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O nosso amigo Manuel António

Domingo, 22.02.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº - 2.452 – 6- Maio - 1998

Conversas Soltas

 

 

 Nunca esta expressão: - “o nosso amigo” terá tido tamanha força de significado como hoje e agora referindo, Manuel António Torneiro.

O homem que, ao criar a “Associação dos Amigos de Elvas” acaba de contrair o direito a uma espécie de oficialização desse sentimento de amizade que de uma maneira geral une todos os elvenses, e, de uma forma particular liga todos os elvenses à figura popular e carismática desse “borbense generoso e sonhador que toda a gente identifica.

A iniciativa que Manuel António, tomou traz grandes responsabilidades quer para ele próprio, quer para quem a ela aderir com um verdadeiro: sim!

É que, Amigo! – Amigo não é tarefa fácil...

“Amigo” -como escreveu Alexandre O’Neill:

                                   

(...) “ Amigo” é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,

É a verdade partilhada, praticada.

 

“Amigo” é a solidão derrotada

 

“Amigo” é uma grande tarefa

Um trabalho sem fim,

Um espaço útil, um tempo fértil,

“Amigo” vai ser, é já uma grande festa!

 

Amigo – diz o Poeta – é a solidão derrotada.

Amigos de Elvas – pode ler-se: - Elvas não mais estará só.

Elvas tem quem a reconheça – por enlevo, com direitos de primazia acima de outros quaisquer direitos.

Amigos – também se usa dizer: - são a família que nós escolhemos.

A família é laço – laço de sangue – e, sangue é vida.

Elvas, tem, a partir de agora, à frente da legião dos seus amigos, dos seus defensores de sangue, da sua família de espírito – eleita, por assumida imposição de consciência – o nosso “AmigoManuel António.

É bom reconhecer isso.

É bom acreditar nisso.

Em certa vez, meio a brincar, meio receosa (confesso!) – em casa de um amigo comum, numa festa de aniversário, falei com Manuel António sobre o loteamento da zona de Santo Amaro.

Festa do Padroeiro Santo Amaro

(meio receosa, porque é quase trágico o que por aí nos ameaça!...)

A brincar, porque, qualquer coisa de íntimo, de intrínseco à minha forma de ser, me induz sempre a crer nas pessoas – perguntei a Manuel António se, o tal loteamento, não iria deixar o padrão – que marca a Batalha das Linhas de Elvas – condenado a ficar de “mastro” de S. João no fundo de um qualquer quintal!

Tem-se visto o dinheiro matar tão sem escrúpulos! Fazendo tanta guerra, tanto mal!

Hoje, retiro a pergunta.

Retiro a dúvida e, peço desculpa.

Retiro, até, porque com coisas sérias não se brinca.

E, o Homem, que audazmente encabeça um grupo de Amigos de alguma causa – publicamente se obriga à coerência e ao respeito pela palavra e pela intenção empenhadas.

Padrão de Elvas

O Padrão, agora, sei-o – terá sempre a guarda de espaço envolvente que lhe é devida como guarda de honra e marca do outeiro onde outros homens – outros Amigos – não só de Elvas – mas de uma Pátria – a nossa – lutaram e morreram muito principalmente por nós e pelos que depois de nós hão-de vir.

Toda a luta pela nossa terra é luta pelo futuro.

Obrigada, Manuel António Torneiro.

Espero em Deus, viver ainda o tempo que baste para o ver a si – como vejo agora – o Arquitecto Ribeiro Telles a falar feliz sobre o jardim didáctico e exemplar que está a nascer no alto do Parque Eduardo VII.

Aí, mesmo, onde “o capital” pretendia contra a beleza, o bom senso, o ambiente, a história etc, etc, etc... situar um hotel de luxo.

Espero vê-lo, como o seu espontâneo compromisso o obriga, a ser o mais denodado paladino das causas nobres da nossa cidade.

“Amigo” (recordam-se, vocês aí, Escrupulosos detritos?)

“Amigo” é o contrário de inimigo!”

Assim pensou e escreveu O’Neill. E eu, que o não saberia assim pensar mas, sou capaz de entender, aqui o citei para a reflexão de todos nós. E, fi-lo, com esperança em mim e, em vós.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:06

Um Santo Homem

Quarta-feira, 19.12.07
Jornal Linhas de Elvas –
Nº 2.338 – de 16 de Fevereiro de 2000 
CONVERSAS SOLTAS

Propus-me escrever homenageando a memória do Senhor Padre Lapão, que há poucos dias partiu – para o céu – certamente.

         É curioso que só me ocorre falar de regatos a correr, manhãs de sol, crianças felizes, gatos a brincar, aves em liberdade e outras coisas bonitas de se ver.

         Não me parecendo essa a forma clássica de tratar estes assuntos – pensei dever encontrar outra maneira mais convencional de o fazer.

         Pensei: - mas não é fácil para mim referir com o rigor dum retrato aquele Homem maravilhoso pois que, ligadas a ele só saberei evocar.

         A casa acolhedora.

         A grande cozinha com o lume sempre aceso quer de Verão, quer de Inverno...

         A mesa posta; a comida simples, apetitosa, oferecida com franqueza fidalga.

         O pão alvo, a açorda ou a sopa da panela (solicitada pelos amigos como ex-libris da amizade).

         O rasto, quase provocante do perfume de hortelã, colhida de fresco, que tudo incensava.

         Escrevi: - perfume de hortelã – e estou a pensar se não seria mais ajustado escrever: - perfume de paz, harmonia e santidade.

         Eu não sei se essas abençoadas virtudes têm cheiro.

         Se calhar, até, tudo provinha daquela figura miúda irradiante de humanidade.

         Se calhar era esse o segredo de toda a mística que o rodeava.

         Aquele ar de menino.

         Aquele passinho pulado. Aquele olhar directo, limpo, que se deixava devassar até à alma.

         As alegrias por nada.

         Por nada – não! Não está certo dizê-lo.

         As alegrias dos nadas da vida, talvez!

                       

         Ou, as alegrias da vida, por coisas que para muitos são nada.

         Talvez, seja melhor dizer assim.

         Parece-me injusto. Muito, muito injusto não referir a doce companhia da Irmã que ternamente o chamava de: - Padre João e que como S. José ou Stº. António faziam ao Menino Jesus – trazia também, aquele “menino antigo” ao colo do seu afecto.

         No pátio da entrada da casa da sua residência, há uma árvore grande.

As galinhas e os gatos passeiam-se por ali sem medos.

Água corre a rumorejar devagarinho pelas velhas cadeiras dos muros onde a avenca viceja em fartos tufos.

Como presença do passado algumas mós enormes que falam dum moinho a que se liga toda a história da família.

                

Agora só labora o forno de pão.

Um pão que se come com o gozo do próprio perfume que o impregna.

Coisas boas – sãs – que se não contam e nos deslumbram por ainda existirem fora dos sonhos.

Tanta coisa já escrevi sem dizer o que queria.

Talvez o consiga contando alguns factos.

Sendo factos – aconteceram e por si, algumas coisas ficarão evidentes – creio.

          

Uma vez, fomos de visita ao Padre Lapão. Ele sonhava construir Igreja (que está em meio) e transformar o lugar da “Nora” numa freguesia para facilitar a vida das centenas de almas – que pastoreava – e que dependem de S. Tiago de Rio de Moinhos que lhes fica a quilómetros de distância

Foi então que almoçámos juntos pela primeira vez e falámos desse e de outros assuntos.

                     

Terminada a refeição, visitámos o quintal da casa.

“A horta do Paçal” – pensei.

O Padre à nossa frente apontava isto, aquilo, a salsa, os coentros, o feijão verde... a fartura da casa. Dizia o nome das árvores.

Deliciada, seguia – o.

A certo passo, parou como quem recomenda silêncio e seguiu cauteloso como que em bicos de pés.

Venha cá!

Venha ver!

Fui, esgueirando-me entre arbustos; e eis que na sombra densa dos loureiros aponta um ninho vazio.

É de rouxinol – anunciou. Criaram-se ali.

Não sei o que os meus olhos lhe contaram.

Sei que vi o menino e retribui o sorriso cúmplice daquele momento de encanto em que comigo repartiu o segredo do seu tesouro.

Fora aquele mesmo Homem que apontando uma nascente me esclarecera:

Nunca se tirou daqui, água a motor – Foi sempre “tirada a sangue”.

Entre estas duas surpresas – como entre dois pólos distintos – situo a sua recordação.

Conhecedor da dureza da vida, mas sempre com a alma pairando extasiada nas belezas e milagres que nos oferece o Criador.

Tinha oitenta anos.

Mais de cinquenta de sacerdócio.

Quem o conheceu, há-de lembrá-lo como vivia, era e se mostrava com a simplicidade de:

Um Santo Homem.

 

 

  Maria José Rijo

 

 

 

 

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