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O REDUTO DOS AVÓS…

Terça-feira, 09.11.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1866 –  12 de Dezembro de 1986

O REDUTO DOS AVÓS…

 

A História das famílias de agora, começa em “Hoje”.

O convívio entre as pessoas, é a troca de meia dúzia de comentários na “bicha” do pão, pela manhã, na “caixa” do supermercado, nas horas de ponta, no balcão da pastelaria ou do bar, frente á “bica”, a correr, depois de cada refeição.

O humano ponto de referência de cada família, corta-se o mais cedo que se pode… temos todos tanta pressa! … Mas, se ao menos soubermos para onde vamos…

Vive-se dentro dum padrão uniformizado.

O filho fica com o biberão, na creche, no jardim da escola. O Pai e a Mãe ficam separados os dias inteiros, correndo atrás do dinheiro para o sustento, cada qual para seu lado.

O Avô e a Avó, ficam com todo o tempo, do seu entardecer, para remoer a saudade e a solidão, no albergue, no lar, no canto frio duma casa vazia…

E neste padrão higienizado, de criar e engordar meninos, com toda a assepsia, é a televisão que conta a história, igual para todos, e é a chucha ou o ursinho de peluche que fazem a ligação com o mundo, ao adormecer… que a voz doce e fraca da Avó, do Avô ou da velha Tia… estabeleciam, falando, aconchegando a roupa da cama… oferecendo presença e apagando a luz, quando a criança já dormia tranquilamente.

Nesta vida consumista, apressada, mal pensada, onde nada se adapta ou aproveita … onde se compra, usa, deita fora… cresce o lixo e a população até nos costumes.

As Avós, que se veneravam, se escutavam religiosamente, (mesmo quando rabujavam) e aí se aprendia a paciência e a deferência… As avós acompanhavam na doença, contavam velhas lendas, histórias de família, pormenores de existência que atavam passado e presente… já não cabem nesta sociedade de urgências.

A sua herança de cultura, de experiência de vida, subtrai-se á formação dos novos com o mesmo sentido “estético” com que se corrige a feição que desagrada.

Por estas razões e outras mais, prolifera a “série” e se perde a qualidade.

 

Estive no reduto dos Avós… ali em Vale de Marmelos. Estão lá docemente acarinhados, mimadas, alojadas como em família… as Avós… que também nós um dia seremos.

E se é verdade que não fomos ainda capazes de as integrar, como também ainda o não fizemos aos deficientes, num quotidiano enriquecido pela presença de todos… saibamos pelo menos, com respeito e gratidão, reconhecer que desde a direcção ao pessoal que os serve e cuida… estão com os “nossos Avós” … os “netos” e os “filhos” … que todos devíamos saber e querer ser.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 16:11

24 de Abril

Sábado, 24.04.10

 

Estamos em Abril, é dia 24, hoje, minha querida Mãe festejaria o seu aniversário.

Gostaria de ser capaz de dizer ou fazer qualquer coisa especial para marcar esta data.
Não sei. Não posso.Só me ocorrem lembranças.
Tudo quanto dissesse, não teria a força o enraizamento na Vida que a própria palavra - Mãe - já exprime.
Minha Mãe teve uma vida longa, partiu à beira de fazer 104 anos. Poderiam ser mais ou menos, isso não importa. As Mães são eternas nas vids dos filhos, mesmo quando eles, se distraem e se esquecem disso.
Quando minha Avó festejou cem anos, minha Mãe tinha uma idade próxima da que eu tenho agora; pensei então que os meus amigos que me visitam, e já são da casa, gostariam de olhar comigo, hoje , uma sua fotografia desse tempo para identificarem de onde vem a saudade que pontua os meus passos, e conduz e segura a minha mão quando, como agora, venho em procura da vossa companhia
Um abraço

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 12:46

Tempo de Avó

Domingo, 09.08.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.848 – 1 Agosto de 1.986

 Tempo de Avó

 

Por estranho que pareça… foi na praia… olhando em redor que outro dia me lembrei de Maria Antonieta, de França.

            

Já perdi o conto aos anos em que li a biografia que dela fez Stefan Zweig, que foi um dos autores mais lidos pela

 

juventude do meu tempo. Já se me esvaíram, também, da memória, os dados históricos que, porventura, nessa obra possa, então ter adquirido.

Algumas cenas porém, pelo seu conteúdo humano, retive-as na lembrança e foram dados tão marcantes da minha sensibilidade que, por vezes, ressurgem das sombras e posso revê-los como que colhidos de fresco.

 

Foi assim agora. – Ao meu redor exibiam-se este ano, um número muito maior de troncos desnudados, do que era usual. A inflação neste campo atingiu percentagens que nenhuma estatística refere com precisão.

Serão agora as mulheres e mais triste ainda, as adolescentes – a disputar também o uso apenas do calção para as delícias da praia toda a possível contabilidade cai pela base!

Sem intenção formada para tal, dei comigo – em tempo de avó – a avaliar este sinal de “progresso” na evolução que tem sofrido a noção de recato e pudor. Achei–me então a recordar as velhas paginas que contam a ultima humilhação

                

da Rainha, que sofrendo perdas de sangue e querendo aparecer decente perante a morte se viu obrigada a agachar ao lado do catre para mudar de camisa. Fez-lhe de biombo com o corpo a caridade da camponesa que a tratava na prisão, já que o soldado que a guardava à vista - não se podia afastar. Porém a prisioneira, como mulher, tem vergonha de deixar roupa manchada aos olhos de estranhos e faz com ela um pequeno embrulho que oculta num buraco da parede.

 

Será que as mulheres mudaram assim tanto?

Será?

 

A meus pés um mar

Na praia...

 

– recordo agora Nemésio

“doce e arável como terra de pão”

– murmurava… murmurava!...

“movimento do mar que coaste em mim!”

 

Escuto… olho… pouco ou nada entendo.

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:35

POEMA - Balada da infância

Quarta-feira, 26.03.08

Ai, mundo da infância,

         Como cabes neste mundo?

Ai, promessas,

         Desejos que é bom não cumprir !

Aí, anseios vagos de raro sabor...

Como a vida a cumprir-vos,

Vos rouba o valor!...

 

… Eu lembro-me ainda!

E como esquecer o mundo das gavetas,

          Proibido de mexer?

As malas da Avòzinha e das Tias,

Que só elas abriam… e em certos dias!...

                           

Ai, encantos meus!

Retalhos de seus encantos…

Que punham cobiça em meus olhos

E nos seus névoas de prantos!...

Bocadinhos de tecidos,

Recordações de bordados

De vestidos e arrebiques

De bodas e batizados!...

 

Ai, tremuras dessas mãos,

Tão velhinhas e tão queridas!...

Ao abrirem as caixinhas,

Onde dormiam as chaves,

Dos caixões das falecidas!...

 

Ai, poemas de saudade,

Em palavras tão singelas!...

 

-- “ Vês isto aqui, minha filha?

“Este caracol tão loirinho?

“Era de teu tio avô, meu irmão,

“O que está neste retrato...

“Morreu muito pequenino…

“Coitadinho!...

“Coitadinho!...

 

(Dizia a avó bondosa

A repor o medalhão,

Entre as dobras de d’algum fato.).

Grande mundo das caixinhas,

Sempre fechadas!...

 

Algumas que se abriam a meu pedido,

Tinham missangas, continhas,

Flores secas e plumas,

Restos de sonhos vividos

Que tinham sempre uma história,

Que eu escutava toda ouvidos!

 

-- “Isto aqui...  

 

(Quanta saudade

          Havia em seu recordar!...)

 

 

“… É um pouco de cambraia

“Que sobrou das camisinhas

“Do enxoval de teu Pai,

“E foram feitas da saia

“Do vestido que eu levei

“Na primeira Comunhão!

“Recordo tanto esse dia!...

“Quando voltámos para casa,

“Vinha eu entre os meus Pais,

“E a ambos dava a mão!

 

-- E esta fita tão linda?

 

--“ Não lhe toques deixa estar!

 

            (E uma nova emoção assomava ao seu olhar!..)

 

             

--“ Foi a última que usou

“Antes de ir para noviça

“A minha amiga de infância,

“Minha prima, a Clarinha,

“Que chegou a superiora

“No convento onde morreu

“E do qual era Padroeira

“A Virgem Nossa Senhora!

        

-- E isto aqui, o que tem?

 

 

           (Logo a Avó, com carinho,

            Desmanchava para eu ver

            Um embrulho feito em linho,

            Não fosse a traça comê-lo!)

 

  

--“ É a trança do seu cabelo!...

  “Vês, querida, como era belo?!...

 

………………………………………………

 

E enquanto febril, extasiadas,

E me quedava a sonhar…

A avó fechava a mala,

Com religioso carinho;

E às vezes, no outro dia,

Inda no ar se sentia

Um cheiro muito suave

De alfazema e rosmaninho!...

 

Foi essa mala tesoiro,

Foram caixas e retalhos,

Foram pontinhas de rendas,

Foram retratos e prendas

Dos noivos de minhas Tias

(De minhas Tias solteiras)

Foram leques, pedrarias,

Restos de sonhos sonhados,

Que a morte fez em bocados,

Que geraram, bem o sei,

Os primeiros sonhos que tive,

Os mais lindos que sonhei!...

 

…………………………………………………

 

Minha avozinha morreu…

Não mais mexe em suas malas.

Agora… mexo-lhes eu!...

 

 

Maria José Rijo

19- Março – 1954

 

I Livro de Poemas

Poema nº 11

Pág. 61

Desenhos da Autora

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publicado por Maria José Rijo às 21:26

Reminiscência --- A Sedução

Quarta-feira, 16.01.08

Uma das maiores seduções da infância, sempre foi e será, o aconchego do colo da mãe, do pai das velhas tias ou dos avós, muito principalmente quando os seus abraços se tornam – ainda - mais amplos pelo acrescente dos xailes com que se abrigam pelas costas nos serões de Inverno. É que, então. Os seus braços abertos, parecem enormes asas protectoras que se fecham quase plasmando as crianças junto aos seus corações.

Quando pequenas, minha irmã e eu, nessas circunstâncias, sempre explorávamos a oportunidade de ficar, ouvindo contos ou histórias e família, até à hora de ir para a cama, que implacável não consentia adiamentos...

(Era a avó corajosa que, da janela, tinha disparado para o ar, a espingarda do avô para afastar os ladrões que rondavam a casa. Era o avô que levava o dinheiro dentro dum cinto tecido em malha de meia, enrolado à cintura quando saía em negócios...eram as suas próprias reminiscências, acordadas do sono da alma para nos entreter e encantar...)

Seguia-se depois o ritual das despedidas, e, antes de deitar, as orações, o aconchegar da roupa, e o apagar do candeeiro de petróleo seguida da última recomendação: - durmam sem medo que estamos aqui e a porta do quarto fica aberta...

Assim acontecia e os risos misturados com o som das vozes no entusiasmo do decorrer do jogo da “sueca” com que, a feijões, “os crescidos” se distraiam nos serões, faziam o embalo para o nosso descanso tranquilo de crianças.

O outro deslumbre da minha vida, eram, as idas ao mês de Maria, à novena do Sagrado Coração de Jesus e outras cerimónias a que nossa Avó decidisse que poderíamos, ou deveríamos ir, e, aí era a sua vez de pedir aconchego no Regaço Materno.

Das idas à missa, também gostava. Minha avó tinha cadeira e genuflexório privado, na Igreja de Estombar, no Algarve, onde isto acontecia. Tinha ela, e tinham todos os frequentadores habituais, porque as Igrejas, pelo menos nas terras pobres, como aquela, então, era, não dispunham de bancos, ou tinham-nos em muito pouco número.

As pessoas assistiam de pé, ou de joelhos às cerimónias. Mais tarde, aí pelos anos – 50 – ainda vim encontrar essa mesma situação na Igreja S. Miguel de Seide, quando visitei a casa de Camilo. Aí, eu própria, me sentei no soalho como os habitantes locais. o que me deu o gosto de uma outra espécie de comunhão na autenticidade da Fé que coabita com a humildade de, em qualquer circunstância se saber dizer – Amem !

Mas, eu vinha contar da maravilha que, na minha infância, era a reza do terço.

Verdade, verdade, eu nem saberia então o que verdadeiramente o terço significava. Só sabia do encanto que era ver as bocas todas a bichanar um palavreado misterioso com as mãos a deixarem correr as contas, com um Cristo crucificado, a balouçar, e os olhos atentos, fixos no sacerdote, de quem  se repetiam as frases.

Algumas contas, de alguns rosários tilintavam como pequenas campainhas, mormente se eram de vidro, e, eram esses sons a causa do meu enlevo, do meu comovido deslumbramento.

Minha avó orgulhava-se do nosso comportamento e, por essa razão levava-nos com ela. O padre até nos ofereceu uns pequenos livros de missa. O meu tinha capa branca, com uma cruz dourada em relevo, e foi prémio da exemplar compostura dos meus escassos cinco anos, o de minha irmã era azul e mais volumoso.

Ainda hoje, que Deus me perdoe, me perco das rezas a olhar as bocas e as mãos dos penitentes – as mãos gastas e calosas, quantas vezes quase enclavinhadas, como que convulsas, lado a lado com outras cheias de anéis com unhas pintadas por onde as contas, também escorrem, uma a uma como lágrimas contidas de súplicas de fundas angustias que só à misericórdia da Mãe, de coração para coração, se confessam, mas que as mãos, muitas vezes, indiscretas, indiciam...

Talvez as crianças de hoje, guardem a memória do tilintar de copos, da música que fazem tinindo em toques de saudações nas reuniões que, quer em casa, quer em bares, já só se fazem de copo na mão como se essa fora a única expressão possível de conviver e mostrar alegria.

Talvez guardem não as confidências dos familiares idosos que fechados no silêncio, definham enfileirados em Lares - nem a lembrança do brilho das contas dos rosários, mas sim a memória dos reflexos das luzes no colorido dos vinhos e licores a escorrer para as bocas de quem - fora de si –se procura...

Talvez! - É que vi – e comparei – o ontem e o hoje, numa reportagem de tirar o sono – a um País - sobre meninos, querendo parecer grandes, no que os grandes têm de pior – (o vício como distracção) – o vício - do álcool...neste mesmo País – o nosso - onde a reforma da educação acaba de  excluir do currículo escolar a disciplina de Moral, por desnecessária- deduz-se!

                         Maria José Rijo

 

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Jornal O Linhas de Elvas

Nº 2.893 – 23-Novembro-2006

Conversas Soltas

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:36

O DIVINO NETO – Á Laia de conto de Natal

Terça-feira, 11.12.07

Tristes ou alegres, doces ou amargos – aqui está a época certa em que “elas” chegam e se instalam sem pedir licença ocupando tudo.

“Elas” estão mesmo presas a tudo – rendemo-nos e deixamo-las fazer de nós “gato-sapato” – que sendo Natal a festa da família, tem forçosamente que ser a festa da saudade e, o reino “delas”das recordações…

 Pois que floresçam!

 

-- No quarto da minha Avó havia um oratório, tinha muitos quadrinhos e lembranças (chaves de urnas, madeixinhas de cabelos baços) e alguns santos. No centro, ao fundo, “O senhor” – pregado na cruz – à frente, um belo menino Jesus, sobre uma peanha e, a seus pés um pequeno presépio (um ex-voto aí, do século XVII, não havia dúvidas)!

Num dos lados uma bonita imagem de Nossa Senhora do Rosário e, do outro, antiquíssima também, outra escultura: - Santo António com o menino Jesus pequenino, nu, sentado sobre o missal, tendo na outra mão o rosário. Enfiada nesse braço, ainda a “coroinha”.

 

Este era o mundo das orações, das preces, da angústia e dos devotos agradecimentos.

Era o altar das reverências.

-- “Vai-te benzer ao oratório! – que são horas de deitar”

-- “Vai pedir a Jesus! – Vai agradecer a Jesus”.

-- “Vai rezar aos santinhos”

--“És capaz de repetir isso ao pé de Jesus?”

-- “Vai acender a luz do oratório! – que isto – que aquilo! … “

--“Alumia Santa Barbara, que vem aí a trovoada!...”

-- “Muda as flores aos santinhos…”

Era assim o ano inteiro.

 

Ah! – Mas no Natal!

No Natal o menino Jesus mudava de roupa. Saia do seu fato de cetim cor de azeite, das suas chinelas bordadas, a cordão com pérolas miúdas, da sua roupinha de Bretanha enfeitada de rendas e fitinhas. Antes de vestir a túnica branca bordada a ouro (pelas mãos habilidosíssimas de uma de minhas tias) que exibira entre os dias de Natal e de Reis, minha Avó despia-“O”, deitava-“O” sobre uma pequena toalha de linho com franjas, que num canto,

a vermelho, tinha a marca “M.J.” (Menino Jesus) bordada em ponto de cruz miúdo – ponto de marca – assim se dizia – já tinha água morna (provada com as costas da mão) na bacia enorme do “lavatório grande” – onde diariamente mergulhava e ensaboava as suas duas netas – e estava interdito a mais, quem quer que fosse – e seguia com carinho o mesmo ritual da cerimónia das abluções. Depois de “O” lavar, voltando a envolve-l”O” na toalhinha bendita, aconchegava-“O” ao peito como se faz às crianças e, dizendo palavrinhas de amor e conforto: - “coitadinho”! – “Está muito frio!” – “Eu visto-“O” já” – “pronto!” – “pronto!”—dava-lhe palmadinhas nas costas e, a seguir compunha-“O “ para ficar durante as “festas” culminando o monte de pedras com musgos, areia e laguinhos de espelhos onde se exibiam – rodeando o Presépio – figuras de barro e celulóide de tamanhos tão distintos , como distintas foram as gerações de que provinham e as acumularam.

Talvez, na tímida e infantil adoração, com que há meio século, minha irmã e eu, olhávamos o “Novo Menino Jesus” – houvesse a ingénua convicção de que “Ele” era também neto da nossa Avó.

 

Ainda hoje, afogada na saudade desse tempo, dou comigo a sorrir, pensando que é a “Ele” agora, que a nossa Avó, lá no céu, aconchega as roupas da cama, falando-lhe de nós com o humaníssimo amor que usava a falar-nos d’Ele.

 

Natal de 1984

 

                             Maria José Rijo

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À La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.765 – 21 de Dezembro de 1984

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:30

Sinais dos tempos

Domingo, 05.08.07

Vamos lá saber porquê, pequenas frases, esparsos de poemas, estribilhos de cantigas, entoações de vozes, se agarram ao nosso pensamento e por lá ficam flutuando...

Vamos lá saber porquê!

Às vezes, parece que desaparecem, que se perdem da memória, como se perdem de vista os pequenos destroços que vão vogando nas correntes de rios tranquilos. Vão para longe, como que sem destino, até que encalham nalguma margem, e por lá se quedam encobertos com a vegetação, como despojos inúteis que ninguém reclama e que o tempo desgasta e consome.

Com as memórias, não.

Elas afastam-se, perdem-se do nosso presente. Aquietam-se no silêncio como se estivessem mortas.

Porém, um dia, num momento inesperado, - vamos lá saber porquê!- elas regressam vivas e frescas à nossa consciência, como na hora em que nelas fixamos a nossa atenção e as guardamos para sempre sem que disso tivéssemos tido , a percepção, sequer...

Mais uma vez assim aconteceu.

Prestando atenção a algumas entrevistas feitas a crianças, e tomando nota da forma displicente como, na sua maioria, elas se dirigem aos adultos, vieram-me à memória lembranças, reminiscências de cenas passadas naqueles velhos tempos em que as “pessoas crescidas”, como era uso das crianças dizerem, eram tratadas com deferência, ou, até, distanciamento cerimonioso.

Nessas épocas, os Mestres, eram as Senhoras ou os Senhores professores, as Senhoras, ou Senhores doutores.

Os neologismos: - Soutora e Soutor, ainda não faziam parte do nosso léxico!

O “bué de fiche”, também ainda não fora inventado; e palavras como gaja, tipo, porreiro, e outras mais, que me recuso ainda a querer achar apropriadas para uma conversa civilizada, faziam parte das expressões dum certo meio libertino a que ninguém se honrava de pertencer.

            Pois, por esses “tempos caretas,” uma Avó pacientemente ensinava sua pequena neta a rezar antes de adormecer.

Segurando-lhe na mão ajudou-a a persignar-se e, começou a recitar em voz alta a Avé-Maria, para que a criança fosse repetindo, o que a menina fazia, com muita atenção e cuidado.

Terminada a oração, notou a Avó que a garota ficara pensativa.

Perguntou-lhe então qual era a apreensão que parecia tirar-lhe o sono.

A resposta veio na forma de interrogação.

Avózinha, esta Maria da oração quem é?

Nossa Senhora, - elucidou a Avó- pois quem havia de ser!

Então, não era melhor dizer: Avé, Senhora Dona Maria?

Desculpe Avó, mas assim, só Maria! - Parece falta de respeito.

Relembrando esta história verdadeira, passada com uma menininha de cinco anos, não resisti a contá-la, porque também por estes pequenos nadas, como são os ditos de crianças, se podem às vezes aferir os sinais dos tempos, e a evolução dos costumes...

 

                                                                  Maria José Rijo

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Revista Norte Alentejo - Crónicas

Nº 20 – Junho / Julho 2002

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:03

Era uma vez

Quarta-feira, 06.06.07

http://www.a-la-minute.blogspot.com/

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Há seis anos, completaram-se agora no dia 22 que nasceu um menino a quem foi dado o nome de Lourenço.

Acontece que esse menino, que foi o primogénito de uma rapariga, recém casada, entrou na vida uma semana antes do falecimento de sua avó materna, que, muito jovem ainda, e, doente então, em fase terminal, rezava em cada dia para que Deus lhe desse o tempo necessário para conhecer esse seu neto e comparticipar da felicidade da filha, que ansiosamente esperava essa maternidade. É verdade que já vivera alegrias iguais quando lhe haviam nascido os dois netos que já tinha, porém, aquele era diferente, porque, para ela, seria o último que poderia conhecer...

E, permitiu Deus que isso assim acontecesse.

Então, tendo o bebé apenas oito dias, na missa de sétimo dia por sua mãe, já então entre os anjos, certamente, o padre autorizou que a jovem mãe desse voz, em nome do Lourenço, à confusão de sentimentos que a sufocavam.

 

Emocionada leu:

 

“Querida Avó Carolina – a quem o Sebastião chamava Avó  Nini fiquei muito contente por a Avó me ter conhecido.

Sei que vai estar sempre a olhar por mim e pelos primos, que vai ser o nosso anjo da guarda.

Sinto o maior orgulho pelo modo como a Avó encarou sempre, com tanta coragem e com tanta fé esta fase tão difícil da sua vida.

Sei que tenho a Avó mais especial do mundo , e vou conhece-la melhor em cada bocadinho seu que ficou na minha Mãe, nos seus outros filhos e em todos que viveram perto de si.

Avó esteja descansada que eu, o Sebastião e a Leonor vamos dar muita força a todos, principalmente à avó... ao avô... e à tia ... e vou pensar em si todos os dias.

Beijinhos Lourenço

 

Eu sei que, esta, é uma história íntima, sei! - Mas também sei que foi publica, porque vivida frente a uma igreja repleta. Logo, lembra-la não constitui inconfidência.

Mas, quem escreve para os jornais são pessoas, pessoas iguais àquelas que lêem as suas crónicas, e todas elas extraem o acerto ou desacerto das histórias que contam das experiências que vivem. Das forças e fragilidades com que se debatem, das dúvidas que as assaltam do sofrimento que suportam, do que as fez pensar, do que as faz rir ou chorar, e também, do que as faz felizes.

Da maneira como se aceita a felicidade, mas também, a dor que lhes bate à porta.

E todos sabemos que a dor sabe as moradas de todos nós sem precisar de códigos...e não se engana jamais no destinatário...

Assim, que hoje, à beira de um aniversário de alegria que convive, em paz, com o seu sentimento oposto – a dor da saudade me calhou fazer esta evocação que afinal apenas fala dos contrastes da Vida, das nossas vidas, onde sempre um sorriso pode coabitar com algumas lágrimas...

            E, então, como quem conta um conto, vou começar:

Era uma vez... Uma avó, que quando criança - com a idade que completa, agora seu neto Lourenço – brincando certo dia, à sombra de uma árvore, perguntou a quem a acompanhava :  - Já reparou nos barulhinhos que fazem as folhas das árvores?

Acha que as árvores também falam? – Acha que isto é a conversa delas?

E logo em seguida, sem dar tempo para que lhe dessem resposta, a menina, seguindo o seu pensamento acrescentou: - não as percebo, não sei língua de árvores, mas falam com certeza!

Não acha?

            As falas do coração resolvem-se muitas vezes num abraço. Num apertado e comovido abraço, e, assim aconteceu dessa vez.

E, nem quando a criança lhe sussurrou ao ouvido: - quando eu crescer quero ser como a tia a resposta se transformou em palavras...

Mas esse sonho de criança ficou como uma estrela, lá longe, marcando um caminho, um caminho em que se aprende que as árvores também falam, que tudo fala, nós às vezes é que fechamos o coração para não ouvir, não entender...

Porque escutar cria muita responsabilidade e, nós temos medo, muito, muito, medo de acreditar que somos capazes...

 

                                               Maria José Rijo

                                      Escritora, Poetisa, Pintora

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.842 – 2- Dez. - 05

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:16

“O Espelho da Sala de Jantar”

Terça-feira, 24.04.07

Sento-me distraidamente à mesa da sala de jantar.

            Estou tão embrenhada nas minhas preocupações que o faço como qualquer despojo que à deriva fosse retido ali antes de seguir na corrente do imparável rio da vida.

            Alguém me dissera: - sente-se à mesa que lhe levo já o pequeno-almoço, e, eu obedeci com a indiferença com que teria feito outra coisa qualquer que me fosse sugerida   Foi então que dei com os olhos no espelho.

            É verdade, o espelho!

            Lá está reflectida a mesa por inteiro. A mesa vazia posta no entanto como sempre para seis pessoas.

            Lugares certos: - os da avó, da mãe, dos quatro filhos quer venham, quer não que os seus lugares permanecem preparados, esperando-os, como acontece no coração da mãe.

            Toalha branca, sempre toalha branca. Ao centro no sentido do comprimento - a mesa é oval e o tampo estende-se por dois metros -  alinham-se a bandeja dos molhos as velas ,a taça  da fruta, o cesto do pão, o vinho - sempre tinto - e com a garrafa sem rolha, e numa das extremidades a pequena salva com os remédios da avó.

            Com flores naturais ou secas, há sempre um pequeno toque de sensibilidade que marca o centro deste lugar de comunhão de afectos ocupado agora apenas por mim.

            Fixo os meus olhos no espelho como se fossem de outrem e cedo à invasão das recordações que me atam a estes lugares.

            A casa está velha, quase decrépita, - quase? - Talvez mais para sim do que para não. , talvez...Os móveis são todos antigos. Alguns a precisar de bons arranjos, mas belos, sólidos. Estão na casa há quatro gerações. Já ninguém dá por eles. Fazem parte das paredes a que sempre estiveram encostados .E o espelho, também.

            Aquela moldura preciosa que o enquadra sempre recebeu a minha atenção. Parece renda. Toda ela é de rosas saídas do pau-preto e florindo suspensas a caminho dos nossos olhos. Coisa linda! Parece retirada do lavrado do Mosteiro da Batalha.

            Agora no espelho imenso, apenas eu, me vejo perdida no silêncio da mesa vazia.

            Os filhos foram tomando seus rumos.

Noutras terras, noutro continente em busca de sonhos ou miragens o pai sempre ausente. A avó então veio sentar-se ali, não, em seu lugar mas, no seu lugar, preenchendo assim a sua própria solidão e a cadeira vaga .

            Agora porém, que não é a algazarra das festas de anos, das reuniões de Natal, das surpresas das visitas dos filhos, do som de esperança dos passitos dos netos, dos amigos com quem sempre se reparte o bolo podre ou a bola de carne que o gosto pela tradição obriga a que se faça mesmo quando o dinheiro escasseia agora , que é a doença que tudo comanda - só agora ,pela ausência dum simples sorriso, daquele jeito generoso de entender mazelas e pequenas misérias, desta condição sem medida de ser gente - só agora é que dou conta de como o belo espelho é frio e de como despida daquela presença, se impõe a decadência dum ambiente onde no entanto uma certa

nobreza se preserva e só a gentileza e a bondade de uma  pessoa revestia de encanto - do seu natural encanto.

            Uma rajada de vento abre o portado da janela por de traz de mim. Por instinto levanto-me para a fechar. Mas não o faço imediatamente. Fico a olhar as copas das árvores que escondidas do avanço do cimento na fundura dos quintais dos antigos prédios aqui da Lapa e da Estrela ainda sobrevivem para falar duma Lisboa que os novos tempos, sem piedade, nem consciência, vão destruindo com a meticulosidade perversa de quem pensa que há futuro sem passado. e há presente sem memória.

             Recordo-me, a mim própria , garota ainda, pela mão de meu avô , temerosa e emocionada a passar ,à noite, sob os plátanos que rasmalhando sem sossego ao compasso da mais leve brisa misturavam os seus sons de mistério com o eco do lúgubre choro dos alcatruzes atados nas velas dos moinhos que do alto dos cerros descia até nós lá por esse Algarve que o dinheiro e a ganância já sepultaram

. Sons da memória. Sons que são a trama da nossa estrutura de ser. Sons de fundo, sobre os quais a vida havia de ir apontando outros como quem reescreve sobre uma pauta já preenchida onde as melodias se sobrepõem e confundem.

            Mais uma vez me evado pelos caminhos da memória que percorro em busca de conforto.

O vento amainou e a aragem fresca que me lambe o rosto seca-me os olhos já cansados das mágoas a que vou resistindo mal.

                Inesperadamente chega-me enchendo o ar um vibrante toque de sinos.

            É a primeira vez que os escuto aqui. Sem bem perceber porquê alegrei-me.

            Corro ao telefone só para anunciar na tua varandinha ouvem-se os sinos da Basílica!

            Depende do vento - é a resposta tranquila que escuto Também costumo escutá-los.

            Os sinos são sempre um sinal...

            Tudo depende dos ventos!

Dos ventos da sorte; fico a pensar.

            Talvez Deus me estivesse a querer dizer: então, então!

            Sou Pai - esqueceste ?

            Infelizmente às vezes a nossa fé é bem menor que o nosso medo!

            Sou obrigada a reconhecer.

                                                Maria José Travelho Rijo

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.459 – 26-6-98

Conversas Soltas

 

Hoje dia 24 de Abril  (1900)  - a linda Senhora D. Ana dos Santos Travelho

-  avó Ana - faria precisamente 107 anos 

Mãe  -- (da  minha escritora e poetisa preferida, e melhor amiga,) --

que eu tive a honra de conhecer.

Não vou nunca esquecer o toque da sua mão na minha, o seu perfume e a forma como dizia o meu nome...

Vou recordar sempre aquela Senhora maravilhosa que falava ternamente

na infancia das suas lindas meninas e do que contava entre sorrisos.

Que no céu, junto do Senhor esteja feliz...

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publicado por Maria José Rijo às 00:49





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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