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Saudades

Quinta-feira, 01.12.16

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1999-2016 = 17 Anos de Saudades

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 O ESPELHO DA SALA DE JANTAR

Sento-me distraidamente à mesa da sala de jantar.

Estou tão embrenhada nas minhas preocupações que o faço como qualquer despojo que à deriva fosse retido ali antes de seguir na corrente do imparável rio da vida.

Alguém me dissera: - sente-se à mesa que lhe levo já o pequeno-almoço, e, eu obedeci com a indiferença com que teria feito outra coisa qualquer que me fosse sugerida  Foi então que dei com os olhos no espelho.

É verdade, o espelho!

Lá está reflectida a mesa por inteiro. A mesa vazia posta no entanto como sempre para seis pessoas.

Lugares certos: - os da avó, da mãe, dos quatro filhos quer venham, quer não que os seus lugares permanecem preparados, esperando-os, como acontece no coração da mãe.

Toalha branca, sempre toalha branca. Ao centro no sentido do comprimento - a mesa é oval e o tampo estende-se por dois metros -  alinham-se a bandeja dos molhos as velas ,a taça  da fruta, o cesto do pão, o vinho - sempre tinto - e com a garrafa sem rolha, e numa das extremidades a pequena salva com os remédios da avó.

Com flores naturais ou secas, há sempre um pequeno toque de sensibilidade que marca o centro deste lugar de comunhão de afectos ocupado agora apenas por mim.

Fixo os meus olhos no espelho como se fossem de outrem e cedo à invasão das recordações que me atam a estes lugares.

A casa está velha, quase decrépita, - quase? - Talvez mais para sim do que para não. , talvez...Os móveis são todos antigos. Alguns a precisar de bons arranjos, mas belos, sólidos. Estão na casa há quatro gerações. Já ninguém dá por eles. Fazem parte das paredes a que sempre estiveram encostados .E o espelho, também.

Aquela moldura preciosa que o enquadra sempre recebeu a minha atenção. Parece renda. Toda ela é de rosas saídas do pau-preto e florindo suspensas a caminho dos nossos olhos. Coisa linda! Parece retirada do lavrado do Mosteiro da Batalha.

Agora no espelho imenso, apenas eu, me vejo perdida no silêncio da mesa vazia.

Os filhos foram tomando seus rumos.

Noutras terras, noutro continente em busca de sonhos ou miragens o pai sempre ausente. A avó então veio sentar-se ali, não, em seu lugar mas, no seu lugar, preenchendo assim a sua própria solidão e a cadeira vaga .

Agora porém, que não é a algazarra das festas de anos, das reuniões de Natal, das surpresas das visitas dos filhos, do som de esperança dos passitos dos netos, dos amigos com quem sempre se reparte o bolo podre ou a bola de carne que o gosto pela tradição obriga a que se faça mesmo quando o dinheiro escasseia agora , que é a doença que tudo comanda - só agora ,pela ausência dum simples sorriso, daquele jeito generoso de entender mazelas e pequenas misérias, desta condição sem medida de ser gente - só agora é que dou conta de como o belo espelho é frio e de como despida daquela presença, se impõe a decadência dum ambiente onde no entanto uma certa

nobreza se preserva e só a gentileza e a bondade de uma  pessoa revestia de encanto - do seu natural encanto.

Uma rajada de vento abre o portado da janela por de traz de mim. Por instinto levanto-me para a fechar. Mas não o faço imediatamente. Fico a olhar as copas das árvores que escondidas do avanço do cimento na fundura dos quintais dos antigos prédios aqui da Lapa e da Estrela ainda sobrevivem para falar duma Lisboa que os novos tempos, sem piedade, nem consciência, vão destruindo com a meticulosidade perversa de quem pensa que há futuro sem passado. e há presente sem memória.

Recordo-me, a mim própria , garota ainda, pela mão de meu avô , temerosa e emocionada a passar ,à noite, sob os plátanos que rasmalhando sem sossego ao compasso da mais leve brisa misturavam os seus sons de mistério com o eco do lúgubre choro dos alcatruzes atados nas velas dos moinhos que do alto dos cerros descia até nós lá por esse Algarve que o dinheiro e a ganância já sepultaram.

Sons da memória. Sons que são a trama da nossa estrutura de ser. Sons de fundo, sobre os quais a vida havia de ir apontando outros como quem reescreve sobre uma pauta já preenchida onde as melodias se sobrepõem e confundem.

Mais uma vez me evado pelos caminhos da memória que percorro em busca de conforto.

O vento amainou e a aragem fresca que me lambe o rosto seca-me os olhos já cansados das mágoas a que vou resistindo mal.

Inesperadamente chega-me enchendo o ar um vibrante toque de sinos.

É a primeira vez que os escuto aqui. Sem bem perceber porquê alegrei-me.

Corro ao telefone só para anunciar na tua varandinha ouvem-se os sinos da Basílica!

Depende do vento - é a resposta tranquila que escuto Também costumo escutá-los.

Os sinos são sempre um sinal...

Tudo depende dos ventos!

Dos ventos da sorte; fico a pensar.

Talvez Deus me estivesse a querer dizer: então, então!

Sou Pai - esqueceste ?

Infelizmente às vezes a nossa fé é bem menor que o nosso medo!

Sou obrigada a reconhecer.

 

Maria José Travelho Rijo

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Nº 2.459 – 26- Junho-1998

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

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publicado por Maria José Rijo às 00:00

Carta Carolina - 5

Sexta-feira, 14.12.12

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publicado por Maria José Rijo às 19:39

Carta Carolina - 4

Quinta-feira, 15.11.12

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publicado por Maria José Rijo às 22:37

Cartas Carolina - 3

Sexta-feira, 02.11.12
 


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publicado por Maria José Rijo às 21:57

Cartas Carolina 2 -

Sexta-feira, 12.10.12
 


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publicado por Maria José Rijo às 21:19

Cartas Especiais - 2 - 1955

Quarta-feira, 26.09.12
Cartas de Maria Carolina para a sua Tia Zé

 


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publicado por Maria José Rijo às 23:37

Tem uma certa graça...

Domingo, 08.03.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.960 – 13 de Março de 2008

Conversas Soltas

 

 

Pelo menos, a mim pareceu-me engraçado tornar pública uma velha fotografia que, não emparelhando com qualquer outra, sobrou, e guardei como se guarda o calhau da beira mar, o bilhete do circo, a flor seca – sem razão especial – mas guarda-se.

Um velho amigo, o Dr. Falcato pediu-nos certa vez, à Paula e a mim, ajuda para organizar álbuns com as fotografias que guardava, aos montes em caixas meio desconjuntadas.

Conhecendo algumas particularidades da sua vida que lhe tinham proporcionado amizades e convívios interessantes, aceitamos a incumbência, com curiosidade.

Foi divertidíssima a empreitada.

                        

Eram bispos, eram antigos primeiros-ministros, eram figuras femininas de grande destaque intelectual ou político. Eram recordações de inaugurações e eventos de toda a espécie a que estivera ligado, quer como jornalista, quer como assessor de um membro de um governo.

A certa altura eram tantas as repetições dos mesmos personagens embora em acontecimentos diversos que já nos riamos procurando os montes das Marias, dos Almeidas Santos, dos Zenhas, dos Veigas Simão, identificando-os sem perguntar.

Eis que nos surge um retrato com duas crianças e uma senhora ainda jovem que não pertencia a nenhum dos montinhos.

Separamo-la para indagar, quando fosse possível, a que circunstância se referia.

              

Foi então, que, com surpresa nossa, ficamos a saber que se tratara de uma visita ao palácio de Vila Viçosa, que fora proporcionada aos pequenos Príncipes do Mónaco, quando em visita ao nosso País.

 

É pois Carolina do Mónaco quem está de costas e seu irmão, o príncipe Alberto, de frente, com sua dama de companhia, estando todo o grupo interessado nas explicações do Dr. Falcato, o cicerone, na circunstância.

Sem mais a que se pudesse juntar, e sem álbum onde fizesse parte da história, para enviar de presente aos retratados, como aos outros, aconteceu – aqui ficou esquecida, aconchegada entre outros documentos que se conservam, quase por acaso.

Lendo recentemente e ouvindo na tele, bisbilhotices sobre figuras da sociedade em foco, tomei conhecimento de que Alberto do Mónaco vai casar, mudar de noiva, ou coisa semelhante. Apercebi-me que, nas colunas sociais, para além de o avaliarem como “partido” também discutem a sua figura. Bonito, feio, assim, assim...divergem os pareceres.

Escalpelam-lhe a vida, até ao número dos sapatos...

Porém, ninguém deu opinião sobre o seu carácter.

A sua forma de estar entre os demais.

                  

Do seu relacionamento ou respeito pelas mulheres – apenas que tem filhos de duas - que, para sentar no trono não estão à altura da sua real condição! - Isto contado como quem relata a mudança das poltronas lá de casa...

Pareceu-me que para quem faz, um certo tipo de revistas, um príncipe ainda é uma criação de contos de fadas, e, não, um ser humano, com deveres e direitos como todos os mortais, e lamentei de coração que estes assuntos sejam tratados em cor de rosa, com marchas nupciais em fundo.

 

Sendo hoje o “dia mundial da mulher” pensei mostra-lo como a criança, que foi, idêntico, então, também, a todas as crianças.

Tenho a certeza que, neste parecer, haverá unanimidade.

 

Maria José Rijo  

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publicado por Maria José Rijo às 00:07

Decorações de Natal...

Sexta-feira, 14.12.07

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Fotos do Blog -- http://olhares-meus.blogspot.com/

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publicado por Maria José Rijo às 01:36

Conversas de Natal

Quarta-feira, 05.12.07

Jornal Linhas de Elvas -

Nº 2.637 – 21 de Dezembro de 2001

ENTREVISTA Sraª. D. Maria José Rijo

 Em

Conversas de Natal 

“Gostaria de fazer uma viagem no tempo”

Desde os tempos mais remotos que o Natal é um dos momentos mais maravilhosos na infância de uma pessoa. Maria José Rijo, com a grande experiência de vida que tem, atravessou várias fases da quadra natalícia. A mudança dos costumes e da tradição não lhe são indiferentes.

        Cresceu num meio e num tempo em que a festividade era uma época de sonho e continua a acreditar que só é Natal se se tentar manter esse espírito.

        Num tempo em que não se dizia Natal, mas sim “a festa” , o “mês do Menino” , ou ainda “vamos festejar o nascimento”, todos estavam muito ligados à figura de Jesus. Essa era a base da alegria do momento.

        Com a televisão, “todos estes sentimentos são vendidos ao desbarato”. As pessoas perderam a noção do que é verdadeiramente original. Enfeita-se a porta de casa, a árvore de Natal, mas apenas se estão a cultivar os sinais exteriores. O Natal é, ou deveria ser, acima de tudo, uma festa de interiorização.

Linhas de Elvas (LE) –> O que recebia no Natal quando era criança?

Maria José Rijo (MJR) –> Recebia bonecas, mobílias em miniatura, chocolates. Não tínhamos muitos brinquedos. Recebíamos alguns jogos, dominó, o jogo da glória, o loto para brincarmos ao serão, quando estávamos doentes ou quando estava a chover e não podíamos ir para a rua. Havia sempre alguém que estivesse disponível para brincar connosco. Não tínhamos a abundância que se tem hoje, em que cada criança tem uma loja. Na altura dizíamos: “a minha boneca, a minha caminha, o meu jogo” , porque tínhamos apenas um. Identificávamo-nos mais com as nossas coisas.

 

                  (Registo- Trabelho de Maria José )

L.E. -> A Tradição ainda é o que era?

MJR -> Não. Principalmente porque se cultiva muito o exterior.

         No meu tempo as crianças tinham um leque de cobiças, mas, por outro lado, identificavam melhor o prazer das coisas.

         Os chocolates bons, as caixas bonitas de chocolates, as ameixas de Elvas chegavam ás nossas casas pelo Natal. As coisas não estavam banalizadas.

         Hoje as crianças têm tudo sem apreciarem nada, não sonham com coisa nenhuma.

         O facto das mulheres terem ganho o direito de trabalhar fora de casa, fê-las relegar os meninos um pouco para a prateleira. As crianças têm necessariamente menos qualidade no afecto. Para os compensar do pouco tempo que passam com eles, começam a comprar. Mas não é um comboio eléctrico que vale uma tarde de colo e de miminhos.

         Claro que hoje há coisas maravilhosas, mas em algumas coisas perdeu-se a noção da primordialidade que têm.

 

             (Registo - trabalho feito por Maria José Rijo)

L.E -> O que é para si o verdadeiro espírito do Natal?

MJR -> É o espírito de família, é pensar nos outros. Por exemplo no Baixo Alentejo, onde eu vivia, as pessoas mais humildes cantavam à porta das pessoas que tinham mais. Estes recebiam-nos, mandavam-nos entrar, ofereciam-nos filhós e azevias. Era uma oportunidade para conviverem com outras classes.

         Dentro desse espírito de família, os mais carenciados eram convidados para passarem o Natal com os mais abastados.

 

L.E -> Qual é o mais bonito gesto que se pode ter no Natal ?

MJR -> Eu acho que é tentar identificar as carências das pessoas e, discretamente, arranjar forma de colmatar essas falhas.

Era ponto de honra do meu avô e da minha avó, quando sabiam que alguém passava necessidades, ajudar sem que a pessoa soubesse quem era o autor. Nas vésperas de Natal, principalmente, aproveitavam para transmitir essas mensagens de amor. Colocavam o dinheiro ou os géneros na medida das suas possibilidades, à porta da pessoa e não diziam nada a ninguém.

 

L.E -> Pensa que o Natal é quando o homem quiser?

MJR -> Creio que dentro do coração de cada um, é . Se a pessoa cultivar a fraternidade e o respeito pelos outros, se pensar um pouco menos em si e um pouco mais nos outros, acho que é possível.

         Eu sou muito virada para a comunidade. Gosto muito de coisas bonitas mas não me agarro a nada. Sou capaz de dar tudo. A única coisa a que me sinto, realmente, ligada é aos meus livros. Fazem muito parte da minha vida, são fruto de opções.

 

L.E -> Em quem acredita: no Menino Jesus ou no Pai Natal?

MJR -> O Pai Natal para mim, não tem sentido. A mim sempre me ensinaram que quem trazia as prendas era o Menino Jesus, se nos portávamos bem o ano inteiro. A minha avó ensinava-nos a rezar quando éramos pequeninas: Menino Jesus perdoa as maldades que hoje fiz e ajuda-me a ser boa. Rezava isto, todas as noites e quando chegava perto do Natal fazia-se o balanço. Então achas que mereces as prendinhas do Menino Jesus? Era o menino que tinha essa responsabilidade.

 

L.E -> Qual a prenda que gostaria de receber nesta quadra?

MJR -> Queria muito a segurança na saúde da minha mãe. De material não há nada que cobice. Gostaria de fazer uma viagem no tempo. Tenho muitas saudades das pessoas do antigamente.

 

 

L.E -> Qual é a tradicional gastronomia alentejana da quadra natalícia?

MJR -> No Alentejo, os pratos mais típicos são os de peru, do lombo com amêijoas, as migas. Havia também, sempre um prato de peixe. Acho que o prato de peru não é uma tradição portuguesa, mas começou a entrar muito cedo nas nossas mesas devido à face criação da ave. A gastronomia do Alentejo sempre assentou nas coisas que havia. Temos também o arroz doce, os borrachos, as azevias que no baixo Alentejo se chamavam pastéis de batata-doce.

L.E -> CoNatal é a nsidera que o altura dos milagres?

MJR -> Nunca tinha pensado nisso, mas talvez seja. Porque o espírito de Natal, por vezes, toca tanto nas pessoas que, na medida em que conseguirem ser menos egoístas, mais generosas e voltadas para os outros, acaba por ser. O milagre pode ser esse…

         Ás vezes penso no Natal um pouco como penso em Fátima. Não sei se realmente existe, mas acredito muito no ser humano e acho que dentro de nós existe um desejo de crescer e de ser bom. Se há coisas que se fazem mal é porque as pessoas estão revoltadas, não receberam o crédito que achavam merecer.  

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:06

Era uma vez

Quarta-feira, 06.06.07

http://www.a-la-minute.blogspot.com/

--

Há seis anos, completaram-se agora no dia 22 que nasceu um menino a quem foi dado o nome de Lourenço.

Acontece que esse menino, que foi o primogénito de uma rapariga, recém casada, entrou na vida uma semana antes do falecimento de sua avó materna, que, muito jovem ainda, e, doente então, em fase terminal, rezava em cada dia para que Deus lhe desse o tempo necessário para conhecer esse seu neto e comparticipar da felicidade da filha, que ansiosamente esperava essa maternidade. É verdade que já vivera alegrias iguais quando lhe haviam nascido os dois netos que já tinha, porém, aquele era diferente, porque, para ela, seria o último que poderia conhecer...

E, permitiu Deus que isso assim acontecesse.

Então, tendo o bebé apenas oito dias, na missa de sétimo dia por sua mãe, já então entre os anjos, certamente, o padre autorizou que a jovem mãe desse voz, em nome do Lourenço, à confusão de sentimentos que a sufocavam.

 

Emocionada leu:

 

“Querida Avó Carolina – a quem o Sebastião chamava Avó  Nini fiquei muito contente por a Avó me ter conhecido.

Sei que vai estar sempre a olhar por mim e pelos primos, que vai ser o nosso anjo da guarda.

Sinto o maior orgulho pelo modo como a Avó encarou sempre, com tanta coragem e com tanta fé esta fase tão difícil da sua vida.

Sei que tenho a Avó mais especial do mundo , e vou conhece-la melhor em cada bocadinho seu que ficou na minha Mãe, nos seus outros filhos e em todos que viveram perto de si.

Avó esteja descansada que eu, o Sebastião e a Leonor vamos dar muita força a todos, principalmente à avó... ao avô... e à tia ... e vou pensar em si todos os dias.

Beijinhos Lourenço

 

Eu sei que, esta, é uma história íntima, sei! - Mas também sei que foi publica, porque vivida frente a uma igreja repleta. Logo, lembra-la não constitui inconfidência.

Mas, quem escreve para os jornais são pessoas, pessoas iguais àquelas que lêem as suas crónicas, e todas elas extraem o acerto ou desacerto das histórias que contam das experiências que vivem. Das forças e fragilidades com que se debatem, das dúvidas que as assaltam do sofrimento que suportam, do que as fez pensar, do que as faz rir ou chorar, e também, do que as faz felizes.

Da maneira como se aceita a felicidade, mas também, a dor que lhes bate à porta.

E todos sabemos que a dor sabe as moradas de todos nós sem precisar de códigos...e não se engana jamais no destinatário...

Assim, que hoje, à beira de um aniversário de alegria que convive, em paz, com o seu sentimento oposto – a dor da saudade me calhou fazer esta evocação que afinal apenas fala dos contrastes da Vida, das nossas vidas, onde sempre um sorriso pode coabitar com algumas lágrimas...

            E, então, como quem conta um conto, vou começar:

Era uma vez... Uma avó, que quando criança - com a idade que completa, agora seu neto Lourenço – brincando certo dia, à sombra de uma árvore, perguntou a quem a acompanhava :  - Já reparou nos barulhinhos que fazem as folhas das árvores?

Acha que as árvores também falam? – Acha que isto é a conversa delas?

E logo em seguida, sem dar tempo para que lhe dessem resposta, a menina, seguindo o seu pensamento acrescentou: - não as percebo, não sei língua de árvores, mas falam com certeza!

Não acha?

            As falas do coração resolvem-se muitas vezes num abraço. Num apertado e comovido abraço, e, assim aconteceu dessa vez.

E, nem quando a criança lhe sussurrou ao ouvido: - quando eu crescer quero ser como a tia a resposta se transformou em palavras...

Mas esse sonho de criança ficou como uma estrela, lá longe, marcando um caminho, um caminho em que se aprende que as árvores também falam, que tudo fala, nós às vezes é que fechamos o coração para não ouvir, não entender...

Porque escutar cria muita responsabilidade e, nós temos medo, muito, muito, medo de acreditar que somos capazes...

 

                                               Maria José Rijo

                                      Escritora, Poetisa, Pintora

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.842 – 2- Dez. - 05

Conversas Soltas

 

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