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10 de Junho de 2010

Terça-feira, 22.06.10

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publicado por Maria José Rijo às 01:11

Motivo de Conversa

Sábado, 21.03.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2016 – 10 de Novembro de 1989

  

Diz um provérbio árabe que só vale a pena atirar pedras às árvores que dão fruto.

Devem de ter razões os árabes.

Atirar, pedras só por atirar, não passa pela cabeça dos árabes (pode deduzir-se).

Deve parecer-lhes coisa à toa, sem sentido e se calhar, os árabes, gostam de identificar o sentido daquilo que fazem.

Desta maneira, atirar às árvores carregadas, dentro da mentalidade árabe, já se justifica.

Haverá sempre hipótese de derrubar alguns frutos para consolar a gula de quem os cobice, ou de amainar a raiva de quem só queira destruir.

De qualquer modo será sempre um gesto com consequências lucrativas para quem o exerça e parece-me que também, a indicação de pistas, ficará a saber onde estão os frutos.

Não sei se isso, foi previsto pelos árabes. Não sei porque o povo português não tem grandes semelhanças com os árabes.

Nunca a imaginação dos portugueses criaria uma “Xerezade”, a “Lâmpada de Aladino”, “Ali Bábá”, as “Mil e uma noites”. Também os espanhóis jamais inventariam tal história.

Mas, em contra partida, D. Quixote, só a Espanha o poderia idealizar. Esse sonhador de quimeras, e o seu pesado contra-ponto Sancho Pança, realista e prosaico, lento e seguro do seu bom senso sem horizontes como o simpático burro que o conduzia – nunca seria, nem por hipóteses, árabe ou português.

Os povos encontraram sempre, na sua sabedoria colectiva, expressões simbólicas ou figuras de lenda e heróis que os representam como reflexo da sua maneira profunda de ser. Da sua verdade interior, da sua génese.

               CAMOES.bmp

Ás vezes, chego a ter pena que Camões tivesse existido, porque Camões é tão genuinamente português, que tinha todos os condimentos para ser mentira. Para ser a figura de ficção criada pela alma do povo que se lançou mar-a-fora, à procura da sua história no caminho dos descobrimentos.

                

Talvez por isso, o português saudosista, gema o fado, os

                          

 

espanhóis dancem como a contorcer-se em estertores de amor e agonia, e os

                                 

árabes “Lamuriem” os seus salmos sem fim como se tivessem que durar as “mil e uma noites”.

Ou talvez não seja nada disto, que pensei, por acaso, e achei engraçado para motivo de conversa.

 

 

Talvez até quem goste de conversar a falar se entenda sem atirar pedras.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:16

Dó -Em dia de Camões!

Domingo, 10.06.07

A palavra mais frequente quando se manifesta pesar pelo falecimento de alguém costuma ser: - pêsames!

Também a palavra dó, que todos nós conhecemos e usamos quando qualquer sentimento de piedade nos confrange o coração, costuma ser utilizada em manifestações de luto com a mesma intenção – expressar mágoa – pela morte de alguém.

No entanto, parece-me que ao ser pronunciada a formula - sentidos pêsames – ela, só por si, não estabelece uma partilha afectuosa   entre os intervenientes.

É como quem se desfaz de um mau estar que o incomoda e o passa de mão.

Deu pêsames, estão dados, e acabou-se!

Porém, se disser o meu profundo dó! – já parece estar repartindo um sentimento que em si próprio  permanece  mesmo depois de confessado.

Do que não restam dúvidas, porém, é que, em qualquer das circunstâncias se confessa uma certa preocupação em confortar quem sofre mostrando que se comparticipa desse mesmo sofrimento.

Parece, que não tendo morrido, agora, alguém muito conhecido por aí, esta lucubração venha um tanto a despropósito.

Penso que não.

É  que não são apenas os falecimentos das pessoas que merecem luto.

Merece tanto, ou mais luto ainda, a perda de valores, como a honra, a vergonha, a dignidade, o brio, até a simples compostura.

Daí, que quando se reconhece, que nada disso já vale um vintém furado, embora o vintém já nem tenha cotação nem equivalência no mercado financeiro, o sentimento que nos avassala só possa ser de luto, e a sua manifestação um sentido - dó.

D. João de Castro -IV vice-rei da Índia, empenhou as suas barbas, que homem de barbas era homem de vergonha e honra, e por cumprimento da sua honrada palavra as cortou.

Que a palavra compromete e a honra a defende.

Egas Moniz nos alvores da nossa nacionalidade oferecendo a vida como penhor da sua palavra, deixou seu testemunho para a posteridade, de quanto vale um compromisso de honra.

Os tempos são outros.

Os jornais e os noticiários enchem-se de relatos de corrupções e outras atitudes quejandas que ameaçam pela falência dos bons costumes, da honradez e da coragem, a estabilidade do povo lusíada que o grande Épico cantou, e que somos, já com novecentos anos de história.

Como o sofrimento é a grande escola da Vida, e é de confusão e sofrimento a hora que passa, tenhamos fé nas gerações que hão-de renovar Portugal reabilitando e honrando valores ancestrais eternos e, púnhamos nelas a nossa esperança.

                                                              Maria José Rijo

                                                 Escritora e poetisa - Pintora e articulista

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Jornal Linhas de Elvas

16-junho – 2005 – Nº 2.818

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 00:31





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