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Elvas com alguma rima e ... muito amor

Sábado, 06.03.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1750 – 31 de Agosto de 1984

Elvas com alguma rima e… muito amor

 

Evocar Elvas – nobre cidade antiga.

Tentar recreá-la, cantando-a de memória.

Tem muito que se lhe diga!

É como num mural pintar a sua história!

 

- Quantos verdes sombra de Oliveira - acastanhados do chão!

- Quantos tons quentes do florir  as Olaias, para dar o “toque” de alegria, que o povo cria – quando canta e dança as saias!

- Quantas referências ao Senhor Jesus da Piedade (onde a fé dá mais sementes do que o trigo duma herdade!)

E, para que ressaltasse do fundo de tom grave, antigo, toda a história viva da cidade como cabeça assomada a um postigo!

- Para que ficasse gravada em quem escuta, como fica o canto, a lenda, a voz…

- Para ficar presente como está o Aqueduto que veio de outros séculos até nós… - - Haveria de ser capaz – ser capaz e saber – de pintar as manhãs frias de mercado com o “brinhol” a inchar no azeite a ferver…

- Os cafés sorvidos de pé – o cigarro “cuspinhado”, o cheiro a aguardente nas falas do hortelão que esfrega, a amornar com o bafo, os dedos enregelados de uma e outra mão!...

- Para falar de Elvas a quem não conhece, quantas histórias de contrabando, roxas, sombrias com tiros noite dentro, fugas, medos, preces, que assombram a paz do correr dos dias…

 E, os heroísmos de outrora? Auroras de redenção? O 14 de Janeiro – celebrado num padrão!

- E as cores vivas das crenças – o tirar dos chapéus, os silêncios ajoelhados em comungada devoção quando, para anunciar um novo S. Mateus, os pendões passam à noitinha.

- As pernoitas dentro dos carros e carrinhas acampados no parque dos Olivais!

- E as mulheres, pelas manhãs, caras lavadas, o cabelo ao vento, solto e penteado, junto aos chafarizes entre ditos e risadas!

- E as refeições de garrafão ao lado, sentados ao ar livre pelo chão, com o gosto de viver, no trabalho amealhado, e agora – por merecido – saboreado, bebido em cada trago – mastigado com o pão!

- E onde encontraria os tons queimados dos trigais já ceifados e maduros?

- E os matizes, os cinzentos patinados, dos fortes, igrejas, muralhas, pedras, muros? (que mudam com a hora, o dia, o mês?!).

- E o jardim militar? – Cheirando a buxo e o laranjal.

- Quem seria capaz de tudo pintar a uma vez?

- E como poderia ficar neste mural desde o passado brumoso aos nossos dias que engrandeceu Elvas, quem a ama e faz viver?

- Por ser incapaz – qualquer desistiria e a sua mágoa ficaria a escorrer mansa e doce, como o Guadiana quando de “A Ajuda” o vamos ver…

- Ah! Mas se falar desta bela cidade alentejana a quem nela vive ou a tem no coração!

- Basta um piscar de olhos com cumplicidade…

- Um abanar de cabeça recheado de intenção…

 

E como António Sardinha – com simplicidade dizer: - “Esta Elvas! “Esta Elvas!” – Oh, então! Uma lágrima – um silêncio – um suspiro risonho porão Elvas inteira e viva à nossa frente evocada em Amor como num sonho.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:33

Viva o Elvas

Quinta-feira, 11.02.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1838 – 23 Maio de 1986

Viva “O Elvas”

 

A cidade não dormiu. Viveu brindando na insónia emocionada que contagiou velhos e novos.

Foi o dia do desporto local.

O Presidente do clube, com a precisão matemática de quem efectua um cálculo onde o erro era impossível, fora somando calma e inteligentemente, uma a uma, as parcelas da razão de que estava seguro. E “O Elvas”, a quem desta vez, não foi negada a justiça a que tinha direito tornou-se: Elvas – e a cidade veio para a rua contente! – Cantou, gritou, tocou buzinas, bebeu, festejou – não dormiu nem deixou dormir.

Foi espontâneo, gostoso, bonito!!

Muita gente como eu, pouco dada ao futebol, terá dormido mal com a chinfrineira – mas terá no sossego do seu travesseiro, sorrido complacente quando as buzinadelas lhe cortavam o descanso a pensar: “Esta Elvas” – “Esta Elvas”

E que, ainda não encontrei escrita, ou dita, por quem quer que fosse, frase mais rica de intenção, para falar da cidade. Por certo alguns, os mais velhos, terão já lido o texto de António Sardinha, onde esta frase se repete e que começa assim:

 

“Com seus baluartes, as suas torres, os seus eirados e o seu aqueduto, Elvas é para o caminheiro que passa, um apelo súbito às energias mais fundas da nossa sensibilidade”

 

E… esses, pelo menos, terão pensado também como eu pensei, que seria bom ver todos assim empolgados quando estão em jogo outros valores…

E… esses, pelo menos, terão pensado também como eu pensei, que ao “Clube” – “O Elvas” se paga uma quota e à “Cidade de Elvas”todos e cada um, devemos, em cada dia, a nossa “quota” de zelo para que a cidade progrida e se empenhe na caminhada para um futuro digno do passado que testemunha…

Daí… que eu sentisse que, se todo o entusiasmo pelo “O Elvas” fosse mais pensado e menos emocional na festa de “Esta Elvas” … “Esta Elvas”!... onde:

 

“Em cada pedra borbulha aqui uma nascente heróica – uma estrofe solta de epopeia” … o grito mais forte, o apêlo mais profundo – ganhem ou percam os clubes – só pode ser:

 

VIVA ELVAS! – VIVA ELVAS!

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 01:58

Postal de Aniversário

Quarta-feira, 10.06.09

Em a “Epopeia da Planície” António Sardinha escreveu

“Ladainha à água dos cântaros”

de onde respinguei:

 

 

Louvada seja a água prisioneira

Das bilhas postas em linha

Numa cerrada fileira

Sobre os poiais da cozinha

 

E de:

 

“O Elogio do Púcaro”

 

Tu és a minha companha

Eu tenho-te à cabeceira

Ò pucarinho de barro

Enfeite da cantareira

 

 

 

 

Da casa de Juromenha – um pormenor – para que no dia do seu aniversário o muito querido Aristeu, mate a “sede” das lembranças do nosso Alentejo.

 

Beijinhos de Parabéns para todos

 

Tia Zé e Paula

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:21

Sete de Fevereiro

Segunda-feira, 11.05.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.646 – 22 - Fevereiro - 2002

Conversas Soltas

Sete de Fevereiro

         

Às vezes, algumas vezes mais do que seria para desejar, ando perdida do calendário. Outras, acerto o passo com o tempo e lembro-me de datas, eventos, efemérides...

No passado dia sete completaram-se cinquenta anos sobre o desaparecimento físico do Poeta Sebastião da Gama.

Por razões diversas, sendo a principal o meu apreço pela sua poesia e a minha admiração pelo humanista que ele foi, muitas vezes penso em Sebastião da Gama.

          

Não o conheci, mas sendo velha amiga de Matilde Araújo e de João Falcato que foram seus condiscípulos; tendo ainda

 

tido oportunidade de conviver muito de perto com os pais do grande poeta e correspondendo-me com Joana Luísa sua inconsolável viúva, fui juntando memórias várias do seu percurso entre os demais, e, muitas vezes reflicto sobre atitudes desse homem enternecido pela Vida que Sebastião foi e procuro delas tirar força e exemplo.

Bem entendido que para lhe estar grata, já era mais do que suficiente toda a beleza da sua poesia e do mais que ele escreveu, como só ele podia e sabia.

Mas Sebastião era uma bênção de Deus e o seu rasto na Vida foi como um traço de luz deixado pela passagem de um anjo - que ele talvez seja ainda, lá nessa outra dimensão para onde a vida terrena se esvai. – Isso, não sei, nem posso dizer.

Mas esta conversa vem à colação porque para homenagear um escritor ou um poeta nada faz mais sentido do que ler as suas obras. Assim que agarrei num livro seu e abri ao acaso.

Era assim :- Sobre António Sardinha

Numa nota de rodapé, esclarecia: Este trabalho incompleto destinava-se a uma conferência que Sebastião pensava fazer em Estremoz. Começou a escreve-lo no Portinho da Arrábida em Dezembro de 1951 (faleceu em 7 de Fevereiro do ano seguinte).

Abria com esta frase: - Cabe aos poetas mostrar a grandeza da Vida. Vê-la – muitos a verão também. Mas como são quase sempre as menos aparatosas as coisas muito grandes, aí temos meio mundo de olhos fechados.

... Da última parte consta: -...Como se depreende do meu preâmbulo, não falarei senão da faceta de Sardinha que se acomoda ao que expus; e já agora vos digo que limitei a minha leitura à Epopeia da Planície – por motivos vários e até por este motivo irónico: chamar-se epopeia o livro,

            

Basta correr os olhos pelo índice para ver que não são as armas e os barões que assinalam esta epopeia: À Pedra da Lareira, O Louvor da Cal, O Elogio do Púcaro, A cantiga da Pedra, Ladainha da Agua dos Cântaros, O louvor do Sal. Eis parte do índice, eis os barões: a água, o púcaro, o sal, a lareira; coisas de nada.

        

Com o livro em mãos chego à minha janela penso em Sebastião e olho o que resta da Quinta onde viveu António Sardinha e onde agora se sepulta sem dó, sem beleza e sem dignidade tanta memória desta cidade de Elvas...

Na verdade não se pode, infelizmente, fazer entender às pessoas “importantes deste mundo” o valor sem conta das coisas de nada, que fazem a grandeza da Vida...

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:11

Alçada Baptista e outras lembranças...

Quinta-feira, 29.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3003 – 15 de Janeiro – 2009

Conversas Soltas

 

Elvas, 10 de Janeiro 2009. Olhava a Quinta do Bispo pensando: - faz hoje 84 anos que António Sardinha morreu.

Tinha então – quase – 37 de idade.

Vou reler qualquer texto dele, é a minha homenagem possível.

Abri – Doze Sonetos – Edição de uma Câmara de Elvas que, parece, até, lia poesia...era em 1973.

Na contracapa, com a sua letra miúda, escrita por mão já tremula uma dedicatória para meu marido e para mim, de sua saudosa viúva.

Mentalmente recordava – “vesperal”“se eu te pintasse posta na tardinha...”

Uma notícia, chama-me á realidade.

Decididamente ando fora do mundo.

                               

Então, não é que Alçada Baptista morreu, e eu não me apercebi?

Devo-lhe tantas horas de prazer e encantamento com a leitura dos seus livros que sinto, sinto de todo o coração, que tinha o dever de não chorar em silêncio a sua perda.

                             

Eu tinha começado por ler :- Tia Suzana, Meu Amor -  que de tal forma me encantou que, me lembro de , aqui neste jornal, ter falado nesse livro – já nem sei há quantos anos.

Em relação a isso estou perdida no tempo, o que não admira, tantos são!

Brincando, brincando, devem somar bem perto de novecentos os textos que escrevi para o jornal e para a sua extinta revista

Eu tinha o costume de ouvir na rádio e ler em jornais e revistas crónicas de Alçada, - ou - onde quer que as descobrisse.

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Pois, quando li “O riso de Deus”, fiquei tão curiosa, tão ávida de conhecer Alçada, que me apeteceu escrever-lhe, metendo-me na pele de uma personagem e fazendo-lhe as perguntas e os comentários que essa leitura me sugeriu.

Entre o que se pensa e o que se faz há uma distância pequena, às vezes, mas, onde cabe o: não fazer.

Assim aconteceu, mas ficou-me sempre a frustração da perdida oportunidade de ter procurado entender melhor as subtilezas do fascínio de Alçada - não pela Mulher – se bem que, esse, também – mas, pelo feminino, quase como um culto latente na sua escrita.

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Lembro-me de ter comentado o livro com o Dr. João Falcato que sendo seu amigo de curso, me prometeu proporcionar um encontro , numa das  visitas que dele recebia em Borba.

Porém, isto de promessas entre gente de muitos anos, mete, com frequência, viagens sem regresso que ninguém controla.

Assim veio a acontecer.

António Alçada Baptista- foto d.r.

Encontrei Alçada, uma única vez, no cemitério do Alto de São João no funeral de Helena Vaz da Silva, mas ele estava tão arrasado que seria até, impudico, tê-lo incomodado. 

O que não perdi, foi o contacto com a obra do escritor.

 Fui comprando. Comprando e lendo. Lendo e pensando e, sempre sentindo o “tal” dialogo entre o homem e Deus e o tal fascínio...

“O deus que ri, o deus que joga, no sentido mais lúdico do termo, um deus apaixonado pela pura alegria de existir”

Acompanhei-o em “ Peregrinação Interior”, “A cor dos dias” e pus à minha cabeceira – “O Tecido do Outono” onde retorno, sempre com interesse, para ler coisas tais como:

 - “ Aquilo que vivemos não está no mundo, está na maneira como olhamos para ele.

É no Outono que a gente é capaz de reparar que a vida não é banal não obstante o nosso quotidiano ter sido de uma banalidade atroz”

                

Este livro de que acabo de citar um pequeníssimo excerto

abre  - citando  Ruy Belo -  assim:

               “É triste no Outono concluir

             que era o Verão a única estação”

 

De outro livro, respigo também uma citação de abertura, de Martin Buber

“Deus não me pedirá contas de não ter sido

 Francisco de Assis ou mesmo Jesus Cristo.

Deus vai pedir-me contas de eu não ter sido completa e intensamente Martin Buber

               

Vou fechar estes comentários parafraseando – para Alçada – uma dedicatória que ele próprio, escreveu – para Alexandre O’Neeill -  com toda a simplicidade da sua enorme dimensão humana e intelectual, em Tia Suzana Meu Amor

 

“ Na recordação de (Alçada Baptista), como sussurro da saudade”

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:01

O RECADO ANTIGO

Quarta-feira, 14.01.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.744 – 20 de Julho de 1984

  

                 

Mão amiga, deu-me para que lesse, um belo artigo ilustrado falando sobre o nosso Aqueduto da autoria do Prof. da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, António Lino – que fora publicado no dia 15 de Junho no Jornal “Correio da Manhã”.

Gostaria que todos os Elvenses o tivessem podido ler. Nunca é demais recordar a história do Aqueduto da Amoreira, o sacrifício do Real d’água que foi imposto às gerações que o construíram e, mais do que tudo – ou – acima de tudo a frase que na sua simplicidade traduz a responsabilidade da herança que nos cabe e dá testemunho da visão de futuro com que foi sonhado, nesse longínquo ano de 1498…

                         

“para que os netos dos netos dos nossos netos tenham água”.

-- Qualquer coisa determinada com tão intuitiva lógica como uma lei da Natureza.

-- E como se fora a fala da raiz da árvore para flor que alimenta e nunca verá…

                            António Sardinha

No soneto “Elvas ao crepúsculo”António Sardinha a certo passo, diz assim:

“A noite cai! Sinistra e resoluta

Caminha a passos firmes o Aqueduto

Como quem vai marchando p’ra escalada”

            

Encanta-me esta bela imagem poética que consegue como que emprestar à nobre silhueta do Aqueduto, um movimento humano de andamento, de conquista de terreno, como que avançando pela noite dos tempos em corajosa cavalgada, desde esse remoto ano de 1537 em que começaram as suas obras até 1622 ano em que chegou pela primeira vez à cidade o seu presente de àgua viva. De então, até hoje, cumpre o seu recado antigo trazendo em cada dia desde a nascente, ao longo de sete quilómetros, àgua de beber…

     Elvas Aqueduto da Amoreira por moitas61.

Talvez que com o “passo certo” com que venceu os séculos e lhe vem da geométrica fidelidade dos seus elegantes arcos, que queria dizer como Martinho Luter:

 “Mesmo que o fim do mundo fosse amanhã

    Plantaria hoje macieiras”

 

Ser semente do futuro

É a mensagem de esp’rança

Que como um recado antigo

A vida nos dá de herança…

 

Maria José Rijo

Mão amiga

 

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publicado por Maria José Rijo às 15:57

É bom lembrar

Quinta-feira, 04.12.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº – 2.474 – 16- Outubro -1998

Conversas Soltas

        

 

 

(A propósito de um livro do Dr. Martinho Botelho)

 

Quando a pastelaria “FLOR” encerrou fui das poucas pessoas que nada disse sobre o facto. No entanto, o seu desaparecimento, atingiu-me com um sentimento de perda irreparável.

É que simultaneamente, com a mágoa, me agradava que tivessem sido os seus proprietários a tomar tal decisão sem que qualquer adversidade a tanto os tivesse impelido. Assim senti um misto de desilusão e conforto que me remeteu ao silêncio.

Para alem da excelente doçaria, do acolhimento de patrões e empregados, do ambiente de família que lá se desfrutava, para mim, e julgo que para muitos outros, a pastelaria “FLOR” era, também, a imagem de uma certa época em que o convívio não se alimentava de “copos” nas noitadas mas, da boa cavaqueira à luz do dia, com chazinho ou capilé e salsa parrilha, para não secar a garganta.

Estou a pensar naquele tempo em que José Tello se sentava invariavelmente à direita quando se entrava, numa mesa que lá estava, às vezes na companhia de sua mulher e, ali naquele cantinho, fazia sala aos seus amigos e admiradores que escutando-o sempre alguma coisa iam aprendendo de Elvas e das suas pessoas ilustres. Gente e histórias que ele conhecia e contava como mais ninguém.

                   

José Tello era um homem de personalidade forte, leal aos seus amigos e de convicções seguras, era um homem ilustre, senhor de uma invejável cultura e sabedoria.

                                                

Muitas vezes me falou de António Sardinha, que muito admirava, de quem foi amigo verdadeiro ao ponto de ter sido ele quem o amortalhou, segundo me contou sua mulher e minha querida amiga S.ª Dona Maria Vitória.

Não era demais que em Elvas se fizesse uma edição de muitos dos seus escritos que dormem esquecidos em arquivos de jornais.

Esta ideia foi lançada aqui, no Linhas de Elvas, pelo Senhor Dr. Martinho Botelho ainda em vida de José Tello, e sei que lhe foi grata.

            

Ao ler um livro (Apontamentos) sobre Campo Maior da autoria do Martinho Botelho - em edição do autor datada de 1996 - livro que durante algum tempo tive à cabeceira e que de vez em quando ainda vou relendo, sem quase dar por isso, associei os dois .

Homens sábios, a quem, por vezes, as suas próprias gentes não pagam como eles merecem a dedicação e a generosidade com que, quase esbanjando, partilham conhecimentos que no estudo e na inteligente observação e investigação foram acumulando sem mais pedirem do que a consolação intima de cumprir um dever. Ensinar, dar a conhecer, fazer amar as terras que lhe são berço é o objectivo que os guia.

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Confesso que gosto “de revisitar”, (como diz um grande amigo meu) de vez em quando, trabalhos como este do Dr. Martinho Botelho que num estilo coloquial, como quem conversa com os seus amigos, desbobina e liga histórias de pessoas, acontecimentos, circunstâncias, que no seu conjunto nos fazem descobrir as raízes dessa terra castiça e bonita que só quase é conhecida pela habilidade criativa com que a suas gente a veste de flores por altura das festas do povo.

povo

Homens destes, são memória viva, são história, são corações pesados de conhecimento a pulsar numa entrega abnegada aos outros homens. São os beneméritos da alma. Quase se escondem. Quase pedem perdão.do valor que têm e vão passando quase ignorados. Depois, quando um dia partem, então, pelo vazio que a sua ausência cria todos se apercebem de como foram notáveis e generosas as suas existências.

Com a consciência de que todas as horas de esquecimento podem ser por nós transformadas em horas de justiça; a dois anos de distância da sua publicação, cabe-me

pela negligencia, pedir desculpa ao autor de “Apontamentos” por só agora expressar publicamente o meu apreço e gratidão  pelos ensinamentos que do seu trabalho recolhi.

.Obrigada. Muito obrigada.

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:26

Saber escutar

Segunda-feira, 28.01.08

Ninguém me tira da cabeça que as coisas falam!

- A cada um de sua maneira! – Concedo. Mas, falam!

Entra-se numa casa, olha-se um objecto com interesse, ou apenas curiosidade e alguém esclarece: - É, ou era, de Meu Pai, ou de minha Avó! Logo cada um de nós só por isso, “sabe” e “ouve” qualquer coisa sobre alguém que poderá até não ter conhecido. Só por um silêncio, um sorriso, ou apenas, uma entoação particular de voz, ou um olhar, se percebe o diálogo íntimo que há entre cada objecto e a pessoa que o usa ou o conhece.

Saber ouvir, saber escutar, parece-me importante para se poder estabelecer laços de alma, parentesco de amor, com a vida à nossa volta.

Andava a pensar nisto a propósito de Elvas e da “tentativa de agressão” que a ameaça.

Elvas é uma cidade viva. Um corpo inteiro, que para ser “operado” – “amputado” ou “enxertado” tem que dar ou recusar o seu próprio consentimento.

Elvas, decide, sobre Elvas: porque Elvas fala, pensa, ama, sofre, trabalha, respira e vive pela boca, pela cabeça, pelo corpo, pelo sangue da sua população.

Elvas é mãe da sua gente – que a terra onde se nasce é mãe também – (diz o poeta).

Elvas canta e chora, orgulha-se e envergonha-se, com o que nela ou com ela, se passa. Elvas tem coração.

      Elvas tem amigos que a conhecem e enaltecem.

Já D. Diniz em 1334 assim dizia: 

                       “ eu por fazer mercê ao concelho de Elvas,

                por que elles ham gram coraçon para me servir…”

 

De Elvas disse António Sardinha em “ de vita et moribus”:

           “ Com seus baluartes, as suas torres, os seus eirados e

                o seu Aqueduto, Elvas é para o caminheiro que passa,

               um apelo súbito às energias mais fundas da nossa

                          sensibilidade “

Eurico Gama conta nas suas “crónicas de Odiana” que lera no jornal

“O Século” – escrito por pena responsável:

               “Elvas é um poema épico que não pode ler-se sem coração”.

E, conta mais. Conta que, de Azinhal Abelho, se gravou em pedra

    esta legenda:

           “Quem passou por ti, Elvas cidade que te marcou

                         com siglas e com chagas?”

E, depois de mais algumas citações, remata com toda a força da sua paixão por esta cidade que amou e serviu como filho dedicado, que sempre soube ser:

              “Vinde, pois, a Elvas, todos os portugueses, e sentires

                       mais ainda orgulho de o ser”.

Depois disto haverá quem duvide que o velho manuscrito onde se lê:

                   “Chave defensa escudo

                    Sou do reino lusitano

                   Freio sou do Castelhano

                     Elvas sou e digo tudo “

 

Tenha sido ditado pela própria cidade e mandado escrever pela mão de alguém, com alma bastante, para entender e traduzir para a linguagem de toda a gente – a voz dum passado de honra e glória – que nos cabe defender – e que cada pedra repete a quem a olhe e saiba escutar? ….

 

Maria José Rijo

 

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Á La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.752 – 14 de Setembro de 1984

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fotos do blog -->  http://olhares-meus.blogspot.com/

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:06

Neste Natal -

Domingo, 02.12.07

Estava para ali descuidada a reler páginas, ao acaso, de livros que volta e meia, folheio por puro prazer de os manusear, quando, na prosa exemplar do grande pensador, que foi, António Sardinha encontrei em - “Do Valor Da Tradição”- o que passo a citar:

Para nós a Tradição não é somente o Passado. É antes a permanência no desenvolvimento.

E mais adiante:

A sociedade é uma criação, não é uma construção, - não é um mecanismo. Porque é uma criação, a sua existência é condicionada por certas leis naturais, de cuja acção convergente um dia resultou. Ora por” Tradição” nós temos que entender necessariamente o conjunto de hábitos e tendências que procuram manter a sociedade no equilíbrio das forças que lhe deram origem e pelo respeito das quais continua durando.

Claro que estou a respigar excertos do texto. Como é óbvio, estou a escolher o que julgo responder melhor a algumas das nossas dúvidas mais comuns sobre tradição, e tradições, conceitos que assimilamos, muitas vezes sem para eles encontrarmos definições que nos satisfaçam.

Penso, que pelo menos, nesta prosa editada em 1942, que mais não seja, como curiosidade, tem interesse adquirir mais estes pontos de referência.

Continuo a citar:

Antecipando-se ao seu tempo, o senhor de Bonald declarava há mais de um século que as instituições do passado, não eram boas por serem antigas, mas eram antigas por serem boas.

Eis aqui o fundamento positivo do “tradicionalismo”.

“A tradição”para nós não vale sentimentalmente, como as ruínas valiam para os românticos, - como uma quantidade morta, que a saudade encheu do seu perfume estranho.

A”Tradição”vale, sobretudo, como a permanência na continuidade

Depois de, citando António Sardinha, falar do valor da tradição, nada mais oportuno que citar um elvense de relevo, o escritor Antonio Thomaz Pires que em 1923 – (tudo lembranças do século passado) – registou para a posteridade em “Estudos e Notas Elvenses”as principais tradições do Natal em Elvas.

Algumas delas, ou muitas delas, terão já caído em desuso.

Porém as guloseimas e comezainas mantêm-se quase inalteráveis, embora a “vigília” já não principie pela consoada ás oito da noite, collação que se compõe de peixe, pão, e esparregado e salada de alfacecom mais ou menos abundância, ninguém resistirá à doce tentação de se regalar com uma azevia, ou uma tirinha de nógado , mantendo assim, viva, pelo menos, a tradição gastronómica, que heroicamente tem resistido ao decorrer dos tempos.

Talvez se tenha perdido um pouco a tradição das searinhas e dos presépios de musgo, e figurinhas...Mas não de todo, bem como as roncas que a pouco e pouco têm vindo a  reganhar o seu espaço cortando, com os seus sons roucos, o silêncio das geladas noites do mês do Menino.

Talvez o pai natal, com o seu colorido e seu saco de brinquedos tenha conquistado um lugar predominante nos nossos costumes, talvez...

Porém, a liturgia diz:

“ Um Menino nos foi dado e ele nasceu para nós!”

A Sagrada Família no Egito

Volto, a António Sardinha:

A dignidade humana só se reconhece nos laços que a ligam ao seu destino imortal no momento em que uma Virgem dá á luz no estábulo de Belém.

Para todos: - Um Santo Natal!

Haja Paz!

                                                 

                     Maria José Rijo

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Jornal linhas de Elvas

Nº 2.741 – 26-12-03

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:53

CARTAS

Quinta-feira, 16.08.07

            As cartas caíram em desuso.

            Ninguém escreve mais a ninguém.

            Tudo hoje se resolve pelo telefone e por fax.

            Na caixa do correio aparece muita papelada, é certo!

            Mas, cartas, cartas de verdade são poucas e raras.

            Atafulham-na as propagandas e as circulares.

            Claro que as circulares vêm em envelopes e até parecem cartas.

            Mas, não! Não são.

            Também envelopados vêm recibos, saldos de contas (minúcias de Bancos!) e, se bem que iguais na aparência também não são propriamente cartas.

            As velhas missivas que se trocavam entre familiares e amigos para contar graças e desgraças de existências que o bem-querer ligava – eram de outra textura.

            Eram feitas de paleio. Paleio que a escrita fixava no papel e se relia retomando-lhe o prazer cada vez que nos apetecesse.

            Para comunicar por carta qualquer pretexto servia, como agora se faz com o telefone.

            Escreviam-se cartas de parabéns, de luto, de namoro, de negócio...

            Contavam-se viagens, passeios, festas... Descreviam-se toilletes. Por carta se namorava.

            Cartas de namoro e cartas de pessoas ilustres ou muito queridas – coleccionavam-se.

            Atavam-se com fitinhas de cor e arrumavam-se em gavetas e baús.

            Depois até isso servia de assunto.

            Os pais às escondidos, contavam às tias: “Eles escrevem-se todos os dias, não sei como têm tanta coisa para dizer...”

            Isto, claro está, não era crítica – era vaidade disfarçada pelas “conquistas” das filhas prendadas.

            É pena!

            É pena que quando agora se abra a caixa do correio nela só se encontrem vestidas de sobrescrito, marcadas com a direcção certa, papelada e mais papelada sem uma palavra que tenha que ver com a nossa particular sensibilidade, com o nosso próprio coração.

            São quase sempre “obra” resultante de estudos de mercado, técnica de vendas, saber de psicologia aplicada.

            Nada que as aparente com as tais outras.

            As que pingavam amor, amizade, notícias privadas, subtilezas, curiosidades.

            “Já compramos o tecido para o vestido -- é guipure”.

            “A tia perdeu este ano nas águas – no hotel do Buçaco – a escalfeta de cobre que usava quando tinha cólicas de fígado. Está inconsolável, coitada! – Não se ajeita aos panos quentes!”

            Corrige a receita dos pastéis que te dei. Não disse, por lapso, que se fazem com açúcar amarelo”.

            “Já sabes o nome da velhota que conserta tapetes de Arraiolos? Manda-mo antes que o Sr. Padre meta o pé no rasgão, caía na Capela e se magoe”.

            Enfim as cartas de verdade, eram cheias destas pequenas delícias que retratavam costumes e falavam de afectos e vivências.

            “Escrevo-te para te contar que os nardos do nosso quintal estão todos em flor. Vou colhê-los e levá-los à igreja. É beleza demais só para mim”.

            Isto não se diz ao telefone.

            Não tem cabimento. Isto é conversa de cartas.

            Afinal, a que vem tudo isto?

            Eu conto:

            Vou estar fora, se Deus quiser, uns tempos.

            Muito ou pouco?! – Não sei.

            Podiam ser três meses! – Não acredito.

            Onde ia eu buscar valentia para estar longe tanto tempo?! – Veremos o que se passa.

            O que eu não era capaz era de fechar a minha janela e desaparecer sem vos deixar uma saudade.

            Disso estou a tratar – por carta – à antiga.

            Porém, de forma mais aconchegante que o telefone e, mais abrangente também, porque assim, espero, chegará até ao meu Amigo da Guarda que me comoveu confessando ter guardado escritos meus e a todos os outros que por mim perguntam quando não “apareço”.

            Então, para todos, deixo uma enternecedora carta de António Sardinha – que tal como eu, não sendo de Elvas, aconchegou Elvas no seu coração.

            Por ela se pode ver de uma maneira muito particular a dimensão de amor do Pai desvanecido que foi e do marido exemplar que igualmente era.

            Melhor de quanto eu pudesse querer contar esta carta, mostra como poderiam ser as cartas.

            É o meu presente de despedida para os vossos corações.

 

            “ Meu Ex.mo Amigo e Sogro:

            Recebi hoje, (...) os seus dois postais que muito agradeço e estimei.

            A Aninhas continua bem. Já ontem teve alta do médico para se sentar na cama

            e dentro de quatro dias vê-la-emos já a pé, ainda que circunscrita ao quarto. Já come

            uns bifes de peito de galinha e acha-se magnificamente disposta com muito leite e

            muita resistência física.

            O morgado esse então chora, dorme e mama, não teve ainda alteração de saúde e

             atira-se como um leão aos peitos da Mãe. Tem fúrias de impaciência quando lhe

             não dão logo o seio e chega a arranhar-se com as unhitas.

            Se assim fôr andando, sem contratempo, dentro de breve estará famoso de

             Dimensões e peso.

            Ontem e hoje muito calor. Não admira. É o solstício a manifestar-se. Todavia,

            Apesar das ameaças, cá vamos escapando sem trovoadas, que seriam de péssimas

            Consequências.

            O Padrinho José sempre fez no dia dos anos o que me disse. Almoçou com a

            Esposa e foi jantar a Portalegre, uma massada épica, sem dúvida!

            A Aninhas e o seu netinho enviam-lhe beijos e abraços. Abraça-o também o seu

            Genro muito agradecido e dedicado.

                                                           António “

 

 

                                                                             Maria José Rijo

@@@@

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.350 – 10- Maio – 1996

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:56





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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