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Um Nobre Amigo

Sábado, 02.02.08

Conservo entre os retratos de família, no meu canto predilecto, igualmente emoldurado, um pensamento de Cícero decorado com uma bonita iluminura.

Embora o saiba de memória – gosto de o olhar:

 

“ Ter um amigo

É ter um outro eu;

Quando um está ausente

o outro substitui;

se um é rico o outro de nada

necessita, se é fraco

o outro lhe dá as suas forças”

 

Nesta hora vazia da primeira tarde de sábado, em que se quebra um rito, de fraternal convívio, mantido semelhantemente ao longo de anos, sentada no meu canto, vivendo a certeza de que não mais nos bate à porta o nosso nobre Amigo, volto o meu olhar para o quadrinho que sempre me seduz.

Relei-o e sinto que deve ter sido em momentos semelhantes que Cícero, na sua eloquência, encontrou as palavras para definir tão claramente a amizade.

Só pela perda, quem quer que fosse, poderia precisar tão exactamente o espaço de protecção e confiança, em que uma estima verdadeira envolve que receberam nesta vida o dom de designar alguém por:

                                                O Nosso Amigo!

 

                         Maria José Rijo

 

@@@@@@

A La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1903 – 28 de Agosto de 1987

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:01

O TEMPORA! O MORES!

Segunda-feira, 14.01.08

Assim clamava Cícero contra a perversidade dos homens do seu tempo!

Olho as árvores plantadas outro dia e já morrendo quebradas, e apetece-me clamar como Cícero:Cícero

               Oh! Tempos! Oh! Costumes!

Mas, tenho fé. Tenho fé que hão-de vir tempos que se hão-de prolongar até ao fim dos tempos em que deixará de haver motivos para tal exclamação. Tenho fé que hão-de vir tempos que cada ser humano ao rezar o Padre-nosso há-de pronunciar cada palavra como se a estivesse a descobrir.

Há-de formular cada palavra como se estivesse inventado uma maneira sua de contar o que sente, há-de tomar-lhe o gosto como se a provasse. Há-de sentir na sua alma o seu significado como se a estivesse a dar à luz, e sentirá na pele o arrepio maravilhado da surpresa.

Tenho fé que ao dizer: o pão-nosso de cada dia nos dai hoje…

Ao pronunciar o que às vezes se diz em repetições sem sentido, há-de saber que espécie de pão, é esse pão que pede.

Há-de saber que se Deus criou ao homem corpo e alma – esse pão – é o alimento do todo.

Há-de saber que o alimento da alma, do deleite de viver faz parte o gosto de usufruir com todos os sentidos tudo quanto Deus criou.

Então os homens hão-de saber o Amor que devem ao rio, ao mar, ao respeito por todas as manifestações de vida.

Tenho fé que então não haverá mais flores pisadas, árvores arrancadas, animais maltratados por puro jogo, ignorante malvadez.

E será como filhos de Deus – à Sua imagem criadas – conscientes e agradecidos que havemos de viver a esperança de merecer o direito a esse grito de amor: Pai-nosso!

Seja cada dia um fruto

Cada fruto uma semente

Cada semente o produto

Dos passos dados em frente.

 

                             Maria José Rijo

@@@@@

Á La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.729 – 6 de Abril de 1984

 

 

                                                                                                                                                                                      

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publicado por Maria José Rijo às 16:18





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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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