mimalha pedindo como se de minha própria Mãe se tratasse: - deixe-me ver, eu não mexo em nada, e olhava em volta corando como se alguém ouvisse a voz do meu desejo. 

Por estas e outras lembranças, muitas vezes penso na responsabilidade de quem educa crianças.

O mundo delas não cabe no nosso…abrange-o, mas ultrapassa-o.

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Quase oitenta anos depois, ainda vejo as imagens que o meu coração desenhava lendo ou ouvindo estas pequenas coisas.

Beijou-lhe as mãos…Apertou-lhe a mão…

Mordeu a mão que o amparou…

Afinal, as mãos, são, mais do que as extremidades dos membros superiores. Sem deixar de o ser, são ainda, também, e muito principalmente: - as “extremidades frágeis de nossos gestos imperfeitos, onde às vezes nascem flores” – ou não…

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 Maria José Travelho Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 13:55

DIA DA MÃE ... Minha Mãe

Domingo, 05.05.19

mariajose E mãe Ana.jpg

Deu-me a vida e o mundo
Seus sonhos 
Semeou-os em mim
E, eu
neles vivia, me via e me revia
E, sendo ela tudo para mim
Nela tudo fui
No amor que em mim floria
Ela, não mo dizia
Mas, eu sabia!
Sabia que era assim
Bastava ver
Como ela olhava para mim...

Minha Mãe partiu
Levou meu mundo com ela

Deixou-me neste vazio
Sem tempo e sem idade

Como que suspensa por um fio
a balouçar sobre a eternidade

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 00:13

Dia de Saudades

Domingo, 07.01.18

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R E C O R D A N D O 

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publicado por Maria José Rijo às 14:35

Minha Mãe

Segunda-feira, 08.12.08

 

.

Deu-me a vida e o mundo
Seus sonhos
Semeou-os em mim
E
, eu
neles vivia, me via e me revia
E, sendo ela tudo para mim
Nela tudo fui
No amor que em mim floria
Ela, não mo dizia
Mas, eu sabia!
Sabia que era assim
Bastava ver
Como ela olhava para mim...

Minha Mãe partiu
Levou meu mundo com ela

Deixou-me neste vazio
Sem tempo e sem idade

Como que suspensa por um fio
a balouçar sobre a eternidade


Maria José Rijo

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:17

“ Miscelânea “

Terça-feira, 05.02.08

            Relativamente á amnistia, tão falada, contestada, etc., etc., etc., - aconteceu como nunca se duvidou que iria acontecer ...

            Quem manda, manda! – o resto é conversa .

            E... Conversa, foi.

            Quanto às “honestas” convicções dos felizes “laureados” também se ouviu da boca de um deles a repetida afirmação de que: - tudo foi como devia ser e que é legítimo matar etc., etc., etc.,

            O entrevistador da Antena Um (atónito!) repetiu a pergunta para que não restassem dúvidas mas, a resposta não sofreu alteração.

            Exemplar!

            Dizia-me há dias minha Mãe, com a invejada lucidez dos seus quase 96 anos: não acredito que pensem amnistiar Otelo sabendo as mortes que provocou.

            Não acredito!

            Alimentando o seu espírito, quase só pelas lembranças que revive e pela atenta escuta da Rádio Renascença - nada lhe escapa – e á luz da sua sólida  formação moral não se furta a emitir com segurança as suas opiniões.

            Cá pela casa: “amigos, amigos, negócios à parte” – disse-se – e muitas outras coisas vão sendo ditas “sem tabus”...

            Na casa dos vizinhos houve eleições.

            Resultados surpreendentes.

            Porque o que parecia certo – aconteceu.

            Pois é!

            Só que ás vezes não basta ganhar.

            Confortável é ganhar de forma convincente.

            Não sendo esse o caso, como convencer ???

            No sábado os jornais saíram à rua falando da morte de Vergílio Ferreira.

            Falando – não é certo.

            Saíram, contando o luto da literatura portuguesa.

            Do Brasil acrescentaram; da língua portuguesa.

            Rádio, televisão, Jornais foram relatando episódios, comentários.

            Fizeram-se entrevistas. Mesas redondas.

            Vergílio Ferreira já tinha partido mas, mais do que nunca estava vivo entre nós.

                   

            Foi curioso seguir com atenção as primeiras opiniões e comentários.

            Delas se depreendia a amizade, a admiração, até o nível cultural de quem as formulava. Depois quando já não era surpresa – ficou tudo menos livre, menos espontâneo, menos sincero.

            Já tudo tinha um ar erudito e elaborado.

Citaram-se livros, acontecimentos, factos da sua vida.

            Ouviu-se Vergílio falando de si próprio.

            Lembrei-me então de uma delicada história que me contou um amigo seu.

            Lembrei-me das “Cartas a Sandra”.

                                 

            Essa “Sandra” de quem os amigos lhe davam notícias escrevendo-lhe, ou, contando-lhe quando com ele se encontravam: “Vi a Sandra” – continua linda, etérea”.

            “Cartas a Sandra” estava anunciado como último dos seus livros.

            Se eu pudesse mudar alguma coisa no destino de alguém teria feito que Vergilio Ferreira tivesse escolhido para título do seu último livro: - “encontro com Sandra”.

            Enquanto apontava estas ideias que muitas vezes me apanham desprevenida e até me surpreendem – ouvi a notícia da morte duma grande escritora francesa: Marguerite Duras.

            Tem uma obra enorme que lamentavelmente conheço mal.

            “Hiroxima meu Amor” – é quase só a minha referência. No entanto há frases, há pensamentos seus que valem como definições de obras e, até, de vidas.

            Foi Marguerite Duras quem afirmou: “ Não preciso ser célebre se não tiver liberdade para dizer o que penso”.

            Apetece-me, hoje, acreditar que foi pensando em seres assim reais, ou, “Sandras” mais reais ainda – porque sonhadas – que personagens criados por Vergilio Ferreira dizem frases como:

            “Vou-te amar até no infinito da tua perfeição”

            ou:

            “Eu te baptizo em nome da Terra dos astros e da perfeição”.

            É que Marguerite disse o que “Sandra” se calhar, também poderia ter dito:

            “é terrível escrever

            é o que chamo de maravilhosa desdita”.

            Frente a coisas tais, a gente encanta-se e diz humildemente: Ámen!

 

                               Maria José Rijo

 

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.341 – de 8 de Março de 1996

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 01:35





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

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